quinta-feira, 20 de abril de 2017 4 comentários

Curimba, fonte de forças e energias na Umbanda

         

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Ah, como é lindo o batuque do Tambor.
Ah, como é lindo o batuque do Tambor,
na Umbanda linda de Nosso Senhor.
Na Umbanda linda de Nosso Senhor.

É a mensagem que enaltece os Orixás.
É a oração que elevo ao senhor.
É a vibração que nos faz incorporar.
Sem batuque na umbanda
não se pode trabalhar.

Eu não sabia, mas agora aprendi,
que o canto faz a gira de Umbanda,
quem canta, encanta a vida dos Orixás,
é uma benção, divina que emana muita paz.
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    A Curimba na Umbanda

    Quem nunca se e emocionou?

    Quem nunca ficou extasiado só em ouvir as canções melódicas, o som
dos Atabaques, o ritmo das palmas, o sentir das vibrações que emana no
ambiente ao tocar e ao cantar da Curimba.

    É algo que realmente encanta todos os umbandistas e a todos que
buscam na Umbanda uma forma de entrar em contato, de se religar a
Deus.

    A Curimba é a nomenclatura dada ao grupo responsável pelos cantos
e os toques sagrados dentro de um Terreiro de Umbanda.

    Os toques, como já falamos anteriormente em outra oportunidade em
nosso blog, são os sons envolventes que emanam vibrações, e esses
toques vem dos sagrados Atabaques, e esse texto poderemos ler nesse
link abaixo:

Atabaque, Instrumento Sagrado da Umbanda.

    A Curimba também se consiste dos cantos sagrados, e esses cantos
se expandem em muitas partes do ritual umbandista.

    Esses pontos cantados juntamente com os toques dos Atabaques são
de extrema importância desde o iniciar da Gira, assim como seu
decorrer e seu final. Por esse motivo devem ser bem esclarecidos,
fundamentados e entendidos por todos os filhos da casa e no máximo
possível pela assistência ou consulentes.

    Devemos entender que várias são as importantes funções que os
pontos cantados tem, entre várias temos a ritualística e o auxílio a
concentração dos médiuns.

    Falaremos um pouco dessas duas funções destacadas acima, para
melhor compreensão de suas importâncias.

FUNÇÃO RITUALÍSTICA:

    Essa é uma função muito importante, pois é a função onde se é
marcado através dos pontos todas as partes do ritual da casa. E nessa
marcação temos um conjunto de pontos, como a de abertura da Gira, o
de cruzamento da casa, a de defumação, o de bater cabeça para o Gongá
ou para o Zelador de Santo, podendo também em algumas casas, as
funções ritualísticas de fazer a firmeza da Casa das Almas e da Casa de Exú.

AUXÍLIO DA CONCENTRAÇÃO DOS MÉDIUNS:

    Na função de auxílio na concentração dos médiuns, os toques assim
como os cantos envolvem de uma forma expressiva a mente dos médiuns,
não a deixando desviar ao verdadeiro propósito do trabalho espiritual
de caridade. E além disso, a batida dos Atabaques induz ao cérebro do
médium a emitir ondas cerebrais diferenciadas do dito padrão comum,
facilitando grandiosamente o transe mediúnico, deixando assim que o
médium desenvolvido seja muito mais receptivo a chegada de Entidades
Mentoras e trabalhadoras em sua coroa (cabeça).

    E isso acontece de uma forma bem explicável, pois falando agora de
uma forma de linha espiritual, os pontos cantados, quando vibrados de
coração e com boa intenção, atuam diretamente nos chacras superiores,
principalmente o cardíaco, laringe e a parte frontal ativando-os de
uma forma natural e melhorando intensamente a sintonia com a
espiritualidade superior, enquanto o som dos toques dos Atabaques
atuam nos chacras inferiores conhecidos como esplênico e umbilical, e
criam condições ideais para a prática da mediunidade de incorporação.

    Temos também que esclarecer a importância da Curimba para a
limpeza de todo ambiente do Terreiro, pois as ondas energéticas
sonoras emitidas pela Curimba, de forma divina vão tomando todo o
Centro de Umbanda, e assim vão dissolvendo formas energéticas de
possíveis pensamentos negativos, energias pesadas tanto da parte dos
médiuns quanto da assistência  ou consulentes, essas energias são
capturadas e diluídas, e são conhecidas como miasmas, larvas astrais,
e assim limpam e criam toda uma atmosfera psíquica com condições
ideais para os trabalhos espirituais de caridade.

    A Curimba se transforma em um verdadeiro polo irradiador de
energia dentro do Terreiro, potencializando muito mais as vibrações
divinas dos Orixás e das Entidades de Luz.

    Os pontos cantados são verdadeiras orações, orações essas que
podemos determinar como grandiosos poderes de magia espiritualista, e
tem um enorme poder de realização, pois é um fundamento extremamente
sagrado e divino.

    A Curimba também pode ser vista como uma grandiosa manutenção da
ordem dentro de um Terreiro e nos seus trabalhos espirituais, pois é
através desses pontos cantados que temos as chamadas das linhas de
Entidades de Luz, assim como também na dita subida desses Guias, e
além disso temos também as vibrações nos pontos cantados para as
firmezas e e saudações a essas Entidades de Luz.

    Frisando que não é a Curimba que traz as Entidades de Luz ao
Terreiro; muitas pessoas pregam que as Entidades são chamadas pelos
pontos cantados e o som do Atabaque, porém isso é uma inverdade; toda
a vibração das Entidades trabalhadoras já se encontram no espaço
físico espiritual do Terreiro, antes mesmo do começo dos trabalhos da
casa. Então devemos entender que a Curimba não tem essa função ou
colocação, e se caso um Ogã ou Curimbeiro disser que pode trazer ou
mandar uma Entidade retornar, é pura vaidade de um médium não
preparado para estar em local de destaque na Curimba. Portanto a
Curimba não é a força vibratória que traz e leva as Entidades ao bem
querer de Ogãs e Curimbeiros, a Curimba funciona como a vibração
sustentadora de uma Gira de um Terreiro, a limpadora de maus
pensamentos e sentimentos de encarnados, e o que realmente invoca as
Entidades de Luz são nossos bons pensamentos e sentimentos positivos
vibrados em direção de todo ambiente do Terreiro. Certamente ao
cantarmos os pontos expressamos esses sentimentos, porém somente o
amor aos Orixás e as Entidades de Luz a verdadeira invocação de
Umbanda.


    Salve a nossa amada Umbanda!

    Salve a Curimba!



Carlos de Ogum

segunda-feira, 10 de abril de 2017 25 comentários

Projeção Astral - Viagem Fora do Corpo

             



    Muitas pessoas me perguntam sobre a Projeção Astral, como
acontece, como é feito, quais os perigos eminentes, e nesse texto
vamos tentar demonstrar um pouco sobre esse assunto tão polêmico mas
tão instigante a todos nós.

    Projeção Astral ou mesmo Projeção da Consciência é uma capacidade
que todos seres humanos tem de projetar sua consciência para fora do
corpo físico, e dependendo da doutrina de pensamento que se refere a
esse fato ou ação, pode ser conhecida por várias nomenclaturas como
por exemplo: Viagem Astral, Esoterismo, Projeção Astral (Teosofia),
Experiência Fora do Corpo (Parapsicologia), Desdobramento,
Desprendimento Espiritual ou Emancipação da Alma (Espiritismo), Viagem
da Alma (Eckancar), Projeção do Corpo Psíquico ou Emocional
(Rosacruz), Projeção da Consciência (Projeciologia), etc.


    Muitas pessoas pregam que essas experiências fora do corpo traz um
perigo eminente a quem o faz, porém essas pessoas que pregam esse
desatino são pessoas mal informadas, pois é sabido que as experiências
fora do corpo desde a mais remota antiguidade é um fato, fato esse que
envolve grandes técnicas de cunho científicos, e aos desinformados
que geraram fantasias sobre os perigos que envolvem esse processo,
perigos certamente inexistentes, a esses que só trouxeram ideias
errôneas, ficando assim esse assunto restrito apenas a uma minoria com
pseudo controle e domínio de suas técnicas e consequências.

    Nos diversos tipos de projeção, poderemos salientar algumas,
dentre elas vamos frisar a Projeção involuntária e a Projeção voluntária,

    Abaixo falaremos um pouco de cada uma delas.

    Projeção Involuntária:

    Quando ocorre a Projeção Involuntária, a pessoa sai do corpo e não
compreende o porquê desse fato. A normalidade desse acontecimento é
quando a pessoa se deita e adormece normalmente, quando se dá por si,
e desperta descobre que está flutuando fora do corpo físico, estando
na proximidade desse ou mesmo a distância, em locais que reconhece ou são
totalmente desconhecidos. Em alguns casos já relatados, a projeção
ocorre antes mesmo que a pessoa esteja adormecida. Na maioria dos
casos de projeções involuntárias, a pessoa projetada consegue observar
seu corpo físico deitado na cama, e isso ocasiona um grande receio
fazendo-a imaginar que esteja desencarnada, e isso muitas vezes traz
um desespero a algumas pessoas que são projetadas, que se jogam em
mergulho no corpo físico com tamanha violência a fim de escapar
daquela estranhíssima situação. Muitos ainda acreditam estar dentro de
um pesadelo e em desespero pleno, procuram acordar seu corpo físico.

    Contudo, em outros casos, outras pessoas projetadas
involuntariamente se sentem tão bem com a situação que nem se
questionam sobre que fato é aquele, como ocorreu e por quê. A sensação
de liberdade e flutuação é tão boa que nada mais importa para elas. Ao
despertar no corpo físico, algumas imaginam que aquela vivência era um
sonho bom. Muitos sonhos de voo e de queda estão relacionados
diretamente com a movimentação do psicossoma durante a projeção.

    Projeção Voluntária:

    Na projeção voluntária a pessoa envolvida tenta sair do corpo
físico pela própria vontade, e consegue.

    Nesses casos, o projetor é que comanda o desenvolvimento da
experiência e fica totalmente consciente fora do corpo, podendo
observar o mesmo com tranquilidade, viajar sobre sua vontade a lugares
no plano físicos e mesmo extra físicos, podendo encontrar-se com
outras pessoas projetadas, com espíritos desencarnados, Entidades de
Luz, pode também volitar, atravessar objetos físicos, e assim entrar
no corpo físico a hora que desejar. Portanto, nesse tipo de projeção, a
pessoa tem o pleno conhecimento do que está ocorrendo e sempre procura
desenvolver o processo a sua vontade, coisa que não ocorre na projeção
involuntária descrita anteriormente, na qual a pessoa não tem
conhecimento do que ocorre, por isso as vezes tem medo da experiência, e esse
medo está ligado a razão direta da falta de conhecimento das pessoas
sobre o fato em questão.

    Quando estamos dentro da projeção astral, podemos sentir alguns
sintomas característicos, como por exemplo sentir uma paralisia dos
seus veículos de manifestação, principalmente dentro da faixa de
atividade do cordão de prata. Essa paralisia é chamada de catalepsia
projetiva ou astral, e não deve ser confundida de maneira alguma
com a catalepsia patológica, que é uma doença rara, e não tem nada a
ver com nosso assunto descrito.

    A Catalepsia projetiva pode ocorrer tanto antes quanto após a
projeção. Geralmente, ela acontece da seguinte maneira: a pessoa
desperta durante a noite e descobre que não pode se mover. Parece que
uma força invisível lhe tolhe os movimentos. Desesperada, ela tenta
gritar, mas não consegue. Tenta abrir os olhos, mas também não obtém
resultado. Alguns criam fantasias subconscientes imaginando que um
espírito lhe dominou e tolheu seus movimentos. Essa catalepsia é
benigna e pode produzir a projeção se a pessoa ficar calma e pensar em
flutuar acima do corpo físico. Ela não apresenta nenhum risco, pelo
contrário, é totalmente inofensiva.

    Portanto, se você se encontrar nessa situação em uma noite
qualquer, não tente se mover. Fique calmo e pense firmemente em sair
do corpo e flutuar acima dele. Não tenha medo nem ansiedade e a
projeção se realizará.

    Caso não pretenda se arriscar e deseje recuperar o controle de seu
corpo físico, basta tentar com muita calma mover um dedo da mão ou uma
pálpebra, que imediatamente, readquirirá o movimento.

    Podem também ocorrer além da catalepsia projetiva, pequenas
repercussões físicas no início da projeção, principalmente nos
membros. Muitas pessoas, quando estão começando a adormecer, têm a
sensação de estar "escorregando" ou caindo por um buraco e despertam
sobressaltadas. Isso acontece devido a uma pequena movimentação do
psicossoma no interior do corpo físico.

    É conhecido como Estado Vibracional, as vibrações que percorrem
psicossoma e o corpo físico antes da projeção. Algumas vezes, essas
vibrações se intensificam e formam anéis energéticos que envolvem os
dois corpos.

    Nós do Blog Umbanda Yorimá, recebemos muitas perguntas sobre
projeção astral, e após pesquisarmos bastante encontramos um bom texto
para certas perguntas, na qual descrevemos abaixo, juntamente claro,
com a fonte obtida.


1º Existe perigo na saída do corpo?

Não! Existe muito preconceito, pelo assunto, muito exagero, e muito
receio das pessoas que desconhecem que a Projeção Astral é natural e
benéfica. Tem mentiras apregoadas como: Quem faz projeção astral morre
mais cedo. Pura ignorância sobre o assunto.

2º As saídas do corpo Prejudicam a Saúde?

Não! Pelo contrário, quem não se projetar para recarregar-se das
energias cósmicas, vai ter sérios problemas, por isso a projeção
astral inconsciente é uma necessidade psicofisiológica.

3º Qualquer pessoa pode sair do Corpo, não tem que ter uma Percepção
Extra Sensorial desenvolvida?

Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode sair do corpo físico para o
plano astral consciente e com lucidez, tudo porque a PROJEÇÃO ASTRAL é
da NATUREZA HUMANA e dos seres que dormem é uma função
PARAFISIOLÓGICA.

4º Como superar o medo?

O medo é irracional, ele faz parte do instinto de defesa de qualquer
ser vivo, o medo não se vence, a gente apenas ultrapassa ele, afasta
realizando com coragem o que nos foi proposto.

5º Qual a diferença entre um sonho natural, sonho lúcido e uma Projeção
Astral?

Muita, no Sonho a pessoa é um participante passivo, no Sonho Lúcido
ele é uma participante Ativo e na Projeção ele sabe que está fora do
corpo.

6º O que dizer aos céticos que pedem provas?

É difícil provar uma experiência subjetiva e pessoal, principalmente
quando não temos total controle sobre o fenômeno, quem quiser a prova
vai ter que EXPERIMENTAR PESSOALMENTE, ofereça a pessoa uma apostila
com as técnicas, assim ela vai ter sua própria prova.

7º Poderia ser atacado por espíritos malignos no astral?

Não se preocupe com isso, na maioria dos casos são mentiras apregoadas
por pessoas que passam por sonhos lúcidos com muito onirismo,
categoricamente afirmo que em 90% dos casos das projeções astrais
quando se sai no corpo astral se está só.

8º Pode o cordão astral (cordão de prata) ser cortado, enredado num
objeto extra físico?

Não! O cordão astral pode ser misturar com outros e não será enredado,
pode girar, rodopiar. Não pode ser cortado, ele não é um cordão,
apenas tem o formato de um, é um elo energético que liga os dois
corpos. Não pode ser cortado, tocado por ninguém.

9º Pode o corpo físico ser ocupado por outro espírito enquanto me
projeto no astral?

O corpo humano é inviolável. Mesmo o corpo de um médium não é ocupado
totalmente, apenas uma parte é ocupado, ficando o médium com 3
cabeças, uma física e duas extra físicas.

10º Onde posso ir?

Qualquer lugar da face da terra, qualquer lugar do astral inferior e
alguns lugares do astral superior (Corpo Mental).

11º O que são aquelas vozes que escuto quando estou quase
conseguindo me projetar?

Quando existe a descoincidência dos corpos, o ouvido penetra no mundo
astral, o inconsciente começa a produzir todo o onirismo, escuta-se
vozes, gritos, ruídos, sibilo, assobios, gargalhadas. São formas
pensamentos.

12º Por que temos sonhos de Voos e quedas?

Quando existe uma descoincidência dos corpos físico e astral, essa
repercussão provoca uma sensação no sono leve que produz sonhos de
queda, voos, flutuações.

13º Por que parece que tem alguém me segurando, quando me projeto?

A sensação de que estamos sendo observados, ou tem alguém nos
segurando, nada mais é do nossa própria companhia, a força do cordão
astral, exerce a sensação de que tem alguém nos empurrando, puxando ou
segurando.

14º Por que as vezes vejo objetos que não existem no meu quarto?

Quando a projeção é feita num sub-plano vibracional bem acima do mundo
físico, provoca-se criações de formas e pensamentos pelo inconsciente.
Podemos até ver pessoas conversando, nos vendo e na verdade isso não
estaria acontecendo.

15º Existem dias especiais para se Projetar no Astral?

Não! Qualquer dia e qualquer hora dá para realizar a projeção astral,
mesmo estando chovendo, trovejando, frio, calor, nada interfere a
realização de uma projeção Astral.

16º Qual a melhor posição na cama para realizar a Projeção Astral?

Qualquer posição é propicia desde que exista o relaxamento corpóreo
ideal, porém a mais usada por todos é a de decúbito dorsal (barriga
para cima), justamente por facilitar o relaxamento, porém é
problemática para algumas pessoas, por provocar sufocamento e excesso
de salivação, neste caso tentar com outra posição.

17º O uso de bebidas alcoólicas é prejudicial para a projeção astral?

Sim, o excesso do uso de bebidas alcoólicas é prejudicial por reduzir
as percepções dos sentidos, induzir o sono e comprometer a lucidez.

18º E quanto ao uso de Drogas para induzir uma projeção astral?

Algumas drogas alucinógenas como o Daime e outras usadas pelos índios
provocam a saída do corpo, mas junto podem trazer alucinações que
varia muito de pessoa para pessoa. O ideal para o uso de drogas
xamânicas é a orientação de um Xamã. Quanto ao uso de maconha,
cocaína, heroína essas não provocam a projeção. As drogas sintéticas
como LSD, Ketamina, provocam projeções astrais forçadas, carregando
portanto os efeitos alterados no cérebro como a alteração de percepção
da realidade. Já o Êxtase, não é um alucinógeno nem altera as
percepções do indivíduo, pelo contrário o mantém ativo. Soníferos,
provocam o sono, deprimem o sistema nervoso, reduzem os batimentos
cardíacos, mas inibem o sono natural que provoca as projeções astrais,
levando o indivíduo a inconsciência absoluta. Beta-bloqueadores,
induzem a projeção astral, pois são contra a hipertensão arterial, mas
são perigosos, por reduzirem os batimentos cardíacos, e deve ser
ministrados sob orientação médica.
    A recomendação é nunca usar drogas em qualquer hipótese.

19º Qual o maior segredo para fazer uma projeção Astral Consciente?

Não é só um. Mas um conjunto de práticas que envolve alguns controles,
como:
Físico, onde podemos citar O Relaxamento Corporal Integral.
Emocional, controla a corrente sanguínea, batidas cardíacas, esse
controle das emoções mantém os emoções serenas e o corpo segue o
relaxamento natural, caso lúcido na hora do processo, manter as
emoções neste estado passivo, ou seja, não sentir medo, não ficar
ansioso. Mental, esse controle é fundamental para manter o foco, ser
objetivo, capacidade de imaginar e focar o ponto, o nome se resume em
concentração ideal.

20º Como ocorrem as Projeções com as grávidas?

Podem ocorrer seis tipos de projeções com gestantes:

1º) O psicossoma (corpo Astral) da gestante sai sozinho do corpo
físico, ficando no físico a criança com seu psicossoma.

2º)Sai a gestante no corpo Mental sozinha.

3º)Sai a gestante junto com o bebê, ambos com o psicossoma no plano
astral. (acoplados ele na mesma posição, em alguns casos ele separado
ao lado)

4º)O bebê sai sozinho com o seu psicossoma (em alguns casos plasma seu
corpo anterior, principalmente se a intermissão entre as duas
reencarnações for curta).

5º)O bebê sai sozinho através do corpo mental (muito comum, pois foi
seu último mundo).

6º)Os dois se projetam no corpo mental. Há de se observar a afinidade
entre os dois, muitas vezes a mãe não deseja o filho, nestes casos ela
geralmente sai sozinha, inclusive plasma seu corpo astral sem a
barriga. Mas quando o bebê é desejado e amado, geralmente os dois saem
juntos, envolvidos ao mesmo tempo pelo Estado Vibracional.
Fonte: Livro Projeciologia  Waldo Vieira


    Abaixo, descreveremos possíveis métodos para ser realizados a
projeção astral.

    Método 1:

Vamos nos preparar para a projeção astral.

    É bem recomendado que se comece pela parte da manhã, pois é nessa
parte do dia que temos a sensação de sono mais forte. Algumas pessoas
dizem que é na madrugada que conseguimos alcançar o estado de
relaxamento e consciência expandida nesse horário, porém é possível em
qualquer parte do dia, não há regra sobre esse fato, e isso é uma
preferência pessoal, contudo a parte da manhã traz maior relaxamento
ao corpo físico. Mas para praticar a projeção astral deve ser feito
quando a pessoa se sente bem disposto a fazê-la.

    Para nos projetar devemos criar a atmosfera certa, pois a projeção
astral requer um estado de relaxamento profundo, e deve-se ser feita
em alguma parte da casa na qual nos sentimos completamente a vontade.

    Deite-se na cama ou sofá confortavelmente, relaxando o corpo e a
mente, e certamente é mais fácil realizar a projeção sem ninguém por
perto. Portanto deveremos fazer essa projeção com extrema
tranquilidade, de preferência com nossa residência vazia, e que
saibamos que ninguém entrará no cômodo quando estivermos fazendo a
projeção.

    Devemos estar na penumbra, sem nenhum ruido que possa nos
distrair, pois qualquer interrupção poderá perturbar nosso estado de
relaxamento necessário para conseguirmos a projeção astral
satisfatória.

    Mantenha-se deitado e muito relaxado, de preferência em decúbito
dorsal (de barriga para cima), feche os olhos suavemente, limpe sua
mente de todos pensamentos que poderiam distrair você, mantenha uma
concentração no corpo, e como está se sentindo no momento, a finalidade
é alcançar um estado de relaxamento supremo, sendo esse relaxamento
mental e físico completo.

    Relaxe bem os músculos flexionando-os e após soltando-os. Respire
suavemente porém profundamente, ao inspirar solte todo ar
completamente, evite ficar tenso entre os ombros e o tórax.

    Concentre-se intensamente na respiração, evite se deixar levar
pelos pensamentos relacionados a preocupações externas, simplesmente
entre em relaxamento profundo.

    Método 2:

    Tente alcançar um estado hipnótico, deixando o corpo e a mente chegarem perto de
dormir, porém não perca a consciência. Chegar ao limiar entre o sono e
o acordar, ou estado hipnótico, é necessário para realizar a projeção.

    Para alcançar esse estado é recomendável fazer o seguinte:

    Feche os olhos suavemente, mantenha a respiração tranquila e
serena, deixe a mente vagar, imaginando uma imagem sublime, como o céu
azul, o dançar das nuvens, a calmaria do mar. Concentre-se nessa
imagem até que consiga visualizá-la nitidamente, mantenha-se assim até
que todos outros pensamentos rotineiros desapareçam de sua mente.

    Imagine suas mãos se abrindo e fechando, usando a mente para
flexioná-las, porém não faça isso fisicamente, mantenha-as paradas, ou
seja, o movimento é dado somente na imaginação. Procure fazer isso com
todas as partes do corpo, porém sem se mexer. Procure entrar em estado
de vibração, pois é dito que ao sentir esse estado de vibração é o
instante no qual o espírito está preparado para deixar o corpo para a
projeção. É recomendado não ter receio dessas vibrações, pois esses
receios podem fazer com que saiamos do estado de meditação.

    Ao chegarmos a esse estado poderemos sim estar aptos a projeção, e
nesse caso imagine o local onde está, tente mover o corpo mentalmente
para fora, tentando ficar de pé, observe bem a seu redor, e busque
observar seu corpo físico deitado.

    E ai está a resposta se a projeção astral funcionou consigo, se
conseguir ver seu corpo físico como se estivesse observando outro
alguém, significa que seu espírito ou consciência está separada dele.

    Para a maioria das pessoas esse fato vai depender de muita prática
até conseguir alcançar esse estado, porém em outras pessoas esse fato
é tão natural como respirar.

    Após obter êxito na experiência de projeção, retorne ao corpo
físico, pois a alma está ligada a ele por uma força invisível
conhecida por "Cordão de Prata", basta deixar que essa força o guie em
direção ao corpo.

    Quando sentir-se já no corpo físico feche e abra as mãos, porém
agora de modo físico.

    Método 3:

    Após dominar os feitos do método 2, é hora de buscar a dominação
de dois planos separados, ou seja, na próxima projeção astral, não
retorne imediatamente ao corpo, e nem busque onde ele se encontra.
Tente sair do cômodo que está buscando outros cômodos, busque examinar
objetos que estejam em outro plano, de preferência algo que não tinha
notado antes. Busque fazer a memorização do objeto, da cor, da forma,
do local que está. Após retornar ao corpo físico, busque ir no local
onde se encontra o objeto, tente buscar em sua mente todos os detalhes
guardados anteriormente, verifique, se caso estiver dentro do estado
de projeção, que relembrará todos esses detalhes. E assim terá uma
prova que conseguiu a projeção astral.

    Após essas experiências preliminares, tente buscar locais cada vez
mais distantes e menos familiares, e assim vá adquirindo experiências
suficientes para entender que suas viagens a locais assim é uma
magnífica projeção astral.

    A projeção astral também pode auxiliar nos tratamentos a pessoas
adoentadas, pois o tratamento de cura a distância com a projeção
astral é um poderoso método de cura e alívio a quem necessita.

    Tente visualizar a pessoa necessitada, busque a imagem dessa
pessoa em sua mente. Ao ter essa ligação com o adoentado, busque
pedir proteção a ele, juntamente com a cura desejada e a orientação
das Entidades de Luz.

    Ao estar diante da pessoa necessitada, procure colocar as mãos
nela fazendo uma vibração positiva, normalmente se coloca uma mão na
fronte, e outra no abdome deixando que raios de força e luz penetrem
nessa pessoa.

    Nunca se esquecer que suas intenções devem ser puras, e você deve
sentir amor, paz e vontade de fazer a caridade.

    Para finalizar devemos lembrar que é impossível sermos machucados
fisicamente ou mentalmente por alguma coisa no plano astral durante
uma projeção.

    Devemos entender que a crença tem um papel fundamental na projeção
astral, portanto devemos estar sempre ciente do que desejamos, ou
seja, sair do corpo ou retornar. Nunca devemos ter a sensação de não
conseguir retornar, pois nossos pensamentos e sentimentos são
manifestados instantaneamente no plano astral, e por esse motivo
qualquer coisa que tememos ou acreditamos pode acontecer, a
recomendação é manter os pensamentos positivos, nunca devemos tentar
nos projetar com mágoas, tristezas ou ódio em nosso ser.


    No mais, é buscar a espiritualidade verdadeira, a fé, a coragem e
partir para viagens ao astral sem limites.

    Boa sorte a todos!

Carlos de Ogum

quinta-feira, 30 de março de 2017 30 comentários

Passes na Umbanda

                       

    Por muitas vezes, nós umbandistas assíduos, ou todos aqueles que
tem carinho pela religião umbandista, já levamos os chamados passes,
ou passes magnéticos quando estamos ou vamos em um terreiro.

    Esses passes são nos doados por Entidades de Luz, como por exemplo
por Pretos Velhos, Caboclos, Erês, enfim, todas as Entidades de Luz que
estão ali em prol da caridade, do amor e da paz.

    Também podemos receber essa benção de médiuns não incorporados,
mas que da mesma forma estão ali para doar o amor e a paz, além da
recuperação da saúde e das energias tomadas por obsessores, tanto
desencarnados quanto encarnados.

    A Umbanda segue a mesma linha do espiritismo, doutrina codificada
por Allan Kardec, que também tem a busca da base cristã, e se espelha
nas passagens do Evangelho na qual Jesus cura as pessoas e expulsa os
espíritos obsessores, usando sua fé e a imposição das mãos.

    A nomenclatura "passe" tem como originalidade vinda do
espiritismo, e nos dá a ideia de transmitir algo a quem necessita,
como energias tomadas por obsessores por exemplo.

    Sabemos que os espíritos atuam sobre os fluidos espirituais por
meio dos pensamentos e vontades, e ambos são para os espíritos
exatamente o que as mãos são para os encarnados.

    Apesar de uma pequena diferença entre os passes doados no
espiritismo (Kardecistas) e na religião Umbandista, da mesma forma os
passes são extremamente eficazes para aquele consulente que o busca
com amor, boa intenção e fé, portanto quando falamos de passe, o
importante na verdade é como será recebido esse passe, pois a doação
sempre virá de uma forma amorosa, caridosa e extremista de fé.

    Temos três tipos de passes mais conhecidos dentro da linha
espiritualista: Passe magnético, passe espiritual e passe misto.

    O Passe magnético é aquele que o médium faz a doação de apenas
seus fluídos utilizando a força magnética existente no próprio corpo
perispiritual.

    O Passe espiritual e uma fundada magnetização feita por Espiritos
 e Entidades de Luz, sem intermediários feito diretamente no
perispírito das pessoas enfermas e necessitadas. Neste passe a pessoa
necessitante não recebe fluidos magnéticos de médiuns, mas outros mais
finos e puros, trazidos dos planos superiores da Vida, pelo Espírito
ou Entidade que vai assisti-lo.

    Passe misto, é o passe onde se misturam os fluidos do médium com
os das Entidades de Luz ou Espíritos de Luz. O passe espírita/médium
objetiva o reequilíbrio orgânico (físico), psíquico, perispiritual e
espiritual do consulente.
Ele atua diretamente sobre o períspirito, revitalizando as energias
perdidas, eliminando fluidos negativos, auxiliando na cura de
enfermidades.


    A busca de passes por consulentes é com a intenção de melhorar seu
comportamento orgânico, psíquico e ou espiritual.

    É normal em uma doação de energias através dos passes, os médiuns
sentirem uma fadiga bastante elevada. Isso pois deixam claro indícios
de que houve uma grande transferência fluídica em benefício dos
consulentes necessitados.

    Dentro da Umbanda especificamente, o passe é o momento no qual o
consulente se dirige ao médium incorporado com uma Entidade de Luz, e
no caminhar da consulta, além de pedir conselhos espirituais, pedidos
diversos, o consulente recebe dessas divinas Entidades de Luz uma
benção em nome de Deus, que dentro do merecimento, sejam atendidos
naquilo que estão suas necessidades.

    Os passes na Umbanda são aplicados distintamente em relação a cada
tipo de linha. As Entidades de Luz manifestantes, aplicam diversos
métodos de acordo com a necessidade de cada consulente, se utilizando
dos recursos variados que as Entidades possuem.

    Os passes recebidos e doados com fé tem efeitos excepcionais,
variedades diversas, indo desde um breve alívio até a cura de
moléstias graves. Porém essas graças recebidas vão depender do preparo
do médium em repassar essas energias, do desenvolvimento mediúnico do
mesmo em deixar que aconteça a incorporação de Entidades de Luz sem
que interfira no tratamento através dos passes, também devemos levar
em consideração a fé de ambos, tanto do passista (médium) quanto do
paciente, e claro o merecimento desse consulente, pois não devemos
esquecer que cada um recebe dentro da medida de seu merecimento, e
entendemos que um encarnado pode bloquear ações positivas direcionadas
a ele próprio como consequência de seus maus sentimentos, de seus
pensamentos e ações de baixo teor de fé.

    Sabemos que muitos são merecedores de receber a caridade através
dos passes, porém não estão abertos a receberem emocionalmente,
psicologicamente ou mesmo religiosamente para receber o que a
espiritualidade possa oferecer, por vários motivos como a descrença, a
irritação, mentalidade crítica, e muitas posturas interesseiras
desfocada de um verdadeiro objetivo espiritual.

    Dentro da Umbanda o passe pode ser definido como uma aplicação de
um conjunto de forças espirituais divinas, pois além de explorar todos
os recursos possíveis de imposição das mãos, ainda se utiliza
elementos e técnicas variadas.

    Os passes cedidos a quem necessita não depende na primeira visão
do fato, do merecimento ou do recurso, pois a finalidade tanto dos
médiuns quanto das Entidades de Luz será sempre alcançar o êxito
maior, e a colocação da verdadeira necessidade, do verdadeiro
merecimento, da verdadeira fé, não cabe as Entidades de Luz, muito
menos dos médiuns fazerem o julgamento, pois isso e de
responsabilidade do Pai Maior, o nosso amado Deus.

    As Entidades sabem exatamente quais as técnicas que deverão
aplicar a cada tipo de necessidade, porém ao percebermos algo que
esteja fora da ética, do bom senso e do respeito, podemos afirmar sem
dúvida nenhuma que isso não faz parte do trabalho das Entidades de
Luz, e sim da mistificação de falsos médiuns que não foram preparados
para tal função.

    Devemos ficar atentos as regras umbandistas para os passes de
caridade, pois na Umbanda tem um conjunto de métodos e recursos
característicos da religião. Nesses métodos podemos observar rezas,
orações, evocações, invocações, determinações e recursos mágicos
religiosos associados a banhos, defumações, oferendas, entre outros
tipos.

    Dentre vários recursos que nos fascinam na Umbanda em relação aos
passes, podemos frisar o estalar de dedos que é bem característico em
todas as linhas de trabalho.

    Nossos amados Pretos Velhos dão passes estalando os dedos, fazendo
o sinal da Cruz, e colocando as mãos sobre várias partes do corpo do
consulente como a cabeça, costas, nucas, barriga, mãos, ombros. Eles
podem usar também em seus passes dentre outras coisas, velas,
crucifixos, ervas, fumo, óleo, essências. Tudo como uma forma de
transmitir energias espirituais positivas, acalmando, revitalizando,
estabilizando o consulente.

    O choque vibratório desencadeado no ar quando o dedo médio estala
sobre a região da mão chamada de Monte de Vênus causa vibração astral
e sonora despertando certa energia dentro do campo em que está
atuando. O estalar de energias assume contextos variados de acordo
com os objetivos desejados, através do pensamento e ou movimentos.

    Podemos ver também a benevolência dos passes serem feitas através
da imposição de uma vela segura por uma Entidade de Luz levando-a aos
chacras ou traçando alguns movimentos no ar, podendo também essa
Entidade colocar guias no pescoço dos consulentes, ou mesmo colocar
essas guias ao chão em formato de círculo, podem fazer pontos dentro
do mesmo, introduzindo ponteiros, pemba, fazendo gestos ritualísticos
com movimentos dos pés e mãos, e certamente tudo isso nos encanta.

    No estalar de dedos é dito que, em estudos recentes, foram
identificadas as energias que existem na ponta de cada um dos dedos da
mão, que são pequenos chacras ou vórtices de energia (chacrinhas),
e, o choque vibratório desencadeado no ar quando o dedo médio estala
sobre a região da mão causando vibração astral e sonora o que desperta
certa energia dentro do campo em que está atuando. Este Estalar de
Energias pode assumir contextos vaiados de acordo com o que esteja
associado, por meio do pensamento ou movimentos, conforme já foi dito
acima.

    Além deste contexto pode-se usar o estalar de dedos como um
simples gesto de descarregar as energias absorvidas pelas palmas das
mãos. Um caboclo ou outro espírito guia eleva sua mão ao alto (ou ao
lado) buscando certa energia que será irradiada ao consulente, num
movimento rápido, ao mesmo tempo em que transmite esta energia
positiva, retira os eflúvios negativos e os descarrega com um
estalar de dedos.

    Finalizando, os passes são de fato uma grande ajuda a quem
necessita, principalmente na retirada de cargas negativas, carmas
familiares, obsessão, vícios (juntamente com ensinamentos e a boa
vontade do consulente).

    Devemos sim buscar esse auxilio, mas buscar com fé, de coração
aberto, e confiança no resultado que ele dará. Tudo dependerá de nós
mesmos aceitarmos o auxilio das Entidades de Luz e assim receber a
verdadeira caridade.

    Que Oxalá e todos os Orixás nos concedam receber essa força
suprema em forma de passe doados pelas nossas amadas Entidades de Luz.

    Saravá Umbanda!

Carlos de Ogum

segunda-feira, 20 de março de 2017 33 comentários

Conhecendo Senhor Sete Porteiras

             


Na estrada tem um Ganga,
Ganga não leva carreira.

Na estrada tem um Ganga,
Ganga não leva carreira.

Quando a demanda é grande,
chama por Sete Porteiras.

Quando a demanda é grande,
chama por Sete Porteiras.

Na Calunga Pequena eu vi,
um poderoso Exú a me proteger,
Amigo de seu Tranca Ruas, Sete Encruzilhadas e seu Tiriri,
era seu Sete Porteiras que me ajuda o mal vencer.

Sua força é grande como sua proteção,
nas estradas da vida nos traz paz e luz,
com ele não tenho medo do mal e nem da obsessão,
pois ele é seu Sete Porteiras o enviado de Jesus.

**********************************************************************

    Quando se fala de proteção, quando se fala em fechar portas para o
mal e a obsessão, quando se fala em guardião das tronqueiras, se deve
falar de Senhor Sete Porteiras.

    Esse divino Exú trabalhador pela a caridade tem uma grande
importância na linha dos Exús e Pombo Giras, pois ele é o encarregado
direto em guardar tudo que esteja fechado por meio dos caminhos,
portas, chaves ou segredos.

    Senhor Exú Sete Porteiras está colocado na chefia da terceira
linha de esquerda da Umbanda, ele é comandado por Ogum de Lei, e tem a
seu comando muitos Exús e Pombo Giras da mesma irradiação. Dentre eles
o Exú Sete Tronqueiras, no qual trabalham praticamente juntos para as
aberturas de caminhos, e fechamentos das entradas das casas,
terreiros e roças de Umbanda.

    Normalmente quando um médium tem a benção de poder trabalhar com
o Exú Sete Porteiras em sua coroa, ele também traz o Exú Sete
Tronqueiras, para que assim seja feito trabalho de proteção em
conjunto.

    O Senhor Sete Porteiras da a possibilidade a seu médium de poder
fazer a invocação de abrir os caminhos das pessoas que lhe procuram,
sendo visto claro o tipo de pedido, o merecimento e o destino de cada
consulente antes de aceitar abrir esses caminhos.

    Ele respeita muito seu médium trabalhador, está sempre mostrando
lições e tentando o máximo de proteção, porém, só se manifesta, ou
segue a irradiação da coroa em médiuns honestos e que não se utilizam
da religião umbandista para demonstrar vaidade, arrecadar bens
financeiros, e que estejam desenvolvidos em grau superior para o
trabalho em prol da caridade, fora isso ele se afasta desse médium.

    Esse Exú é muito fechado, fala pouco, porém a verdade, e seu lema
é: "Falar a verdade aos consulentes, e não falar o que o consulente
deseja ouvir, mesmo que essa verdade seja algo ruim para tal
consulente."

    Algumas pessoas dizem que senhor Sete Porteiras tem a
característica de incorporar sempre próximo a uma porta, porém isso
não é real, vem mais da falta de informação de médiuns
mistificadores e mal preparados.

    Senhor Sete Porteiras domina as sete fronteiras, tem como poder de
abrir ou fechar suas portas, caminhos ou destinos. Tem também a força
de guardar os sete portais astrais, fazendo companhia a mais seis Exús
guardiões com essa finalidade.


    Muitos Zeladores de Santo pregam que o senhor Sete Porteiras
apenas toma conta das portas das Calungas Pequenas (cemitérios), porém
como o próprio nome diz, a palavra "porteira" refere-se a porta ou
passagem. E assim, o Exú Sete Porteiras cuida de diversas passagens,
portas ou portais nos planos espirituais. Podemos definir que ele é o
intermediário entre dois planos, sejam eles:

Espiritual e terreno.

Ígneo (que se refere ao fogo) e telúrico (que se refere a terra).

Etérico (se refere a pureza) e astral.

    Entre outros.

    Abaixo vamos colocar algumas características desse amado Exú,
frisando que podem ser mudadas pelas diferentes irradiações que várias
Entidades que levam o mesmo nome dele tenham, portanto, é só para
ilustrar o texto.

    Senhor Sete Porteiras aprecia bebidas finas ou marafo, e com
essas bebidas ele tem a possibilidade de observar internamente seus
consulentes.

    Tem assim pelo gosto pelas bebidas o gosto pelos charutos, e da
mesma forma com o uso da fumaça desse charuto faz a observação das
intenções de um consulente e também faz a limpeza do mesmo.

    Sua Guia de trabalho é nas cores vermelhas e pretas, sendo contas
leitosas, com firma preta raiada com vermelho ou vice versa. Essas
podem ser separadas de uma a uma, de três em três, de sete em sete ou
de vinte e uma em vinte uma contas intercaladas, isso vai de
irradiação para irradiação e de linha para linha.

    Seus locais de trabalho são a Calunga Pequena, estradas de terra,
encruzilhadas e matas. Normalmente bons lugares para quem deseja
homenagear senhor Sete Porteiras, acendendo uma vela ou pedindo
proteção.

    As velas podem ser na cor preto, ou traçadas nas cores vermelho e
preto. Podendo ser utilizadas para pedir proteção, agradecer, ou
apenas homenagear, porém nunca acenda uma vela a senhor Exú Porteira para se vingar de um semelhante, fechar caminhos das pessoas, amarrar alguém, pois ele com sua infinita sabedoria vai perceber sua má
intenção, e certamente não será muito agradável ao pedinte desse mal.

    Finalizando, senhor Sete Porteiras é um extraordinário trabalhador
em prol da caridade, e estará sempre nos observando nos caminhos no
qual desejamos que portas se abram, se merecermos, certamente ele
abrirá essas passagens.

    Eu particularmente agradeço extremamente por ter essa divindade
trabalhando em minha coroa, me dando os caminhos abertos a serem
passados a quem merece, e agradeço mais ainda a sua proteção de
fechar nossa tronqueira em nossos dias de Gira no Terreiro de Umbanda Pai Ogum
Megê, juntamente com senhor João Caveira, senhor Exú Caveira, senhor
Sete Tronqueiras, além de toda legião trabalhadora para essa proteção.

Laroiê senhor Exú Sete Porteiras!

Senhor Sete Porteiras é Mojubá!

Carlos de Ogum



sexta-feira, 10 de março de 2017 27 comentários

Poema Aos Pretos Velhos Da TUPOM - Por Carlos de Ogum. Revisão: 2017


    Assim como fizemos no texto "Poema as Ibeijadas da TUPOM", no qual
o revisamos para acrescentar as Entidades da linha dos Erês que se
manifestaram em nossos médiuns no ano de 2016, estaremos revisando o
poema dos Pretos Velhos da mesma forma.

    Sendo assim, com a presença de novas divindades da linha de Yorimá
na Coroa de alguns de nossos amados Médiuns, que por merecimento
através do desenvolvimento mediúnico, voltamos ao poema postado em
nosso blog no dia 30 de maio de 2015 para revisar e acrescentar nele o
complemento que falará desses amados Pretos Velhos, no qual nos deram
as bençãos de estarem dia a dia em nossas Correntes Espirituais e em
nossas sagradas Giras.

    Agradecemos a Deus, a Oxalá, todos os Orixás a benção de termos
esses amados seres de luz em nossa caminhada.

Pai Carlos de Ogum.
Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê.
Mentor: Vovô Rei Congo das Almas.



**********************************************************************

Dia lindo e maravilhoso,
no reino de meu Pai Oxalá,
nos abençoe divinos Pretos Velhos,
Pretos Velhos do meu Gongá.

Caridosos e com amor no coração,
esses velhinhos sempre nos ensina a viver,
com um sorriso humilde e sua benção,
junto a nós ficam,  basta apenas neles crer.

Um a um, vamos aprendendo a amar,
sem distinção de qual trabalho for,
pedindo paz e saúde para caminhar,
distribuindo suas bençãos, todos vem nos dando amor.



Vovó Cambinda, nossa amada eterna,
sempre dizendo como caminhar,
na coroa vinha por parte materna,
hoje  ainda faz no Terreiro nos abençoar.


Vovó Joaquina, centenária de caridade,
com seu sorriso meigo e encantador,
benzedura forte contra ódio ou falsidade,
vovozinha linda de coração repleto de amor.


Pai Cipriano, Mestre das magias e encantos,
que entregava sua vida pela vida de um irmão,
por muitas e muitas vezes secava as dores dos prantos,
apenas com lindas palavras que vinha do coração.



Vovô Chico, respeitado na Umbanda,
sempre teve a magia e o poder,
com humildade ele pede e não manda,
que seus filhos rezem para a fé estabelecer.


Pai José, grandioso benzedor,
firmeza extrema de nosso Gongá,
olha seus filhos cuidando como uma flor,
pedindo sempre paz a nosso Pai Oxalá.



Vovô Joaquim, sagrado rezador,
o mais ancião de todos anciões,
não se cansa em espalhar o seu amor,
iluminando dia a dia todos os corações.



Vovó Anita, a Preta Velha doceira,
que com sabedoria as doenças curava,
seja com ervas, raizes ou fruto da goiabeira,
essa vovó todos os males acalmava.



Pai Isidoro, negro forte e boiadeiro,
trabalhando sempre com o Guardião Exú.
rezava desde mal olhado a cobreiro,
desobsessão, descarregos, Kiumbas... entregando tudo ao mestre Omulú.



Vovó Maria Conga, de reza forte e encaminhamento,
que eleva a força espiritual dos filhos de luz,
não deixando para trás nenhum mal ou sofrimento,
entregando seus filhos no colo de Jesus.



Benedita, é a amável vovozinha de luz,
que nos encanta a cada sorriso e palavra dita,
Preta Velha de cativeiro e seguidora de Jesus,
conta "causos" como vô Benedito e adora alegrar sua amada vó Chica.



Vovô Antônio, em um piscar chegou no terreiro,
fazendo todos por ele se apaixonar,
com fala rápida e contos do antigo cativeiro,
esse Preto Velho engraçado não tem como não amar.



Pai Antero, boiadeiro de força grandiosa,
todo dia me estende a mão,
suas rezas e benzeduras tão poderosas,
me eleva, purifica, me tirando da escuridão.



Vovô Benedito, velhinho falador e sorridente,
com sua alegria nos encanta com amor,
conta "causos" e mais "causos" com seu jeitinho diferente,
falando de aventuras com seu modo sonhador.



Vovô Rei Congo meu amado Mentor,
que me acompanha e me cuida com grande dedicação,
não sei como agradecer tamanho amor,
com esse carinho imenso de coração.

Esses são nossos amados velhinhos de fé,
e a eles entregamos nosso caminhar,
temos muito carinho representados com axé,
Pretos Velhos divinos que nos ensinam a amar.

A todos pedimos a benção com carinho,
e com carinho dizem: "Que Zambi abençoe a vosmicê."
É muito bom viver como pássaros nesse ninho divino,
nesse ninho abençoado de nome Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê.


Carlos de Ogum

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017 39 comentários

A Quaresma e a Umbanda

                   



    Sempre ouvimos falar sobre a Quaresma, sobre os fechamentos dos
Terreiros nessa época, o não trabalhar com os Exús, o respeitar os
quarenta dias que vão do findar do carnaval até a semana Santa. Enfim,
muitas coisas são ditas, muitas coisas são demonstradas, mas o que tem
de verdade nisso tudo?
 
    Qual o caminho que nós umbandistas deveremos tomar com tantas
contradições?

    Como devemos proceder?

    Bem abaixo vou tentar descrever uma pequena lógica sobre esse
assunto, e após lerem, refletirem, tentem usar o livre arbítrio para
dai decidirem o que fazer no período da Quaresma.

    A Quaresma, como já é dito no nome, é um período de quarenta dias
que tem início após o findar da festa da carne, ou carnaval (quarta
feira de cinzas), e termina na Semana Santa (quinta feira santa).
Lembrando que a Quaresma é uma tradição religiosa ligada diretamente
aos católicos, devemos certamente respeitá-la, porém não é uma
tradição umbandista.

    Sendo assim devemos entender que quando se é falado que esse
período é perigoso, que uma grande quantidade de obsessores ficam
soltos, e que provavelmente a enorme incidência de ataques maléficos
podem ocorrer, é apenas lendas.

    Frisando que não devemos confundir o tempo da Quaresma com o tempo da festa da carne, ou seja o carnaval, pois nesse período da festa profana, realmente se espalham intermináveis números de obsessores e
vampirizadores que certamente vão induzir aos menos conectados a Deus
e a fé a serem levados a atos pecaminosos que levarão sim a atrapalhar
a evolução espiritual. A Quaresma começa exatamente após o findar da
festa da carne, como já foi dito. Portanto é sempre recomendado aos
filhos de terreiro se afastarem do carnaval, porém trabalharem com
muito mais força durante a Quaresma levando a caridade a quem
necessita.

    Sabemos que diversos terreiros de Umbanda fecham suas portas na
Quaresma, não levando a luz espiritual e a caridade, isso vem desde a
antiguidade, e mesmo hoje vemos isso acontecer. Porém vamos refletir,
se terreiros são fechados, se trabalhos contra o mal, contra
obsessores, contra espíritos sem luz, como Kiumbas, Eguns, Zombeteiros,
deixam de ser feitos nesse período, se são esses trabalhos que
justamente combatem esses espíritos mal intencionados, logicamente
isso acarretaria muito mais facilidades de retirar do caminho da
evolução as pessoas que se envolvessem nas maledicências, no orgulho,
nos vícios, na promiscuidade, pelos espíritos sem luz, pois não
haveria um combate a altura.

    Com essa reflexão devemos fazer a pergunta que tanto incomoda a
todos que frequentamos a terreiros:

    Por que os terreiros tem essa tradição (já ultrapassada) de fechar
suas portas na Quaresma católica?

    É dito pelos mais antigos umbandistas que eles entendem dessa
forma:

"Se entende que isso acontece pelo fato de muitos Zeladores da Umbanda
no passado foram da religião católica, se converteram a Umbanda, porém
se esqueceram de deixar na antiga religião os preceitos próprios da
mesma. E em alguns casos, talvez a maioria, só fazem porque outros
fazem, em uma repetição sem um entender verdadeiro, e com muito pouca
vontade de buscar um conhecimento real."


    Sabemos que a Umbanda é cristã, assim como muitas religiões o são.
Mas ser cristão não é sinônimo de ser católico, o catolicismo é apenas
mais uma religião cristã dentre tantas outras.

    Dessa forma, se os católicos preferem usar esse período para
reclusão, penitências e jejum de carne vermelha, isso não significa
que todos os cristãos devem fazer o mesmo. Nós umbandistas,
conscientes de que nossos terreiros são verdadeiros hospitais da
espiritualidade, entendemos que nesses 40 dias as pessoas não deixam
de ter sofrimento, demandas, doenças e portanto precisam do auxílio
dos Guias mesmo na Quaresma católica.

    Jesus não determinou a Quaresma, não disse que não deveria fazer a
caridade nesse período, portanto, vamos honrar Jesus repetindo o que
ele realmente pregou, que é ajudar as pessoas, fazer a caridade,
intermediar as forças de Deus e usar o dom da mediunidade para curar
todas as angústias, seja na Quaresma ou não.

    Além da observação acima sobre os Zeladores serem católicos antes
de se converterem a Umbanda, podemos frisar mais uma colocação na qual
demonstra a ligação entre a Umbanda e a Quaresma na antiguidade,
ligação essa que não faz com que a Umbanda deva se fechar por quarenta
dias sem espalhar a luz e a caridade.

"No tempo antigo, tempo esse que não se podia cultuar os Orixás, e
esses eram homenageados e cultuados sendo sincretizados com os santos
católicos, fazendo assim com que algumas tradições (tradições essas
sem fundamentos) fossem implantadas em alguns terreiros de Umbanda,
que se espalharam através de Zeladores sem verdadeiras informações, de
pai para filho, fazendo com que a lenda de ser uma obrigação fechar
as casas de Umbanda no período da Quaresma."

    Como o período da Quaresma corresponde a uma época de reclusão e
reflexão dentro da igreja católica, muitos terreiros de umbanda e
candomblé ficavam em uma posição delicada junto a comunidade católica
e fechavam as portas para não ter problemas com as autoridades locais
e com as pessoas em geral, quando poderiam ser acusados
desrespeitosos com a religião católica. As pessoas consideravam que as
casas de santo não deveriam bater tambores ou praticar qualquer ritual
na Quaresma, a exemplo da igreja católica que deixa suas imagens
cobertas por mantos de cor roxa em sinal de respeito, onde os cristãos
se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a
acolhida do Cristo Vivo. Mas devemos lembrar que estes são rituais
católicos e não pertencem a  religião umbandista.  A Quaresma para
nós vai marcar apenas o final do ano litúrgico na umbanda, com a
chegada da semana santa e da páscoa.

    As  casas de santo  não precisam parar suas atividades durante a
Quaresma  e podem funcionar normalmente, pois não estão ligadas aos
dogmas da igreja católica que determinem que não possam fazer
atendimento espiritual nessa ocasião. Certos  terreiros de umbanda
 tem preferência por trabalhar apenas com  Exús e Pombo Giras  na
Quaresma; outras  casas de santo  preferem trabalhar na linha de
Pretos Velhos e Caboclos. Vai depender da linha de trabalho
espiritual seguida em cada  casa de santo.

    Muitos umbandistas até hoje acreditam que as Entidades de Luz
afastam-se da terra nesse período, impossibilitando assim os terreiros
de Umbanda praticarem a caridade. Vamos refletir muito sobre isso,
vamos usar o raciocínio lógico e a razão. Se a Quaresma é o período em
que o ser humano devem se aproximar de Jesus para estarem livres de
seus pecados, por que então estariam distantes de si seus mensageiros
de luz, suas Entidades maravilhosas, seus Mentores encaminhadores. E
por que fecharmos as portas de nossas casas, de nossas roças, de nossos
terreiros, se é exatamente nesse período que mais precisamos nos
fortalecer em nossa fé, pois acabamos de sair de uma época destinada
ao aumento de ataque de Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, que é
justamente o período da festa de carnaval, e certamente em nosso
terreiro que recuperamos todas as energias tomadas por esses
obsessores vampirizadores da festa da carne.

    Umbandistas, devemos sim mantermos a fé, a moral, nos redimir
todos os dias, fechar as portas a esses obsessores, e isso não é feito
apenas nos quarenta dias da Quaresma, mas por todo o ano, a década, a
vida. Devemos estar em comunhão com nossa fé e por isso mesmo precisamos estar em comunhão com nosso terreiro, local esse que quando chegamos nos sentimos bem, fortes, protegidos. Imaginemos encontrarmos as portas fechadas quando
mais precisamos, que devemos fazer, buscar outra casa, outra religião,
outra fé?


    A umbanda que praticamos não acredita ser necessário fechar as
suas portas, pelo contrário "BATEI E ELA SE ABRIRÁ" assim disse o mestre
Jesus. A muitas moradas na casa do pai e na nossa morada estaremos
sempre de portas abertas para aqueles que desejam entrar para se
melhorar e se transformar no caminho do bem.


    A Quaresma é um período de limpeza profunda, e para isso, nós
umbandistas, precisamos de nossas casas abertas.

    Salve a Umbanda!

Carlos de Ogum

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017 29 comentários

Entendendo sobre os Obsessores na Festa da Carne (carnaval)

 


    Carnaval: É dito que é um dos maiores espetáculos da terra. Muita
festa, alegria, música, calor humano.

    Mas se é assim tão agradável, por que somos orientados a não
participar dessa grandiosa festa popular?

    Dentro da espiritualidade o carnaval é visto como uma das grandes
chances na qual obsessores de todos os tipos estão dispostos a tomar a
consciência de encarnados para que, através deles, possam se energizar
a fim de espalhar o retrocesso da evolução dentro da humanidade.

    A festa da carne, por mais bela que possa parecer, dissemina um
excesso de promiscuidade, de luxuria, de variados tipos de vícios nos
seres humanos, dando ai então a entrada de obsessores, tipo Kiumbas,
Eguns e Zombeteiros, que ali buscam as tais energias de baixo grau
espiritual, lhes dando força para que cada vez mais dominem os
encarnados não voltados a verdadeira espiritualidade e as orações.

    Podemos ver abaixo algumas colocações em forma de relatos do
Doutor Bezerra de Menezes, que foram feitas quando ele e um grupo de
socorristas de encarnados e desencarnados, trabalharam em prol da
caridade no carnaval do ano de 1982, em plena cidade do Rio de
Janeiro.

    Falando ele sobre a concentração mental que era colocada nos dias
da festa da carne:

    "A grande concentração mental de milhões de pessoas, na fúria
carnavalesca, irradiações dos que participavam ativamente,
enlouquecidos, e dos que, por qualquer razão, se sentiam impedidos,
afetava para pior a imensa área de trevas, ao tempo em que esta
influenciava os seus mantenedores.
Nesse período, instalam-se lamentáveis obsessões coletivas que
entorpecem multidões, dizimam existências, alucinam valiosos indivíduos
que se vinculam a formosos projetos dignificadores."
(Bezerra de Menezes)

    Da mesma forma dita acima, nossas Entidades da Umbanda nos alertam
extremamente sobre os festejos da carne. Frisam muito sobre os
obsessores e recomendam firmemente que seria um tanto melhor não
fazermos parte dela. Porém, sempre nos dando o caminho do livre
arbítrio, e claro que nos mostrando os melhores rumos a tomar.

    Colocando uma pequena comparação a alguns dizeres do nosso irmão
Bezerra de Menezes com algumas recomendações de nossas Entidades de
Luz da Umbanda, poderemos notar que o carnaval é de extremo prejuízo
para nossa evolução espiritual, para nosso desenvolvimento mediúnico,
e bastante prejudicial a nosso perispírito, como poderemos verificar
abaixo:



    "O caminho da festa da carne pode levar um ser umbandista, assim
como outras pessoas de qualquer dogma, por mais dedicado que seja, a
se entregar aos vícios que certamente nos deixarão entregues a
obsessores. Esses obsessores podem levar os encarnados a fazer coisas
que em sua sã consciência jamais fariam. Dentre outras coisas podem
induzir a falta de respeito com o próprio corpo, induzir a ser
utilizado substâncias nocivas a matéria e ao perispírito. Sempre
recomendado a se manter em oração nesses dias de
perversão espiritual."
(Preto Velho Pai Antero da Encruzilhada)

    "A percepção sobre os filhos que se entregam a festa da carne é de
uma aglomeração de Eguns, Kiumbas e Zombeteiros, que se introduzem na
Coroa desses filhos fazendo com que se tornem apenas um ser sem
vontade própria, se deixando induzir pela promiscuidade numa
intensidade tão grandiosa, que aquele que tem ao menos um degrau de
desenvolvimento mediúnico e espiritual, retorne ao modo de menos que
iniciante. Espíritos vampirizadores tomam o corpo desse filho se
utilizando de seus vícios para se energizar e assim se tornarem mais
fortes para combater as Entidades de Luz, que se proporem a proteger
tal filho. Após absorverem toda essa energia, tentam escapar dos
protetores, e partem para atacar novos encarnados desavisados que se
entregam de corpo e alma a festa da carne."
(Preto Velho Rei Congo das Almas)

    "No momento da entrega de um filho a festa da carne, é percebido
Kiumbas, Eguns e Zombeteiros obsediando esse filho, sugando seu
sangue na forma orgânica, retirando de sua mente a possibilidade de
refletir, de seus olhos a benção de ver, de seus ouvidos a audição
real. Faz com que esses filhos se entreguem a promiscuidade em
qualquer lugar ou a qualquer hora. Tem o prazer de sentir o apodrecer
do corpo físico entregue a falsos prazeres induzidos pelo poder da
obsessão. Esses Kiumbas, Eguns e Zombeteiros se divertem com a nudez
dos filhos entregues a festa da carne, e fazem disso um ponto para
abraçarem todos aqueles que nessa festa se fazem obsediados, apenas
para ver o sofrimento de prováveis futuros espíritos perdidos. Esses
obsessores reinam dentro da mente, do corpo e do espírito desses
filhos tomados pelas sujeiras carnais e espirituais, fazendo que se
transformem em farrapos humanos, ou simplesmente um espírito podre
dentro do reino da escuridão."
(Preto Velho Vovô Benedito da Calunga)

    "Na festa da carne o trabalho espiritual é muito mais intenso.
Nossa legião trabalha com grande intensidade para buscar junto ao Pai
Maior ajuda para todos filhos desavisados que são tomados pelos
espíritos do mal, envolvidos na escuridão plena. Infelizmente esses
filhos que buscam a diversão na festa da carne, não tem a menor noção
da grande quantidade de espíritos obsessores que são espalhados entre
eles antes, durante e depois da entrega dos encarnados nesse poço de
promiscuidade, vícios, ódio, rancor, disfarçados de festa. Sou
guardião de muitos filhos nessa festa, porém, por mais que seja
multiplicado os atendimentos, muitos deles são tomados pela obsessão,
e isso pelo seu próprio livre arbítrio, principalmente na sujeira da
promiscuidade. O trabalho é árduo, mas a obsessão é extremosa. Sempre
melhor ao filho que deseja receber a paz, o amor, a luz e a caridade,
se manter na fé a Oxalá nesses tempos."
(Senhor Tranca Ruas das Almas)

    Como podemos notar, a festa da carne ou carnaval, pode nos parecer
lindo, porém a obsessão é de tal grandeza que é de assustar,
principalmente na tomada de espíritos sem luz que se aglomeram sobre
os encarnados como vampiros sedentos de sangue.

    Continuando com os relatos, voltaremos a nosso irmão, Doutor
Bezerra de Menezes, e verificaremos como acontece essa aglomeração do
mal.

    "Acurando a vista, podia perceber que, não obstante a iluminação
forte, pairava uma nuvem espessa onde se agitava outra multidão,
porém, de desencarnados, mesclando-se com as criaturas terrestres de
tal forma permeada, que se tornaria difícil estabelecer fronteiras
delimitadoras entre uma e outra faixa de convivência."
(Bezerra de Menezes)

    "Tornando-se insuportável a situação de cada uma dessas vítimas
voluntárias do sofrimento futuro, os parasitas espirituais que se lhes
acoplam, os obsessores que os dominam, explorando suas energias,
atiram-nos aos abismos da luxúria cada vez mais desgastante, do
aviltamento moral, da violência, a fim de mantê-los no clima próprio,
que lhes permite a exploração até a exaustão de todas as forças."
(Bezerra de Menezes)

    Com mais algumas colocações do Doutor Bezerra de Menezes,
poderemos entender muito melhor o que se passa nos dias de festa do
carnaval entre os encarnados e a dita "população invisível", assim
como descrito abaixo:

                    "A dita população invisível."

1. "A população invisível ao olhar humano era acentuadamente maior do
que a dos encarnados."

2. "Disputavam entre si a vampirização das vítimas encarnadas, que
eram telecomandadas."

3. "Estimulavam a sensibilidade e as libações alcoólicas de que
participavam."

4. "Ingeriram drogas, utilizando-se dos comparsas no corpo físico."

5. "Se interligavam a desmandos e orgias lamentáveis."

6. "Uns magotes desenfreados atacavam os burlescos transeuntes,
transmitindo-lhes induções Nefastas."

7. "Davam início, assim, a processos nefandos de obsessões demoradas."

8. "Misturavam-se espíritos de aspecto bestial e lupino, verdugos e
técnicos de vampirização do tônus sexual, em promiscuidade alarmante
com inúmeros encarnados."


    Acredito que devemos refletir bastante antes de tomarmos a decisão
de estarmos em algo tão sem evolução assim. Por mais que nos pareça
inocente, a festa da carne está repleta de armadilhas contra os
encarnados. E essa bela festa poderia não ser nada de mais, além de
apenas diversão, porém isso não haveria prejuízo maior se todos
pensassem e brincassem em um clima sadio de verdadeira
confraternização. Infelizmente a realidade é muito, mas muito
diferente.

    Visão de Emmanuel - Psicografada por Chico Xavier.

    "Nenhum Espírito equilibrado em face do bom senso, que deve
presidir a existência das criaturas, pode fazer apologia da loucura
generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas.

    Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das
forças da treva nos corações e às vezes toda uma existência não basta
para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de
esquecimento do dever.

    "Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas
consumidas em semelhantes festejos na assistência social aos
necessitados de um pão e de um carinho."
(Emmanuel)


    E assim podemos entender um pouco mais da visão espiritual e
Umbandista dessa festa que para uns é algo imperdível, e para outros é
apenas mais um modo dos obsessores se expandir, e expandir suas
maledicências entre os encarnados. E ai está uma boa maneira de fazer
seu livre arbítrio trabalhar, ou em prol de sua libertação e de sua
evolução, ou em busca da escuridão plena obsessiva.

    Vale a pena refletir com fé!

Carlos de Ogum



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017 33 comentários

A História da Erê Joaninha das Almas

             



    No alto do Monte de Congo,
uma criança vi nascer,
trouxe amor e paz para o quilombo,
e espalhou a fé a nosso viver.

    As rezas aprendeu com seu vovô mestre,
benzeduras ela já sabia fazer,
as ervas buscava no horizonte campestre,
e curas já fazia bastava na menina crer.

    Seus olhos brilhavam como a Lua cheia,
quando sua fé expandia como a luz,
meiga e caridosa com a vida alheia,
rezava com fé ao Menino Jesus.

    Sua vida sempre foi para ajudar,
a todos ela levava o amor e a calma,
seus irmãos nunca deixou de amar,
é a pequena Erê, a linda Joaninha das Almas.

    Joaninha das Almas é uma Erê, trabalhadora pela e para a caridade na
irradiação das Ibeijadas na Umbanda. Ela sempre é muito sensata e serena
assim como seu mestre e avô consanguíneo, também Entidade de Luz, Vovô
Rei Congo.

    Joaninha das Almas teve sua vida encarnada no século XVII, e já
nasceu dentro do Quilombo do Congo, onde aprendeu com seu avô e todos os
irmãos negros, que a liberdade deveria ser um direito de todos, e não
deveria existir a escravidão, que graças a luz de Oxalá, a pequena
Joaninha não conheceu, assim como seu avô, seus pais, e muitos irmãos
negros.

    Joaninha era filha do negro Mujongo, que era filho do fundador do
Quilombo do Congo, o nosso amado Rei Congo, e desde cedo aprendeu que se
deve fazer o bem a seus semelhantes, e sendo assim ela buscava toda a
aprendizagem com os mais velhos do Quilombo para assim poder sanar as
dores, os males, as angústias, os sofrimentos de todos, assim como fazia
seu avô que ela tinha tanto orgulho.

    Joaninha foi batizada com o nome de Juanina do Congo, porém ao
passar do tempo muitas pessoas a chamavam de Joaninha, e assim ela se
acostumou, e por algumas vezes até se esquecia de seu verdadeiro nome.

    Ela ficava eufórica quando seu avô saia em busca da liberdade de
seus irmãos negros escravizados, e quando ele chegava com mais moradores
para o Quilombo ela fazia questão de ser a primeira a recepcioná-los, e
assim na entrada do Quilombo, lá estava ela, com um largo sorriso
branco, olhos brilhantes, e alimentos para todos.
    E com essa recepção ela ia conquistando corações e a simpatia de
todos.

    Joaninha era afoita, ansiosa, queria libertar mais negros
juntamente com seu avô, mas na época, a pequena menina com apenas
cinco anos de idade, não poderia ingressar nessa árdua missão, e o
velho protetor lhe dizia que ela deveria apenas rezar para que tudo
corresse bem, sem que os coronéis da época não os capturassem e não
encontrassem o caminho do Quilombo.

    E assim fazia a pequena menina, quando os negros que lutavam pela
liberdade de seus irmãos saiam juntamente com seu avô Rei Congo, ela
ficava de joelhos olhando fixamente para o céu, clamando a Oxalá que
enviasse seus Anjos e Orixás para protegerem sua gente, e que todos
retornassem bem ao Quilombo trazendo novos amigos libertos.

    Esses gestos eram acompanhados por todos, e assim a menina virou o
símbolo da luta e da fé entre os negros do Quilombo.

    Certo dia, com a ansiedade em alta, a menina já com seus seis
anos, resolveu que queria conhecer mais coisas pela redondeza, e claro
que para isso deveria sair da proteção do Quilombo, e assim ela fez.

    Em uma tarde na qual os negros estavam ocupados com seus afazeres
do dia a dia, a menina veste seu vestidinho todo enfeitado com fitas
coloridas, e sorrateiramente sai escondidinha, e desce o "Monte dos
Perdidos", nome dado a montanha onde se encontrava o Quilombo de
Congo. E como se estivesse extasiada com sua aventura ela começa a
explorar cada caminho, dos centenas existentes. Esses caminhos eram
caminhos sem saída, por muitas vezes a quem se perdiam neles só
retornava na entrada do monte, ou na entrada do Quilombo com a ajuda
de alguns negros guerreiros de Rei Congo, caso contrário jamais saíram
de lá com vida, e isso aconteceu dezenas de vezes com jagunços,
feitores, capitães do mato e até mesmo com três coronéis da época que
decidiram por si só encontrarem o refugio dos negros. Porém, para
Joaninha esse perigo era inexistente, a menina parecia que reconhecia
cada centímetro daquele labirinto esverdeado, mesmo sendo a primeira
vez que se aventurava naqueles caminhos.

    Ela desceu o monte, atravessou as matas, e chegou ao povoado das
fazendas, e lá ficava olhando encantada outras crianças, as negras em
trabalho árduo nas roças de café, cana de açúcar, algodão, entre
outras culturas agrícolas, e as crianças brancas sendo pajeadas por
suas mucamas, seus acompanhantes, com suas vestes de princesas e
doutores, fazendo com que a pequena menina ficasse a refletir o quanto
sofria as crianças negras que viviam fora do Quilombo de seu amado
avô.

    A pequena Joaninha retorna ao Quilombo, e adentra a ele da mesma
maneira que saiu, escondidinha, porém em seu coração trazia a angústia
de se lembrar das pobres criancinhas negras, crianças de menor idade
que ela, sendo forçadas a fazer um trabalho desgastante, talvez sem o
alimento adequado, e ainda podendo ser surradas pelos feitores
sanguinários, a mando de coronéis sem coração. E ela sabia que isso
acontecia, pois prestava extrema atenção nas histórias dos negros
libertos que agora se encontravam no Quilombo, inclusive de seu
próprio avô paterno, o amado vovô Rei Congo.

    A menina sentia seu peito arder, um desespero abateu sobre ela,
seus olhos lacrimejaram, sentiu sua boca seca, a dor em seu pequeno
corpo era como se ela mesma estivesse em um tronco de  castigos, e ela
não suportando tanta agonia, chorou intensamente.

    Nesse momento seu mestre e avô adentra na pequena cabana de palha
na qual a menina se encontrava, e ao vê-la chorando daquela maneira
ficou um tanto preocupado, lhe perguntando o que havia acontecido; ela,
de olhos marejados, apenas olhou para o negro avô, o abraçou forte e
chorou mais.

    Após se acalmar um pouco, a menina pergunta ao avô como foi que
ele tinha tomado a decisão de lutar em prol da liberdade dos irmãos
negros, e ele com a serenidade de sempre disse a pequena menina:

    "Quando vi o sangue de um irmão negro que desencarnou no tronco
após dias de tortura, e esse sangue escorreu pela mãe terra que o
absorveu da mesma maneira que poderia absorver o sangue dos coronéis,
dos feitores ou de qualquer pessoa liberta. Então decidi que todas as
raças deveriam ter a benção da liberdade, e que Oxalá abraça a todos
da mesma forma, assim como a mãe terra."

    Ao ouvir isso a menina sorri, mesmo com os olhos lacrimejando, e
decide dentro de seu coração que iria libertar aquelas crianças.

    E assim no dia seguinte ela novamente sai do Quilombo rumo a
fazenda na qual se deparou com as crianças. Chegando lá ficou
escondida esperando uma oportunidade de iniciar o que tinha colocado
como missão.

    Ela observa um negrinho de uns oito anos saindo com um vasilhame
em direção ao rio, e vê ali a oportunidade que desejava. Ao se deparar
com ele longe das vistas dos jagunços e feitores, o puxa para de trás
de uma árvore, o negrinho se assusta no primeiro momento, mas quando
vê que era uma menina negra, sorri demonstrando simpatia.

    Joaninha abre um largo sorriso, e no cochicho diz quem é ela, e
diz que precisa de ajuda para poder libertar aquelas crianças, e
levá-las a um local, que ela descreveu ao menino como o paraíso de
Deus.

    O menino fica empolgado, explica a menina que a maioria daquelas
crianças estão distantes dos pais, pois muitos foram comprados de
outras fazendas, alguns pais foram mortos nas torturas intermináveis
pelos feitores, e muitos pais daquelas crianças fugiram em busca da
liberdade, e nunca mais voltaram, assim como aconteceu com seu
próprio pai, que fugiu após atacar um feitor que acabara de
assassinar sua mulher, mãe do menino negro.

    O menino com um ar de guerreiro da paz disse que a ajudaria, ele
ia falar com outras crianças quando estivesse na senzala, e assim
mostraria o caminho a todos para se encontrar com a pequena negra, que
dia a dia ia levando um a um ao Quilombo, e lá as escondiam dentro de
uma gruta, com receio de seu avô não autorizar que essas crianças
ficassem no Quilombo.

    Muitos coronéis, avisados pelos feitores sobre o sumiço como por
magia das crianças escravizadas, começaram a fazer diligências na
procura das mesmas, pois não tinha como tantas crianças sumirem sem
deixar o mínimo sinal.

    Com essa grandiosa introdução de jagunços, feitores, capitães do
mato e dos próprios coronéis pelas redondezas, e quando nosso
guerreiro Rei Congo observou esse fato, se limitou nas fronteiras do
Quilombo com seus lutadores em prol da liberdade, isso para caso se
algum desses "caçadores de negros" chegassem a descobrir o Quilombo,
estariam os negros preparados para a luta, isso imaginando que os
coronéis estavam em busca dos negros e negras adultos, que por anos
foram sendo libertos pelos guerreiros de Congo, sem imaginar o fato
das crianças desaparecidas.

    Enquanto isso a menina Joaninha trabalhava arduamente para manter
escondidas as crianças libertas por ela, era um vai e vem com comida,
água, lenha para manter as pequenas aquecidas a noite através de uma
fogueira, até mesmo algumas vestes para aquelas que necessitavam mais.

    Mas nada disso a fazia desistir, tinha a convicção de dever de
ajudar, salvar, libertar. E isso lhe dava forças de continuar, tanta
força, que mesmo sabendo sobre a caçada dos coronéis, ela ia a
algumas fazendas em busca de outras crianças, e nessa nova aventura de
libertação que o menino que lhe auxiliou no inicio veio com ela, seu
nome era Juvêncio, e se tornou um grande companheiro da menina na sua
missão.

    Com a ajuda de Juvêncio, ela foi trazendo mais e mais crianças,
deixando os coronéis, feitores e jagunços sem ação, pois não
conseguiam entender como as crianças saiam, onde se escondiam, e quem
estava as levando, pois nunca deixavam pista alguma, por mais que
vigiassem, por mais jagunços que colocassem para evitar as fugas, não
adiantava, quando menos se esperava desaparecia algumas crianças,
principalmente durante o trabalho nas roças.

    Certo dia Joaninha decide ir a busca de mais algumas crianças, e
em uma das fazendas visitadas por ela, se depara com uma menina negra
um pouco mais nova que ela, possivelmente com seus cinco anos de
idade, e essa menina ao vê-la lhe estende a mão, e as duas saem pelos
domínios da fazenda, a menina a leva até outra menina, sendo que essa
era branca, tinha uns quatro anos de idade, e as três ficam sobre uma
árvore, enquanto Joaninha explicava quem era ela, e o que fazia ali.
Ao ouvir o relato de Joaninha a pequena menina negra fica radiante, e
pede com lágrimas nos olhos que a leve também, para que possa viver
sem as surras contínuas que levava sem motivos.

    Ao ouvir isso a pequena sinhá entende que ficará sem sua
amiguinha, e chora, pedindo que a leve também, pois não gostava de
ficar naquele lugar que maltratavam tanto as crianças e  os moços
negros.

    Joaninha não sabia o que fazer, como ter uma menina branca dentro
do Quilombo, isso poderia levar os jagunços a encontrarem o
esconderijo dos seus irmãos negros, mas por outro lado como deixar a
pequena ali, sofrendo ao ver a maldade daquele lugar.

    Ela diz as meninas para aguardar uns dias, que retornaria para
buscá-las, pois tinha que ver como fazer para sair dali escondida com
elas.

    E assim voltou a gruta, no caminho sua mente infantil imaginava
várias coisas, tinha receio do que desejava fazer, mas tinha em seu
coração caridoso a dó de deixar aquelas meninas na fazenda juntamente
com aqueles homens sanguinários, mesmo sabendo que nada iam sofrer
fisicamente, mas a dor na alma por ver tanta crueldade seria
terrível.

    Enquanto refletia essas coisas, andando um tanto devagar,
observava a mata, as flores, o céu, as nuvens dançarinas, não reparara
que ao seu lado se encontrava uma linda luz, que acompanhava seus
passos. Ao reparar, no primeiro momento se assustou, porém ao ver a
imagem de uma mulher negra se tranquilizou, e foi logo perguntando com
um lindo sorriso no rosto:

"Quem é você? De onde veio? Você é do Quilombo do meu avô Congo?"

A negra responde com um olhar carinhoso:

"Sou apenas alguém que lhe ama e protege, vim das terras de Oxalá, e
já estive no Quilombo do amado Rei Congo. Porém agora vim aqui para
lhe dizer que falta pouco para completar sua missão, e após fazer o
que seu pequeno coração infantil deseja, estará pronta para me
acompanhar, e para uma missão muito maior, muito mais caridosa, muito
mais coberta de amor e fé.

    Peço que não tenha medo, estarei ao seu lado quando esse momento
chegar."

    Ao falar isso a mulher se afasta e desaparece bem em frente dos
pequenos olhos da menina, que recomeça sua caminhada rumo ao Quilombo.

    Na sede dos negros, onde se encontrava Rei Congo, avô da pequena
Joaninha, algo de inusitado acontece, em um encontro familiar, Rei
Congo, juntamente com Maria Conga sua filha, seu filho Mujongo, e
mais outros negros da linhagem, diz aos presentes que algo de grave
iria acontecer, que teriam uma grande perda a todos, e que essa perda
ia trazer novos protegidos ao Quilombo, e esses protegidos deveriam
ser cuidados com todo carinho e amor, o mesmo amor que estavam
recebendo da futura perda. E no momento que foi dito isso, a imagem da
mulher negra se fez presente a todos que ali estavam, e com olhos
brilhantes disse:

"Meus filhos, o que vai acontecer estava escrito, Zambi determinou a
presença de um dos amados filhos dessa terra para que possa seguir a
caminhada da caridade na luz espiritual. Talvez alguns de vocês não
entendam o porque disso, porém devemos elevar nosso amor e fé em Zambi
para que a missão de caridade seja continuada."

    Todos os negros que ali estavam se poem de joelhos, a mulher chega
até Rei Congo, toca-lhe a cabeça com carinho, ele vê a imagem da
pequena neta e chora, já imaginando de quem a mulher dizia.

    Nesse momento a imagem da mulher negra começa a se desfazer em uma
nuvem azulada, e suas últimas palavras são essas:

"Rei guerreiro da liberdade, filho amado meu, sou sua força e sua luz,
Oxum mãe das cachoeiras sou eu, nesse momento estarei com uma parte de
ti, a protegendo, a encaminhando para a caridade espiritual. Tu sabes
a dor que terá que suportar, tu sabes a luz que será acesa. Não te
aflijas, pois está chegando a hora da eternidade junto a sua pequena
luz."

    E assim a linda Oxum se foi, deixando os negros extasiados com sua
beleza, e o amado Rei Congo choroso com tudo aquilo.

    Alguns dias se passaram, e lá foi a linda Joaninha em busca da
menina negra e da sinhazinha que havia prometido retornar. Ao
encontrar as duas, as escondidas saíram da fazenda, indo rumo ao
Quilombo. Por muitas vezes a pequena Joaninha pegava a sinhazinha ao
colo, para que pudesse descansar, sem assim ter que parar, a fim de
não ter chance dos jagunços do coronel as achassem.

    E ao Chegarem a gruta, a pequena menina negra que veio com
Joaninha ficou muito feliz por reencontrar alguns de seus amiguinhos
que já haviam fugido anteriormente para o Quilombo. Após abraços e
sorrisos, muitos deles não entendiam o porque da pequena sinhá ali
estar. Mas como a infantilidade não tem regras sociais, logo iam e
abraçavam a sinhá, como velhos amigos.

    Ao anoitecer a menina Joaninha deixa a gruta, indo ao encontro de
seu avô, que ao vê-la a abraça fortemente, e chora copiosamente, ela
sem muito entender, mas no clima da emoção chora também, o abraçando
da mesma forma.

    Ele a pergunta sobre o que ela o escondia, que tantas saídas ela
fazia, e que tantos mistérios ela tinha naquela cabecinha de
criança.

    Ela sorri timidamente, e pede para o avô esperar que já voltaria,
e assim saiu correndo para a gruta, e de lá trouxe todas as crianças
que havia libertado das fazendas. Mas não teve coragem de trazer a
sinhazinha, deixando-a juntamente com a sua amiguinha.

    Chegando diante de Rei Congo com dezenas e dezenas de crianças,
ele ficou extasiado, assim como todos no Quilombo. Ela com seu sorriso
infantil, chamava uma a uma pelo nome, levava até o grande mestre do
Quilombo e pedia que as crianças pedissem a benção a ele, e assim elas
fizeram. E a cada benção que o velho Congo respondia, novas lágrimas
em seus olhos brotavam.

    Após todas as crianças serem abraçadas e abençoadas pelo avô de
Joaninha, e irem se socializando com os outros negros do Quilombo, Rei
Congo olha firmemente para a menina e diz:

"Filha amada, cá estão muitas crianças, porém seus olhos sofrem por
algo, seu gesto de caridade e de amor vão além dessas crianças. O que
mais você tem a me dizer pequena Joaninha, seu gesto de amor e de
caridade não param apenas nesses meninos e meninas."

    A pequena menina abaixa os olhos e com a voz embargada diz ao avô
que lhe acompanhe. Ela o leva a velha gruta, e lá o avô vê mais duas
meninas, uma negra, e uma branca, vestida de sinhá. Ele se aproxima, a
pequena negra fica um pouco assustada, mas logo é tranquilizada pela
Joaninha, e a menina branca se encontrava deitada ao solo, de olhos
cerrados, e estado febril.

    Rei Congo fica um tanto receoso com o estado da menina, se
aproxima mais, verifica que sua respiração está muito fraca, seu corpo
quase inerte está empalidecido. Ele a toma nos braços e diz as meninas
que a menina sinhá está muito adoentada, que deveriam partir
imediatamente para o centro do Quilombo para tentarem reverter aquele
quadro. E assim partiram.

    Ao chegarem ao centro do Quilombo foi verificado que as condições
da pequena sinhá havia piorado. Sua respiração já quase não era
percebida, sua pele estava pálida em demasia, seus olhos lacrimejavam,
a febre aumentara.

    Em uma pequena cabana a menina foi colocada em uma cama
improvisada, e ao seu entorno estavam Rei Congo, a sua filha Maria
Conga, e o casal Amadeu e Rosa (antigo feitor e sua esposa), que
falavam sobre a gravidade da doença da sinhazinha,, e diziam que era
uma tuberculose passada, que se agravou muito durante os dias, e muito
pouco poderiam fazer para salvarem a vida da menina.

    Joaninha ao ouvir isso sai correndo em lágrimas para a gruta,
chegando lá se joga de joelhos em oração. E sua fé grandiosa traz até
ela a imagem da mulher negra de antes que lhe afaga a cabeça e lhe
diz:

"Minha amada, é chegada a hora de caminhar junto a mim. Porém sua
escolha vai ser respeitada. Tu podes salvar a vida da pequena menina
branca, ou deixá-la partir. Sua fé e seu carinho, juntamente com sua
caridade vai ser o ponto de sua luz espiritual. A ti foi entregue o
caminhar daquela menina."

    Assim que Joaninha ouviu essas palavras retornou ao casebre onde
estava a sinhazinha. Se ajoelhou junto a menina sobre os olhares de
todos, ergueu suas mãos e colocou-as espalmadas sobre ela, cerrou seus
olhos e clamou a Zambi pela vida da pequena.

    Um silêncio grandioso reinou no pequeno aposento. Uma luz azulada
saia das mãos da menina negra, parecendo introduzir pelos poros da
menina sinhá.

    O velho Congo observa a imagem de Oxum, como uma serena mulher
negra, ao lado da menina Joaninha. Ele sente um aperto em seu peito,
como uma angústia sem fim. Sua experiência de vida e de
espiritualidade lhe mostra agora de quem Oxum se referia quando dizia
que uma parte dele estaria de partida para a caridade espiritual.

    Ele chora em silêncio.

    A pequena Joaninha continuava a energizar a sinhazinha, que
recomeça a recuperar as forças como por encanto. Seus olhos se abrem,
mostrando um brilho lindo e azulado. Sua pele vai perdendo pouco a
pouco a palidez. Sua respiração vai se tornando normalizada, no mesmo
instante que a da pequena Joaninha se tornava mais pesada.

    A menina cai ao chão, seu avô a pega nos braços, e ela com a voz
quase inaudível pede a ele que a leve para a gruta, pedindo também que
o casal Amadeu e Rosa, prometessem cuidar da menina sinhá, que logo
foi aceito por eles, que lhe prometeram com a voz embargada e os olhos
repletos de lágrimas.

    Após isso ela é levada para a gruta conforme seu pedido, e lá é
colocada no solo e a cabeça recostada no colo de seu avô que lhe
acaricia com muita ternura, tentando conter as lágrimas que teimavam
em cair deslizando pela sua face já cansada.

    Joaninha abre os olhos com dificuldade, pede ao avô para junto a
ela fazer uma velha oração tradicional no Quilombo, e assim os dois
começaram a prece aos Orixás.

    A voz da menina estava muito fraca, quase não conseguia pronunciar
as palavras de fé e de luz da velha oração. O velho avô não suportando
tanto sofrimento da perda que estava próxima, chora copiosamente em
meio as frases da linda prece. Ao seu lado se encontrava a linda mãe
Oxum, em forma de uma bela mulher negra, que estendeu os braços e com
muito carinho deu a mão ao espírito da pequena Joaninha que acabara de
desencarnar.

    Seu velho avô ao sentir o último suspiro da pequena, chora com
muita dor e extrema tristeza, lamentando aquele momento de separação.

    Deitado sobre o corpo inerte da menina ele não repara a imagem de
Oxum juntamente a de Joaninha, e quando dá por si sente um toque
amoroso em sua face secando-lhe as lágrimas. O toque vinha das mãos da
menina, que com um sorriso largo, olha o velho negro e diz:

"Amado avô, estou pronta para caminhar junto a minha mãe Oxum. Não
chores, pois logo estaremos juntos novamente. Hoje terminei minha
missão nessa amada terra, como encarnada, porém logo estarei como luz
de Deus para auxiliar todos os necessitados de amor e paz. Agora só
desejo sua benção para eu partir."

    O negro velho abençoa a menina, e uma luz azulada toma conta das
duas imagens que desaparece como por encanto.

    E assim Joaninha das Almas, irradiada por Oxum foi abençoada e
virou uma linda Entidade de Umbanda. Hoje ela trabalha em terreiros
como Erê, linha das Ibeijadas, e faz o bem a todos irmãos que nela
buscam auxílio para caminhar dentro da luz de Deus.

Salve as Ibeijadas!

Salve Joaninha das Almas!

Oni Ibeijada!

Carlos de Ogum

 
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