sábado, 24 de agosto de 2013 108 comentários

CABOCLA JUREMA.






CONHECENDO A CABOCLA JUREMA.


Nesse texto falaremos um pouco da Cabocla Jurema, Cabocla linda, tão
conhecida e tão sagrada para nós umbandistas, que até existe um culto
com seu nome.

    Acredita-se até que a árvore da Jurema é sagrada onde reside os
Orixás, e é desta árvore que se faz a base do chá chamado "Daime".

 Esta Cabocla linda é a Rainha das Matas, filha mais velha do Caboclo
Tupinambá. Ela teve mais duas irmãs chamadas: Jupira e Jandira, que da
mesma forma que a Cabocla Jurema, são poderosas Entidades de Luz, e
tem seus trabalhos dentro da Umbanda muito bem vistos e respeitados.

    A Cabocla Jurema presta sua caridade em qualquer Casa de Cultos de
Umbanda. Faz isso somente por caridade, não admitindo de forma alguma
cobranças pela consulta ou trabalhos. Sua legião é constituída de
grandes Entidades Espirituais, espíritos puros que amparam os
sofredores, utilizando o processo de curas através de passes
magnéticos, ervas e suas vibrações espirituais.

 Normalmente a Divina Entidade Cabocla Jurema, quando está
trabalhando, atrai as vibrações de todas as caboclas Juremas, ou seja,
Jurema da Cachoeira, Jurema da Praia, Jurema das Matas, ou de todas as
vibrações que se enquadram nessa força espiritual.

    Na realidade todas são uma única vibração que trabalham com
ambientes da natureza, como por exemplo: Lua, Sol, Mata, Chuva, Vento
e todas as vibrações naturais.

 A Cabocla Jurema trabalha dentro da necessidade de cada pessoa,
transmitindo coragem e energia. Tem sempre uma palavra de alento e
conforto para aqueles que sofrem de enfermidades, sejam enfermidades
físicas ou mentais.

 Essa linda Cabocla nos ensina a entender as dificuldades e nos dá
coragem para suportá-las. Em qualquer lugar onde você esteja, quando o
desespero tomar conta, e a coragem lhe faltar, chame com fé pela
Cabocla Jurema, e sentirá sua força lhe protegendo e lhe amparando.

A Cabocla Jurema, sendo igualmente uma entidade espiritual que
trabalha na linha de Oxossi, é uma "cabocla", ou divindade evocada no
Catimbó, cultos Afro-brasileiros e mais prestigiada e respeitada na
Umbanda.

 Sendo Entidade Guia Chefe da Linha de Oxossi, ela trabalha na legião
constituída de grandes entidades espirituais, espíritos puros que
amparam os sofredores e mais necessitados, utilizando o processo de
passes e curas através das ervas e pontos riscados. Chame pela Jurema
nas horas de dificuldade, pois essa cabocla sempre estará ali para
ajudar seus filhos de Fé.

    Existem várias dissidências dessa Entidade. Sabendo que a maioria
dos aparelhos de ação da Cabocla Jurema serem filhos e filhas ligados
a Iansã, pois é sua vibração Original, existem ainda outros tipos de
irradiação constituída em vibrações de outros Orixás, fazendo sua
ligação vibratória com Caboclos da mesma linha, conforme relação
abaixo:

Cabocla Jurema da Praia.
Ligação com a Orixá: Iemanjá.
Caboclo de Irradiação: Caboclo 7 Pedreiras.

Cabocla Jurema da Cachoeira.
Ligação com a Orixá: Oxum.
Caboclo de Irradiação: Caboclo Lírio.

Cabocla Jurema da Mata.
Ligação com o Orixá: Oxossi.
Caboclo de Irradiação: Caboclo Rompe Mato.

Cabocla Jurema Flecheira.
Ligação com o Orixá: Xangô.
Caboclo de Irradiação: Caboclo 7 Flechas.

Cabocla Jurema do Oriente.
Ligação com o Orixá: Ibeji.
Caboclo de Irradiação: Caboclo Cobra Coral.

Cabocla Jurema Rainha.
Ligação com Orixá: Oxalá.
Caboclo de Irradiação: Caboclo Girassol.

Cabocla Jurema Preta.
Ligação com o Orixá: Omulú/Obaluaiê.
Caboclo de Irradiação: Caboclo Arranca Toco.

Cabocla Jurema da Lua.
Ligação com o Orixá: Ogum.
Caboclo de Irradiação: Caboclo 7 Montanhas.

Cabocla Jurema Mestra.
Ligação com a Orixá: Nanã Buruquê.
Caboclo de Irradiação: Caboclo Araúna.

    Como já foi dito anteriormente, a Cabocla Jurema vem na maioria
das vezes com a vibração da Orixá Iansã, portanto não tem uma
especificação a essa Orixá como foi feito acima com os outros Orixás.


    A Umbanda tem em Jurema uma força suprema, um respeito digno de
uma rainha, um amor grandioso a essa maravilhosa e linda Cabocla.

Saravá a nossa Cabocla Jurema.

Oração à Cabocla Jurema.

Nossa querida chefe de terreiro! Saravá a Cabocla Jurema!

Jurema, recebi o teu recado
Aqui me tens atendendo o teu chamado
Diante de ti, de joelho a teus pés,
Rainha da Mata Virgem
Jurema, eu sei que és.
Irmã de Oxalá,
Filha de Tupã,
Da linha de Oxossi,
E da legião de Utubatã.
Jupira, Jandira, Janaina e Iracema.
É a falange suprema.
Da linda cabocla Jurema.
Eu encontrei em Jurema,
A redenção e a luz.
A beleza do poema,
Nas máximas de Jesus.
Amai vós tanto na vida,
tanto quanto eu vos amei
Nesta Umbanda querida
Esta é a nossa lei.
Quem nesta tenda chegou,
O nosso Mestre é o Senhor.
Esta mensagem é fraterna,
Esta mensagem é de amor.
Salve o reino de Oxossi,
Onde Jurema é rainha,
Pois um homem sem amor é um morto que caminha.

Saravá Cabocla Linda!

Okê Cabocla Jurema!

Carlos de Ogum.



sexta-feira, 16 de agosto de 2013 32 comentários

Obaluaiê- Omulú



Obaluaiê - Omulú

     Na Umbanda, o culto é feito a Obaluaiê, que se desdobra com o
nome de Omulú. Orixá originário do Daomé. É um Orixá sombrio, tido
entre os iorubanos como severo e terrível, caso não seja devidamente
cultuado, porém Pai bondoso e fraternal para aqueles que se tornam
merecedores, através de gestos humildes, honestos e leais.
     Nanã decanta os espíritos que irão reencarnar e Obaluaiê
estabelece o cordão energético que une o espírito ao corpo (feto), que
será recebido no útero materno assim que alcançar o desenvolvimento
celular básico (órgãos físicos).
     Ambos os nomes surgem quando nos referimos à esta figura, seja
Omulú seja Obaluaiê. Para a maior parte dos devotos do Candomblé e da
Umbanda, os nomes são praticamente intercambiáveis, referentes a um
mesmo arquétipo e, correspondentemente, uma mesma divindade. Já para
alguns babalorixás, porém, há de se manter certa distância entre os
dois termos, uma vez que representam tipos diferentes do mesmo Orixá.
     São também comuns as variações gráficas Obaluaê e Abaluaê.
     Um dos mais temidos Orixás, comanda as doenças e,
consequentemente, a saúde. Assim como sua mãe Nanã, tem profunda
relação com a morte. Tem o rosto e o corpo cobertos de palha da costa,
em algumas lendas para esconder as marcas da varíola, em outras já
curado não poderia ser olhado de frente por ser o próprio brilho do
sol. Seu símbolo é o Xaxará - um feixe de ramos de palmeira enfeitado
com búzios.
       Em termos mais estritos, Obaluaiê é a forma jovem do Orixá
Xapanã, enquanto Omulú é sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome
proibido tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser
mencionado pois pode atrair a doença inesperadamente, a forma Obaluaiê
é a que mais se vê. Esta distinção se aproxima da que existe entre as
formas básicas de Oxalá: Oxalá (o Crucificado), Oxaguiã a forma jovem
e Oxalufã a forma mais velha.

     A figura de Omulú/Obaluaiê, assim como seus mitos, é
completamente cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos
gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças,
especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória
do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a
cura do mesmo mal que criou.

     Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que
o conceito original da divindade se referia ao deus da varíola, tal
visão porém, é uma evidente limitação. A varíola não seria a única
doença sob seu controle, simplesmente era a epidemia mais devastadora
e perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original
africana, onde surgiu Omulú/Obaluaiê, o Daomé.

     Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seus irmãos) e Nanã
(sua Mãe), Omulú/Obaluaiê é uma criatura da cultura jêje,
posteriormente assimilada pelos iorubás. Enquanto os Orixás iorubanos
são extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de
pequenas falhas que os identificam com os seres humanos, as figuras
daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que
distanciamento entre deuses e seres humanos é bem maior. Quando há
aproximação, há de se temer, pois alguma tragédia está para acontecer,
pois os Orixás do Daomé são austeros no comportamento mitológico,
graves e conseqüentes em suas ameaças.

     A visão de Omulú/Obaluaiê é a do castigo. Se um ser humano falta
com ele ou um filho-de-santo seu é ameaçado, o Orixá castiga com
violência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar,
mais prováveis nos Orixás iorubás.
     Pierre Verger, nesse sentido, sustenta que a cultura do Daomé é
muito mais antiga que a iorubá, o que pode ser sentido em seus mitos:
A antigüidade dos cultos de Omulú/Obaluaiê e Nanã (Orixá feminino),
freqüentemente confundidos em certas partes da África, é indicada por
um detalhe do ritual dos sacrifícios de animais que lhe são feitos.
Este ritual é realizado sem o emprego de instrumentos de ferro,
indicando que essas duas divindades faziam parte de uma civilização
anterior à Idade do Ferro e à chegada de Ogum.

     Como parte do temor dos iorubás, eles passaram a enxergar a
divindade (Omulú/Obaluaiê) mais sombria dos dominados como fonte de
perigo e terror, entrando num processo que podemos chamar de
malignação de um Orixá do povo subjugado, que não encontrava
correspondente completo e exato (apesar da existência similar apenas
de Ossãe). Omulú/Obaluaiê seria o registro da passagem de doenças
epidêmicas, castigos sociais, já que atacariam toda uma comunidade de
cada vez.

Obaluaiê, o Rei da Terra, é filho de NANÃ, mas foi criado por IEMANJÁ
que o acolheu quando a mãe rejeitou-o por ser manco, feio e coberto de
feridas. É uma divindade da terra dura, seca e quente. É às vezes
chamado "o velho", com todo o prestígio e poder que a idade representa
no Candomblé. Está ligado ao Sol, propicia colheitas e
ambivalentemente detém a doença e a cura. Com seu Xaxará, cetro ritual
de palha da Costa, ele expulsa a peste e o mal. Mas a doença pode ser
também a marca dos eleitos, pelos quais Omulú quer ser servido. Quem
teve varíola é freqüentemente consagrado a Omulú, que é chamado
"médico dos pobres".

     Suas relações com os Orixás são marcadas pelas brigas com Xangô e
Ogum e pelo abandono que os Orixás femininos legaram-lhe. Rejeitado
primeiramente pela mãe, segue sendo abandonado por Oxum, por quem se
apaixonou, que, juntamente com Iansã, troca-o por Xangô. Finalmente
Obá, com quem se casou, foi roubada por Xangô.
     Existe uma grande variedade de tipos de Omulú/Obaluaiê, como
acontece praticamente com todos os Orixás. Existem formas guerreiras e
não guerreiras, de idades diferentes, etc., mas resumidos pelas duas
configurações básicas do velho e do moço. A diversidade de nomes pode
também nos levar a raciocinar que existem mitos semelhantes em
diferentes grupos tribais da mesma região, justificando que o Orixá é
também conhecido como Skapatá, Omulú Jagun, Quicongo, Sapatoi, Iximbó,
Igui.

     Esta Grande Potência Astral Inteligente, quando relacionado à
vida e à cura, recebe o nome de Obaluaiê. Tem sob seu comando
incontáveis legiões de espíritos que atuam nesta Irradiação ou Linha,
trabalhadores do Grande Laboratório do Espaço e verdadeiros
cientistas, médicos, enfermeiros etc., que preparam os espíritos para
uma nova encarnação, além de promoverem a cura das nossas doenças.
     Atuam também no plano físico, junto aos profissionais de saúde,
trazendo o bálsamo necessário para o alívio das dores daqueles que
sofrem.

     O Senhor da Vida é também Guardião das Almas que ainda não se
libertaram da matéria. Assim, na hora do desencarne, são eles, os
falangeiros de Omulú, que vêm nos ajudar a desatar nossos fios de
agregação astral-físico (cordão de prata), que ligam o perispírito ao
corpo material. Os comandados de Omulú, dentre outras funções, são
diretamente responsáveis pelos sítios pré e pós morte física
(Hospitais, Cemitérios, Necrotérios etc.), envolvendo estes lugares
com poderoso campo de força fluidíco-magnético, a fim de não deixarem
que os vampiros astrais (kiumbas desqualificados) sorvam energias do
duplo etérico daqueles que estão em vias de falecerem ou falecidos.



CARACTERÍSTICAS:

Cor:
Preto e branco.

Fio de Contas:
Contas e Miçangas Pretas e Brancas leitosas.

Ervas:
Erva de Bicho, Erva de Passarinho, Barba de Milho, Barba de Velho,
Cinco Chagas, Fortuna, Hera. (cuféia -sete sangrias,
erva-de-passarinho, canela de velho, quitoco, Zínia)

Símbolo:
Cruz.

Pontos da Natureza:
Cemitério, grutas, praia.

Flores:
Monsenhor branco.

Essências:
Cravo e Menta.

Pedras:
Obsidiana, Ônix, Olho-de-gato.

Metal:
Chumbo.

Saúde:
Todas as partes do corpo (É o Orixá da Saúde).

Planeta:
Saturno.

Dia da Semana:
Segunda-feira.

Elemento:
Terra.

Chakra:
Básico.

Saudação:
Atôtô (Significa "Silêncio, Respeito").

Bebida:
Água mineral, vinho tinto.

Animais:
Galinha d'angola, caranguejo e peixes de couro, cachorro.

Comidas:
Feijão preto, carne de porco, Deburú - pipoca, (Abadô - amendoim
pilado e torrado; latipá - folha de mostarda; e, Ibêrem - bolo de
milho envolvido na folha de bananeira).

Número:
3.

Data Comemorativa:
16 de Agosto e 17 de Dezembro.

Sincretismo:
São roque (São Lázaro).

Incompatibilidades:
Claridade, sapos.


ATRIBUIÇÕES:

     Muitos associam o divino Obaluaiê apenas com o Orixá curador, que
ele realmente é, pois cura mesmo! Mas Obaluaiê é muito mais do que já
o descreveram. Ele é o "Senhor das Passagens" de um plano para outro,
de uma dimensão para outra, e mesmo do espírito para a carne e
vice-versa



AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OBALUAIÊ:

     Ao senhor da doença é relacionado um arquétipo psicológico
derivado de sua postura na dança: se nela Omulú/Obaluaiê esconde dos
espectadores suas chagas, não deixa de mostrar, pelos sofrimentos
implícitos em sua postura, a desgraça que o abate. No comportamento do
dia-a-dia, tal tendência se revela através de um caráter tipicamente
masoquista.

     Arquetipicamente, lega a seus filhos tendências ao masoquismo e à
autopunição, um austero código de conduta e possíveis problemas com os
membros inferiores, em geral, ou pequenos outros defeitos físicos.

     Pierre Verger define os filhos de Omulú como pessoas que são
incapazes de se sentirem satisfeitas quando a vida corre tranqüila
para elas. Podem até atingir situações materiais e rejeitar, um belo
dia, todas essas vantagens por causa de certos escrúpulos imaginários.
São pessoas que, em certos casos, se sentem capazes de se consagrar ao
bem-estar dos outros, fazendo completa abstração de seus próprios
interesses e necessidades vitais.
     No Candomblé, como na Umbanda, tal interpretação pode ser demais
restritiva. A marca mais forte de Omulú/Obaluaiê não é a exibição de
seu sofrimento, mas o convívio com ele. Ele se manifesta numa
tendência autopunitiva muito forte, que tanto pode revelar-se como uma
grande capacidade de somatização de problemas psicológicos (isto é, a
transformação de traumas emocionais em doenças físicas reais), como
numa elaboração de rígidos conceitos morais que afastam seus
filhos-de-santo do cotidiano, das outras pessoas em geral e
principalmente os prazeres. Sua insatisfação básica, portanto, não se
reservaria contra a vida, mas sim contra si próprio, uma vez que ele
foi estigmatizado pela marca da doença, já em si uma punição.

     Em outra forma de extravasar seu arquétipo, um filho do Orixá ,
menos negativista, pode apegar-se ao mundo material de forma sôfrega,
como se todos estivessem perigosamente contra ele, como se todas as
riquezas lhe fossem negadas, gerando um comportamento obsessivo em
torno da necessidade de enriquecer e ascender socialmente.
     Mesmo assim, um certo toque do recolhimento e da autopunição de
Omulú/Obaluaiê serão visíveis em seus casamentos: não raro se
apaixonam por figuras extrovertidas e sensuais (como a indomável
Iansã, a envolvente Oxum, o atirado Ogum) que ocupam naturalmente o
centro do palco, reservando ao cônjuge de Omulú/Obaluaiê um papel mais
discreto. Gostam de ver seu amado brilhar, mas o invejam, e ficam
vivendo com muita insegurança, pois julgam o outro, fonte de paixão e
interesse de todos.
     Assim como Ossãe, as pessoas desse tipo são basicamente
solitárias. Mesmo tendo um grande círculo de amizades, freqüentando o
mundo social, seu comportamento seria superficialmente aberto e
intimamente fechado, mantendo um relacionamento superficial com o
mundo e guardando sua intimidade para si própria. O filho do Orixá
oculta sua individualidade com uma máscara de austeridade, mantendo
até uma aura de respeito e de imposição, de certo medo aos outros.
Pela experiência inerente a um Orixá velho, são pessoas irônicas. Seus
comentários porém não são prolixos e superficiais, mas secos e
diretos, o que colabora para a imagem de terrível que forma de si
próprio.

     Entretanto, podem ser humildes, simpáticos e caridosos. Assim é
que na Umbanda este Orixá toma a personalidade da caridade na cura das
doenças, sendo considerado o "Orixá da Saúde".

     O tipo psicológico dos filhos de Omulú é fechado, desajeitado,
rústico, desprovido de elegância ou de charme. Pode ser um doente
marcado pela varíola ou por alguma doença de pele e é freqüentemente
hipocondríaco. Tem considerável força de resistência e é capaz de
prolongados esforços. Geralmente é um pessimista, com tendências
autodestrutivas que o prejudicam na vida. Amargo, melancólico,
torna-se solitário. Mas quando tem seus objetivos determinados, é
combativo e obstinado em alcançar suas metas. Quando desiludido,
reprime suas ambições, adotando uma vida de humildade, de pobreza
voluntária, de mortificação.
     É lento, porém perseverante. Firme como uma rocha. Falta-lhe
espontaneidade e capacidade de adaptação, e por isso não aceita
mudanças. É vingativo, cruel e impiedoso quando ofendido ou humilhado.
     Essencialmente viril, por ser Orixá fundamentalmente masculino,
falta-lhe um toque de sedução e sobra apenas um brutal solteirão.
Fenômeno semelhante parece ocorrer no caso de Nanã: quanto mais
poderosa e mais acentuada é a feminilidade, mais perigosa ela se torna
e, paradoxalmente, perde a sedução.


COZINHA RITUALÍSTICA:

Feijão Preto:

Cozinha-se o feijão preto, só em água, e depois refoga-se cebola
ralada, camarão seco e Azeite-de-Dendê, misturando ao feijão.

Olubajé  (Olu-aquele que, ba-aceita, jé-comer ; ou ainda
aquele-que-come):

     O Olubajé, não é uma comida específica, mas sim um banquete
oferecido à Obaluaiê.
     São oferecidos pratos de aberém (milho cozido enrolado em folha
de bananeira), carne de bode e pipocas.
     Seus "filhos" devidamente "incorporados" e paramentados oferecem
as mesmas aos convidados/assistentes desta festa.
     É uma oferenda coletiva para os Orixás da Terra e suas ligações -
Omulú/Obaluaiê, Nanã e Oxumarê, é aguardada durante todo o ano com
muito entusiasmo, pois é nesta oferenda que os iniciados ou
simpatizantes irão agradecer por mais um ano que passaram livre de
doenças e pedir por mais um período de saúde, paz e prosperidade.

     A celebração oferece aos participantes um vasto cardápio de
"comidas de santo", e, após todos comerem, participam de uma limpeza
espiritual, que evoca a proteção destas divindades por mais um ano na
vida de cada um.

     É uma das cerimônias mais importantes do Candomblé, e relembra a
lenda da festa que ocorria na terra de Obaluaiê, com todos os Orixás,
na qual ele não podia entrar. (ver lenda mais abaixo).



LENDAS DE OBALUAIÊ:

Orixá da cura, continuidade e da existência !!!

     Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu que estava
acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás. Obaluaiê não
podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou
espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do
Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu
rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos
festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou, mas ninguém se
aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela
compreendia a triste situação de Obaluaiê e dele se compadecia. Iansã
esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê (festa,
dança, brincadeira) estava animado. Os orixás dançavam alegremente com
suas ekedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de
palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas
de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas,
que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaiê, o deus das doenças,
transformara-se num jovem belo e encantador. Obaluaiê e Iansã Igbalé
tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos
espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper
as demandas dos mortos sobre os homens.

Xapanã, rei de Nupê.

     Xapanã, originário de Tapa, leva seus guerreiros para uma
expedição aos quatro cantos da terra. Uma pessoa ferida por suas
flechas ficava cega, surda ou manca, Obaluaê-Xapanã chega ao
território de Mahi no norte de Daomé, matando e dizimando todos os
seus inimigos e começa a destruir tudo o que encontra a sua frente. Os
Mahis foram consultar um Babalaô e o mesmo ensinou-os como fazer para
acalmar Xapanã. O Babalaô diz que estes deveriam tratá-lo com pipocas,
que isso iria tranqüiliza-lo, e foi o que aconteceu. Xapanã tornou-se
dócil. Xapanã contente com as atenções recebidas mandou construir um
palácio onde foi viver e não mais voltou ao país Empê. O Mahi
prosperou e tudo se acalmou.

As Duas Mães de Obaluaiê:

     Filho de Oxalá e Nanã, nasceu com chagas, uma doença de pele que
fedia e causava medo aos outros, sua mãe Nanã morria de medo da
varíola, que já havia matado muita gente no mundo. Por esse motivo
Nanã, o abandonou na beira do mar. Ao sair em seu passeio pelas areias
que cercavam o seu reino, Iemanjá encontrou um cesto contendo uma
criança. Reconhecendo-a como sendo filho de Nanã, pegou-a em seus
braços e a criou como seu filho em seus seios lacrimosos. O tempo foi
passando e a criança cresceu e tornou um grande guerreiro, feiticeiro
e caçador. Se cobria com palha da costa, não para esconder as chagas
com a qual nasceu, e sim porque seu corpo brilhava como a luz do sol.
Um dia Iemanjá chamou Nanã e apresentou-a a seu filho Xapanã, dizendo:
Xapanã, meu filho receba Nanã sua mãe de sangue. Nanã, este é Xapanã
nosso filho. E assim Nanã foi perdoada por Omulú e este passou a
conviver com suas duas mães.

Atotô meu Obaluaiê/Omulú! Atotô meu Velho Pai! Atotô Rei da Terra!
Atotô Babá! Atotô Obaluaê/Omulú, atotô babá atotô Obaluaê/Omulú atotô
é Orixá!


Saravá poderoso Pai, saravá Senhor Obaluaiê/Omulú!!!

Carlos de Ogum



Oração a Obaluaiê/Omulú.

Divino Pai da Geração, eu Vos peço que abençoe a minha vida, os meus
sete corpos, os meus sete campos vibratórios e os meus sete sentidos.

Que a Vossa Bênção paralise toda e qualquer negatividade que pretenda
fazer adoecer a minha vida e o meu caminhar.

Que a Vossa Proteção mantenha viva e saudável a morada da minha alma e
do meu coração, para que nenhum pensamento, sentimento, palavra ou
ação negativa tenha força na minha existência.

Divino Pai Obaluaiê/Omulú, eu Vos peço que me purifique e me ampare,
que ampare a minha família, o meu lar e o meu trabalho material e
espiritual, e que ampare os meus amigos, para que a Luz Divina esteja
sempre viva em nós e em torno de nós.

Sagrado Pai Obaluaiê/Omulú, peço também a Vossa Bênção para os meus
adversários encarnados e desencarnados, para que neles seja paralisado
qualquer sentimento negativo em relação a mim, à minha família ou aos
meus amigos. E que, assim, possam eles igualmente manter acesa a Luz
Divina Sustentadora da Vida, evoluindo sempre.

Amado Pai Obaluaiê/Omulú, eu Vos peço que semeie dentro de mim as
Sementes da Vida Verdadeira, para que eu me comporte como filho de
DEUS e compreenda a Presença Divina em mim e nos meus semelhantes.

Sagrado Orixá Obaluaiê/Omulú, eu reverencio o Vosso Poder, a Vossa
Força e a Vossa Atuação na minha vida e na vida de todos os seres.

Obrigada, meu Pai!

Que o Vosso Nome seja sempre lembrado com reverência e amor, por todos
os filhos da Terra.

Que assim seja, e assim será!


Atotô Meu Pai Obaluaiê/Omulú.



terça-feira, 13 de agosto de 2013 8 comentários

Oxumarê

Oxumarê



     Oxumarê, filho mais novo e preferido de Nanã, irmão de Omulu. É
uma entidade branca muito antiga, participou da criação do mundo
enrolando-se ao redor da terra, reunindo a matéria e dando forma ao
Mundo. Sustenta o Universo, controla e põe os astros e o oceano em
movimento. Rastejando pelo Mundo, desenhou seus vales e rios. É a
grande cobra que morde a cauda, representando a continuidade do
movimento e do ciclo vital. A cobra é dele e é por isso que no
Candomblé não se mata cobra. Sua essência é o movimento, a
fertilidade, a continuidade da vida.

     A comunicação entre o céu e a terra é garantida por Oxumarê. Leva
a água dos mares, para o céu, para que a chuva possa formar-se - é o
arco-íris, a grande cobra colorida. Assegura comunicação entre o mundo
sobrenatural, os antepassados e os homens e por isso à associa do ao
cordão umbilical.

     Oxumarê é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de
existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos
sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional
africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome,
já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a
senhora da água doce. Algumas correntes da Umbanda, inclusive,
costumam dizer que Oxumarê é uma das diferentes formas e tipos de
Oxum, mas no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente
rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e à
origem.

Em relação a Oxumarê, qualquer definição mais rígida é difícil e
arriscada. Não se pode nem dizer que seja um Orixá masculino ou
feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo; metade do ano é
macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo a dualidade é o conceito
básico associado a seus mitos e a seu arquétipo.
     Essa dualidade onipresente faz com que Oxumarê carregue todos os
opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e
noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc.
     Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado
pelo arco-íris, sendo atribuído a Oxumarê o poder de regular as chuvas
e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover. Ao
mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a prova de que a água
está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde se aglutinará
em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando
o estado líquido e voltará à terra sob essa forma, recomeçando tudo de
novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc.
     Nos seis meses subseqüentes, o Orixá assume forma feminina e se
aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior.
É então, uma cobra, obrigado a se arrastar agilmente tanto na terra
como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão,
perdendo em transcendência e ganhando em materialismo. Sob essa forma,
segundo alguns mitos, Oxumarê encarna sua figura mais negativa,
provocando tudo que é mau e perigoso.
     Não podemos nos esquecer de que tanto na África, como
especialmente no Brasil, a população negra, foi continuamente
assediada pela colonização branca. Uma das formas mais utilizadas por
jesuítas para convencer os negros, era a repressão física, mas para
alguns, não bastava o medo de apanhar. Eles queriam a crença
verdadeira e, para isso, tentaram explicar e codificar a religião do
Orixás segundo pontos de vista cristãos, adaptando divindades,
introduzindo a noção de que os Orixás, seriam santos como os da Igreja
Católica. Essa busca objetiva do sincretismo sem dúvida foi esbarrar
em Oxumarê e na cobra - e não há animal mais peçonhento, perigoso e
pecador do que ela na mitologia católica.
     Por isso, não seria difícil para um jesuíta que acreditasse
sinceramente nos símbolos de sua visão teológica. Reconhecer na cobra
mais um sinal da presença dos símbolos católicos na religião do Orixás
e nele reconhecer uma figura que só poderia trazer o mal.
     Na verdade, o que se pode abstrair de contradições como as que
apresenta Oxumarê é que este é o Orixá do movimento, da ação, da
eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que
norteia a vida humana. É o Orixá da tese e da antítese. Por isso, seu
domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem
parar, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite,
positivo e negativo. Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser
bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda.
Isso gera um movimento moto-contínuo pois, enquanto não largar o
próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento
representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre
repetitivo- todos os movimentos dos planetas e astros do universo,
regulados pela força da gravidade e por princípios que fazem esses
processos parecerem imutáveis, eternos, ou pelo menos muito duradouros
se comparados com o tempo de vida médio da criatura humana sobre a
terra, não só em termos de espécie, mas principalmente em termos da
existência de uma só pessoa. Se essa ação terminasse de repente, o
universo como o entendemos deixaria de existir, sendo substituído
imediatamente pelo caos. Esse mesmo conceito justifica um preceito
tradicional do Candomblé que diz que é necessário alimentar e cuidar
de Oxumarê muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a
conseqüência será nada menos que o fim da vida no mundo.
     Seu domínio se estende a todos os movimentos regulares que não
podem parar, como a alternância entre o dia e a noite, o bom e o mal
tempo (chuvas) e entre o bem e o mal (positivo e negativo).
     Enquanto o arco-íris traz a boa notícia do fim da tempestade, da
volta do sol, da possibilidade de movimentação livre e confortável, a
cobra é particularmente perigosa para uma civilização das selvas, já
que ela está em seu habitat característico, podendo realizar rápidas
incertas.
     Pierre Verger acrescenta que Oxumarê está associado ao
misterioso, a tudo que implica o conceito de determinação além dos
poderes dos homens, do destino, enfim: É o senhor de tudo o que é
alongado. O cordão umbilical, que está sob seu controle, é enterrado
geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade
do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa
árvore.



CARACTERÍSTICAS:

Cor:
Verde e amarelo (cores do arco-íris, ou, amarelo rajado de preto).

Fio de Contas:
Verde e amarelo.

Ervas:
Colônia, Macaçá, Oriri, Santa Luzia, Oripepê, Pingo D'água, Agrião,
Dinheiro em Penca, Manjericão Branco, Calêndula,Narciso; Vassourinha,
Erva de Santa Luzia, e Jasmim (Estas últimas três não servem para
banhos) (Em algumas casas: Erva Cidreira, Gengibre, Camomila, Arnica,
Trevo Azedo ou grande, Chuva de Ouro, Manjericona, Erva Sta. Maria).

Símbolo:
Cobra e Arco-Íris.

Pontos da Natureza:
Próximo da queda da cachoeira.

Flores:
Amarelas.

Pedras:
Ágata. (Topázio, esmeralda, diamante).

Metal:
Latão (Ouro e Prata mesclados).

Saúde:
pressão baixa, vertigens, problemas de nervos, problemas alérgicos e
de pele

Dia da Semana:
Terça-feira.

Elemento:
Água.

Chakra:
Laringe.

Saudação:
Arrobobô.

Bebida:
Água Mineral.

Animais:
Cobra.

Comidas:
Batata doce em formato de cobra, bertalha com ovos.

Número:
14.

Data Comemorativa:
24 de agosto.

Sincretismo:
São Bartolomeu.

Incompatibilidades:
sal, água salgada.


ATRIBUIÇÕES:

     Oxumarê, é a renovação contínua, mas em todos os aspectos e em
todos os sentidos da vida de um ser. É a renovação do amor na vida dos
seres. E onde o amor cedeu lugar à paixão, ou foi substituído pelo
ciúme, então cessa a irradiação de Oxum e inicia-se a dele, que é
diluidora tanto da paixão como do ciúme. Ele dilui a religiosidade já
estabelecida na mente de um ser e o conduz, emocionalmente, a outra
religião, cuja doutrina o auxiliará a evoluir no caminho reto.


LENDAS DE OXUMARÊ:

Como Oxumarê Se Tornou Rico.

     Oxumarê era o babalaô da corte de um rei que, embora fosse rico e
poderoso, não pagava bem seu sacerdote, que vivia na pobreza. certo
dia, Oxumarê perguntou a ifá o que fazer para ter mais dinheiro; ifá
disse que, se ele lhe fizesse uma oferenda, ele o tornaria muito rico.
Oxumarê preparou tudo como devia mas, no meio do ritual, foi chamado
ao palácio. não podendo interromper o ritual, ele não foi; então, o
rei suspendeu seu pagamento. quando Oxumarê pensava que ia morrer de
fome, a rainha do reino vizinho chamou-o para tratar seu filho doente
e, como Oxumarê o salvou, a rainha pagou-o muito bem. com medo de
perder o adivinho, o rei lhe deu ainda mais riquezas, e assim se
cumpriu a promessa de ifá.

Orixá do arco-íris !!!

     Certa vez, Xangô viu Oxumarê passar, com todas as cores de seu
traje e todo o brilho de seu ouro. Xangô conhecia a fama de Oxumarê
não deixar ninguém dele se aproximar. Preparou então uma armadilha
para capturar Oxumarê. Mandou uma audiência em seu palácio e, quando
Oxumarê entrou na sala do trono, os soldados chamaram para a presença
de Xangô e fecharam todas as janelas e portas, aprisionando Oxumarê
junto com Xangô. Oxumarê ficou desesperado e tentou fugir, mas todas
as saídas estavam trancadas pelo lado de fora.
     Xangô tentava tomar Oxumarê nos braços e Oxumarê escapava,
correndo de um canto para outro. Não vendo como se livrar, Oxumarê
pediu a Olorum e Olorum ouviu sua súplica. No momento em que Xangô
imobilizava Oxumarê, Oxumarê foi transformado numa cobra, que Xangô
largou com nojo e medo.
     A cobra deslizou pelo chão em movimentos rápidos e sinuosos.
Havia uma pequena fresta entre a porta e o chão da sala e foi por ali
que escapou a cobra, foi por ali que escapou Oxumarê.
     Assim livrou-se Oxumarê do assédio de Xangô. Quando Oxumarê e
Xangô foram feitos Orixás, Oxumarê foi encarregado de levar água da
Terra para o palácio de Xangô no Orum (céu), mas Xangô não pôde nunca
aproximar-se de Oxumarê.

Como Oxumarê Serve À Oxum e Xangô?

     Quando xangô e Oxum quiseram se casar, perceberam que seria
difícil viverem juntos, pois a casa de Oxum era no fundo do rio e
xangô morava por cima das nuvens. então, resolveram arranjar um criado
que facilitasse a comunicação entre os dois. falaram com Oxumarê, que
aceitou servir de mensageiro entre eles. só que, durante a metade do
ano em que é o arco- íris, Oxumarê levava as águas de Oxum para o céu;
não chovia e a terra ficava seca. por isso, Oxumarê resolveu que, nos
seis meses em que fosse cobra, deixaria o serviço. nesse período,
xangô precisa descer até Oxum, e então acontecem os temporais da
estação das chuvas.


O arco-íris anunciou a renovação Divina, foi Pai Oxumaré que anunciou
com sua Luz colorida e Cristalina.


Arrobobô Oxumaré Arrobobô. !!!

Carlos de Ogum




ORAÇÃO A OXUMARÊ

Oxumarê,
Divino arco-íris da Alegria,
Do Encantamento e da Renovação,
Toca meu coração magoado
De tristezas que ninguém vê
E liberta a minha alma
Do rancor e da desilusão
Que me prendem num passado
Sem paz e sem calma.
Serpente da Sabedoria
Das Águas de Ouro do Amor,
Toca meu pensamento intranquilo
E deposita em meu ser
Doces gotas de Alegria,
Num jato Renovador,
Diluindo tudo aquilo
Da dor antiga e sombria
Que eu teimo ainda em reter.
Pai das Águas lá dos Céus,
Onde moram as Sete Cores,
Toca e desfaz esses véus
E me faz novo, de novo,
Qual criança renascida
Que em paz descansa,
Mansa e sem temores,
Abençoada e nutrida
Pela Tua Coorte de Erês.
Abraça a Terra, Pai Divino,
Dilui em nós toda mágoa,
Renovando e despertando
Todos os filhos Teus
Com o Poder Celestino
Das Tuas Cores e Águas.
Sustenta-nos em Tuas Mãos
E nos eleva do chão
Ao Colo Sagrado de Deus.

Salve o nosso Pai Oxumarê, o Senhor do Arco-Íris! Arrobobô, meu Pai!







sábado, 3 de agosto de 2013 77 comentários

Aborto na Visão da VERDADEIRA UMBANDA

    Antes de prosseguir com esse texto, gostaria de esclarecer o seu
título, e o porque friso o "VERDADEIRA UMBANDA".

    Como é sabido, dentro de todas as classes ou religiões encontramos
pessoas que realmente vivem o ato de ser, de fazer parte dessas
determinadas classes ou religiões, e encontramos também os que apenas
usam o nome delas para alguns fins de causa própria, como por exemplo,
usar o nome de uma determinada religião para conseguir satisfação numa
melhoria econômica ou social.

    Para melhor entendimento, vamos entrar com a nomenclatura de
"umbandista", assim poderemos demonstrar com mais exatidão o que é
"verdadeira Umbanda".

    Temos dois tipos de religiosos, o "SER UMBANDISTA," e o "ESTAR
UMBANDISTA". E a diferença de um para o outro é simples, o "ser
umbandista" segue as leis e regras espirituais da Umbanda, independente
se essas leis possam de alguma forma não dar uma vantagem esperada
ou dar uma sensação de justiça para satisfazer o ego de quem
usando o nome da Umbanda tenta fazê-las.
   Como por exemplo, dentro da lei da Umbanda usamos de fazer a
caridade e lutar de todas as formas para que o bem seja sempre o
caminho a ser seguido.
    Para demonstrar essas duas regras do "ser umbandista", o cobrar
por trabalhos espirituais dentro de uma gira de Umbanda, ou o pedir o
mal de seu semelhante a alguma Entidade de Luz, está totalmente fora
de cogitação para a verdadeira Umbanda, enquanto que para o "estar
umbandista", que se utiliza do nome da religião, isso é algo do cotidiano.
Então essa é a diferença da "VERDADEIRA UMBANDA" para a
Umbanda mentirosa que os farsantes pregam para seus interesses
particulares.

    Voltando ao tema principal, vamos ver como o aborto é visto dentro
da verdadeira Umbanda.

    Os umbandistas que realmente vivem as leis da maravilhosa Umbanda,
aprendem com nossas Entidades de Luz, que estamos constantemente em
evolução espiritual, que estamos seguindo por várias reencarnações,
que a cada passo dentro dessas reencarnações estamos aprendendo
lições, e que a cada lição aprendida nos eleva um degrau a mais para
nosso melhoramento e logicamente a evolução como ser.

    Se estamos nessa evolução espiritual, logicamente todos os seres
estão, e se estão temos a necessidade de reencarnar, de sermos
gerados, de nascermos, de crescermos, evoluirmos, amadurecermos,
envelhecermos até desencarnarmos para que assim um novo ciclo volte a
acontecer e novamente fazermos toda a caminhada evolutiva, para que
assim chegarmos a uma evolução determinada por Deus.

    E então, com todo esse ciclo preparado, já tão aguardado pelo
espírito, é interrompido de uma forma covarde, brusca e totalmente
radical por intermédio do aborto, feito por uma mulher, na maioria das
vezes com aval de um homem, no qual chegaram a essa situação pelo
simples fato de se entregarem a um prazer carnal de alguns minutos.
Então para entendimento, reduzindo, se aniquila a possibilidade de
anos e anos de lições e  evolução espiritual de um ser gerado, pela
falta de responsabilidade de um casal sem estrutura, que sem a menor
culpa assassinou um futuro ser, ser esse que tem o nome sagrado de
filho.


   Abaixo descrevo a visão espírita dessa ação perversa e covarde:

O Espírito Emmanuel nos fala deste hediondo crime:

"O aborto provocado, mesmo diante de regulamentos humanos que o
permitem, é um crime perante as Leis de Deus."
Emmanuel (Leis de Amor , Cap. XI)

 "A insensibilidade humana na prática do aborto cruel mostra quanto
estamos distantes das Leis Divinas, ainda mais quando as instituições
dos códigos humanos criam leis aprovando o direito à mulher de negar a
continuidade da vida a um ser que está desenvolvendo-se dentro de seu
próprio organismo."

" O aborto provocado destrói não somente o corpo do bebê, mas também o
santuário divino das formas humanas na mulher."

"As consequências imediatas do aborto delituoso logicamente se
refletem, primeiro e em maior grau, no organismo fisiopsicossomático
da mulher, pois abortar é arrancar violentamente um ser vivo do
claustro materno."


    O centro genésico, que é o santuário das energias criadoras do
sexo e tem sua contraparte na organização perispiritual da mulher, com
a prática do aborto condenável sofre desequilíbrios profundos, ainda
desconhecidos da ciência terrena. O Espírito André Luiz em seu livro
"Evolução em Dois Mundos" descreve os resultados no mundo psíquico da
mulher que comete o aborto delituoso. Conforme descrito abaixo:

" É dessa forma que a mulher e o homem,  acumpliciados nas
ocorrências do aborto delituoso, mas principalmente a
mulher, cujo grau de responsabilidade as faltas dessa
natureza é muito maior, à frente da  vida que ela prometeu
honrar com nobreza, na maternidade sublime, desajustam as
energias psicossomáticas, com mais penetrante  desequilíbrio
do centro genésico, implantando nos tecidos  da própria alma
a sementeira de males que frutescerão,  mais tarde, em regime
de produção a tempo certo."
(Evolução em Dois Mundos, Cap. XIV - Parte II).

O crime do aborto não é simplesmente o de destruir um corpo que está
se formando, mas também o de interferir no direito do Espírito
reencarnante que realmente está dando vida ao feto, pois a partir do
momento da concepção, o Espírito passa a atuar profundamente no
crescimento do embrião.

    Para entendimento e esclarecimento sobre a falácia de algumas
pessoas que tentam demonstrar que um ser recém concebido não é
considerado um ser com alma, e sendo assim não teria gravidades
espirituais ao ser expulso do ventre de sua genitora, analisemos o que
nos esclarecem os Espíritos Superiores em "O Livro dos Espíritos" , na
Questão 344:

"Em que momento a alma se une ao corpo?

A união começa na concepção mas só é completa por ocasião do
nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para
habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez
mais se vai apertando até o instante em que a criança vê a luz. O
grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número
dos vivos e dos servos de Deus."


    Como na organização fetal existe um Espírito administrando o seu
crescimento em simbiose mental com a mãe, em realidade já é o dono
desse corpo em formação, e em sã consciência a mulher gestante não
poderá dizer que é dona do feto e faz dele o que lhe aprouver, pois
ela já está trabalhando em parceria com um Espírito, filho de Deus
como ela mesma, e com os mesmos direitos de possuir um corpo e de
voltar à Terra.

    A mulher que cometeu aborto delituoso passa a sofrer consequências
desagradáveis imediatas em seu próprio organismo, seja pelo surgimento
de enfermidades variadas ou pelos processos sombrios da obsessão, em
virtude da antipatia nascida no Espírito reencarnante, que vê seu
tentame frustrado. Meditemos nas explicações de Emmanuel:


"O aborto oferece consequências dolorosas especiais para as mães?

Resposta - O aborto oferece funestas intercorrências para as mulheres
que a ele se submetem, impelindo-as à desencarnação prematura, seja
pelo câncer ou por outras moléstias de formação obscura, quando não se
anulam em aflitivos processos de obsessão." (Leis de Amor, Cap. IV)

    Deus nos deixa com o livre-arbítrio para decidirmos se cometeremos
ou não o hediondo crime do aborto, uma vez que somos responsáveis
pelos nossos próprios atos. Mas Deus não dá a ninguém o direito de
eliminar a vida de um ser que está em formação no organismo materno,
pois este direito somente Ele o possui. Quem está patrocinando o
renascimento de qualquer criança, antes de tudo, é DEUS.


    Podemos refletir, que além da covardia de estar assassinando um
ser, que além de estar interferindo na evolução de um espírito, que
além de estar atrasando a evolução de seu próprio espírito, que além
de estar declinando de uma das maiores bençãos de Deus que é de ter um
filho, ao interromper uma vida com o gesto cruel e imoral como o
aborto, a mulher e o homem, que em muitos casos são cúmplices nessa
ação assassina, estão arriscando a saúde física da própria genitora.

Vamos esclarecer:

    As consequências desagradáveis do aborto delituoso podem ser
imediatas e a longo prazo, principalmente para a mulher, seja no seu
corpo físico, na atual existência, seja na vida espiritual após a morte,
e também na próxima reencarnação. Já analisamos o problema da
obsessão por parte do Espírito reencarnante que não pôde ser um filho
na Terra.

    Vejamos agora as enfermidades na organização física da mulher,
tendo como causa a prática do aborto. Esses desequilíbrios, que têm
começo nesta existência, seguirão por muito tempo na organização
psicossomática da mulher que engendrou o aborto cruel. Os
desajustamentos do centro genésico no penspírito da mulher irão
refletir-se em enfermidades graves do corpo físico, ao longo da
existência terrena:

  Arrancar uma criança ao materno seio é infanticídio confesso. A
mulher que o promove ou que venha a cometer semelhante delito é
constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes
no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas
enfermidades, quais sejam a metrite, o vaginismo, a metralgia, o
enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos estes com os quais
muitas vezes, desencarna, demandando o Além para responder, perante a
Justiça Divina, pelo crime praticado. E, então, que se reconhece
rediviva, mas doente e infeliz, porque, pela incessante recapitulação
mental do ato abominável, através do remorso, reterá por tempo longo a
degenerescência das forças genitais."
Ação e Reação, Cap. XV)

       Na vida corpórea, dificilmente percebemos que nossas
enfermidades são resultados positivos de nossos deslizes diante da Lei
Divina, mas na Vida Espiritual cada Espírito vê, sente e vive em si
mesmo os reflexos negativos de seus pensamentos enfermiços, emoções
inferiores e ações criminosas, praticadas na existência humana
irresponsável. A miséria moral se estampa perfeitamente no mundo
mental e tem como consequência a desorganização e a deformidade do
corpo espiritual. E o que acontece com as mulheres que praticaram o
aborto com plena liberdade e consciência do que estavam fazendo,
segundo as declarações de André Luiz:

" O aborto provocado, sem necessidade terapêutica, revela-se
matematicamente seguido por choques traumáticos no corpo espiritual,
tantas vezes quantas se repetir o delito de lesa-maternidade
mergulhando as mulheres que o perpetram em angústias indefiníveis,
além da morte, de vez que, por mais extensas se lhes façam as
gratificações e os obséquios dos Espíritos Amigos e Benfeitores que
lhes recordam as qualidades elogiáveis, mais se sentem diminuídas
moralmente em si mesmas, com o centro genésico desordenado e infeliz,
assim como alguém indebitamente admitido num festim brilhante
carregando uma chaga que a todo instante se denuncia."
(Evolução em Dois Mundos, Cap. XIV - Parte II)

    Para a mulher que praticou o aborto, injustificadamente, os
sofrimentos continuarão na próxima encarnação, através dos
desequilíbrios psíquicos diversos, enfermidades do útero e a grande
frustração pela impossibilidade de gerar filhos. Mesmo a mulher que
praticou o aborto, após já ter concebido o primeiro ou o segundo
filho, receberá, na próxima encarnação; os sintomas perturbatórios de
seu crime, justamente depois do primeiro ou do segundo filho, período
exato em que praticou o aborto na existência anterior. Diversos
problemas que sofrem hoje as mulheres no exercício da maternidade têm
suas causas profundas nos deslizes do passado, que hoje surgem no
corpo físico como reflexo positivo da desorganização perispirítica.

    Em razão disso, nem sempre a mulher recupera a saúde, afetada por
esses transtornos, somente com o uso de medicamentos e hábeis
cirurgias da medicina terrestre, pois há que resgatar em si mesma, à
custa de muitos sofrimentos, suportados com fé e abnegação, os crimes
do ontem, para aprender a valorizar, respeitar e amparar a vida dos
filhos que Deus temporariamente lhe entrega nas mãos.

    Todos aqueles que induzem ou auxiliam a mulher na eliminação do
nascituro possuem também a sua culpabilidade no ato criminoso: maridos
ou namorados que obrigam as esposas, médicos que estimulam e o
realizam, enfermeiras e parteiras inconscientes. Para a justiça humana,
não há crime, nem processo, nem punição, na maioria dos casos,
mas para a JUSTIÇA DIVINA todos os envolvidos no ato criminoso
sofrerão as consequências sombrias, imediatas ou a longo prazo, de
acordo com o seu grau de culpabilidade.

Emmanuel nos esclarece bem isso:

 " O aborto oferece consequências dolorosas especiais para os pais?

Resposta: Os pais que cooperam nos delitos do aborto, tanto quanto os
ginecologistas que o favorecem, vêm a sofrer os resultados da
crueldade que praticam, atraindo sobre as próprias cabeças os
sofrimentos e os desesperos das próprias vítimas, relegadas por eles
aos percalços e sombras da vida espiritual de esferas inferiores."


    Então nenhum dos envolvidos nesse assassinato inconsequente
estarão livres de uma cobrança divina, contudo tanto a Umbanda como
qualquer outra designação espiritualista, não interfere em algo que
todos os seres humanos tem, que é o livre arbítrio. Portanto a
reflexão extrema antes de tomar uma decisão deve ser profunda, pois
mesmo tendo o livre arbítrio de seguir o caminho desejado, sendo ele
bom ou ruim, todos nós devemos estar preparados para futuras
cobranças, pois de forma nenhuma ao tomar a decisão de assassinar um
inocente, ainda em formação no ventre de sua genitora, esse ato sairá
impune.


    As Entidades de Luz nos ensinam que temos que ser caridosos, que
de forma nenhuma poderemos subtrair a vida de um semelhante, pregam o
amor e a compreensão, a luta pela vida e o acolhimento e a proteção de
nossos filhos. Nos lembram constantemente das mulheres negras
escravizadas, que tinham seus filhos retirados de seus braços após o
nascimento, e o quanto elas sofriam por isso. Nos lembram quantas
mulheres incapacitadas de terem filhos, choram pela grande vontade de
serem mães, de alimentar seus filhos em seus seios, de darem e
receberem carinho de um pequeno ser que pelos laços do amor seriam
gerados em seu ventre.

    Enquanto tudo isso é lembrado pelas nossas Entidades divinas,
mulheres capacitadas a dar a luz, que podem ter a felicidade de ter em
seus braços a extensão de um relacionamento de amor, que tem a seu
alcance a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de um novo ser
que busca a evolução espiritual, matam sem culpa através do aborto
seus filhos, que julgados e condenados por essas mesmas assassinas
irresponsáveis, que exterminam a chance desse ser que acabaram de
serem concebidos, a busca de uma nova vida e evolução.

    Aborto é crime!

    E para a mulher que acha isso um tanto normal, reflita, e rogue a
Deus que sua pena não seja tão dolorida quanto a dor desse pequeno
ser que foi arrancado do seu ventre.

    Para concluir, deixo uma mensagem do saudoso e tão iluminado
Francisco Cândido Xavier, o nosso instrutor das leis divinas:

"ABORTO DELITUOSO.

    Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que
agitam a opinião. Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam
largas equipes policiais... Furtos espetaculares que inspiram vastas
medidas de vigilância... Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos
de todo jaez criam a guerra de nervos, em toda parte; e, para coibir
semelhantes fecundações de ignorância e delinquência, erguem-se
cárceres e fundem-se algemas, organiza-se o trabalho forçado e em
algumas nações a própria lapidação de infelizes é praticada na rua,
sem qualquer laivo de compaixão. Todavia, um crime existe mais
doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio
do santuário doméstico ou no regaço da Natureza... Crime estarrecedor,
porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços
robustos com que se confie aos movimentos da reação. Referimo-nos ao
aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos
próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir
para a bênção da luz. Homens da Terra, e sobretudo vós, corações
maternos chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de
semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!
Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio seio,
porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros da Providência,
assomando no lar em vosso próprio socorro, e, se não há legislação
humana que vos assinale a torpitude do infanticídio, nos recintos
familiares ou na sombra da noite, os olhos divinos de Nosso Pai vos
contemplam do Céu, chamando-vos, em silêncio, às provas do reajuste, a
fim de que se vos expurgue da consciência a falta indesculpável que
perpetrastes.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier


    Volto a afirmar: A Umbanda é totalmente contra a ação do aborto.
O umbandista verdadeiro jamais se utilizará, apoiará  e incentivará esse
ato criminoso.

    As mulheres que pregam a liberação do aborto por alegarem que seus
corpos são de sua propriedade, e elas podem fazer deles o que bem
desejarem. Afirmo que sim, seus corpos realmente são seus, e
logicamente poderão fazer deles o que bem entender, mas para reflexão,
os seres gerados em seus ventres não fazem parte de seu corpo,
portanto não são de vossa propriedade, sendo assim, não poderão
simplesmente eliminá-los.

Se permitirmos que uma mãe mate seu filho no próprio ventre, como
dizer às pessoas que não matem umas às outras? (Madre Teresa de
Calcutá)

Aborto é a mais alta falta de amor ao próximo. Umbanda condena
totalmente o aborto.

Reflita: Antes da concepção já estão designados os Orixás de proteção,
as Entidades de cada ser e a vontade de Deus. O Aborto mata tudo isso.


    Gostaria de dedicar esse texto as mães verdadeiras, mães que lutam
bravamente pela vida de seus filhos, mães como a genitora do pequeno
Jorge Renan de Araújo, que nasceu com insuficiência renal, e após 3
meses de luta contínua, desencarnou, ou como a mãe das gêmeas, Sara e
Esther, que após ficar os últimos 3 meses internada em estado crítico,
com sua gravidez de risco, continua agora ao lado das pequenas no
hospital, implorando a Deus que com sua benevolência, restaure a saúde
de suas pequenas princesas.


Carlos de Ogum




 


 
;