terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

MALANDRO NAVALHA, O SALVADOR DOS MORROS.

   Malandro Navalha, o Salvador dos Morros.

    No morro eu nasci,
no morro me criei,
Do morro não fugi,
e no morro morrerei.

    Me chamo Navalha o Malandro,
em Ogum entreguei minha fé,
ando pelo morro gingando,
assim como faz meu mestre, Pilintra, o Zé.

    Uso minha navalha para curar,
doentes que do morro não podem descer,
a Oxalá peço para me ajudar,
a essas doenças do morro esquecido vencer.

    Não temo a justa nem a rádio patrulha,
meus irmãos do morro continuarei a ajudar,
esse caminho do bem que tanto me orgulha,
com Zé Pilintra junto estarei sempre a caminhar.

    Sou Malandro Navalha protegido de Ogum,
tenha sempre cuidado quando me chamar,
no Terreiro de Umbanda chego em nome de Olorum,
mas se me pedir o mal posso te derrubar.

    É sempre encantadora as giras dos Malandros e Malandras,
normalmente com a presença iluminada e carismática do grande Mestre Zé
Pilintra.

    Mas hoje vamos falar da história de um grande mestre também na
linha da malandragem.

    Uma história que vai nos mostrar o quanto é linda essa linha, como
é que nosso personagem foi escolhido para atuar como Entidade de Luz
nos Terreiros de Umbanda, como são caridosos para com aquele que
necessita, como era usado a lábia da malandragem para ir em busca de
ajuda aos menos favorecidos, enfim, uma história para tirar a falsa
impressão de que um Malandro seja uma Entidade que faz o mal.

    Vamos falar de nosso amigo de luz Malandro Navalha, companheiro de
Seu Zé Pilintra nas andanças pelos morros, pelo bairro da Lapa ou por
toda a cidade do Rio de Janeiro, buscando condições e materiais para
assim poder auxiliar aos moradores dos morros lá pelo início do
século XX.

    Nascido e criado nas ruas e vielas da Lapa, bairro
tradicionalmente conhecido pela boemia, Zé da Lapa, como era conhecido
na região, tinha um incômodo pessoal, não entendia o porque da
diferença entre as pessoas, ou pela posição social, ou pela cor da
pele.

    Ao ver a descriminação dos moradores dos morros, ao ver o desprezo
que muitos tinham pelos negros, ao ver os males físicos, que por
muitas vezes seriam tão simples de serem curados dizimando milhares de
pessoas sem uma chance de cura, pelo simples fato de serem de raças
diferentes, deixava nosso personagem Zé da Lapa muito entristecido.

    Ele sonhava com um mundo melhor, mundo esse em que todos se
respeitassem, se ajudassem, se entendessem.

    Mas a realidade era totalmente ao inverso disso. Os moradores dos
morros, normalmente negros que sofreram nas amarras de seus senhores,
que hoje estando em uma falsa liberdade, sofriam e morriam, não mas
como escravos de senhores, mas sim escravos da sociedade branca,
preconceituosa, racista e podre.

    O sentimento de caridade e justiça de Zé da Lapa começou a virar
algo concreto quando ele conheceu uma pessoa que tinha o mesmo
sentimento dele. José Amadeu da Silva, um pernambucano arretado, que
chegou ao Rio de Janeiro após muitas aventuras de sua vinda do
Nordeste do Brasil.

    Ao se conhecerem, numa dessas noites de boemia no bairro da Lapa,
e entenderem que os dois tinham o mesmo pensamento, José Amadeu e Zé
da Lapa se uniram para levar ajuda aos menos favorecidos.

    Zé da Lapa era astuto, carismático, inteligente e extremamente
habilidoso ao lidar com os homens de farda. Chegava como quem não
queria nada, e de conversa em conversa já virava o grande amigo
brincalhão no meio dos policiais que tomavam conta das entradas dos
morros, para não deixarem entrar medicamentos, comida e água aos
moradores da parte mais elevada da cidade. Fazendo isso, distraía os
homens da lei enquanto seu amigo José Amadeu e todos os outros
"malandros" e "malandras" agiam sorrateiramente, subindo e descendo os
morros levando suprimentos a quem necessitava.

    Zé da Lapa também aprendeu a cuidar de ferimentos, e por muitas
das vezes surpreendia a todos com a pericia do manejar sua navalha na
limpeza de grandes ferimentos, abrindo a carne e retirando todo o
edema contido na parte do corpo machucado.

    Ele fazia isso com uma simplicidade extrema, se utilizando da
própria cachaça para a limpeza dos ferimentos e da sua navalha,
evitando assim qualquer tipo de infecção.

    As lendas dizem que nenhuma pessoa tratada pela navalha de Zé da
Lapa sentiu a mínima dor, tanto nos cortes quanto nas limpezas, e ele
fazia isso rotineiramente, sempre conversando e sorrindo para a
pessoa em tratamento de suas escaras.

    Após fazer esse trabalho de caridade por muitos anos, ele passou a
ser conhecido como o Malandro da Navalha Sagrada, e por esse motivo,
ao virar uma Entidade de Luz nos trabalhos da Umbanda, passou a ser
chamado de Malandro Navalha.

    Malandro Navalha teve seu desencarne ainda com pouca idade, ele
mesmo não confirma a quantidade exata, mas cremos que foi entre os 30
a 35 anos de idade terrena.

    E isso aconteceu numa noite de inverno em plena Lapa, local que
ele amou e viveu toda a vida.

    Como sempre estava Zé da Lapa em busca de fazer a caridade, nas
mãos levava alguns medicamentos e a tradicional garrafa de marafo,
também levava em sua cintura sua inseparável navalha cor de prata. Ao
chegar na subida que o levaria ao morro onde dezenas de pessoas o
aguardavam para cuidados com os ferimentos, Seu Malandro Navalha
observa um grande tumulto de pessoas, notando que dentre elas estaria
algumas dezenas de homens da lei. Ao se aproximar mais um pouco, ele
se depara com uma imensa covardia que o deixara em êxtase. Um dos seus
companheiros de jornada em prol da caridade, que era conhecido como Zé
Preto, um Malandro sorrateiro,, muito astuto, mas muito ligado no
sentimento profundo de amor que tinha por sua companheira e ´por seus
três filhos, que para ele era toda a riqueza que tinha em sua vida.

    Zé Preto estaria em luta corporal com alguns homens da lei, em seu
lado sua companheira demonstrando um extremo desespero, implorando
clemência a sua família, e mais atrás seus filhos prisioneiros, cada
um deles nas mãos de um policial.

    O motivo de todo o tumulto fora que os filhos de Zé Preto foram a
área baixa da cidade em busca de água fresca para ser levada a um
ex escravo muito velho e adoentado, que era tomado por um mal que o
deixava em condição febril de grandes proporções. As crianças ao verem
a situação decidiram ir em busca de água, e se depararam com o
grupamento, que logo entenderam qual era a intenção dos meninos e os
agrediram além de despejar por terra toda a água que levavam.

    A mãe das crianças ao ver toda a cena foi em defesa de seus
filhos, que foi espancada cruelmente e jogada ao chão, e mesmo ao chão
não deixou de ser espancada.

     Ao ouvir os gritos de dor de sua amada e o choro desesperado de
seus filhos, Zé Preto corre em defesa de sua família, e entra em luta
corporal com alguns homens de farda.

    Foi nesse momento que Zé da Lapa, o Malandro Navalha chega, e
nesse mesmo momento o filho caçula de Zé Preto se solta das mãos do
seu prendedor correndo de encontro a sua mãe que ainda se contorce de
dor ao chão. Nessa fuga o soldado arma seu mosquete para alvejar a
criança, e nesse momento Zé da Lapa se joga sobre o menino o
protegendo do chumbo ardente da arma do homem da lei, mas a munição
penetra o corpo de Zé da Lapa chegando até seu coração, fazendo assim
uma dor física descomunal, mas uma paz em seu espírito por ter
conseguido livrar da morte uma pequena criança inocente que só
desejava matar a sede de um velho negro febril.

    Nos dias de hoje Senhor Malandro Navalha trabalha fazendo a
caridade nos terreiros de Umbanda. Demonstrando a paz, o amor,
mostrando caminhos de luz a serem seguidos, ensinando a seus
consulentes que Umbanda não é para fazer o mal aos semelhantes, não é
para destruir lares, não é para fazer amarrações. Ela está presente em
nossas vidas para nos religar a Zambi, nosso Pai Maior. E aqueles que
forem ao encontro de nosso Malandro Navalha para pedir o contrário,
será tentado ser demonstrado o erro que estão fazendo, e se mesmo
assim não aprenderem com o ensinamento do amor, poderá ter uma lição
constituída na dor.

    Assim falou Senhor Malandro Navalha.

Saravá todos os Malandros!

Saravá Senhor José Pilintra!

Saravá nosso amigo fiel de todas as horas, Senhor Malandro Navalha!

Carlos de Ogum.






48 comentários:

Aninha de Iemanjá disse...

Linda! História extremamente linda!
Quanto amor, quanta bondade, quanta fé. Isso que é ter um coração iluminado.
Salve o Malandro Navalha, salve sua bondade, sua força, sua proteção.
Salve o Mestre Zé Pilintra,
Salve os Malandros!!!

Anônimo disse...

Saravá todos os Malandros. Salve as Almas.

Marley disse...

Mais uma história linda Pai. Um saravá grandioso ao Malandro Navalha.

Anônimo disse...

Grandioso Malandro Navalha. Saravá.

Anônimo disse...

Malandro Navalha nos proteja das pessoas de má fé. Saravá.

Anônimo disse...

Salve Seu Malandro Navalha, Salve Seu Zé Pilintra , Salve todos os
Malandros e Malandras de nossa Umbanda amada. Catarina Moura

Anônimo disse...

Linda história desse grande amigo de fé. Salve Malandro Navalha.
Cris Faria

Anônimo disse...

Surpreendente o carinho dessas Entidades de Luz. Salve Seu Navalha.
Maria Aparecida

Anônimo disse...

Maravilhoso gesto de amor e carinho. Proteção Navalha amigo Malandro.

Anônimo disse...

Pai Carlos, eu já li no Tw que o senhor trabalha com senhor Malandro
Navalha. Será que posso mandar por e-mail uma pergunta para que possa
ser feita a ele? Agradeço meu Pai espiritual. Fabiana Meire.

Anônimo disse...

Pai Carlos, amei essa história, foi uma sensação de estar vendo as
imagens do acontecimento. Foi divino. Agradeço essa experiencia. Saravá.
Cláudia Conde

Anônimo disse...

Gostaria muito de conhecer essa Entidade linda chamada de Seu Malandro
Navalha. É por essas e outras que amo a Umbanda e seus Guias. Fátima.

Carlos de Ogum disse...

Cara amiga Fabiana, fique à vontade para nos enviar e-mail. O endereço é: umbanda.yorima.rj@hotmail,com

Axé!

Anônimo disse...

1 Eu amo essa Entidade eu amo os malandros de umbanda. Sarava
malandragem.

Anônimo disse...

Um saravá especial a seu Zé Pilintra, a seu Malandro Navalha, a todos
os Malandros e a Carlos de Ogum. Saravaaaa

Anônimo disse...

Outra linda história no blog da Umbanda Yorimá. Uma sequencia de fatos
lindos e emocionantes. Agradeço por nos dar essa chance de conhece-las.
Milene Paiva.

Anônimo disse...

Saravá o Senhor dos Malandros, Saravá seu Malandro Navalha. Salve a
Malandragem.

Anônimo disse...

Saravá Seu Malandro Navalha. Laroiê.

Anônimo disse...

Parabens pela linda historia. Saravá. Claudete Rios.

Anônimo disse...

É Navalha é Navalha. Chegou na roça seu Malandro Navalha. Saravá.
Cleiton Miranda.

Anônimo disse...

Seu Malandro Navalha um verdadeiro Heroi. Saravá a malandragem.

Anônimo disse...

Amo a gira dos Malandros. Saravá e linda historia. Maria de Fátima

Anônimo disse...

Uma linda historia. Uma coragem sem igual. Saravá o Malandro Navalha. Ronald

Anônimo disse...

Uma historia demasiadamente linda. Saravá os Malandros, Saravá seu Zé Pilintra, Saravá seu Malandro Navalha. Pat Resende

Anônimo disse...

Grande heroi. Que historia divina. Parabéns. Salve Seu Malandro Navalha. Betão

Adão do Borel disse...

Um malandro nobre. Uma realeza sem igual. Saravá Seu Malandro Navalha.

Regina Soares disse...

E tem gente sem informação que ainda falam mal dessas Entidades lindas. Que carinho e amor com os seus semelhantes. Que texto divino. Parabéns. E malandro não é vagabundo, Malandro é esperto e usa dessa esperteza para auxiliar os menos favorecidos. Lição de vida a seguirmos. Saravá os Malandros Sarava Seu Malandro Navalha.

Mestre de Capoeira disse...

Malandro que é Malandro age como nosso protetor Navalha. Saravá ao Malandro Navalha.

Chicão do Borel disse...

Pra mim é a melhor gira que tem. Malandros é tudo de bom. Saravá.

Anônimo disse...

Estou me desenvolvendo com ele. É um malandro magnífico!

Anônimo disse...

Malandro Navalha amigo fiel, da sua mão e proteção.

Ana Paula Sardinha disse...

Salve o Malandro dos Malandros. Salve seu Navalha. Saravá

Moniquinha disse...

Malandro Navalha o médico dos morros. Saravá esse heroi.

Baby do Salgueiro disse...

Salve seu Malandro Navalha. Salve todos os Malandros, salve seu Zé Pilintra. Salve o Salgueiro.

Anônimo disse...

Salve amigo Navalha. Sarava

Flavinha disse...

Uma historia de um herói. um guerreiro pela paz. Salve seu Malandro Navalha.

Meiga disse...

Saravá seu malandro. Linda historia.

Ju Silveira disse...

Salve todos os Malandros. Uma verdadeira e emocionante historia de fé. Salve

Anônimo disse...

Lindo demais essa coragem e fé.

Anônimo disse...

Salve seu Malandro Navalha. Salve meu amigo e parceiro de todas as horas. Sidney.

Clovis Figueira disse...

Amigo de todas as horas. Saravá

Tadeu Miranda disse...

Salve meu protetor salve Malandro Navalha

Jair Cardoso disse...

Malandro moleque amigo de todas as horas. Laroie

Marcus Flores disse...

Meu amigo de fé. Malandro que me mostra os caminhos. Salve sua banda.

Anônimo disse...

Saravá seu Malandro Navalha, salve sua força e sua luz. Abençoado seja o senhor em minha caminhada. Amém

Fabíola PR disse...

Grande amigo de todas as horas, poder luz e salvação na escuridão. Salve seu Malandro Navalha.

Natalia Guedes disse...

Salve o rei da malandragem, com sua navalha sagrada venha nos defender. Saravá meu prottor Malandro Navalha.

Anônimo disse...

Salve seu Navalha malandro do meu coraçção. Saravá

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