segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017 15 comentários

Entendendo sobre os Obsessores na Festa da Carne (carnaval)

 


    Carnaval: É dito que é um dos maiores espetáculos da terra. Muita
festa, alegria, música, calor humano.

    Mas se é assim tão agradável, por que somos orientados a não
participar dessa grandiosa festa popular?

    Dentro da espiritualidade o carnaval é visto como uma das grandes
chances na qual obsessores de todos os tipos estão dispostos a tomar a
consciência de encarnados para que, através deles, possam se energizar
a fim de espalhar o retrocesso da evolução dentro da humanidade.

    A festa da carne, por mais bela que possa parecer, dissemina um
excesso de promiscuidade, de luxuria, de variados tipos de vícios nos
seres humanos, dando ai então a entrada de obsessores, tipo Kiumbas,
Eguns e Zombeteiros, que ali buscam as tais energias de baixo grau
espiritual, lhes dando força para que cada vez mais dominem os
encarnados não voltados a verdadeira espiritualidade e as orações.

    Podemos ver abaixo algumas colocações em forma de relatos do
Doutor Bezerra de Menezes, que foram feitas quando ele e um grupo de
socorristas de encarnados e desencarnados, trabalharam em prol da
caridade no carnaval do ano de 1982, em plena cidade do Rio de
Janeiro.

    Falando ele sobre a concentração mental que era colocada nos dias
da festa da carne:

    "A grande concentração mental de milhões de pessoas, na fúria
carnavalesca, irradiações dos que participavam ativamente,
enlouquecidos, e dos que, por qualquer razão, se sentiam impedidos,
afetava para pior a imensa área de trevas, ao tempo em que esta
influenciava os seus mantenedores.
Nesse período, instalam-se lamentáveis obsessões coletivas que
entorpecem multidões, dizimam existências, alucinam valiosos indivíduos
que se vinculam a formosos projetos dignificadores."
(Bezerra de Menezes)

    Da mesma forma dita acima, nossas Entidades da Umbanda nos alertam
extremamente sobre os festejos da carne. Frisam muito sobre os
obsessores e recomendam firmemente que seria um tanto melhor não
fazermos parte dela. Porém, sempre nos dando o caminho do livre
arbítrio, e claro que nos mostrando os melhores rumos a tomar.

    Colocando uma pequena comparação a alguns dizeres do nosso irmão
Bezerra de Menezes com algumas recomendações de nossas Entidades de
Luz da Umbanda, poderemos notar que o carnaval é de extremo prejuízo
para nossa evolução espiritual, para nosso desenvolvimento mediúnico,
e bastante prejudicial a nosso perispírito, como poderemos verificar
abaixo:



    "O caminho da festa da carne pode levar um ser umbandista, assim
como outras pessoas de qualquer dogma, por mais dedicado que seja, a
se entregar aos vícios que certamente nos deixarão entregues a
obsessores. Esses obsessores podem levar os encarnados a fazer coisas
que em sua sã consciência jamais fariam. Dentre outras coisas podem
induzir a falta de respeito com o próprio corpo, induzir a ser
utilizado substâncias nocivas a matéria e ao perispírito. Sempre
recomendado a se manter em oração nesses dias de
perversão espiritual."
(Preto Velho Pai Antero da Encruzilhada)

    "A percepção sobre os filhos que se entregam a festa da carne é de
uma aglomeração de Eguns, Kiumbas e Zombeteiros, que se introduzem na
Coroa desses filhos fazendo com que se tornem apenas um ser sem
vontade própria, se deixando induzir pela promiscuidade numa
intensidade tão grandiosa, que aquele que tem ao menos um degrau de
desenvolvimento mediúnico e espiritual, retorne ao modo de menos que
iniciante. Espíritos vampirizadores tomam o corpo desse filho se
utilizando de seus vícios para se energizar e assim se tornarem mais
fortes para combater as Entidades de Luz, que se proporem a proteger
tal filho. Após absorverem toda essa energia, tentam escapar dos
protetores, e partem para atacar novos encarnados desavisados que se
entregam de corpo e alma a festa da carne."
(Preto Velho Rei Congo das Almas)

    "No momento da entrega de um filho a festa da carne, é percebido
Kiumbas, Eguns e Zombeteiros obsediando esse filho, sugando seu
sangue na forma orgânica, retirando de sua mente a possibilidade de
refletir, de seus olhos a benção de ver, de seus ouvidos a audição
real. Faz com que esses filhos se entreguem a promiscuidade em
qualquer lugar ou a qualquer hora. Tem o prazer de sentir o apodrecer
do corpo físico entregue a falsos prazeres induzidos pelo poder da
obsessão. Esses Kiumbas, Eguns e Zombeteiros se divertem com a nudez
dos filhos entregues a festa da carne, e fazem disso um ponto para
abraçarem todos aqueles que nessa festa se fazem obsediados, apenas
para ver o sofrimento de prováveis futuros espíritos perdidos. Esses
obsessores reinam dentro da mente, do corpo e do espírito desses
filhos tomados pelas sujeiras carnais e espirituais, fazendo que se
transformem em farrapos humanos, ou simplesmente um espírito podre
dentro do reino da escuridão."
(Preto Velho Vovô Benedito da Calunga)

    "Na festa da carne o trabalho espiritual é muito mais intenso.
Nossa legião trabalha com grande intensidade para buscar junto ao Pai
Maior ajuda para todos filhos desavisados que são tomados pelos
espíritos do mal, envolvidos na escuridão plena. Infelizmente esses
filhos que buscam a diversão na festa da carne, não tem a menor noção
da grande quantidade de espíritos obsessores que são espalhados entre
eles antes, durante e depois da entrega dos encarnados nesse poço de
promiscuidade, vícios, ódio, rancor, disfarçados de festa. Sou
guardião de muitos filhos nessa festa, porém, por mais que seja
multiplicado os atendimentos, muitos deles são tomados pela obsessão,
e isso pelo seu próprio livre arbítrio, principalmente na sujeira da
promiscuidade. O trabalho é árduo, mas a obsessão é extremosa. Sempre
melhor ao filho que deseja receber a paz, o amor, a luz e a caridade,
se manter na fé a Oxalá nesses tempos."
(Senhor Tranca Ruas das Almas)

    Como podemos notar, a festa da carne ou carnaval, pode nos parecer
lindo, porém a obsessão é de tal grandeza que é de assustar,
principalmente na tomada de espíritos sem luz que se aglomeram sobre
os encarnados como vampiros sedentos de sangue.

    Continuando com os relatos, voltaremos a nosso irmão, Doutor
Bezerra de Menezes, e verificaremos como acontece essa aglomeração do
mal.

    "Acurando a vista, podia perceber que, não obstante a iluminação
forte, pairava uma nuvem espessa onde se agitava outra multidão,
porém, de desencarnados, mesclando-se com as criaturas terrestres de
tal forma permeada, que se tornaria difícil estabelecer fronteiras
delimitadoras entre uma e outra faixa de convivência."
(Bezerra de Menezes)

    "Tornando-se insuportável a situação de cada uma dessas vítimas
voluntárias do sofrimento futuro, os parasitas espirituais que se lhes
acoplam, os obsessores que os dominam, explorando suas energias,
atiram-nos aos abismos da luxúria cada vez mais desgastante, do
aviltamento moral, da violência, a fim de mantê-los no clima próprio,
que lhes permite a exploração até a exaustão de todas as forças."
(Bezerra de Menezes)

    Com mais algumas colocações do Doutor Bezerra de Menezes,
poderemos entender muito melhor o que se passa nos dias de festa do
carnaval entre os encarnados e a dita "população invisível", assim
como descrito abaixo:

                    "A dita população invisível."

1. "A população invisível ao olhar humano era acentuadamente maior do
que a dos encarnados."

2. "Disputavam entre si a vampirização das vítimas encarnadas, que
eram telecomandadas."

3. "Estimulavam a sensibilidade e as libações alcoólicas de que
participavam."

4. "Ingeriram drogas, utilizando-se dos comparsas no corpo físico."

5. "Se interligavam a desmandos e orgias lamentáveis."

6. "Uns magotes desenfreados atacavam os burlescos transeuntes,
transmitindo-lhes induções Nefastas."

7. "Davam início, assim, a processos nefandos de obsessões demoradas."

8. "Misturavam-se espíritos de aspecto bestial e lupino, verdugos e
técnicos de vampirização do tônus sexual, em promiscuidade alarmante
com inúmeros encarnados."


    Acredito que devemos refletir bastante antes de tomarmos a decisão
de estarmos em algo tão sem evolução assim. Por mais que nos pareça
inocente, a festa da carne está repleta de armadilhas contra os
encarnados. E essa bela festa poderia não ser nada de mais, além de
apenas diversão, porém isso não haveria prejuízo maior se todos
pensassem e brincassem em um clima sadio de verdadeira
confraternização. Infelizmente a realidade é muito, mas muito
diferente.

    Visão de Emmanuel - Psicografada por Chico Xavier.

    "Nenhum Espírito equilibrado em face do bom senso, que deve
presidir a existência das criaturas, pode fazer apologia da loucura
generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas.

    Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das
forças da treva nos corações e às vezes toda uma existência não basta
para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de
esquecimento do dever.

    "Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas
consumidas em semelhantes festejos na assistência social aos
necessitados de um pão e de um carinho."
(Emmanuel)


    E assim podemos entender um pouco mais da visão espiritual e
Umbandista dessa festa que para uns é algo imperdível, e para outros é
apenas mais um modo dos obsessores se expandir, e expandir suas
maledicências entre os encarnados. E ai está uma boa maneira de fazer
seu livre arbítrio trabalhar, ou em prol de sua libertação e de sua
evolução, ou em busca da escuridão plena obsessiva.

    Vale a pena refletir com fé!

Carlos de Ogum



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017 32 comentários

A História da Erê Joaninha das Almas

             



    No alto do Monte de Congo,
uma criança vi nascer,
trouxe amor e paz para o quilombo,
e espalhou a fé a nosso viver.

    As rezas aprendeu com seu vovô mestre,
benzeduras ela já sabia fazer,
as ervas buscava no horizonte campestre,
e curas já fazia bastava na menina crer.

    Seus olhos brilhavam como a Lua cheia,
quando sua fé expandia como a luz,
meiga e caridosa com a vida alheia,
rezava com fé ao Menino Jesus.

    Sua vida sempre foi para ajudar,
a todos ela levava o amor e a calma,
seus irmãos nunca deixou de amar,
é a pequena Erê, a linda Joaninha das Almas.

    Joaninha das Almas é uma Erê, trabalhadora pela e para a caridade na
irradiação das Ibeijadas na Umbanda. Ela sempre é muito sensata e serena
assim como seu mestre e avô consanguíneo, também Entidade de Luz, Vovô
Rei Congo.

    Joaninha das Almas teve sua vida encarnada no século XVII, e já
nasceu dentro do Quilombo do Congo, onde aprendeu com seu avô e todos os
irmãos negros, que a liberdade deveria ser um direito de todos, e não
deveria existir a escravidão, que graças a luz de Oxalá, a pequena
Joaninha não conheceu, assim como seu avô, seus pais, e muitos irmãos
negros.

    Joaninha era filha do negro Mujongo, que era filho do fundador do
Quilombo do Congo, o nosso amado Rei Congo, e desde cedo aprendeu que se
deve fazer o bem a seus semelhantes, e sendo assim ela buscava toda a
aprendizagem com os mais velhos do Quilombo para assim poder sanar as
dores, os males, as angústias, os sofrimentos de todos, assim como fazia
seu avô que ela tinha tanto orgulho.

    Joaninha foi batizada com o nome de Juanina do Congo, porém ao
passar do tempo muitas pessoas a chamavam de Joaninha, e assim ela se
acostumou, e por algumas vezes até se esquecia de seu verdadeiro nome.

    Ela ficava eufórica quando seu avô saia em busca da liberdade de
seus irmãos negros escravizados, e quando ele chegava com mais moradores
para o Quilombo ela fazia questão de ser a primeira a recepcioná-los, e
assim na entrada do Quilombo, lá estava ela, com um largo sorriso
branco, olhos brilhantes, e alimentos para todos.
    E com essa recepção ela ia conquistando corações e a simpatia de
todos.

    Joaninha era afoita, ansiosa, queria libertar mais negros
juntamente com seu avô, mas na época, a pequena menina com apenas
cinco anos de idade, não poderia ingressar nessa árdua missão, e o
velho protetor lhe dizia que ela deveria apenas rezar para que tudo
corresse bem, sem que os coronéis da época não os capturassem e não
encontrassem o caminho do Quilombo.

    E assim fazia a pequena menina, quando os negros que lutavam pela
liberdade de seus irmãos saiam juntamente com seu avô Rei Congo, ela
ficava de joelhos olhando fixamente para o céu, clamando a Oxalá que
enviasse seus Anjos e Orixás para protegerem sua gente, e que todos
retornassem bem ao Quilombo trazendo novos amigos libertos.

    Esses gestos eram acompanhados por todos, e assim a menina virou o
símbolo da luta e da fé entre os negros do Quilombo.

    Certo dia, com a ansiedade em alta, a menina já com seus seis
anos, resolveu que queria conhecer mais coisas pela redondeza, e claro
que para isso deveria sair da proteção do Quilombo, e assim ela fez.

    Em uma tarde na qual os negros estavam ocupados com seus afazeres
do dia a dia, a menina veste seu vestidinho todo enfeitado com fitas
coloridas, e sorrateiramente sai escondidinha, e desce o "Monte dos
Perdidos", nome dado a montanha onde se encontrava o Quilombo de
Congo. E como se estivesse extasiada com sua aventura ela começa a
explorar cada caminho, dos centenas existentes. Esses caminhos eram
caminhos sem saída, por muitas vezes a quem se perdiam neles só
retornava na entrada do monte, ou na entrada do Quilombo com a ajuda
de alguns negros guerreiros de Rei Congo, caso contrário jamais saíram
de lá com vida, e isso aconteceu dezenas de vezes com jagunços,
feitores, capitães do mato e até mesmo com três coronéis da época que
decidiram por si só encontrarem o refugio dos negros. Porém, para
Joaninha esse perigo era inexistente, a menina parecia que reconhecia
cada centímetro daquele labirinto esverdeado, mesmo sendo a primeira
vez que se aventurava naqueles caminhos.

    Ela desceu o monte, atravessou as matas, e chegou ao povoado das
fazendas, e lá ficava olhando encantada outras crianças, as negras em
trabalho árduo nas roças de café, cana de açúcar, algodão, entre
outras culturas agrícolas, e as crianças brancas sendo pajeadas por
suas mucamas, seus acompanhantes, com suas vestes de princesas e
doutores, fazendo com que a pequena menina ficasse a refletir o quanto
sofria as crianças negras que viviam fora do Quilombo de seu amado
avô.

    A pequena Joaninha retorna ao Quilombo, e adentra a ele da mesma
maneira que saiu, escondidinha, porém em seu coração trazia a angústia
de se lembrar das pobres criancinhas negras, crianças de menor idade
que ela, sendo forçadas a fazer um trabalho desgastante, talvez sem o
alimento adequado, e ainda podendo ser surradas pelos feitores
sanguinários, a mando de coronéis sem coração. E ela sabia que isso
acontecia, pois prestava extrema atenção nas histórias dos negros
libertos que agora se encontravam no Quilombo, inclusive de seu
próprio avô paterno, o amado vovô Rei Congo.

    A menina sentia seu peito arder, um desespero abateu sobre ela,
seus olhos lacrimejaram, sentiu sua boca seca, a dor em seu pequeno
corpo era como se ela mesma estivesse em um tronco de  castigos, e ela
não suportando tanta agonia, chorou intensamente.

    Nesse momento seu mestre e avô adentra na pequena cabana de palha
na qual a menina se encontrava, e ao vê-la chorando daquela maneira
ficou um tanto preocupado, lhe perguntando o que havia acontecido; ela,
de olhos marejados, apenas olhou para o negro avô, o abraçou forte e
chorou mais.

    Após se acalmar um pouco, a menina pergunta ao avô como foi que
ele tinha tomado a decisão de lutar em prol da liberdade dos irmãos
negros, e ele com a serenidade de sempre disse a pequena menina:

    "Quando vi o sangue de um irmão negro que desencarnou no tronco
após dias de tortura, e esse sangue escorreu pela mãe terra que o
absorveu da mesma maneira que poderia absorver o sangue dos coronéis,
dos feitores ou de qualquer pessoa liberta. Então decidi que todas as
raças deveriam ter a benção da liberdade, e que Oxalá abraça a todos
da mesma forma, assim como a mãe terra."

    Ao ouvir isso a menina sorri, mesmo com os olhos lacrimejando, e
decide dentro de seu coração que iria libertar aquelas crianças.

    E assim no dia seguinte ela novamente sai do Quilombo rumo a
fazenda na qual se deparou com as crianças. Chegando lá ficou
escondida esperando uma oportunidade de iniciar o que tinha colocado
como missão.

    Ela observa um negrinho de uns oito anos saindo com um vasilhame
em direção ao rio, e vê ali a oportunidade que desejava. Ao se deparar
com ele longe das vistas dos jagunços e feitores, o puxa para de trás
de uma árvore, o negrinho se assusta no primeiro momento, mas quando
vê que era uma menina negra, sorri demonstrando simpatia.

    Joaninha abre um largo sorriso, e no cochicho diz quem é ela, e
diz que precisa de ajuda para poder libertar aquelas crianças, e
levá-las a um local, que ela descreveu ao menino como o paraíso de
Deus.

    O menino fica empolgado, explica a menina que a maioria daquelas
crianças estão distantes dos pais, pois muitos foram comprados de
outras fazendas, alguns pais foram mortos nas torturas intermináveis
pelos feitores, e muitos pais daquelas crianças fugiram em busca da
liberdade, e nunca mais voltaram, assim como aconteceu com seu
próprio pai, que fugiu após atacar um feitor que acabara de
assassinar sua mulher, mãe do menino negro.

    O menino com um ar de guerreiro da paz disse que a ajudaria, ele
ia falar com outras crianças quando estivesse na senzala, e assim
mostraria o caminho a todos para se encontrar com a pequena negra, que
dia a dia ia levando um a um ao Quilombo, e lá as escondiam dentro de
uma gruta, com receio de seu avô não autorizar que essas crianças
ficassem no Quilombo.

    Muitos coronéis, avisados pelos feitores sobre o sumiço como por
magia das crianças escravizadas, começaram a fazer diligências na
procura das mesmas, pois não tinha como tantas crianças sumirem sem
deixar o mínimo sinal.

    Com essa grandiosa introdução de jagunços, feitores, capitães do
mato e dos próprios coronéis pelas redondezas, e quando nosso
guerreiro Rei Congo observou esse fato, se limitou nas fronteiras do
Quilombo com seus lutadores em prol da liberdade, isso para caso se
algum desses "caçadores de negros" chegassem a descobrir o Quilombo,
estariam os negros preparados para a luta, isso imaginando que os
coronéis estavam em busca dos negros e negras adultos, que por anos
foram sendo libertos pelos guerreiros de Congo, sem imaginar o fato
das crianças desaparecidas.

    Enquanto isso a menina Joaninha trabalhava arduamente para manter
escondidas as crianças libertas por ela, era um vai e vem com comida,
água, lenha para manter as pequenas aquecidas a noite através de uma
fogueira, até mesmo algumas vestes para aquelas que necessitavam mais.

    Mas nada disso a fazia desistir, tinha a convicção de dever de
ajudar, salvar, libertar. E isso lhe dava forças de continuar, tanta
força, que mesmo sabendo sobre a caçada dos coronéis, ela ia a
algumas fazendas em busca de outras crianças, e nessa nova aventura de
libertação que o menino que lhe auxiliou no inicio veio com ela, seu
nome era Juvêncio, e se tornou um grande companheiro da menina na sua
missão.

    Com a ajuda de Juvêncio, ela foi trazendo mais e mais crianças,
deixando os coronéis, feitores e jagunços sem ação, pois não
conseguiam entender como as crianças saiam, onde se escondiam, e quem
estava as levando, pois nunca deixavam pista alguma, por mais que
vigiassem, por mais jagunços que colocassem para evitar as fugas, não
adiantava, quando menos se esperava desaparecia algumas crianças,
principalmente durante o trabalho nas roças.

    Certo dia Joaninha decide ir a busca de mais algumas crianças, e
em uma das fazendas visitadas por ela, se depara com uma menina negra
um pouco mais nova que ela, possivelmente com seus cinco anos de
idade, e essa menina ao vê-la lhe estende a mão, e as duas saem pelos
domínios da fazenda, a menina a leva até outra menina, sendo que essa
era branca, tinha uns quatro anos de idade, e as três ficam sobre uma
árvore, enquanto Joaninha explicava quem era ela, e o que fazia ali.
Ao ouvir o relato de Joaninha a pequena menina negra fica radiante, e
pede com lágrimas nos olhos que a leve também, para que possa viver
sem as surras contínuas que levava sem motivos.

    Ao ouvir isso a pequena sinhá entende que ficará sem sua
amiguinha, e chora, pedindo que a leve também, pois não gostava de
ficar naquele lugar que maltratavam tanto as crianças e  os moços
negros.

    Joaninha não sabia o que fazer, como ter uma menina branca dentro
do Quilombo, isso poderia levar os jagunços a encontrarem o
esconderijo dos seus irmãos negros, mas por outro lado como deixar a
pequena ali, sofrendo ao ver a maldade daquele lugar.

    Ela diz as meninas para aguardar uns dias, que retornaria para
buscá-las, pois tinha que ver como fazer para sair dali escondida com
elas.

    E assim voltou a gruta, no caminho sua mente infantil imaginava
várias coisas, tinha receio do que desejava fazer, mas tinha em seu
coração caridoso a dó de deixar aquelas meninas na fazenda juntamente
com aqueles homens sanguinários, mesmo sabendo que nada iam sofrer
fisicamente, mas a dor na alma por ver tanta crueldade seria
terrível.

    Enquanto refletia essas coisas, andando um tanto devagar,
observava a mata, as flores, o céu, as nuvens dançarinas, não reparara
que ao seu lado se encontrava uma linda luz, que acompanhava seus
passos. Ao reparar, no primeiro momento se assustou, porém ao ver a
imagem de uma mulher negra se tranquilizou, e foi logo perguntando com
um lindo sorriso no rosto:

"Quem é você? De onde veio? Você é do Quilombo do meu avô Congo?"

A negra responde com um olhar carinhoso:

"Sou apenas alguém que lhe ama e protege, vim das terras de Oxalá, e
já estive no Quilombo do amado Rei Congo. Porém agora vim aqui para
lhe dizer que falta pouco para completar sua missão, e após fazer o
que seu pequeno coração infantil deseja, estará pronta para me
acompanhar, e para uma missão muito maior, muito mais caridosa, muito
mais coberta de amor e fé.

    Peço que não tenha medo, estarei ao seu lado quando esse momento
chegar."

    Ao falar isso a mulher se afasta e desaparece bem em frente dos
pequenos olhos da menina, que recomeça sua caminhada rumo ao Quilombo.

    Na sede dos negros, onde se encontrava Rei Congo, avô da pequena
Joaninha, algo de inusitado acontece, em um encontro familiar, Rei
Congo, juntamente com Maria Conga sua filha, seu filho Mujongo, e
mais outros negros da linhagem, diz aos presentes que algo de grave
iria acontecer, que teriam uma grande perda a todos, e que essa perda
ia trazer novos protegidos ao Quilombo, e esses protegidos deveriam
ser cuidados com todo carinho e amor, o mesmo amor que estavam
recebendo da futura perda. E no momento que foi dito isso, a imagem da
mulher negra se fez presente a todos que ali estavam, e com olhos
brilhantes disse:

"Meus filhos, o que vai acontecer estava escrito, Zambi determinou a
presença de um dos amados filhos dessa terra para que possa seguir a
caminhada da caridade na luz espiritual. Talvez alguns de vocês não
entendam o porque disso, porém devemos elevar nosso amor e fé em Zambi
para que a missão de caridade seja continuada."

    Todos os negros que ali estavam se poem de joelhos, a mulher chega
até Rei Congo, toca-lhe a cabeça com carinho, ele vê a imagem da
pequena neta e chora, já imaginando de quem a mulher dizia.

    Nesse momento a imagem da mulher negra começa a se desfazer em uma
nuvem azulada, e suas últimas palavras são essas:

"Rei guerreiro da liberdade, filho amado meu, sou sua força e sua luz,
Oxum mãe das cachoeiras sou eu, nesse momento estarei com uma parte de
ti, a protegendo, a encaminhando para a caridade espiritual. Tu sabes
a dor que terá que suportar, tu sabes a luz que será acesa. Não te
aflijas, pois está chegando a hora da eternidade junto a sua pequena
luz."

    E assim a linda Oxum se foi, deixando os negros extasiados com sua
beleza, e o amado Rei Congo choroso com tudo aquilo.

    Alguns dias se passaram, e lá foi a linda Joaninha em busca da
menina negra e da sinhazinha que havia prometido retornar. Ao
encontrar as duas, as escondidas saíram da fazenda, indo rumo ao
Quilombo. Por muitas vezes a pequena Joaninha pegava a sinhazinha ao
colo, para que pudesse descansar, sem assim ter que parar, a fim de
não ter chance dos jagunços do coronel as achassem.

    E ao Chegarem a gruta, a pequena menina negra que veio com
Joaninha ficou muito feliz por reencontrar alguns de seus amiguinhos
que já haviam fugido anteriormente para o Quilombo. Após abraços e
sorrisos, muitos deles não entendiam o porque da pequena sinhá ali
estar. Mas como a infantilidade não tem regras sociais, logo iam e
abraçavam a sinhá, como velhos amigos.

    Ao anoitecer a menina Joaninha deixa a gruta, indo ao encontro de
seu avô, que ao vê-la a abraça fortemente, e chora copiosamente, ela
sem muito entender, mas no clima da emoção chora também, o abraçando
da mesma forma.

    Ele a pergunta sobre o que ela o escondia, que tantas saídas ela
fazia, e que tantos mistérios ela tinha naquela cabecinha de
criança.

    Ela sorri timidamente, e pede para o avô esperar que já voltaria,
e assim saiu correndo para a gruta, e de lá trouxe todas as crianças
que havia libertado das fazendas. Mas não teve coragem de trazer a
sinhazinha, deixando-a juntamente com a sua amiguinha.

    Chegando diante de Rei Congo com dezenas e dezenas de crianças,
ele ficou extasiado, assim como todos no Quilombo. Ela com seu sorriso
infantil, chamava uma a uma pelo nome, levava até o grande mestre do
Quilombo e pedia que as crianças pedissem a benção a ele, e assim elas
fizeram. E a cada benção que o velho Congo respondia, novas lágrimas
em seus olhos brotavam.

    Após todas as crianças serem abraçadas e abençoadas pelo avô de
Joaninha, e irem se socializando com os outros negros do Quilombo, Rei
Congo olha firmemente para a menina e diz:

"Filha amada, cá estão muitas crianças, porém seus olhos sofrem por
algo, seu gesto de caridade e de amor vão além dessas crianças. O que
mais você tem a me dizer pequena Joaninha, seu gesto de amor e de
caridade não param apenas nesses meninos e meninas."

    A pequena menina abaixa os olhos e com a voz embargada diz ao avô
que lhe acompanhe. Ela o leva a velha gruta, e lá o avô vê mais duas
meninas, uma negra, e uma branca, vestida de sinhá. Ele se aproxima, a
pequena negra fica um pouco assustada, mas logo é tranquilizada pela
Joaninha, e a menina branca se encontrava deitada ao solo, de olhos
cerrados, e estado febril.

    Rei Congo fica um tanto receoso com o estado da menina, se
aproxima mais, verifica que sua respiração está muito fraca, seu corpo
quase inerte está empalidecido. Ele a toma nos braços e diz as meninas
que a menina sinhá está muito adoentada, que deveriam partir
imediatamente para o centro do Quilombo para tentarem reverter aquele
quadro. E assim partiram.

    Ao chegarem ao centro do Quilombo foi verificado que as condições
da pequena sinhá havia piorado. Sua respiração já quase não era
percebida, sua pele estava pálida em demasia, seus olhos lacrimejavam,
a febre aumentara.

    Em uma pequena cabana a menina foi colocada em uma cama
improvisada, e ao seu entorno estavam Rei Congo, a sua filha Maria
Conga, e o casal Amadeu e Rosa (antigo feitor e sua esposa), que
falavam sobre a gravidade da doença da sinhazinha,, e diziam que era
uma tuberculose passada, que se agravou muito durante os dias, e muito
pouco poderiam fazer para salvarem a vida da menina.

    Joaninha ao ouvir isso sai correndo em lágrimas para a gruta,
chegando lá se joga de joelhos em oração. E sua fé grandiosa traz até
ela a imagem da mulher negra de antes que lhe afaga a cabeça e lhe
diz:

"Minha amada, é chegada a hora de caminhar junto a mim. Porém sua
escolha vai ser respeitada. Tu podes salvar a vida da pequena menina
branca, ou deixá-la partir. Sua fé e seu carinho, juntamente com sua
caridade vai ser o ponto de sua luz espiritual. A ti foi entregue o
caminhar daquela menina."

    Assim que Joaninha ouviu essas palavras retornou ao casebre onde
estava a sinhazinha. Se ajoelhou junto a menina sobre os olhares de
todos, ergueu suas mãos e colocou-as espalmadas sobre ela, cerrou seus
olhos e clamou a Zambi pela vida da pequena.

    Um silêncio grandioso reinou no pequeno aposento. Uma luz azulada
saia das mãos da menina negra, parecendo introduzir pelos poros da
menina sinhá.

    O velho Congo observa a imagem de Oxum, como uma serena mulher
negra, ao lado da menina Joaninha. Ele sente um aperto em seu peito,
como uma angústia sem fim. Sua experiência de vida e de
espiritualidade lhe mostra agora de quem Oxum se referia quando dizia
que uma parte dele estaria de partida para a caridade espiritual.

    Ele chora em silêncio.

    A pequena Joaninha continuava a energizar a sinhazinha, que
recomeça a recuperar as forças como por encanto. Seus olhos se abrem,
mostrando um brilho lindo e azulado. Sua pele vai perdendo pouco a
pouco a palidez. Sua respiração vai se tornando normalizada, no mesmo
instante que a da pequena Joaninha se tornava mais pesada.

    A menina cai ao chão, seu avô a pega nos braços, e ela com a voz
quase inaudível pede a ele que a leve para a gruta, pedindo também que
o casal Amadeu e Rosa, prometessem cuidar da menina sinhá, que logo
foi aceito por eles, que lhe prometeram com a voz embargada e os olhos
repletos de lágrimas.

    Após isso ela é levada para a gruta conforme seu pedido, e lá é
colocada no solo e a cabeça recostada no colo de seu avô que lhe
acaricia com muita ternura, tentando conter as lágrimas que teimavam
em cair deslizando pela sua face já cansada.

    Joaninha abre os olhos com dificuldade, pede ao avô para junto a
ela fazer uma velha oração tradicional no Quilombo, e assim os dois
começaram a prece aos Orixás.

    A voz da menina estava muito fraca, quase não conseguia pronunciar
as palavras de fé e de luz da velha oração. O velho avô não suportando
tanto sofrimento da perda que estava próxima, chora copiosamente em
meio as frases da linda prece. Ao seu lado se encontrava a linda mãe
Oxum, em forma de uma bela mulher negra, que estendeu os braços e com
muito carinho deu a mão ao espírito da pequena Joaninha que acabara de
desencarnar.

    Seu velho avô ao sentir o último suspiro da pequena, chora com
muita dor e extrema tristeza, lamentando aquele momento de separação.

    Deitado sobre o corpo inerte da menina ele não repara a imagem de
Oxum juntamente a de Joaninha, e quando dá por si sente um toque
amoroso em sua face secando-lhe as lágrimas. O toque vinha das mãos da
menina, que com um sorriso largo, olha o velho negro e diz:

"Amado avô, estou pronta para caminhar junto a minha mãe Oxum. Não
chores, pois logo estaremos juntos novamente. Hoje terminei minha
missão nessa amada terra, como encarnada, porém logo estarei como luz
de Deus para auxiliar todos os necessitados de amor e paz. Agora só
desejo sua benção para eu partir."

    O negro velho abençoa a menina, e uma luz azulada toma conta das
duas imagens que desaparece como por encanto.

    E assim Joaninha das Almas, irradiada por Oxum foi abençoada e
virou uma linda Entidade de Umbanda. Hoje ela trabalha em terreiros
como Erê, linha das Ibeijadas, e faz o bem a todos irmãos que nela
buscam auxílio para caminhar dentro da luz de Deus.

Salve as Ibeijadas!

Salve Joaninha das Almas!

Oni Ibeijada!

Carlos de Ogum

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017 33 comentários

Poema as Ibeijadas da TUPOM - Por Carlos de Ogum. Revisão: 2017



    Com a presença de novas divindades da linha de Ibeijada na Coroa
de alguns de nossos amados Médiuns, que por merecimento, através do
desenvolvimento mediúnico, voltamos ao poema postado em nosso blog no
dia 10 de setembro de 2015 para revisar e acrescentar nele o
complemento que falará dessas doces crianças de Umbanda, na qual nos
deram o imenso prazer de nos fazer companhia em nossas Correntes
Espirituais e em nossas sagradas Giras.

    Agradecemos a Deus, a Oxalá e a todos os Orixás a benção de termos
esses amados seres de luz em nossa caminhada.

Pai Carlos de Ogum.
Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê.
Mentor: Vovô Rei Congo das Almas.



**********************************************************************


Em um dia de grande festa e luz,
essas crianças eu vi brincar,
trazendo a alegria do menino Jesus,
crianças de Umbanda que nos fazem amar.

Tem no rosto um sorriso aberto,
no coração a caridade e amor,
elas vem tanto do mar como do deserto,
da cachoeira ou de um jardim de flor.



São  as amadas crianças de Umbanda,
que vem trabalhar em nosso Gongá,
com carinho vem trazendo sua banda,
todas trabalhando em nome de Pai Oxalá.

São amadas e nos fazem rir bastante,
nos trazendo paz ao coração,
com suas caretas e travessuras gigantes,
elas vem brincando e nos dando proteção.



Choram e gritam, dando até gargalhada,
fazendo sempre seus trabalhinhos,
nossas crianças, nossas queridas Ibeijadas,
correndo, pulando e cantando como os passarinhos.

Cada uma vem na Umbanda para saravá.
jogam bola, brincam de carrinho e de boneca,
sempre respeitando a luz do Gongá,
mesmo sendo aquela criança a mais sapeca.



Seja de Ogum, Oxum, Iansã ou de Iemanjá,
de Oxossi, Nanã, Xangô, Omulú ou de Obaluaiê,
não importa a irradiação do Orixá,
elas vem para abençoar e proteger a você.

Em nossa roça as crianças podem brincar,
pipocas, frutas, doces ou balas todas vão comer,
depois sentadinhas seu guaraná tomar,
diversão, alegria e felicidade aposto que vão ter.



São crianças tão belas meigas e carinhosas,
que agora nessas linhas vou apresentar,
com seus trabalhos de grande forças poderosas,
em nossa casa sempre vem nos ajudar.

A linda Aninha Estrelinha do Mar,
sempre atenta a tudo que acontece no Terreiro,
a ela peço para me abençoar,
e que nos livre de todos os mandingueiros.



Ela vem sempre com cabelo amarradinho,
com suas fitas vermelhas para embelezar,
tem no coração muito amor e carinho,
e um sorriso que só nos faz encantar.

Tenho agora aqui a Mariazinha da Praia,
que na verdade temos a pequenina e a mocinha,
são duas com esse nome sacudindo a saia,
enquanto uma chora a outra parece uma sinhazinha.



A pequenina parece ser sempre envergonhada,
e a mocinha com olhar muito atento,
as Mariazinhas deixando a Umbanda encantada,
e a todos com o coração sem tormento.

A sapeca Rosinha menina linda de nosso Gongá,
com seu jeitinho meigo e sempre muito falante,
trabalha na linha de Obaluaiê, Omulú e até de Iemanjá,
nunca para, parecendo uma pipoca saltitante.



Ela sabe que tem como nos ajudar,
e com fala meiga assim sempre faz,
obsessores ela sabe enganar,
acabando com o mal e o bem ela sempre traz.

Zezinho, menino lindo e muito esperto,
vem na Umbanda e diz "vamos saravar",
conquista a todos com seu sorriso aberto,
esse é o Zezinho menininho das ondas do mar.



Quando chega se agarra no braço de alguém,
balançando pra lá e pra cá,
sempre diz assim seja ou amém,
de olhos fechadinho ajoelhado no Gongá.

Juquinha, negrinho que tímido apareceu,
desceu no terreiro com receio da sinhá,
mesmo assustado um pequeno sorriso deu,
entendendo que ele também faz parte desse Gongá.



Negrinho lindo de olhos arregalados,
sempre de roupa rasgada e de pés no chão,
esse é Juquinha protetor dos discriminados,
luz divina e esperança para todos os irmãos.

Joãozinho com esse nome temos dois no Terreiro,
sempre comendo frutas e bebendo guaraná,
Joãozinho das Matas, o pequeno Curumim guerreiro,
e Joãozinho de Xangô que ilumina nosso Gongá.



Um indiozinho com seu arco e flecha na mão,
o outro pequenininho tem a grande força da pedreira,
o caçador corajoso ele não tem medo não,
e o miudinho tem magia que não é brincadeira.

    Das forças das estrelas chegou mais uma luz,
uma menina meiga com fitas que enfeita toda a roupinha,
seu sorriso nos traz a paz do Senhor Jesus,
e o nome dessa menina é a linda Joaninha.



    Nela temos a fé e a esperança,
que reina no céu de Pai Oxalá,
nos encanta com seu jeitinho de criança,
Joaninha menina linda de nosso valoroso Gongá.

    Com suas pedrinhas mágicas ele apareceu,
e nosso Gongá iluminado ficou,
é o mais novinho menino que Deus nos concedeu,
e a força de Pai Xangô ele demonstrou.



    Magia do bem ele faz para curar,
usando suas pedrinhas abençoadas por Jesus,
esse menininho não tem como não amar,
trazendo paz, esperança, amor e luz.

Agora vamos falar de um menino esperto e corajoso,
que é sapeca, carinhoso, travesso e brincalhão,
ele também é amigo, fiel e muito amoroso,
e carrega todos que ama dentro do coração.



Seu nome é Cosmezinho e Oxum é sua irradiação,
aquele que vive brincando com a ponta do nariz,
vê todas as crianças assim como um irmão,
fazendo de suas brincadeiras um modo de nos fazer feliz.

Cosmezinho é o menino que puxa o trem da diversão,
trazendo a Rosinha, Mariazinha, Joãozinho para fazer a festa,
vem a Aninha, Juquinha e Zezinho lhe dando a mão,
todos juntinhos dançando e cantando seresta.



Sua força maior está dentro do coração,
nunca nunca deixa um amigo chorando e com dor,
ele se faz de desentendido mas é um espertalhão,
e entende muito bem a diferença de ódio e de amor.

No pontinho riscado ele sempre faz questão,
de brincar e mostrar que é muito companheiro,
desenhando vassourinhas, pelinhos e até um pezão,
assim ele demonstra seu amor por todos os filhos do Terreiro.

De azul ele vem dos pés a cabeça,
mostra a esperteza de Oxossi e força de Ogum,
mas independente de tudo que aconteça,
é meigo e amável como sua mãe Oxum.

Essas são as crianças amadas de nosso Terreiro,
crianças que com brincadeiras nos abrem caminhos,
são todos graciosos, amáveis e companheiros,
com esses Anjos sabemos que não estamos sozinhos.

A cada trabalhinho feito acende uma luz,
estendendo suas mãozinhas a mim e a você,
são Ibeijadas as crianças de Jesus,
que para nossa felicidade estão no Terreiro Pai Ogum Megê.



Salve as Ibeijadas!

Salve as Crianças de Umbanda!

Carlos de Ogum

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017 24 comentários

Poema aos Caboclos e Caboclas da TUPOM. Por: Carlos de Ogum.



Na mata linda verdejante,
um Caboclo vi passar,
corria para se entregar a caridade,
caridade da Umbanda de Pai Oxalá.

Suas flechas eram como raio que cortavam os céus,
seus olhos eram como estrelas a brilhar,
Caboclos protegidos por mantos e véus,
proteção nos davam assim como poder de amar.



Cresceu a vontade de com eles estar,
e sentir aquela grande proteção,
nas danças, rezas e passes com seus dedos a estalar,
os caboclos assim nos estendiam as mãos.

Falo de uma irradiação muito bela,
que em nosso terreiro se mostrou,
brilhantes como a Lua em aquarela,
Deus assim esses Caboclos nos apresentou.



Guerreiro de força sem igual,
que com sua luz crianças curava,
com sua fé fenomenal,
e o o poder de Deus o abençoava.

Irradiava uma intensa luz,
e na aldeia tudo isso virou fato,
sabiam que ele era protegido de Jesus,
Esse é nosso amado Caboclo Rompe Mato.



Com a proteção de Mãe Iemanjá,
essa Cabocla nasceu,
abençoada por cada Orixá,
nas matas e perto do mar cresceu.

Uma bela e grande guerreira se transformou,
mesmo sendo ainda uma jovem menina,
pela sua tribo e por nós sempre lutou,
essa é a linda Cabocla Janaína.



Esse Caboclo protege a entrada de nosso Terreiro,
e com ele traz a força de Omulú e Oxalá,
sempre contamos com esse grande companheiro,
pois ele está sempre presente em nosso Gongá.

Sua força é realmente divina,
e com ele obsessores não me consome,
nas Giras ele nossa casa ilumina,
esse é o guerreiro e Arranca Toco é seu nome.



Uma beleza sem igual essa Cabocla tem,
uma luz divina para nos encaminhar,
com ela podemos dizer axé, saravá e amém,
que essa Cabocla tem o poder de amar.

Sua força está na mata e floresta,
amazonas guerreira e caçadora de ema,
no terreiro dança como na tribo em festa,
essa é a bela e maravilhosa Cabocla Jurema.



Nossa casa tem uma luz grandiosa,
que os Caboclos trazem com amor,
das matas e de áreas montanhosas,
esse Caboclo nos ajuda não importa como for.

Ao se apresentar mostra uma grande força do bem,
com suas magias com ervas raízes e castanhas,
com essa força nenhum espírito sem luz vem,
esse é o poderoso Caboclo Sete Montanhas.



O Terreiro com sua chegada fica mais iluminado,
e traz para nós a força da noite em nosso Gongá,
quando se aproxima me sinto muito abençoado,
como se estivesse recebendo a força do próprio Pai Oxalá.

Sete contas no céu o brilho resplandece,
e suas bençãos nos dá a sensação de poder voar,
em nossa casa sua presença nos enobrece,
esse é o Caboclo Sete Estrelas que sempre está a nos abençoar.



Guerreiro poderoso e chefe de tribo valente,
e as matas dominava fazendo de suas servas,
dom de comandar as árvores e o fogo ardente,
caçador supremo conhecedor de curas e ervas.

Suas flechas voavam do arco em suas mãos,
rezando nas cachoeiras, pedreiras e florestas,
lutando sempre pela a paz de seus irmãos,
esse grande guerreiro tem o nome de Caboclo Sete Flechas.



Cacique poderoso chefe de toda a tribo,
no Terreiro ele vem para obsessores encaminhar,
esse guerreiro todos os dias estará comigo,
auxiliando nossos trabalhos e as Giras levantar.

Seus passes são uma limpeza divina,
que a todos  nós concedeu Deus nosso Pai,
suas Correntes e conselhos sempre nos ensina,
que um filho de Umbanda com fé e caridade nunca cai.

Da linha dos Caboclos ele é chefe de Coroa,
juntamente com a chefia de Rei Congo e o Mestre Tranca Ruas,
na floresta linda sobre uma fina garoa,
lá vem o nosso amado cacique Caboclo Sete Luas.



Abençoados seremos todos nós,
com a força da floresta ou das águas da cascata,
sabemos que assim nunca estaremos sós,
pois sempre teremos a proteção desse povo da mata.

A cada passe dado a um filho da casa,
a cada conselho a um amigo consulente,
seja uma reza com ervas ou mesmo brasa,
tudo com nossos Caboclos se torna excelente.

Eles vem com a força de Deus e de Oxossi nosso Orixá,
e sem distinção protege a mim e a você,
estão sempre dispostos a iluminar nosso Gongá,
o Gongá do Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê.



Salve os Caboclos do TUPOM !

Okê Caboclos e Caboclas !


Carlos de Ogum

terça-feira, 10 de janeiro de 2017 31 comentários

A História de Chico Xavier

                   

    Francisco Cândido Xavier, ou simplesmente Chico Xavier.

    Quem nunca ouviu falar esse nome?

    Quem nunca se admirou em saber dos feitos desse ser de luz?

    Quem nunca, pelo menos por curiosidade, não parou para ler e
refletir sobre as coisas que Chico Xavier psicografava?

    Qual líder de outras religiões não tentava entender sobre esse ser
humano diferenciado?

    Chico Xavier foi e sempre será um caminho a ser seguido pelas
pessoas que buscam na espiritualidade um modo de demonstrar a
religação com Deus.

    E tudo isso começou quando esse amado ser deu seu primeiro choro
ao nascer, e isso foi no ano de 1910 exatamente no dia 2 do mês de
abril, na pequenina cidade de Pedro Leopoldo no estado de Minas
Gerais.

    Quando esse divino menino completou seus 5 anos de idade, a sua
mãe, a respeitável e amável senhora Maria João de Deus, infelizmente
desencarnou. Com isso o seu pai, o senhor João Cândido Xavier, sem
recursos para sustentar seus nove filhos, se viu obrigado a deixá-los
na casa de parentes e amigos. O pequeno menino Chico foi levado para a
casa de sua madrinha, mulher de coração ruim e personalidade duvidosa.

    Nos dois anos que Chico Xavier morou com a madrinha foi
extremamente infeliz, sendo surrado, humilhado e maltratado.

    A madrinha era por demais nervosa, e Chico não podia cantar,
brincar ou mesmo correr pela casa, que era severamente repreendido por
ela. Ela gritava, xingava, batia e beliscava fortemente a pobre
criança.

    Certa vez depois de ser castigado e humilhado, o menino Chico foi
se esconder no fundo do quintal, e lá lembrava de sua mãe querida, e
por meios de choros, soluços e muitas lágrimas, o pobre menino naquele
momento viu a seu lado dona Maria João de Deus, que irradiava uma luz
muito brilhante, e Chico Xavier disse com lágrimas nos olhos:

    "Mãe, é minha querida mãezinha. Minha amada mãe, que alegria ver a
senhora de novo. Quantas saudades tenho da senhora minha mãe."

    E a mãe de Chico responde com um olhar sereno e maternal:

    "E eu de você, meu adorado filho. Porém lembremos que Deus é amor,
e ele me permitiu que eu viesse até aqui. Vamos, não chores mais."

    Mas Chico em derradeiras lágrimas diz:

    "Eu quero ir embora com a senhora minha mãe, deixa eu ir, por
favor."

    E Dona Maria de Deus, respondendo como uma mãe carinhosa diz a
Chico:

    "Tenha paciência meu filho, lembre-se que o sofrimento nos deixa
mais fortes, mas tudo há de ser resolvido. Sabe amado Chico, eu vou
humildemente pedir ao Senhor Jesus, que conceda que um Anjo bom tome
conta de você. Prometo que você e seus oito irmãos em breve se
sentirão mais felizes. E agora meu amado filho, adeus!"


    E assim a mãe amada se foi, deixando a promessa que fizera a
Chico.

    Um pequeno tempo se passou, e dona Maria João de Deus cumpriu a
promessa feita a seu filho. O pai de Chico, meses depois, casou-se com
a jovem Cidália Batista, na qual passou a se chamar Cidália Batista
Xavier, que na época tinha 19 anos. A jovem era muito bondosa,
carinhosa e responsável, e sendo assim, a primeira coisa que dona
Cidália fez foi reunir em torno de si os nove filhos de seu marido, e
junto a eles sempre dizia:

    "Uma criança deve aprender a ler e a escrever, e sempre ficar
junto a sua família."

    E assim sendo, além de reunir os irmão, ela os matriculou no
Grupo Escolar, mas infelizmente não havia dinheiro para comprar
livros, cadernos, lápis, borrachas, lápis de cor. Dona Cidália então
teve uma bela ideia, inteligentemente pediu ao marido que fizesse uma
horta no fundo do quintal, e assim venderiam os legumes e verduras e
com o dinheiro comprariam os materiais escolares necessários.

    E assim foi feito, e após um tempo, lá estava Chico com seu cesto
de legumes e verduras na mão, gritando com todo ar de seus pulmões,
oferecendo a todos as maravilhas que a Mãe Natureza concedeu a eles.

    Chico Xavier sempre voltava para sua residência com o cesto vazio,
e o material escolar foi comprado, até com sobra.

    Quando passou para o terceiro ano do curso primário, Chico com
apenas onze anos de idade, empregou-se na fábrica de tecidos de Pedro
Leopoldo, e assim o tempo foi passando, e a família de Chico
aumentava, várias crianças nasceram do novo casamento de seu pai.

    Chico estudava pela manhã, e as três horas da tarde ia para a
fábrica carregando nas mãos seu jantar na marmita. Ele saia da fábrica
as duas horas da madrugada, e ia correndo para casa para poder
descansar, para que assim tivesse forças para um novo dia.

    Quando recebeu o diploma do curso primário, Chico parou com os
estudos, pois tinha que trabalhar para ajudar a grande família. Chico
era um rapaz exemplar, era ainda católico assim como toda a sua
família, mas iria agora presenciar um fato que iria modificar o rumo
de sua vida.

    Foi no mês de maio do ano 1927, que uma de suas irmãs ficara
muito doente. A jovem com um olhar vazio, trêmula, rindo e chorando
sem parar, dizendo coisas absurdas, sem sentido. Ninguém sabia a
causa, nem mesmo os médicos terrenos da época.

    O pai de Chico, estando desesperado, lembrou-se de uma fazenda na
qual nela vivia um homem denominado como médium por todos da região, o
nome desse médium era José Hermínio Perácio, e esse médium era
conhecido por fazer curas milagrosas.

    Senhor Perácio foi trazido até Pedro Leopoldo, levado até a irmã
de Chico, e ao vê-la foi logo dizendo:

    "Eu já tratei de muitos doentes assim, e graças a Deus todos
ficaram curados. Não se preocupe senhor João Cândido, sua filha vai
ficar boa, eu e minha esposa Carmem, vamos tratar dela."

    Assustado, o senhor João Cândido pergunta:

    "O que ela tem senhor Perácio, porque está tão perturbada assim?"

    E senhor Perácio responde com conhecimento de causa:

    "É um espírito sofredor, que a faz gritar, rir e chorar. O caso
não é tão grave senhor João."

    "E o que eu devo fazer senhor Perácio?" Pergunta senhor João um
tanto desesperado.

    "O senhor deve levar sua filha agora mesmo para minha fazenda, lá
trataremos ela, e certamente voltará sem esses obsessores." Respondeu
o médium com firmeza.

    E assim foi feito, a irmã de Chico Xavier vai para a fazenda de
senhor Perácio e de sua esposa senhora Carmem. Após um mês e meio de
tratamento espiritual, a moça retorna para casa em companhia de senhor
Perácio e de sua esposa que também era médium desenvolvida.

    Foi aquela correria, todos vieram para recepcionar a jovem, e
felizes diziam:

    "A irmã de Chico voltou pessoal, e ela está curada."

    E foi uma alegria geral. Seu Perácio e dona Carmem, ficaram vários
dias, a pedido do povo, em Pedro Leopoldo em companhia de seus novos
amigos. E como não havia um grupo espírita sequer na cidade, seu
Perácio, dona Carmem, os filhos do pai de Chico, e muitos amigos,
resolveram criar o Centro Espírita Luiz Gonzaga. E na reunião do dia
oito de julho de 1927, dona Carmem, para com os olhos fixos em um
ponto do ambiente, e de repente dissera que estaria vendo um espírito
de luz, e esse expressa o desejo de escrever pela mão de Chico a
mensagem que ele estaria ali para relatar.



    Chico Xavier já tinha 17 anos de idade, e com carinho aceitou a
recomendação dada por dona Carmem.

    A senhora Josefa Barbosa Chaves, ao verificar o acontecimento, foi
logo buscar lápis e papel, e o material foi entregue a Chico, que sem
se opor foi logo escrevendo. A mão de Chico em uma rapidez sublime não
parava, e assim escreveu dezessete páginas, e essa primeira mensagem
psicografada por Chico Xavier trazia a seguinte assinatura:

"UM ESPÍRITO AMIGO."

    Uma semana depois foi constatado outro fato muito importante, dona
Carmem viu, enquanto estava em oração, uma grande quantidade de livros
no ar, pairando sobre a cabeça de Chico Xavier, mas ninguém
compreendeu o que significava aqueles livros. Mas certamente era um
aviso sobre a demonstração de literatura psicografada que viria pela
frente.

    O rapaz Chico Xavier, mais tarde, haveria de escrever livros com
os espíritos de luz, e o que realmente aconteceu.

    A primeira pessoa que viu o espírito guia de Chico Xavier foi dona
Carmem, e o espírito dizia se chamar Emmanuel, e possuía uma imensa
luz, muito brilhante.

    Quatro anos depois, no ano de 1931, quando já tinha 21 anos de
idade, foi só então que Chico viu seu espírito guia, e assim ficou
sabendo que Emmanuel, em sua vida anterior, fora Manuel de Nóbrega, um
célebre jesuíta português, e ao tempo do Império Romano, o poderoso
Senador Públio Lentulus Cornelius, e esse através das mãos de Chico
Xavier escreveria sua história. Agora tinha uma missão a seu lado,
pois deveria iniciar sua literatura espírita, e o primeiro livro seria
Parnaso de Além Túmulo, que foi psicografado por Chico no ano de 1932,
e nele teria mensagens de diversos espíritos de poetas que usariam a
 mediunidade de Chico Xavier para passar suas mensagens poéticas, e
sendo assim, Emmanuel inicialmente trouxe a Pedro Leopoldo o espírito
de Guerra Junqueiro, grande poeta português, que tinha desencarnado no
dia 07/07/1923, e pelas mãos de Chico escreveu:

"Espalhemos a Fé, a Caridade e a Crença,
Tenhamos a noss'alma em delubros de luz,
E acharemos no fim da romaria imensa,
O sol primaveril da graça de Jesus!"

    Com Junqueira também vieram outros poetas, como o Poeta das
Estrelas, Casimiro Cunha, desencarnado no ano de 1914, que
maravilhosamente escreveu:

"Segui pois, irmãos terrenos,
Nessas trilhas luminosas,
Caminhai sempre serenos,
Entre lírios, entre rosas;
Entre os lírios da Bondade,
Entre as rosas da Ternura,
Espargindo a caridade,
Consolando a desventura.
Só assim caminharemos
Nessa eterna evolução,
E no Bem conquistaremos
A suprema perfeição."

    E por intermédio de Emmanuel, veio também mostrar sua poesia em
Pedro Leopoldo, o maravilhoso poeta Castro Alves, conhecido como "O
Poeta dos Escravos", que desencarnou com apenas 24 anos no ano de
1871. E as mãos ágeis de Chico Xavier escreveram assim:

"Quem o bem e a luz semeia
Nas fainas do evolutir:
Terá a ventura que anseia.
Nas sendas do progredir.
Uma excelsa voz ressoa,
No Universo inteiro ecoa:
"Para a frente caminhai!"
O amor é a luz que se alcança,
tende fé, tende esperança,
para o Infinito marchai!"

    E assim logo vieram também com suas poesias de luz, Casimiro de
Abreu, poeta fluminense desencarnado em 18/10/1860, Antero de Quental,
poeta português, desencarnado em 11/09/1891, Auta de Souza, poetisa
potiguar, desencarnada em 07/02/1901, Augusto dos Anjos, poeta
paraíba, desencarnado em 12/11/1914, Júlio Diniz, poeta português,
desencarnado em 12/09/1871, e outros mais, totalizando 14 poetas do
além. E a primeira edição foi publicada pela Federação Espírita
Brasileira graças a Manoel Quintão, que viu nesse livro um presente do
céu. O Parnaso, com 156 páginas, foi então publicado no ano de 1932,
causando um imenso impacto, conforme era o desejo de Emmanuel.

    Muitos jornais do pais comentaram o livro. Humberto de Campos, da
Academia Brasileira de Letras, foi o primeiro a confessar dizendo:
"Os poetas que Chico Xavier é intérprete, apresentam as mesmas
características de inspiração e de expressão."

    E Monteiro Lobato, criador do Sítio do Pica Pau Amarelo, o que
pensava de Chico?

    "Se o Chico produziu tudo aquilo por conta própria, então ele
pode ocupar quantas cadeiras quiser na academia."


    E outras edições do Parnaso foram feitas, claro acrescidas de
novos autores. E assim o livro que tinha 156 páginas, passou a ter
mais de 400. E desde os 21 anos de idade, sempre amparado por
Emmanuel, Chico Xavier não parou mais de psicografar, ou seja, de
escrever com os espíritos. E livros e mais livros foram espalhados por
todo território brasileiro, levando ao povo esclarecimentos sobre a
vida espiritual além de muito consolo, fé e esperança. Livros de
poesia, crônicas, contos, livros infantis, científicos, filosóficos,
religiosos. Mais de 500 espíritos escreveram com as mão de Chico
Xavier, milhões de volumes, do total de 412 livros psicografados, e
ele nunca admitiu ser o autor de nenhuma dessas obras. Reproduzia
apenas o que os espíritos lhe ditavam. Por esse motivo, não aceitava o
dinheiro arrecadado com a venda de seus livros. Vendeu mais de vinte
milhões de exemplares e cedeu os direitos autorais para organizações
espíritas e instituições de caridade, desde o primeiro livro.

    Seu primeiro livro, "Parnaso de Além-Túmulo", com 256 poemas
atribuídos a poetas mortos, causou muita polêmica entre os descrentes.
O de maior tiragem foi "Nosso Lar", com cerca de um milhão e trezentas
mil cópias vendidas, atribuído ao espírito "André Luiz", primeiro
volume da coleção que leva o nome deste. Em parceria com o médico
mineiro Waldo Vieira, psicografou dezessete obras. Uma de suas
psicografias mais famosas, e que teve repercussão mundial, foi a do
caso de Goiânia, em que José Divino Nunes, acusado de matar o melhor
amigo, Maurício Henriques, foi inocentado pelo juiz que aceitou como
prova válida, entre outras que também foram apresentadas pela defesa,
um depoimento da própria vítima, já falecida, através de texto
psicografado por Chico Xavier. O caso aconteceu em outubro de 1979, na
cidade de Goiânia, Goiás. Assim, o presumido espírito de "Maurício"
teria inocentado o amigo dizendo que tudo não teria passado de um
acidente.

    Em relação aos valores arrecadados com as vendas dos livros, Chico
sempre dizia que esses valores não lhe pertenciam, e por esse motivo
as doações aos necessitados, e com carinho e humildade, ele falava:
"Dai de graça o que de graça recebestes". E assim Chico caminhava
ensinando a todos o poder da caridade.

    Chico Xavier já estava com 49 anos de idade, sua saúde não estava
boa, pois trazia consigo as marcas da infância, na qual se desdobrava
no trabalho até as duas horas da madrugada, e isso fez com que seu
corpo físico ficasse bastante prejudicado. Com isso deveria mudar de
clima, e assim se transferiu para Uberaba, em Minas Gerais, onde vivia
o médico Valdo Vieira que feliz com a chegada de Chico lhe disse: "Foi
bom, Chico, que você viesse para Uberaba, já psicografamos o livro
Evolução em dois mundos, e agora juntos poderemos psicografar  muitos
outros".

    E assim seis anos depois, o médico disse: "Chico, precisamos
divulgar o espiritismo também fora do Brasil. Os livros que estamos
recebendo do além precisam ser lançados em outros países, façamos
juntos uma viagem, e vamos levar a consolação espírita a outros
povos."

    E lá foram eles, duas viagens foram feitas, a primeira no ano de
1965, quando fundaram nos Estados Unidos um centro espírita, e a
segunda no ano de 1966, quando foi lançado em inglês, o livro "Ideal
Espírita", psicografado por ambos.

    E quando voltaram a Uberaba, Valdo Vieira deu por terminado seu
belo trabalho ao lado de Chico Xavier.

    "Adeus Chico! Agora vou me dedicar a medicina. Talvez um dia eu
volte a Uberaba. Talvez..."

    E Chico Xavier ficou só, mas continuando seu trabalho de amor e
abnegação, e assim novos livros foram escritos, vários deles, alguns
em esperanto, inglês, francês, castelhano e até em japonês. Eles
formam uma biblioteca que já vai iluminando o mundo, e assim muitas
cidades, oficialmente, iam homenageando Chico Xavier. Homenagens essas
que ele, humilde, transferiu para o espiritismo.

    Chico é lembrado principalmente por suas obras assistenciais em
Uberaba, cidade na qual todos tinham imensa gratidão pelos atos dele.

    Nos anos 70, passou a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da
vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.

    O mais conhecido dos espíritas brasileiros teve relevante
contribuição para expandir o movimento espírita no Brasil e encorajar
os espíritas a revelarem sua adesão à doutrina de Allan Kardec. Sua
credibilidade serviu de incentivo para que médiuns espíritas e
não espíritas realizassem trabalhos espirituais abertos ao público, e
assim diminuir um pouco o preconceito que líderes de outras religiões
pregavam a seus fiéis.

    Podemos ver um divisor de águas, o espiritismo antes de Chico
Xavier, e o espiritismo depois de Chico. Isso mostra a importância
desse ser iluminado dentro do nosso planeta, ser esse que sabia como
ninguém pregar o amor, a paz, a humildade e a caridade.

    Chico Xavier faleceu aos 92 anos de idade em decorrência de parada
cardíaca. Conforme relatos de amigos e parentes próximos, teria pedido
a Deus para morrer em um dia em que os brasileiros estariam muito
felizes, e que o país estaria em festa, por isso ninguém ficaria
triste com seu desencarne.

    O Brasil festejava a conquista da Copa do Mundo de Futebol no dia
de sua passagem. Seis meses depois de sua morte, o livro "Na próxima
dimensão" foi psicografado e publicado. O livro afirma que Chico seria
a reencarnação de Allan Kardec, um tema muito polêmico e largamente
discutido nos centros espíritas brasileiros. Chico foi eleito o
mineiro do século XX, seguido por Santos Dumont e Juscelino
Kubitschek.

Algumas partes retirada da fonte:  Livro "Grandes Mestres da Humanidade"
de Patrícia Cândido - Luz da Serra Editora.

    "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

    Que Francisco Cândido Xavier, nosso amado Chico Xavier, possa
continuar nos dando lições para nossa evolução espiritual.

    A Umbanda segue e respeita todos os preceitos desse ser de luz.

Carlos de Ogum



 
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