sábado, 20 de maio de 2017 19 comentários

Poema ao amável Chico Xavier. Por Carlos de Ogum

         


Caminhos livres para evolução devemos seguir,
nesses caminhos um irmão de luz vamos encontrar.
Seu olhar generoso e um abraço devemos pedir,
a essa luz do Senhor que veio para nos encaminhar.

Suas lições deveremos entender,
sua fé devemos seguir e crer.
Em seus caminhos do bem nunca iremos nos perder,
e assim com sua caridade vamos aprendendo a viver.

Seu nome é Francisco com todo amor,
para todos o Chico de coração.
Em um grande jardim, a diferente flor.
que Chico Xavier nos ensine a lição.

Nasceu lá em Pedro Leopoldo, cidade pequenina,
e de lá sempre esteve nos trazendo a luz.
Incomodando os senhores de batina,
esse era Chico, enviado de Jesus.

Na época sofreu preconceitos dolorosos,
e também dolorosos foram seu viver,
Muitos não o entendiam e se diziam poderosos,
exclamando que tudo terminava no momento de morrer.

Tinha o imenso carinho de sua mãe Maria de Deus;
e com ela conversava após o desencarne dessa flor.
Sempre surrado e maltratado longe dos irmãos seus,
mesmo assim guardava no coração imenso amor.

Chico, amado Chico, coração de luz,
pessoa diferenciada, de imenso amor e fé.
Suas palavras sempre voltadas ao Senhor Jesus,
e assim respeitado desde a Umbanda até o Candomblé.

Livros e mais livros ele escreveu,
espalhando ensinamentos para a evolução.
Trazendo luz para todo aquele que o entendeu,
mostrando sempre o melhor caminho com uma bela lição.

Com carinho atendia todos irmãos amigos seus,
estando sempre com um gesto de fraternidade,
suas mãos eram verdadeiramente abençoadas por Deus,
mas mesmo assim nunca deixou de ter sua humildade.

Homem de grande luz e diferenciado,
que tinha um amor intenso no coração.
Com uma fé extrema foi agraciado,
fazendo assim que lindamente cumprisse sua missão.

Amor era sua palavra de coração,
trazia a todos a paz esperada.
Levando os mais descrentes a sua razão,
espalhando esperança até a pessoa mais desesperada.

Seus preceitos eram sempre voltados a caridade,
e no jardim da paz ele era a mais bela flor.
Lutando para sempre mostrar sua idoneidade,
distribuindo a todos muito carinho e amor.

A Deus ele entregava cada pedido,
e assim recebia respostas de luz.
Honesto, sereno, humilde e contido,
simplesmente um homem irradiado por Jesus.

Tinha como Emmanuel seu Mentor iluminado,
e com ele trazia suas cartas de luz.
Ser que por Deus foi abençoado,
esse era Chico Xavier, o mensageiro de Jesus.


Salve o amado Chico Xavier!



Carlos de Ogum

quarta-feira, 10 de maio de 2017 34 comentários

Entendendo Sobre o Cruzeiro das Almas




    Vamos começar esse texto com uma pergunta simples que muitas
pessoas nos fazem...

    O que é o Cruzeiro das Almas?

    Dentro da Umbanda é um dos pontos mais respeitados de todo nosso
ritual

    O Cruzeiro das Almas geralmente é encontrado dentro de cemitérios,
que na Umbanda chamamos de "Campo Santo" ou "Calunga Pequena".

    Nesses locais, o Cruzeiro das Almas ficou conhecido como uma
grande referência para que as pessoas acendessem velas para iluminar,
homenagear e se lembrarem de seus entes desencarnados e que foram
sepultadas naquele local, e fazem isso também para que essas almas
sejam encaminhadas e cuidadas pelos espíritos de luz em nome do
trabalho de caridade e do amor de Deus.

    Para quem já foi a uma Calunga Pequena, é fácil de identificar o
Cruzeiro das Almas, que se simboliza com uma grandiosa cruz de
madeira, e normalmente fica bem ao centro do Campo Santo, e de fácil
acesso e bem visualizado.

    Ali naquele lugar, temos uma grande força espiritual, local onde
se trabalha as 13 Almas Benditas, na qual tem a função de auxiliar a
entrada das Entidades trabalhadoras da Calunga Pequena para o resgate
de espíritos desencaminhados, perdidos e viciosos.

    Esse é um dos trabalhos mais belos da Umbanda, pois ao
desencarnar, o espírito por muitas vezes se sente desorientado,
perdido, sem saber os acontecimentos, o que fazer e onde seguir. E
assim com essa força espiritual é feita essa maravilhosa ajuda a
esses espíritos buscarem o caminho que cada um deve seguir, deixando
para trás o apego a matéria, a vida encarnada e os bens materiais.

    Mas como nem tudo são flores, o próprio ser humano faz desse
honroso trabalho de luz um falso ritual mistificador para sanar sua
ganância, vaidade e sua falta de orientação e informação, pois
infelizmente também podemos presenciar em alguns Cruzeiros das Almas
alguns ditos trabalhos de ordem negativa, trabalhos esses que não tem
ligação nenhuma com a Umbanda, e que muitas pessoas acreditam ter,
pois a falta de informação é tão grandiosa que essas pessoas creem que
obsessores, como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros são Entidades de Luz, e
que estão ali a seu bel prazer para fazerem trabalhos de magia negra,
porém esses rituais além de estar longe de ser rituais umbandistas,
quem o fez não tem o mínimo conhecimento de fatos que estão mexendo,
ou da distância dessas crendices para a Umbanda.

    A Umbanda é irradiada de luz, e sua ação é de total respeito ao
livre arbítrio de cada um, e definitivamente não se faz
nenhum trabalho negativo.

    O Cruzeiro das Almas é tão importante aos espíritos assim como o
ar é fundamental ao encarnado, pois é ele o portal de passagem onde o
espírito passa de um plano vibratório para outro, como por exemplo no
momento do desencarne, nas passagens de um estado de doença física ou
emocional, uma obsessão complexa ou mesmo simples, mágoas, ódios,
rancores e todo sentimento de ordem negativa para uma situação de
cura, equilíbrio e harmonia.

    Dentro da Umbanda, em terreiros, centros, tendas ou templos,
encontramos o Cruzeiro das Almas ou conhecido também por "Cantinho das
Almas", e nesse local que são feitos assentamentos e firmamentos para
a proteção da casa e dos médiuns sobre as influências de seres
infelizes, Kiumbas, Eguns, Zombeteiros e obsessores de todos os tipos,
da mesma forma no qual é feito nas Calungas Pequenas.

    Muitas pessoas mal informadas, sem teor da religião umbandistas,
mistificadores sem orientação, tem o mau costume de dizer que o
Cruzeiro das Almas traz má sorte, além de ser um chamariz da morte,
contudo nada tem a ver essas colocações, isso não passa de crendices
dessas pessoas que veem coisas obscuras até no ar que respiram, é uma
falta tremenda de informação, e chega até ser uma falta de respeito
com o Cruzeiro, com as Almas e com o Orixá regente desse local, o
nosso poderoso Omulú/Obaluaiê.

    E para piorar essas crendices, infelizmente essas colocações não
veem apenas de pessoas que estão fora da Umbanda, pois vemos
umbandistas consagrados, como Zeladores (pais e mães de santo), e
muitos filhos de santo dizerem essas coisas sem fundamento algum,
fazendo assim espalhar falsas informações sobre um local tão abençoado
e de grande importância para todos nós.

    Devemos sempre lembrar que o Cruzeiro das Almas é um magnífico
ponto de luz, e ao nos dirigirmos a ele devemos proceder como fazemos
em qualquer outro campo de força de atuação vibracional dos Orixás, é
primordial o respeito, o bom senso e principalmente a elevação da fé.

    Para quem frequenta terreiros, centros e tendas de Umbanda com
mais frequência, certamente já passou por um fato no qual muitas
pessoas ainda não compreendem o porquê desse acontecimento. Estamos
falando de quando um Guia de luz chega até nós, nos entrega uma vela
branca, e recomenda que a acenda no Cruzeiro das Almas. A nossa mente
nesse momento trabalha de uma forma incessante, nos fazendo crer que
possamos estar acompanhados por Eguns, Kiumbas ou algum espírito
sofredor, porém nos esquecemos que tal qual na Calunga Pequena, ali é
um ponto de transformações inerentes a vibração de Omulú/Obaluaiê, o
senhor das Almas e das passagens, e muitas vezes a "vela" não é para
os outros que possam estar nos obsediando, mas sim, para nós mesmos,
para que assim podermos com a ajuda de Omulú/Obaluaiê transmutarmos
algo de ruim que ainda não estamos conseguindo sozinhos resolver
dentro de nós.

    Temos que entender que a cruz na Umbanda e um símbolo de
ascensão, da conexão entre a espiritualidade, a matéria física e
planos vibratórios transcendentes.

    Nos Terreiros sabemos que Omulú/Obaluaiê é o Orixá que rege toda
as forças do Cruzeiro das Almas, e as Entidades de Luz que mais fazem
uso desses símbolos são os amáveis Pretos Velhos. Podemos notar isso
em seus rosários, seus terços, seus pontos riscados que normalmente
tem uma cruz ou mesmo o Cruzeiro das Almas desenhados de forma
tradicional, demonstrando assim a elevação espiritual que essas
Entidades trazem consigo.

    O mesmo respeito que devemos ter pelo Cruzeiro das Almas devemos
ter pelas Entidades que conduzem esse maravilhoso símbolo, pois como
observamos a cruz é um símbolo por demais antigo, e os Pretos Velhos
são os anciãos da Umbanda. São espíritos velhos, sábios, com tanta
elevação que são capazes de transitar em diversos planos sutis da
existência. Os terços que carregam consigo trazem a sabedoria de
milênios.

    Quando sé é montado um Cruzeiro das Almas em nossas casas de
Umbanda, e nela colocamos as imagens de nossos amados vovôs e vovós,
seus elementos de trabalho junto as palhas de Omulú/Obaluaiê, Orixá
regente dessas Entidades juntamente com Oxalá, ali estamos
estabelecendo um ponto de força energético espiritual dos mais
importantes para a humanidade. Ali é um canal de ligação de nossos
rituais umbandistas aos termos mais evoluídos do plano espiritual.
Estamos nos conectando com os seres de luz que em gesto de caridade
emprestam ao terreiro as mais variadas sabedorias e conhecimentos. Não
é a toa que Obaluaiê é sinônimo de Evolução e os Pretos Velhos de
sabedoria. São os responsáveis por nos nortear, nos conectar nas
diversas cruzes da existência.


    Portanto, para finalizar, vamos ter em mente que o Cruzeiro das
Almas é um ponto energético de luz e caridade, que auxilia a nortear
os desencarnados, e aos encarnados mostra que não devemos nos apegar
nas crendices, levando o nome santo do Cruzeiro das Almas em colocações errôneas feitas pelo próprio ser humano, ou seja por
falta de informação, por ser mau caráter, por vaidade, por miticismo.
Devemos respeitar o Cruzeiro das Almas, pois certamente um dia
passaremos por ele em busca de um portal de passagem entre o mundo
material e o mundo espiritual.

    Salve o Cruzeiro das Almas!

Carlos de Ogum

 
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