sexta-feira, 30 de junho de 2017 32 comentários

Pequeno Dicionário de Umbanda. 1ª Parte - Letra: A à Letra: C


          
                   
Esse texto de hoje é um pedido especial de vários e vários amigos, que por muitas vezes entram em contato conosco por diversos meios, apenas para tirar dúvidas em certas palavras ditas em terreiros, templos, tendas e casas de Umbanda.

Como foram muitos pedidos, selecionamos algumas palavras usadas dentro da Umbanda e até mesmo em outras religiões afro brasileiras para fazer esse pequeno dicionário a todos que se interessarem. E para não ficar algo maçante de se ler, dividimos em 3 partes.

Os links de cada parte posterior a esse são:


Espero que todos apreciem, pois o saber é algo maravilhoso.

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*LETRA A*

ABAÇÁ: Templo, tenda, terreiro de Umbanda. Casa umbandista, onde se tem
as sessões espíritas.

ABACÊ: Cozinheira que prepara as comidas de Santo, no culto JeJê.

ABADÁ: É o nome dado a uma túnica larga e de mangas compridas, usada
nos terreiros pelos homens.

ABADÔ: Parte da vestimenta de Oxum.

ABALÁ: Comida muito semelhante ao acarajé.

ABAÔ: Quer dizer um iniciante do sexo masculino, desenvolvendo-se
mediunicamente no terreiro de Umbanda.

ABARÁ: Comida dos pretos africanos como seja bolo de feijão, que vem
enrolado em folha de bananeira.

ABARÉ: Nome dado ao médium desenvolvido.

ABARÉ GUASSU: O mesmo que grande trabalho.

ABARÉ MIRIM: Médium em desenvolvimento.

ABATÁ: Sapato ou qualquer tipo de calçado.

ABEDÊ: É o leque de Oxum, quando feito de latão.

ABICUN: Uma criança que desencarna logo após o parto.

ABÔ DOS AXÉS: Água contendo ervas maceradas, não cozidas.

ABRIR A GIRA: Significa o início ou abertura dos trabalhos nos
terreiros de Umbanda.

ABROQUE: É um manto usado somente pelas mulheres durante uma sessão de Umbanda.

ACAÇÁ: Comida ou alimento dos Orixás. Bolo feito com massa de farinha
de milho branco ou arroz, cozido em água, sem sal e envolto em folhas
de bananeira. É comida votiva do Oxalá, mas pode ser ACARAJÉ.

ACARAJÉ: Comida de santo feita na base de feijão fradinho com pimenta
malagueta, camarões e também outros temperos. É a comida de Iansã.

ACENDE CANDEIA: Planta muito utilizada para banhos. Conhecida também
como Candeia Mucerengue

ADARRUM: É o toque feito seguidamente pelos atabaques quando da
invocação dos protetores para incorporarem nos médiuns.

ADÉ: Homem com trejeito femininos, homem afeminado.

ADJÁ: É uma campainha (sino) usada nas cerimônias de terreiro. É um
instrumento utilizado pela entidade chefe ou Zelador, ou ainda pelos
auxiliares durante as giras para ajudar na incorporação de médiuns
iniciantes, ou de médiuns com Falangeiros que tomam excesso de carga
espiritual do mesmo.

ADOBALÉ: Nome dado ao ato de deitar-se no chão para ser abençoado pelo
Orixá.

ADUPÊ: Bode.

AGÉ: Pessoa que não entende o Ritual.

AGÔ: Significa pedir licença ou permissão, em outros momentos em que
este termo traduz perdão e proteção pelo que se está fazendo.
Ex.: Agô meu Pai agô.

AGOGÔ: Instrumento de percussão feito de boca de sino que marcam o
toque dos orixás e os pontos das Entidades de Luz.

AGUIDAVIA: Varetas de cipó, goiabeira, marmelo ou ipê utilizadas para
tocar Atabaque.

AGURÊ: Toque em ritmo muito lento para chamar ou homenagear Iansã.

AIA: Toalha branca para uso em terreiro.

AIEIEU OU ORAAIEIEU: saudação a Oxum.

AIOCÁ: Referente à Iemanjá e ao fundo do mar.

AIUKÁ: Fundo do mar. Também se diz os domínios de Iemanjá Rainha do
Aiuká.

AJÉ ou AKÃ: Faixa usada para amarrar no peito dos médiuns
incorporados.

AJUCÁ: É a festa da Cabocla Jurema entre os capangueiros.

AKIKÓ: Galo.

AKOKEM: Galinha d'angola.

AKUKÓ: O mesmo que Akikó, ou seja galo.

ALDEIA: Povoado de índios. Tratando-se de terreiros, esta palavra quer
dizer a moradia dos espíritos de caboclos na Aruanda.

ALFANJE: Sabre curvo, um tanto curto e de lâmina larga.

ALGUIDAR: Vasilha ou bacia de barro usada para entregas, acendimento
de velas, depósito de banhos, entrega de comidas e defumação.

ALIBÃ: Mesmo que polícia.

ALUBOSA: Cebola.

AMACI NI ORY: Cerimônia da lavagem (feitura) de cabeça dos médiuns.

AMACI: Líquido preparado de folhas de ervas, macerados pela Iabá ou
Babalorixá ou Ialorixá, onde depois de preparado fica curtindo por alguns
dias, dependendo da linha de Orixá ao qual se destina o Amaci.

AMALÁ: Comida de Santo.

AMARRADO: Estado do indivíduo que se encontra perturbado e
influenciado por espíritos e forças maléficas que se agregam a ele e o
prejudicam na vida material e espiritual, sugando suas energias e o
levando a falta de evolução.

AMOBIRIM: Mulher que não casou , mulher solteira.

AMOLOCÔ: Comida de Oxum.

AMPARO: Chicote sagrado usado especialmente para afastar espíritos
atrasados e maléficos.

AMULETO: Objeto feito artesanalmente e cruzado pela entidade Chefe do
terreiro, onde tem por finalidade dar a proteção ao indivíduo que o
usa. Pode ser usado pendurado no pescoço, no bolso, em bolsas, no
carro, ou onde for determinado pela Entidade de Luz. O mesmo que
Patuá.

ANGOLA: Região do sudoeste da África, de onde vieram negros escravos
para o Brasil, trazendo vários dialetos de origem Bantu como Kimbundo,
Embundo, Kibuko e Kikongo.

ANGOMBÁ: É a designação para um segundo atabaque.

APARÁ: Uma das qualidades da Orixá Oxum, quando se apresenta
carregando uma espada.

APARELHO: O mesmo que Médium.

ARAUANÃ: Dança ritual africanista para quebrar demandas e trazer
alegrias.

ARÊ: Ruas e Encruzilhadas.

ARIAXÉ: Banho preparado com ervas e folhas. Esse banho consta mais de
21 diferentes espécies de vegetais. Preparado somente pelo próprio
Zelador.

ARIMBÁ: Pote de barro para guardar o azeite de dendê.

ARIPÓ: Panela muito semelhante ao alguidar de barro.

ARROBOBÔ: Uma das saudações do Orixá Oxumaré.

ARUANDA: Céu, Nirvana ou Firmamento significam a mesma coisa, isto é,
a moradia daquele que é Criador de todos os mundos e de todas as
coisas. Alta esfera, local onde habitam iluminados seres que viveram
ou não no planeta Terra. Espíritos de Luz diretamente ligados com as 7
Divindades criadas por Deus.

ARUÊ: Espírito desencarnado

ARUQUERÊ: Objeto de metal usado por Oxossi.

ASSENTAMENTO DE ORIXÁ: É o lugar no Gongá onde é colocada a
representação de Orixá, ou da sua ferramenta, ponto riscado, etc.

ASSENTAR: Consagrar objetos lançando mão de apetrechos e rituais, a
fim de oferecê-los ao Orixá.

ASSENTO: Termo utilizado para um local preparado para um Orixá ou Exú.
Santuário exclusivo.

ATABAQUE: Instrumento sagrado utilizado para firmar a curimba durante
as giras, através do Ogã. Eles são três tambores de tamanho pequeno,
médio e grande, que marcam o ritmo e a cadência dos cânticos. O maior
chama-se RUM, o médio RUMPI e o pequeno Lê.

ATARÉ: Pimenta da Costa.

ATIM: Pó de pemba.

ATOTÔ: saudação ao Sr. Omulú.

AXÉ: É a força mágica do terreiro representada pelo segredo composto
de diversos objetos pertencentes às linhas e falanges. Força bendita e
divina. Termo de múltiplas acepções no universo dos cultos: Amém,
Salve, Que Deus esteja contigo.

AXEXÊ: Cerimônia fúnebre iorubana. Semelhança com a missa de 7º dia
Católica.
Ritual fúnebre para libertar o espírito da matéria.

AXÓ: Roupas dos filhos de santo.

AXOXÔ: Nome dado a uma comida de Oxossi.

AZÊ: Capuz de palha. Ornamento da roupa de Omulú.

AZEITE DE DENDÊ: Óleo baiano extraído do dendezeiro, sendo muito
utilizado na culinária dos Orixás.

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*LETRA B*

BABA KEKERÊ: O mesmo que Pai Pequeno.

BABALAÔ: Pai de Santo. Chefe de terreiro. Somente o Zelador de gênero
masculino.

Babalorixá: Sacerdote masculino, chefe material do terreiro,
orientador, curador e mentor. Denominado como “pai de santo” ou
Zelador. Dirige tanto o corpo administrativo como sacerdotal.

BABUGEM: Restos de comidas e bebidas que sobram no terreiro.

BACO: Ato Sexual.

BACURÔ DE PEMBA: Filho de Santo.

BAIXAR: Termo que quer dizer incorporação das Entidades/Orixás nos
médiuns. Esse termo designa que toda entidade que vem do Céu, ou
seja, de Aruanda, baixe do céu para terra. Mesma coisa que incorporar,
assim a Entidade espiritual se comunica com os demais através do
médium.

BALANGANDÃ: Enfeites e ornamentos. Podem também ser amuletos.

BALÊ: Casa dos Espíritos mortos ou seja desencarnados.

BANDA: Termo utilizado para dizer em qual linha está ligado a Entidade
de Luz, ou seja lugar de Origem da Entidade.

BARRACÃO: Local de ritual, terreno, o terreiro fisicamente
propriamente dito. O lugar principal do terreiro.

BASTÃO DE OGUM: Espécie vegetal de espada de São Jorge.

BATER PARA O SANTO: Ato de percutir os Atabaques usando o ritmo
especial de determinado Orixá.

BATER CABEÇA: Ritual que quer dizer cumprimentar respeitosamente e
humildemente. Consiste... em abaixar-se aos pés do Gongá (altar) ou a
uma Entidade Espiritual e tocar sua cabeça ao chão, aos seus pés.
Representa respeito e humildade.

BEJA: Cerveja branca.

BENTINHOS: Escapulário que traz pendurado no pescoço e contém orações,
rezas e figuras de santos. O mesmo que Patuá.

BETULÉ: Machado feito de pedra e de bambu para designação de Xangô.

BILONGO: Amuleto muito usado por caçadores para proteção.

BOLAR NO SANTO: Início incompleto de transe que ocorre com os médiuns
não preparados.

BORÍ: Ato pelo qual filho de santo oferece sua cabeça ao Orixá. Termo
usado também cujo significado é cabeça. Termo muito utilizado no
Candomblé.

BOTAR NA MESA: Quando um médium atende particularmente um consulente e
através de um oráculo (principalmente as cartas) procede a consulta e a
orientação espiritual.

BREVE: o mesmo que patuá ou amuleto. Utilizado para proteção, pequeno
envelope de pano ou couro, contendo uma oração ou imagem de santo.

BURRO: o mesmo que médium. Termo utilizado pelos guardiões para se
referir aos médiuns de incorporação. E dito assim não pela referência
a falta de inteligência, mas sim pela força contida no físico para
incorporações.

BÚZIOS: Tipos de conchas de uso recorrente na vida cerimonial dos
terreiros, Especialmente servem para serem jogados na busca de
respostas sobre a espiritualidade, e somente com os búzios que se pode
dizer os Orixás de Coroa dos médiuns. São empregados geralmente
dezesseis búzios, porém isso quem determina é o jogador ou Mentor.
Assim sendo, é com os búzios que se pode ser evocado o Ifá, feito
somente pelo Zelador do terreiro ou Mentor da casa.
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                              *LETRA C*

CABAÇA: Vaso feito do fruto maduro do cabaceiro depois de esvaziado o
miolo. Utilizado também como moringa para água.

CABAIA: Assim é denominado uma túnica de mangas largas utilizada por
médiuns e Cambonos.

CABEÇA MAIOR: Pessoa de alta hierarquia no terreiro.

CABEÇA FEITA: Denominação do médium desenvolvido e que já foi cruzado
no terreiro, tendo já definido seu Orixá de cabeça. Médium que já
passou pelo ritual do amaci.

CAIR NO SANTO: Transe mediúnico de quem ainda não está preparado para incorporar.

CALIFÃ: Prato ritualístico com 4 búzios, onde se pede a confirmação
aos Orixás em certos rituais.

CALUNGA GRANDE: Oceano, mar.

CALUNGA PEQUENA: Cemitério, Campo Santo.

CAMBONO ou CAMBONE: Auxiliar de Médiuns de Incorporação e o Servidor
dos Orixás e Entidades de Luz.

CAMOLETE: Lenço branco de tamanho grande colocado na cabeça dos
médiuns durante alguns rituais.

CAMUCITÊ: Nome dado ao Gongá, ou Altar, ou congar, ou pegi.

CAMUTUÊ: cabeça do indivíduo.

CANJIRA ou CANDJIRA: Lugar onde são realizados algumas danças
religiosas.

CANZUÁ ou CAZUÁ de QUIMBÉ: Terreiro, casa, tenda espiritual.

CAÔ: Saudação de Xangô.  O mesmo que: Salve! Viva!

CAÔ CABECILE XANGÔ: saudação a Xangô.

CAPANGUEIRO: termo utilizado para designar os companheiros.

CARMA: É a consequência de vidas passadas, as quais dirigem a presente
e organizam as futuras encarnações.

CARREGADO: termo utilizado para denominar a pessoa que esta com má
influência, com energias negativas, baixa vibração mental e
espiritual. A pessoa demonstra prostração, desânimo, mal estar, medo.

CASA DAS ALMAS: Pequeno cômodo com velas e imagens de Obaluaiê, Omulú
e Pretos Velhos. Local utilizado para fazer as orações e preces às
Almas.

CASA LIMPA: Templo ou moradia livre de más influências e demandas.

CAZUÁ: Casa, moradia ou Lar das pessoas.

CATIMBOZEIRO: termo utilizado para chefe do catimbó.

CATULÁ: Termo usado em sessão que significa anular um trabalho
maléfico.

CAVALO: O mesmo que médium, pessoa que incorpora.

CAVARIS: Conchas da África, búzios, instrumento pelo qual se faz as
consultas a Ifá.

CAVUNJE: Moleque.

CENTRO: Terreiro, tenda ou casa de Umbanda, cazuá.

CERA DOS TRÊS REINOS: São empregados para trabalhos de Umbanda
sagrada. São elas: 1ª Carnaúba, sendo do Reino Vegetal. 2ª Abelha,
sendo do Reino Animal. 3ª Parafina, sendo do Reino Mineral.

CHEFE DE CABEÇA: Entidade chefe do médium, guia protetor.

CHEFE DE FALANGE: Entidade espiritual chefe da corrente vibracional de
uma determinada linha.

CHEFE DE LEGIÃO: Entidade de grande escala evolutiva espiritual, que
descem nos templos representando os Orixás de uma determinada linha ou
corrente vibratória. O mesmo que Falangeiros.

CHEFE DE TERREIRO: O mesmo que dirigente espiritual.

COISA FEITA: Quer dizer trabalho feito para levar o mal a alguém,
despacho maléfico, feitiço, bruxaria, Magia negra.

COITÉ: Fruto que partido ao meio, serve como recipiente para servir
bebidas as Entidades de Luz. Hoje em dia se faz também com casca de
coco e se utiliza o mesmo nome.

COMPADRE: utilizado por alguns terreiros para denominar os guardiões,
Exús ou o Povo da Legião da Malandragem.

CONSULENTE: Indivíduo que vai a um terreiro de Umbanda se consultar
com uma Entidade de Luz.

CONSULTA: Termo utilizado no atendimento da entidade com o
necessitado.

CORPO FECHADO: Nenhum espírito maléfico pode incorporar no médium, ou
nenhum espírito pode trazer o mal à pessoa que tem o corpo fechado.

CORREDOR DE GIRAS: Frequentador que passa por vários terreiros, sem
ter firmado compromisso espiritual com nenhum deles.

CREDO EM CRUZ: Interjeição que traduz espanto, admiração e repulsa.

CURIÁ: Beber marafo.

CURIAU: Comida de Santo, despacho.

CURIMBA: Conjunto de instrumentos musicais do terreiro. Os
instrumentos que compõe uma curimba podem ser Atabaques, tambor,
agogôs, chocalhos, também pode se chamar de Curimba os pontos cantados
na umbanda.

CURIMBEIRO: Médium que “puxa” os pontos durante os trabalhos das
giras.

CURUMIM: Pequeno Índio. Pequeno guerreiro.

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Grande axé a todos os irmãos!



                               Imagem relacionada


Carlos de Ogum                             
terça-feira, 20 de junho de 2017 38 comentários

Conhecendo Exú Tatá Caveira



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Em uma noite sombria,
caminhei na escuridão,
de longe vi alguém que apenas sorria,
e sabia que ali tinha proteção.

Chamei o nome de meu Pai Maior, Deus,
e ele me respondeu sem me desmerecer,
não te preocupas com os caminhos teus,
pois um Anjo lhe enviei para lhe proteger.

Sua proteção será um Anjo de luz,
podes atravessar todas as fronteiras desejadas,
os caminhos para que chegues a Jesus
com Exú Tatá Caveira nunca terás estradas fechadas.
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    Temos uma legião de trabalhadores da linha dos Caveiras, no qual
já falamos anteriormente, e agora vamos falar mais extensamente de um
que faz parte do nosso Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê (TUPOM), e o
nome dele é Senhor Tatá Caveira.

    Senhor Tatá Caveira teve sua vida encarnada na região do Egito, e
lá ele tinha a ocupação de agricultor e pastor de ovelhas, durante o
ano de 698 DC a 670 DC.


    Ele determinado em sua fé, tinha como objetivo a ideia de pregar o
amor de Deus acima de todas as coisas, amor esse que ele via como
único a todo povo daquela região.

    Isso agradava a muitas pessoas da grande população, na maioria
sem recursos, porém, desagradava os grandes líderes da época, e por
esse motivo, a aldeia onde ele vivia foi invadida por soldados
sanguinários do Império, e assim sendo, muitos foram assassinados e
dezenas e dezenas aprisionados, entre esses aprisionados se encontrava
Senhor Tatá Caveira, que nessa época como encarnado tinha o nome de
Próculo, fazendo assim uma homenagem há um muito conhecido chefe da
guarda romana.

    Juntamente com Senhor Tatá Caveira, ou Próculo, foram aprisionados
mais 49 seguidores fiéis à crença de um único Deus, e todos foram
julgados, condenados e queimados vivos na tão temida fogueira da
intolerância, conforme as perversas leis do Imperador da época.

    Dessa forma hoje, nos trabalhos de Umbanda, Senhor Tatá Caveira
trabalha chefiando a grande e poderosa legião de 49 Exús da linha de
Caveira, vindo da origem daquela época cruel.

    Todos esses trabalhadores se apresentam em forma de Caveira, e a
maioria com um manto negro a cobrir suas faces, podendo Senhor Tatá
Caveira solicitar esse manto em forma de uma capa com capuz, pois é
assim que ele se apresenta na espiritualidade, não sendo uma capa de
algum tipo de material palpável, e sim um manto de luz negra, como um
manto fluídico.

    Muitos médiuns videntes dizem que ao perceberem a essência de
Senhor Tatá Caveira em uma incorporação em médiuns rodantes dentro dos
terreiros de Umbanda, em Giras assentadas e firmadas para tal, tiveram
a oportunidade de ver a imagem dessa maravilhosa Entidade se
aproximando a Coroa do médiuns desenvolvido para o trabalho, nesse
fato puderam observar que o Exú Tatá Caveira é bem maior que um ser
humano comum, tem seu ar sério, e muito respeitador ao chegar no
momento da incorporação.

    Assim como toda a legião dos Caveiras, na incorporação de Senhor
Tatá Caveira sempre é algo surpreendente aos que ali acompanham, pois
ele sempre tem algum truque que contagia os consulentes, nesses
truques sempre há uma forma plausível de mostrar que realmente estão
ali, e que não admite que o médium mistifique utilizando seu nome.

    Sempre é recomendado a quem for se consultar com Exú Tatá Caveira,
jamais duvidar de sua palavra, jamais buscar o mal de um semelhante, e
jamais tentar usá-lo para as tais amarrações de relacionamentos, pois
certamente ele falará algo que poderá desagradar extremamente o
consulente.

    Senhor Exú Tatá Caveira rege a Calunga Pequena (cemitérios), e
normalmente é o protetor do Cruzeiro das Almas juntamente com o Orixá
Omulú, além de sua legião de 49 Exús da linha dos Caveiras.

    Tatá Caveira também poderá trabalhar nas matas fechadas, nas
praias, nas cachoeiras, nos rios, nas pedreiras, nas trilhas, e isso
vai de acordo com o trabalho a ser feito, porém o local de maior
vibração seria mesmo a Calunga Pequena.

    As cores vibracionais para Exú Tatá Caveira seria o preto e o
branco, seja para a indumentária, para as guias de trabalho ou para as
velas. Um detalhe muito interessante em mencionar é que Senhor Tatá
Caveira só trabalha com os pés descalços, apreciam charutos e marafo
de qualidade, isso quando necessário ser utilizado para a limpeza de
um consulente, ou descarrego e retirada de obsessores.

    O Exú Tatá Caveira é o que transmite as ordens dadas pelo Senhor
Exú Caveira, e faz esse trabalho em conjunto com o Senhor Exú
Caveirinha e Senhor João Caveira, que naturalmente acompanham Senhor
Tatá Caveira na missão de caridade a fazer nas casas, terreiros,
tendas e templos de Umbanda.

    É dito que Senhor Tatá Caveira é o provocador do sono do
desencarne, e faz essa missão para que seja desligado sem sofrimentos
o espírito do corpo, e ele faz acontecer esse sono para que o Orixá
Omulú faça a passagem desse espírito já desencarnado.

    Senhor Tatá Caveira está ligado à tentativa de retirar do vício os
encarnados que se entregaram aos males das drogas, dos entorpecentes e
dos narcóticos, porém como esses vícios são na maioria das vezes
provindos de obsessores vampirizadores, a utilização do livre arbítrio
do encarnado viciado é que vai determinar o auxilio do Exú Tatá
Caveira.

    Como já dissemos acima Senhor Tatá Caveira é provindo do Egito, ou
como ele mesmo menciona na "minha terra sagrada, na beira do grande
rio", e pelo muitos estudos já feitos sobre essa Entidade de Luz
divina, essa vivência como encarnado foi entre os anos 698 AC (quando
provavelmente se deu seu nascimento) a 670 AC (provável ano de seu
desencarne).


    Hoje Senhor Tatá Caveira trabalha em prol da caridade de Deus nos
Terreiros de Umbanda, buscando sempre auxiliar a quem necessita.

    Com seu jeito sereno porém extremamente sério e concentrado no seu
trabalho, com suas palavras que se bem ouvidas viram grandes lições,
com sua proteção a quem merece, ele caminha lado a lado com seus
protegidos, independente das cargas e perigos que possa ter em seu
caminho. Ele estará ali, firme, forte e divinamente iluminado.

    Laroiê Senhor Tatá Caveira!


    Exú Tatá Caveira é Mojubá!





Carlos de Ogum

sábado, 10 de junho de 2017 29 comentários

Tronqueira na Umbanda

                     


    A Tronqueira na Umbanda são as firmezas e assentamentos feitos nas
entradas de terreiros, centros ou templos de Umbanda. São as pequenas
casinhas que vemos logo nessas entradas, e lá estão as firmezas de
nossos Exús e Pombo Giras, que tem por missão a proteção dessas
entradas que estão em nossos terreiros.

    A tronqueira é um recurso poderoso e essencial, maravilhosamente
colocado como recurso de proteção as nossas casas umbandistas, e é
cedido pelas forças do astral superior em prol da caridade dos templos
de Umbanda, pois nesses templos é recebido assistidos, que na sua
grande maioria vem acompanhados de seres trevosos os atormentando.

    É em nossa poderosa Tronqueira que se encontra a força dos nossos
Guardiões que militam em dimensões a nossa esquerda.

    Nesse ponto de força tem como funcionamento uma vibração divina
que está para o Terreiro como um para-raios, é um portal que impede as
forças hostis e maléficas se servirem do ambiente religioso de maneira
deturpada.

    No ambiente astral os Exús e Pombo Giras se utilizam dos elementos
dispostos na Tronqueira para beneficiar os trabalhos realizados no
interior do templo.

    Com esses elementos esses incansáveis trabalhadores da caridade e
da luz, anulam as grandes forças negativas, recolhendo e encaminhando
seres trevosos, abrindo caminhos, protegendo a casa, seus médiuns e
seus consulentes.

    As firmezas das Tronqueiras podem ser contidas de vários
elementos, esses elementos vão ser colocados nesses assentamentos
conforme as regras da casa ou das ordens do Exú chefe do terreiro, ou
mesmo das recomendações do mentor do templo.

    Dentro das Tronqueiras podemos encontrar vários tipos de
ferramentas, instrumentos e símbolos como tridentes, pedras, punhais,
ervas, velas, quartinhas (tanto para gênero  masculino quanto para
gênero feminino).

    Cada instrumento ou símbolo tem sua finalidade específica, e tanto
os Exús quanto as Pombo Giras ativam suas forças de proteção nesses
elementos com a finalidade de realizarem seus trabalhos espirituais de
caridade.

    É muito importante que os médiuns e consulentes tenham em mente a
importância de uma Tronqueira, e que todos saibam que esse ponto de
força e proteção está sobre as ordens da lei de nosso Pai Maior.

    Muitas seitas que se utilizam do nome da religião de Umbanda, se
utilizam dessa força de proteção em busca de negatividade, como por
exemplo, utilizar desse poder a fim de pedir coisas sem nexo, como
atrapalhar a caminhada de um semelhante, amarrações amorosas,
vinganças, enfim, qualquer tipo de pedido maléfico, que essas pessoas
acreditam que se fizer nas Tronqueiras vão conseguir, porém a
realidade é outra bem diferente, aqueles que tentam se utilizar da
Tronqueira e suas Entidades de Luz para tais fins, certamente deixarão
de ser protegidos pela mesma, e claro que assim sentirão na própria
trajetória a chegada de espíritos obsessores como os Kiumbas, Eguns e
Zombeteiros.

    Ao adentrarmos aos terreiros de Umbanda, devemos saudar com muito
respeito a Tronqueira e as Entidades de Luz que ali estão
representadas, e isso deve ser feito não só pelos filhos da casa, mas
também pela assistência e consulentes, frisando que devemos fazer a
mesma coisa ao sairmos.

    Quando uma pessoa se achar necessitado de proteção, pode se servir
do poder desses guardiões, podendo, com autorização do Zelador da
casa, acender uma vela, pedindo com fé, auxílio e proteção que
certamente receberá mediante a seu merecimento.

    Os Povos da Tronqueira estão sempre a serviço do bem e da lei
maior. São realizados essas firmezas sempre em dias de Giras nas
casas de Umbanda, porém nada impede de ser acesas velas nos demais
dias.

    Infelizmente o assunto Tronqueira é algo que gera muitos debates
e centenas de dúvidas, até mesmo para quem é frequentador da Umbanda
ou mesmo muitos Zeladores de Santo,. A Tronqueira por estar ligada
diretamente aos nossos amados Exús e Pombo Giras, nos quais por
extrema falta de informações, tem seus trabalhos mal interpretados.

    A Tronqueira tem várias finalidades dentro do terreiro, a
proteção, como vimos acima é uma delas, e sabemos que toda a energia
que emana da Tronqueira é usada para o trabalho de Entidades de Luz da
linha da esquerda, ou seja os Exús e Pombo Giras,que utilizam dessa
energia para a limpeza e extrema proteção a casa e ao trabalho de
caridade. A energia da Tronqueira também tem como finalidade ser a
fonte que alimenta um campo de força energético que se mantém no
astral, em uma enorme área em torno do terreiro, essa área tem uma
base de medida de 100 metros linear para frente, para trás, para
esquerda e para direita, podendo ser contada essa área em 10000 metros
quadrados, essa área é protegida pelos Exús e Pombo Giras.

    A palavra Tronqueira quer dizer "tronco", ou "base" na língua
Tupi. Significa a base dos trabalhos espirituais feitos nas casas de
Umbanda.

    A Tronqueira faz o trabalho inverso ao do Gongá, pois na
Tronqueira que é um portal de polaridade negativa absorvedora e
esgotadora utilizado para afastar todos os espíritos sem luz daquele
ambiente espiritual, enquanto o Gongá que é um portal de polaridade
positiva irradiadora, trás ao ambiente as forças de Entidades de Luz,
fazendo assim que a Tronqueira fique com a missão de limpeza e
proteção e o Gongá com a missão de cura e abertura de caminhos a
consulentes.

    Sabemos que diversas pessoas frequentam uma casa de Umbanda, seja
no modo físico, ou no modo espiritual, e cada uma dessas pessoas, seja
consulentes ou médiuns trabalhadores, traz consigo suas cargas
espirituais, sentimentais ou sociais. Essas cargas são somadas a seus
pensamentos mesquinhos, suas raivas, suas iras, seus rancores, seus
ódios, seus desamores, suas desilusões, e muitas dessas energias
obscuras somados com alguns espíritos obsessores podem fazer grandes
estragos nos trabalhos de caridade espirituais, porém essas cargas nem
conseguem se aproximar dos terreiros de Umbanda, pois os Exús
trabalhadores da Tronqueira ficam encarregados de buscar e juntar
todos essas cargas, e descarregando a todos, dando oportunidade de
nos livrarmos desse mal e assim podermos acompanhar as Giras sem
atrapalhar a caridade cedida.


    Para finalizar vamos descrever uma saudação a Tronqueira e as
Entidades de Luz que nela trabalham.

(Esse texto nos foi enviado por um amigo, porém não mencionou a fonte)

         SAUDAÇÃO A TRONQUEIRA E AOS GUARDIÕES ESPIRITUAIS

Minha Tronqueira tem axé, tem vontade e tem vida, tem Exú e Pombo Gira
para guardar e proteger.

Minha Tronqueira tem axé, também tem Exú e Pombo Gira Mirim, desde já,
saúdo Pedrinha Preta, 7 Pedrinhas e o Foguerinha que com seu jeitinho
maroto de aprontar e desenrolar as verdadeiras intenções vão nos
mostrar.

Minha Tronqueira tem axé, tem vela tem marafo, tem dendê e aguardente.

Minha tronqueira tem axé, sem porta e sem janela, dizem que alguém tá
procurando, morador pra morar nela.

Minha tronqueira tem Guardião, que guarda de noite e protege de dia e
quem guarda e protege também eu chamo de vigia.

Minha tronqueira tem axé, não tem nome e não tem foto, tem o nome que
ela guarda e o meu corpo que ela cobre.

Minha tronqueira tem axé, tem caldeirão e alçapão, tem escada, tem
ponteira é morada de Guardião.

Minha tronqueira tem axé, tem abismo e escuridão, que é passagem pra
quem desce e alivio pra quem sobe.

Minha tronqueira tem axé, tem relógio, tem sino, quando da a meia noite
é sinal que está abrindo.

Minha tronqueira tem axé, tem chicote, tem espada, tem punhal e
bracelete, tem capuz e tem mortalha, tem arma pra combater, uns dizem
pra bater outros para aprender.

Minha tronqueira tem axé, tem chave e cadeado, tem ferradura, tem
bigorna, onde o aço forja, corta e trinca.

Minha tronqueira tem axé, tem Exú João Caveira, Sete Encruzilhadas,
Sete Porteiras, Sete Tronqueiras, tem Marabô, Exú Rei, Senhor Tiriri,
tem Exú Mulambo, Sete Covas, Sete Cruzes, Sete Catacumbas, Exú
Caveira, Senhor Caveirinha e o grande Mestre Tranca Ruas. E como ao
lado de todo homem encontramos grandes mulheres, aqui não poderiam
faltar as suas senhoras, por isso tem Dama da Noite, Pombo Gira
Serpente, tem Rosa das Setes Saias, Pombo Gira Maria Quitéria, Maria
Padilha e Maria Mulambo.

Minha tronqueira tem axé, tem suor e tem lágrima, suor de quem
trabalha e lágrima de quem não escapa, lembrando que a lei abrange a
todos.

Minha tronqueira tem axé, tem hora de apanhar e tem hora de bater,
batendo ou apanhando tem Exú a me valer.

Minha tronqueira tem axé, tem Curador, de certo tem Curador pra me
curar, e Exú do Ouro para prosperar.

Minha tronqueira tem axé, é morada de sentinela, se tem mandingueiro é
Exu Velho que habita nela.

Minha tronqueira tem axé, tem pimenta malagueta, tem fogo, tem
fogueira, tem brasa tem braseiro.

Minha tronqueira tem axé, não tem corte, mas tem morte, mata de
mansinho bem devagarzinho, mata o vicio e as trevas que habitam o
caminho.

Minha tronqueira tem axé, tem entrada e tem saída, tem salve e saravá
e por aqui eu vou ficar.

Salve a força da nossa Tronqueira, salve os nossos Guardiões!

Laroiê Exú!

Laroiê Tronqueira !


Carlos de Ogum

 
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