terça-feira, 10 de abril de 2018 15 comentários

Características de Médiuns com Ogum e Oxum na Coroa

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Na Umbanda sabemos que temos os nossos Orixás de Coroa, e como já falamos antes, podemos saber quais são esses Orixás através de um jogo de Búzios, jogado por alguém preparado e honesto, e só assim poderemos saber realmente. Nada de adivinhações, nada de datas de nascimento, e nada dessas invenções feitas por ai, apenas o tradicional e verdadeiro jogo de Búzios pode dar essa resposta.

    Sabemos também que nossa Coroa forma um triângulo, e em cada ponta desse triângulo temos um Orixá, e logicamente são três, sendo eles o Pai de Coroa, a Mãe de Coroa e o Terceiro Santo.

    Nesse texto vamos nos apegar somente no Pai e Mãe de Coroa, e vermos como os dois vibrando juntos podem formar ou mexer com a personalidade de um filho.

    Hoje pegaremos um médium com Ogum como Pai e Oxum como Mãe, e assim vamos buscar entender a Coroa desse filho tendo esses dois Orixás, frisando que não levaremos em conta o Terceiro Santo, pois se fôssemos levar tudo ficaria ainda mais complexo.

    Primeiro falaremos apenas das características dos filhos de Ogum:

     Não é difícil reconhecer um filho de Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto. São conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, consequentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo.
São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande.

     Os filhos de Ogum custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções. São amigos camaradas, porém estão sempre envolvidos com demandas. Divertidos, despertam sempre interesse nas mulheres, tem seguidos relacionamentos sexuais, e não se fixam muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor.

     São pessoas determinadas e com vigor e espírito de competição. Mostram-se líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer missão, mas são francos e, às vezes, rudes ao impor sua vontade e ideias. Arrependem-se quando vêem que erraram, assim, tornam-se abertos a novas ideias e opiniões, desde que sejam coerentes e precisas.

     As pessoas de Ogum são práticas e inquietas, nunca "falam por trás" de alguém, não gostam de traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos.

     Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna, desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e acomodando-se às suas necessidades. Quando os filhos de Ogum conseguem equilibrar seu gênio impulsivo com sua garra, a vida lhe fica bem mais fácil. Se ele
conseguisse esperar ao menos 24 horas para decidir, evitaria muitos revezes, muito embora, por mais incrível que pareça, são calculistas e estrategistas. Contar até 10 antes de deixar explodir sua zanga, também lhe evitaria muitos remorsos. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um Vencedor.

     A sua impaciência é marcante. Tem decisões precipitadas. Inicia tudo sem se preocupar como vai terminar e nem quando. Está sempre em busca do considerado o impossível. Ama o desafio. Não recusa luta e quanto maior o obstáculo mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Como os soldados que conquistavam cidades e depois a largavam para seguir em novas conquistas, os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo: quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas próprias conquistas. Não admite a injustiça e costuma proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que quer proteger. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado. Adapta-se facilmente em qualquer lugar. Come para viver, não fazendo questão da qualidade ou paladar da comida. Por ser Ogum o Orixá do Ferro e do Fogo seu filho gosta muito de armas, facas, espadas e das coisas feitas em ferro ou latão. É franco, muitas vezes até com assustadora agressividade. Não faz rodeio para dizer as coisas. Não admite a fraqueza e a falta de garra.

     Têm um grave conceito de honra, sendo incapazes de perdoar as ofensas sérias de que são vítimas. São desgarrados materialmente de qualquer coisa, pessoas curiosas e resistentes, tendo grande capacidade de se concentrar num objetivo a ser conquistado,
persistentes, extraordinária coragem, franqueza absoluta chegando à arrogância. Quando não estão presos a acessos de raiva, são grandes amigos e companheiros para todas as horas.

     É pessoa de tipo esguio e procura sempre manter-se bem fisicamente. Adora o esporte e está sempre agitado e em movimento, tendem a ser musculosos e atléticos, principalmente na juventude, tendo grande energia nervosa que necessita ser descarregadas em qualquer atividade que não implique em desgastes físicos.

     Sua vida amorosa tende a ser muito variada, sem grandes ligações perenes, mas sim superficiais e rápidas.

    Agora falaremos das características dos filhos de Oxum:

     Os filhos de Oxum amam espelhos, jóias caras, ouro, são impecáveis no trajar e não se exibem publicamente sem primeiro cuidar da vestimenta, do cabelo e, as mulheres, da pintura.

     As pessoas de Oxum são vaidosas, elegantes, sensuais, adoram perfumes, roupas bonitas, tudo que se relaciona com a beleza.

     Os filhos de Oxum são mais discretos, como por exemplo os filhos de Iansã, pois, assim com apreciam o destaque social, temem os escândalos ou qualquer coisa que possa denegrir a imagem de inofensivos, bondosos, que constroem cautelosamente. A imagem doce, que esconde uma determinação forte e uma ambição bastante marcante.

     Os filhos de Oxum têm tendência para engordar; gostam da vida social, das festas e dos prazeres em geral. Gostam de chamar a atenção do sexo oposto.
     O sexo é importante para os filhos de Oxum. Eles tendem a ter uma vida sexual intensa e significativa, mas diferente dos filhos de Iansã ou Ogum. Representam sempre o tipo que atrai e que é, sempre perseguido pelo sexo oposto. Aprecia o luxo e o conforto, é vaidoso, elegante, sensual e gosta de mudanças, podendo ser infiel. Despertam ciúmes nas mulheres e se envolvem em intrigas.

     Na verdade os filhos de Oxum são narcisistas demais para gostarem muito de alguém que não eles próprios, mas sua facilidade para a doçura, sensualidade e carinho pode fazer com que pareçam os seres mais apaixonados e dedicados do mundo. São boas donas de casa e companheiras.
     São muito sensíveis a qualquer emoção, calmos, tranquilos,
emotivos, normalmente têm uma facilidade muito grande para o choro.

     O arquétipo psicológico associado a Oxum se aproxima da imagem que se tem de um rio, das águas que são seu elemento; aparência da calma que pode esconder correntes, buracos no fundo, grutas tudo que não é nem reto nem direto, mas pouco claro em termos de forma, cheio de meandros.

     Faz parte do tipo, uma certa preguiça coquete, uma ironia persistente, porém discreta e, na aparência, apenas inconsequente. Pode vir a ser interesseiro e indeciso, mas seu maior defeito é o ciúme. Um dos defeitos mais comuns associados à superficialidade de Oxum é compreensível como manifestação mais profunda: seus filhos tendem a ser fofoqueiros, mas não pelo mero prazer de falar e contar os segredos dos outros, mas porque essa é a única maneira de terem informações em troca.
     É muito desconfiado e possuidor de grande intuição que muitas vezes é posta à serviço da astúcia, conseguindo tudo que quer com imaginação e intriga. Os filhos de Oxum preferem contornar habilmente um obstáculo a enfrentá-lo de frente. Sua atitude lembra o movimento do rio, quando a água contorna uma pedra muito grande que está em seu leito, em vez de chocar-se violentamente contra ela, por isso mesmo, são muito persistentes no que buscam, tendo objetivos fortemente delineados, chegando mesmo a ser incrivelmente teimosos e obstinados.

     Entretanto, ás vezes, parecem esquecer um objetivo que antes era tão importante, não se importando mais com o mesmo. Na realidade, estará agindo por outros caminhos, utilizando outras estratégias.

Oxum é assim: bateu, levou. Não tolera o que considera injusto e adora uma pirraça. Da beleza à destreza, da fragilidade à força, com toque feminino de bondade


    E agora vamos resumir as características do filho que tem Ogum e Oxum juntos como Pai e Mãe de Coroa:

    Os filhos que tem pais de Coroa assim tem uma divisão de período no qual demonstra claramente qual Orixá está mais próximo dele naquele momento, porém esse filho pode sair da paz a guerra em um estalar de dedos.

    Ele sempre vai se mostrar oponente, porém afável com os mais próximos, sua personalidade sempre será extremamente forte, líder nato, não só na vida social, mas também na vida familiar.

    Protetor extremoso com quem ele acha que seja merecedor dessa proteção, não se apega a pessoas de fora de seu convívio, assim como também não se importa com pessoas que demonstram orgulho de uma forma desordenada.

    Está sempre pronto a atacar quem ataca quem ele ama, e se for preciso fará dessa batalha algo que o atacante nunca se esqueça.

    Se dedica extremamente as causas familiares, prefere seu próprio sofrimento ao saber do sofrimento de seu protegido.

    A luz de um filho de Ogum e Oxum é algo deslumbrante, que aconchega e protege ao mesmo tempo. É dito que felizes são aqueles que tem o respeito e o carinho desse filho, porém aqueles que buscam mazelas com ele devem estar preparados, pois ele não foge de uma batalha, e certamente a vencerá. Portanto é melhor tê-lo como amigo e protetor do quê como inimigo.

    Salve os filhos de Ogum e Oxum!






           

Carlos de Ogum
sexta-feira, 30 de março de 2018 40 comentários

Vaidade: Sentimento não tolerado pela Umbanda


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    A Umbanda, assim como já sabemos, é uma religião voltada a fazer à caridade, o amor, a paz, a justiça, mas ela está voltada principalmente para a humildade.

    Mas ao contrario do que nossa amada religião prega sobre humildade, muitas pessoas que se dizem umbandista, levam dentro de si a vaidade extrema, tentando demonstrar isso dentro de terreiros, templos, tendas, barracões e casas de Umbanda.

    Certamente pessoas assim não aprenderam nada com as Entidades de Luz, que demonstram com sabedoria a pratica da humildade, e de nunca deixar o vício da vaidade tomar conta de seus corações.

    É impossível para nós que cremos na Umbanda, entender que um filho de uma casa, seja ela qual for não perceba que a maior lição das Entidades de Luz não é demonstrar a vaidade através de roupas belas, guias e mais guias no pescoço, grandes cigarrilhas, bebidas caras, danças exóticas, e com tudo isso uma mistificação sem igual.

    Muito triste para nós umbandistas vermos irmãos trajados com ternos impecáveis, vestidos caríssimos, chapéus e sapatos sempre de ótima qualidade, apenas para aparecerem mais que os outros médiuns em uma vaidade descomunal.

    E esses ainda fazem questão de serem filmados, homenageados, idolatrados, sem o menor pudor, sem o menor constrangimento, sem a menor vergonha na cara, esquecendo tudo que a Umbanda ensina tudo que ela prega tudo que ela demonstra através de suas Entidades de Luz.

    A todos que buscam respostas pela luz da religião de Umbanda, aqui vou dar uma bem simples de se entender:

    Nenhuma Entidade de Luz da Umbanda seja ela um Caboclo, um Boiadeiro, um Erê, um Preto Velho, um Cigano, um Malandro, um Exú ou uma Pombo Gira, nenhuma dessas divindades vai impor que um médium coloque vestes especiais, nenhuma vai autorizar que esses médiuns, se dizendo incorporados, fiquem fazendo teatro pedindo que sejam filmados, gravados, fotografados, para mostrarem suas roupas brilhantes, coloridas. Nenhuma Entidade de Luz irá ficar incorporado na coroa de um médium para dar entrevistas ou passar mensagens através de qualquer tipo de mídia.

    Isso tudo é mistificação, é demonstração de vaidade, pura vaidade de médiuns não preparados, ignorantes e que desconhecem a essência da religião de Umbanda.

    Hoje é muito fácil observar essas tristes demonstrações de vaidade, basta estar em um terreiro, em uma Gira qualquer, o médium se dizendo estar incorporado com tal Entidade de Luz, se esse médium perceber alguém filmando, ele desejará se tornar o centro das atenções, começando a dançar sem noção nenhuma, a falar mais alto, a gargalhar, a rodar, a mostrar sua roupa colorida, enfim, fica totalmente entregue a obsessores da vaidade, quebrando a Gira, atrapalhando os trabalhos, e logicamente prejudicando os consulentes, que estão ali por alguma necessidade.

    A vaidade não é tolerada pela Umbanda, assim como seus médiuns vaidosos também não são.

    A Entidade tem a consciência que não existe um Guia mais poderoso que outro, que todos têm a mesma luz concedida por Deus, para ali estarem e para sanar as necessidades de quem é merecedor. Porém os médiuns vaidosos passam por cima de suas próprias Entidades de Coroa, e fazem questão de mostrarem que tem na Coroa uma Entidade mais poderosa do terreiro. E assim fazendo esses médiuns estão afastando as suas Entidades, e dando aberturas para espíritos Zombeteiros, e esses dominam esses mistificadores fazendo-os acreditar em coisas não existentes, como ser o melhor da casa, e assim, claro, fazendo a vaidade aumentar cada vez mais, até que essa vaidade engula o próprio médium vaidoso, fazendo-o se tornar apenas um fantoche nas mãos dos espíritos Zombeteiros.
    Devemos entender que a vaidade significa a qualidade do que é vão algo vazio, firmado apenas sobre aparência ilusória.

    A vaidade nada mais é que uma valorização que se atribui a própria aparência, ou qualquer outra qualidade física ou mesmo intelectual, que é fundamentada apenas no desejo de avaliação muito lisonjeira que alguém tem de si mesmo, extrema falta de modéstia, grandiosa presunção, idolatração as coisas insignificantes, as futilidades, ao desejo de ser maior ou melhor que tudo e todos.

    Infelizmente, em médiuns de menos idade, os que estão se iniciando no desenvolvimento, os inexperientes, que ainda desconhecem os fundamentos da religião de Umbanda, a vaidade é o traço vicioso do ego mais fácil de identificar, sendo assim devemos tentar mostrar sempre que vaidade e Umbanda não se combinam, pois como a própria definição nos aponta, a vaidade é vazia e mentirosa, e em um âmbito espiritual, acharmos que somos melhores que os outros porque nosso Guia faz algo interessante, ou que devemos estar com as melhores roupas de caracterização de uma Entidade, ou devemos ostentar melhores bebidas, dizendo que foi pedido do Guia, ou mesmo ainda usarmos adereços sem noção e nexo, apenas para tentar demonstrar beleza, e assim chamar atenção. Isso tudo só funciona para cortar a sintonia entre o médium e a religião, que sabemos que um dos principais pilares é a humildade.

    Portanto senhores médiuns que se deixam ser levados pelo desonroso sentimento de vaidade, parem de querer esse desejo de serem artistas, de serem modelos, de serem entrevistados como famosos, de ficarem tentando aparecer nas ruas trajando roupas caracterizadas como as Entidades de Luz, pois os médiuns são apenas mensageiros, apenas auxiliadores das forças verdadeiras que são os Guias.

    Finalizando devemos lembrar sempre que para estarmos em um terreiro de Umbanda, precisamos nos aliar diariamente a humildade, ao espírito de sacrifício e a caridade total.

    Essa caminhada é árdua, difícil, muitas vezes dolorida e não tem espaço para que se permita um desvio para o orgulho e principalmente para a vaidade.

    Sejamos humildes, humildes ao ponto de sermos escolhidos a entregar nossa Coroa a uma verdadeira Entidade de Luz, e não a espíritos Zombeteiros, como muitos médiuns vem fazendo através de sua vaidade extrema, e usando o nome lindo da nossa amada Umbanda.

    Reflita muito sobre isso!

Carlos de Ogum

terça-feira, 20 de março de 2018 41 comentários

A Umbanda Ensina. Será que nós aprendemos



 A Umbanda é uma religião voltada exclusivamente a Deus e seus trabalhadores em prol da caridade, e ela nos passa milhares de lições, ensinamentos que nos leva a entender a verdadeira caridade, a verdadeira humildade, a verdadeira paz, o verdadeiro amor, e o verdadeiro religamento com o Pai Maior, nosso amado Deus.

    Mas será que aprendemos?

    Será que estamos dispostos a aprender?

    Pelo que parece não.

    Milhares de pessoas se dizem umbandistas, ou consulentes de Umbanda, porém acreditam em uma Umbanda que não condiz com a verdadeira religião. Muitos creem que ela está ali para sanar seus problemas imaginários, seus desejos descabidos, suas vinganças inventadas, enfim, tudo referente a sua vontade própria, buscando passar por cima de tudo e de todos, principalmente do livre arbítrio de seu semelhante, coisa que a Umbanda respeita extremamente.

    Aquele que procura a Umbanda para os ditos trabalhos de amarração, de vingança, ou para atormentar um semelhante, enfim entre tantas maldades que criam na cabeça dos seres humanos, devem entender que a Umbanda não aceita esses tipos de colocações, suas Entidades de Luz trabalham exclusivamente para a paz, a saúde, a evolução, a caridade e o amor. E se alguém disser que é umbandista e estiver pregando ao contrário dessas colocações, não é e nunca foi umbandista.

    Devemos ter em mente que o que gira em torno da Umbanda são os Orixás, as Entidades de Luz e principalmente Deus, sendo assim temos que entender as essências dessas divindades, assim como já temos muitos conhecimentos sobre a essência de nosso amado Deus.

    Vamos exemplificar o que estamos tentando passar, e para isso vamos dar início falando dos Orixás de Umbanda.

    Sabemos que temos muitos erros, e temos a convicção de que isso pode nos atrasar dentro da evolução espiritual, sendo assim os Orixás tentam nos passar, através da Umbanda, muitos ensinamentos e lições, porém muitos de nós não entendemos que essas colocações devem ser seguidas de uma forma convicta.

    Abaixo faremos um resumo com o nome do Orixá, e o que ele deseja que seja aprendido por nós.

OXALÁ: Deseja que aprendamos a calma, a serenidade, a mansidão. Tenta nos passar que a luz de Deus é algo divino, e que devemos nos manter em oração independente dos problemas que surgem.

    Porém muitos de nós não entendemos essa colocação, nos desesperamos por tudo, reclamamos por nada, culpamos a Deus por muitas coisas sem nexo. Ou seja, estamos indo ao contrário do que é nos mostrado por Pai Oxalá.


OGUM: O ensinamento de Ogum a nós é a disciplina e a determinação. Devemos ser guerreiros, buscar soluções, não desistir nunca, sermos vencedores nas buscas de nossos objetivos.

    Porém somos fracos quando nos deparamos com algum obstáculo, nos entregamos facilmente ao desânimo, e não mantemos a disciplina em nossa vida, e assim muitos infelizmente se entregam aos vícios, vícios esses que são saídas falsas para os que tem falta de coragem de lutar, assim como ensina Pai Ogum.


OXOSSI: Nos ensina a termos paciência e o desprendimento, devemos entender que tudo tem a hora certa e não é nossa ansiedade que vai adiantar as coisas que achamos que merecemos. Além disso temos por obrigação em saber que nem tudo que achamos que merecemos, realmente é de nosso merecimento.

    Devemos nos desprender das coisas materiais, entendendo que podemos sim tê-las, porém esses mesmos bens materiais não podem nos dominar a ponto de não valorizarmos mais nossos semelhantes, e apenas o material.

    Porém não é assim que nós encarnados falhos vemos a vida, a falta de paciência em tudo e com todos nos domina, e o apego as coisas materiais nos afasta de Deus a ponto de muito de nós usarmos o nome do Pai Maior para adquirir mais e mais bens econômicos, e após conseguirmos, simplesmente nos esquecemos da existência de Deus. E assim estaremos saindo totalmente da linha de ensinamento de Pai Oxossi.


XANGÔ: Nos ensina a necessidade da observação, da liderança, de usarmos a inteligência e sermos coerentes com a justiça. Ele nos mostra os caminhos que devemos seguir para atingirmos determinados objetivos a conquistar. Prega a todos a importância da honestidade, e que ninguém pode estar acima da justiça de Deus.

    Porém nós como pessoas individualistas nunca buscamos seguir os caminhos mostrados por Xangô, estamos sempre a contramão da justiça, usando sempre a lei da vantagem. Nunca observamos os fatos profundamente antes de julgarmos um semelhante, deixamos de usar a inteligência de uma forma coerente para nos colocarmos a contravento das coisas corretas, apenas com intuito de buscar alguma vantagem própria. E assim vamos ao caminho contrário das lições de Pai Xangô.


OBALUAIÊ/OMULÚ: Nos ensina que mesmo nas maiores adversidades poderemos sair vencedores, que devemos respeitar nosso próprio corpo, que devemos entender que a morte não é o fim da caminhada, e apenas um novo início.

   Obaluaiê/Omulú ainda nos mostra que a vida é a maior benção que Deus, nosso Pai Maior, pode nos conceder.

    Porém nós nos entregamos a falta de fé nos mínimos obstáculos em nossa frente, reclamamos de tudo e de todos, nos entregamos a promiscuidade, deixamos ser levados por obsessores viciosos, deprimimos por coisas sem nexo, e ainda não respeitamos a Deus quando achamos que o suicídio é a saída para problemas que nossa mente cria. E assim estamos na contramão dos ensinamentos e lições de Pai Obaluaiê/Omulú.


IANSÃ: Nos ensina a termos coragem e lutar contra as atribulações do dia a dia. Nos mostra que devemos nos manter erguidos na fé, lutar sem esmorecer, sermos precavidos, audaciosos, guerreiros.

    Porém nós somos fracos, sem fé, sem atitude, e nos entregamos facilmente. Deus nos dá a cruz que ele tem certeza que podemos carregar, e nós ainda assim reclamamos do Pai. E dessa forma estamos indo em desencontro com os ensinamentos de Mãe Iansã.


IEMANJÁ: Nos ensina termos consciência e altruísmo, nos mostra a alegria que devemos ter com coisas pequenas, nos mostra como ser com nossos semelhantes, a como ter forças para a caridade, a sermos luz a quem necessita.

    Porém somos na maioria das vezes egoístas, injustos, esquecemos que a solidariedade deve ser praticada, que só grandes feitos podem nos alegrar, que ser caridoso só se isso vier de mão dupla, esquecendo que o bem deve ser feito sem olhar a quem. E dessa forma vamos ao caminho contrário de Mãe Iemanjá.


OXUM: Nos mostra como lição o valor da família, do amor, da paz, da honestidade. Ela nos ensina que os homens devem valorizar as mulheres, e as mulheres deves saber que elas tem seu valor e sua estima, e assim Deus se faz presente na convivência de ambos, fazendo com que a família seja valorizada extremamente.

    Porém nós nos tornamos seres cheios de ódio, idolatramos a perversidade, aplaudimos a guerra, viramos desonestos pela ganância, nos decaímos nas mãos da promiscuidade, homens creem que a mulher é objeto de sanar seus desejos animalescos, e mulheres se entregam a um falso prazer carnal a qualquer hora e com qualquer um. E assim nos afastamos das grandes lições de Mãe Oxum.


NANÃ BURUQUÊ: Nos ensina a termos amor-próprio, a nos preservar, a não sermos levados a caminhos promíscuos, a sermos coerentes, seguros, e não imaturos. Ela nos mostra a importância da fidelidade, da família, do desapego, da caridade, do compartilhamento. Está sempre nos abrindo portas para o entendimento da vida, e de nos religarmos a Deus. Nos ensina também a compreensão para cada momento difícil de nossa caminhada como encarnados e nos dá a mão quando estamos prestes a desencarnar.

    Porém nós nos colocamos em situações de infidelidades, não preservamos nosso corpo, nos entregamos as promiscuidades, vivemos como se não pensássemos, somos imaturos, não caridosos, viciosos, apegados as coisas supérfluas.

    Nos entregamos ao desespero por tudo e por qualquer coisa, perdemos facilmente a fé, e culpamos a Deus pelas desventuras que possivelmente poderemos ter. E assim estamos andando ao contrário das lições de Mãe Nanã Buruquê.

    E assim vimos as lições dadas pelos Orixás de Umbanda, e que muitas vezes nós fazemos questão de não aprender, e por muitas e muitas vezes buscamos sofrimentos, pelo simples fato de não tentar buscar entender a Umbanda.

    E sabemos também que a Umbanda nos ensina muitas coisas através das lições dadas pelas suas Entidades de Luz, tanto na vida como encarnados, quanto no tempo de divindade delas. E assim resumiremos algumas lições dessas amadas Entidades, a nós seres tão imperfeitos.

PRETO VELHO: Nos ensina através da Umbanda a sermos caridosos, serenos e principalmente humildes, nos mostra a importância de ouvir nossos semelhantes, não julgar, e nos ensina o caminho para chegar a Deus através das orações feitas com fé.

CABOCLOS: Nos ensinam a lutar pelo nosso objetivo, nos mostram que devemos ser fortes e persistentes, que a união faz a força, e que sozinhos não iremos longe.

BOIADEIROS: Nos ensinam a usar a força na hora certa, respeitar os mais fortes, preservar nossa vida, encontrar caminhos quando perdidos, sermos fiéis as leis de Deus.

ERÊS: Nos ensinam a pureza, o respeito, a alegria, a importância do abraço, a respeitar os idosos, a nos encontrarmos com o Pai Maior através da fé.

MALANDROS: Nos ensinam a sair de problemas usando apenas o dom da palavra e da conversa. Nos mostra a importância da amizade verdadeira, da caridade a nossos semelhantes, de não termos preconceitos, de vivermos para o bem independente de nossa situação. Nos mostra que devemos nos afastar de nossos vícios, tantos físicos quanto espirituais, e devemos ser batalhadores por causas justas, mesmo que essas causas sejam por uma minoria.

CIGANOS: Nos ensinam a importância da união, da família, da hierarquia. Nos mostram caminhos da fé, nos ensinam a sermos mais sagazes, espertos e fiéis as tradições. Nos dão lições para buscarmos nosso objetivo, não nos deixar abater pela derrota, e não esmorecer em tempos difíceis.

EXÚS E POMBO GIRAS: Nos ensinam a autopreservação, o respeito pelas diferenças alheias, o altruísmo, o perdão, a caridade, a luta, a busca por objetivos, a paciência, a alegria, a razão.


    E mesmo a Umbanda através de sua luz, de seus Orixás e de suas Entidades divinas nos passando dia após dia esses ensinamentos, nós não aprendemos, pois teimamos em errar em várias coisas, atos e ações. Mas a Umbanda está ai, com sua paciência, sua devoção e seu amor pelos seus filhos, que mesmo teimosos são abraçados pelos braços amorosos dessa amada religião.

    Portanto amigos umbandistas, vamos fazer o impossível para aprendermos essas lições de nossa religião amada, e começarmos a melhorar de dentro para fora, e assim com toda certeza fazermos um mundo muito melhor.


    Salve a Umbanda amada!

    Salve os Orixás de Umbanda!

    Salve as doces e lindas Entidades de Luz da Umbanda!

Carlos de Ogum


sábado, 10 de março de 2018 37 comentários

Função difícil... O Desapego


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    A Umbanda é uma maravilhosa religião que nos mostra tantos caminhos para melhorarmos como pessoa e como espírito, e ela também coloca em nosso entendimento que devemos tentar mudar sempre para podermos seguir por um caminho mais iluminado, naquilo que Deus deseja nos passar através de seus Anjos, Anjos como os Orixás e as Entidades de Luz.

    Um desses grandes ensinamentos da Umbanda é o desapego, e ela, a Umbanda, que nos mostra que devemos refletir muito antes de levarmos ao extremo as falas como: "Isso é meu. Eu faço. Eu sou. Eu tenho. Eu sei. Eu quero." Pois além dessas frases nos colocarem como apegados as coisas normalmente inúteis para nossa evolução espiritual, ainda nos torna extremamente prepotentes.

    Sabemos que nós seres humanos somos falhos, sabemos que temos muitos erros, vícios, atos e ações que vão a desencontro com o que deveríamos estabelecer em nossas vidas para podermos ter uma evolução verdadeira, porém deixamos nos levar por esses erros sem muitas vezes nem tentarmos acertar, talvez por receio de perdermos alguma coisa que acreditamos ser importante para nós, e ai que entra a palavra "desapego".

    Temos que entender que necessitamos aprender a lição do desapego, pois como sabemos a matéria é transitória, passa como um sopro de vento; sabemos que somos apenas grãos de areia, e mais dia ou menos dia esse grão se vai com o vento, pois assim é a natureza: nascemos, vivemos e desencarnamos, não há como fugir disso.

    Portanto devemos viver de acordo com a frase espiritualista, que é: "Viva no mundo, mas não seja dele", ou seja, devemos nos focar em nossa postura, em nossas ações e não em que valor temos em um banco, ou que automóvel temos, ou mesmo ainda nas roupas que vestimos.

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    Ao deixarmos bens materiais, pessoais, ou qualquer tipo de apego em coisas supérfluas que envolve nossa vida ser maior que a nossa caridade, ao nosso apego a uma verdadeira causa do bem, sem as dores e agonias da melancolia de deixarmos certas coisas para trás.

    Devemos entender que qualquer caminho espiritual está, e deverá alicerçado pela pedra base do desapego, e certamente a Umbanda não é diferente, pois sendo uma religião da humildade, da caridade, e do amor, o desapego é uma linha benéfica a seguir para assim podermos chegar rumo aos braços de Deus nosso Pai Maior.

    A Religião de Umbanda nunca condenará um filho por estar na busca da tranquilidade e estabilidade de vida pessoal e familiar, porém devemos entender que temos que nos manter limitados nessa caminhada, para que sim possamos ter a tranquilidade, mas não devemos colocar essa busca de tranquilidade acima de nossas convicções espirituais e religiosas.

    Essa busca também deve ser colocada nas perdas pessoais, devemos saber que temos que nos desapegar daqueles que já cumpriram seu tempo nessa encarnação, pois ela deve ser uma chama devoradora do valor exacerbado dado a tudo isso. Deve ser como um vento amoroso a lhe mostrar que pessoas vêm e vão, nascem e morrem na carne, mas em espírito e consciência são eternos e nada pode matá-los. Que nada levamos desse mundo, a não ser os tesouros do coração.

    Não se sinta culpado em sentir saudades, porém a saudade deve ser dos bons momentos com nossos entes amados, e não ficarmos regrando sofrimentos eternizados pela perda.

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    Dentro das Giras de Umbanda, isso é uma das coisas mais básicas que uma Entidade de Luz nos passa, porém é uma das coisas mais importantes dentro da religião de Umbanda.

    Agora certamente se isso é passado com tanta firmeza dentro das Giras pelas Entidades de Luz, e o consulente não entender essa colocação e continuar apegado, ou a bens materiais, ou aos entes desencarnados, ou a qualquer coisa que possa o levar a distanciar-se da espiritualidade, esse consulente não está enxergando firmemente o tesouro espiritual ensinado a ele, certamente está ligado a outros supostos tesouros que não são ligados a espiritualidade.

    Quando conseguirmos ter essa liberdade do desapego, a Umbanda vai ser outra perante nossos olhos, pois duvidas não teremos mais, em nosso ser vai nascer um amor mais puro e verdadeiro, a caridade virá naturalmente, aquela sensação de cobrança sobre os trabalhos desaparecerá e simplesmente se beneficiará pela presença das Entidades de Luz, captando mais as mensagens dessas divindades, aproveitando muito melhor as lições dadas, sem o interesse extremo de estar na Umbanda para ganhar algo material. E aos olhos da espiritualidade, a Umbanda não terá uma troca a fazer com você, não está ali para te oferecer magias, amarrações, feitiçarias, assim como muitos consulentes imaginam, porém estará ali para completar seu ser, sua alma, seu espírito, com bondade, amor, paz, caridade, e paremos para refletir, que ai sim reside um maravilhoso milagre, pois junto com o desapego virá à verdadeira felicidade que nasce da verdadeira tranquilidade.

    Portanto reflita, se buscares a Umbanda para melhorar sua vida econômica através de um passe de mágica, ou desejar resolver seus problemas com um estalar de dedos, não se dando conta que você está apegado a bens materiais, a status, a pessoas, a falsos amores, a ganância, enfim, a tudo que o ser humano se apega como se fosse de seu direito, infelizmente tenho que dizer que esse não é o caminho para estar dentro da Umbanda, essa forma de pensamento nunca seria um caminho espiritual.

    Para finalizar gostaria de frisar que prosperidade tem muito mais a ver com desapego do que com dinheiro, temos que entender que só precisamos daquilo que nos traz a sobrevivência, quando nos apegamos a grandiosos valores econômicos, devemos lembrar que isso pode nos tornar escravos dessa necessidade, e sempre buscaremos mais e mais em um apego interminável, fazendo assim que soframos com nossa própria ganância.

    Devemos refletir também que o desapego deve ser colocado diante de outros fatos da vida, como por exemplo, em relacionamentos, nas idas e vindas da vida, perante a morte, pois aquele que realmente prega o desapego, não sofre intensamente, pois vive o presente, ele caminha com o tempo e o modo de vida real, sabendo seguir o fluxo da vida.

    Sabemos que a religião de Umbanda tem muito a nos oferecer, porém devemos ter olhos para ver essa verdadeira riqueza, olhos que vêem o os tesouros do espírito, e não só o material

    Tudo isso em relação ao desapego servirá, caso compreendido, para dar liberdade à pessoa, pois essa compreensão do desapego realmente vai nos tornar livres, livres para assumir as responsabilidades de tudo de bom para nós mesmos, levando tudo de mal que possa acontecer em sua vida a um entendimento muito melhor.

    Tudo isso pode parecer muito difícil, porém saber se utilizar bem do desapego é um maravilhoso passo para a auto-realização e a aproximação com a espiritualidade.

    Portanto vamos viver para termos o espírito em paz, vamos nos livrar dos excessos de apego aquilo que não nos leva a caminhos de liberdade espiritual, deixarmos de sermos apegados ao material, a matéria, a amores que já se foram, a pessoas que já cumpriram o tempo na terra nessa encarnação, frisando que se ficarmos apegados aos desencarnados, além de nós, estaremos atrasando a evolução de quem já partiu, e assim devemos entender que tudo que nos prende em nosso próprio egoísmo, certamente nos afasta de Deus.


Resultado de imagem para a vida é mais bela quando desapegamos

    Então vamos refletir profundamente nisso.

    Salve nossa Umbanda e salve o desapego!

Carlos de Ogum

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018 50 comentários

Senhor Tranca Ruas e Dona Maria Padilha


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Em uma noite serena,
vi duas luzes passar,
senti uma proteção plena,
como uma energia a me abençoar.

De um lado um homem poderoso,
de outro uma linda mulher a gargalhar,
ele forte mas generoso,
e ela encantadora em seu dançar.

Senhor Tranca Ruas e Dona Maria Padilha,
vieram aqui me estender as mãos,
e assim nunca cairei nas armadilhas,
desses obsessores que se disfarçam de irmãos.

A luz desse Exú e dessa Pombo Gira,
brilham junto com nosso Pai Oxalá,
retirem do meu caminho a inveja e a mentira,
iluminando e protegendo sempre nosso Gongá.

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    Quando falamos em Umbanda e Gira de Exús, logo vem em nossas mentes duas Entidades extremamente conhecidas, duas forças da esquerda, dois caridosos mensageiros de Deus, duas divindades de luz máxima, e essas divindades são o Exú Senhor Tranca Ruas, e a Pombo Gira Dona Maria Padilha.

    Essas Entidades de Luz são extremamente respeitadas em terreiros, centros, casas, templos de Umbanda, não só pelo carinho que muitos consulentes tem por eles mas também por tudo que eles representam para nossa religião umbandista.

    Senhor Tranca Ruas, assim como Dona Maria Padilha, são chefes de Falange, e sendo assim diversos Exús e Pombos Giras, que trabalham nessas Falanges chefiadas por eles, levam o mesmo nome do chefe geral da falange, sendo assim poderemos encontrar diversos Exús com o nome de Tranca Ruas, assim como diversas Pombos Giras com nome de Maria Padilha, sendo diferenciados apenas pela linha, irradiação, ou função de atuação.

    Para esclarecermos isso, vamos imaginar que estamos em um terreiro, e nesse terreiro se encontram dois médiuns desenvolvidos mediunicamente, estando os dois preparados para trabalho de incorporação, imaginemos que estamos em uma Gira de Exú, e os dois médiuns estão incorporados com uma Entidade de Luz cujo nome é Tranca Ruas, nesse exemplo vamos prestar atenção em detalhes, como por exemplo o ponto riscado deles, ou mesmo poderemos pedir que falem o nome e a função de atuação, nesse caso observaremos que um poderá dizer por exemplo, Tranca Ruas das Almas, e o outro Tranca Ruas da Encruzilhada. E ai certamente já entendemos a diferença, pois um atua com as forças das Almas e o outro com as forças da Encruza. E da mesma maneira a Pombo Gira Maria Padilha, que não há nada de errado em ter duas ou mais médiuns trabalhando com essa divindade em um mesmo terreiro, na mesma hora.

    Por esse exemplo acima já entendemos a grande paixão de assistentes e consulentes a essas duas Entidades de Luz, pois por muitas vezes consulentes adentram em terreiros já em busca de falar com essas duas Entidades.

    Porém muitas informações erradas são difundidas, não só por pessoas preconceituosas, normalmente de outras religiões e dogmas, mas também por próprios umbandistas mal informados, sem a menor noção de conhecimento de que se refere o trabalho, o amor e a caridade dessas duas Entidades de Luz.


    Muito fácil encontrarmos em terreiros sem nenhum entendimento sobre a religião Umbanda, Zeladores e filhos de santo, se dizendo estar incorporados com Senhor Tranca Ruas e a Pombo Gira Maria Padilha, dando consulta a pessoas muito mais desavisadas ainda, falando sobre magias inexistentes, amarrações, oferendas sem nexo, despachos enormes sem sentido, e muito pior que tudo isso, usando bebidas alcoólicas sem nenhuma necessidade, fumando grandes quantidades de cigarros, cigarrilhas, charutos, enfim, tudo em um grau de extremo, que não conduz com a realidade da Entidade.

    Muitas pessoas associam a bebida, o fumo, as drogas, a promiscuidade, a vingança, a escuridão a essas Entidades tão caridosas, esquecendo que elas vem com a permissão de Deus, e jamais iriam entrar em fatos tão desagradáveis assim.

    Senhor Tranca Ruas, sendo chefe de falange, assim como Dona Maria Padilha, coordena uma legião de Exús e Pombo Giras, que trabalham em prol da caridade, resgatando espíritos perdidos ou encaminhados por obsessores que levam esses espíritos para serem escravizados nas trevas.

    Agora vamos parar um instante para refletirmos. Imaginemos o trabalho intenso que essas belas Entidades de luz tem demonstrado, a garra e a luta contra obsessores de todos os tipos e forças, o tipo de ajuda dada por esses guerreiros de Deus, imaginemos tudo isso feito em uma intensidade extrema, apenas para salvar espíritos que se deixaram serem levados por Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, através de maus pensamentos, sentimentos ruins, vícios extremos, falta de honestidade, promiscuidade, enfim, tudo de mais sórdido que um ser humano mal informado, sem fé, e sem amor pode expressar durante sua encarnação.

    E essas divindades lutam para salvar esses espíritos das garras das trevas, levando-os de encontro a luz divina de Deus, fazendo esse trabalho com maestria, com dedicação, com caridade. E infelizmente muitos umbandistas ou não, desconhecem a verdadeira essência dessas Entidades, pois limitam a os colocarem como feiticeiros, trabalhadores de magias, que estão em terreiros apenas para gargalhar, beber, fumar, fazer amarrações amorosas, fazer mal a um semelhante, enfim, uma falta de informação grandiosa, fazendo assim que lendas sejam criadas em volta do nome dessas Entidades de Luz, e pior ainda, fazendo médiuns acreditarem que essas lendas sádicas são reais, e assim trazendo Zombeteiros na coroa desses médiuns despreparados, que se passam por Entidades de Luz. Quando isso acontece vemos em terreiros, centros, casas de Umbanda, médiuns mistificando, inventando trabalhos em encruzas, cemitérios, despachos enormes, oferendas exorbitantes, sem o menor sentido., sem a menor noção e sem o menor nexo, fazendo com que essas oferendas só sirvam para energizar Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, e se utilizando do nome das Entidades Tranca Ruas e Maria Padilha, assim como é feito com tantas outras Entidades de Luz.

    Então devemos ter em mente que todos os Exús e todas as Pombos Giras trabalham para o bem, pela paz, pela justiça, pelo amor e pela caridade, e jamais devemos ficar levando pedidos que só se referem a nossos pensamentos sórdidos, nossas vontades orgulhosas, nossos dissabores, nossa falta de compreensão, nossas ganâncias, nossas invejas, nossa arrogância, enfim todo e qualquer sentimento ruim e nossas vontades que vão em desencontro com o livre arbítrio de nossos semelhantes.

    Devemos respeitar extremamente todas as Entidades de Luz, e isso não se faz diferente com o Mestre Tranca Ruas e nem com a bela Maria Padilha, que são Entidades maravilhosas, de muita luz e de muita força, mas só fazem o bem.

    Fora isso é só mistificação, hipocrisia, falsidade de Zeladores, e médiuns não preparados e dominados por espíritos sem luz.

    Frisando mais sobre Senhor Tranca Ruas e Dona Maria Padilha, recomendo lerem também os textos que descrevo os links abaixo:




    Laroiê Exú Tranca Ruas!

    Laroiê Pombo Gira Maria Padilha!

    Senhor Tranca Ruas e Dona Maria Padilha são Mojubá!

Carlos de Ogum

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018 43 comentários

A História da Pombo Gira Maria Quitéria

                          

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Eu tenho nome tão lindo,
mas eu só uso em tempo de guerra.
Quer saber o meu nome?
Eu sou Maria,
mas não vão se confundir por aí,
porque eu sou Maria,
Maria Quitéria

 Fui convidado para um baile na calunga,
mas quando eu cheguei lá,
quem comandava era Maria Quitéria.

Quando eu bato palmas,
Saravá a encruzilhada,
Saravá Exú mulher,
quando eu bato palmas,
Saravá Maria Quitéria,
Rainha da madrugada.
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    A Pombo Gira Maria Quitéria é uma das mais conhecidas no reino
umbandista. Com seu jeito peculiar, forte, batalhadora, guerreira, ela
chama atenção por onde passa, deixando sempre saudades quando parte.

    Maria Quitéria trabalha na mesma banda ou legião da Pombo Gira
Maria Padilha, e é normal uma médium bem preparada em seu
desenvolvimento mediúnico, que tenha dona Maria Padilha na Coroa, ter
também a bela senhora Maria Quitéria.

    Dona Maria Quitéria, como já falamos acima é uma Entidade muito
forte, e sendo assim ela comanda uma enorme falange de mulheres, entre
tantas se destaca a Pombo Gira Maria Navalhada, que é sua subordinada.
Maria Quitéria em terreiros bem firmes, sem mistificação e com médium
preparado é acompanhada por sete Exús, Exús esses que formam uma
legião de trabalho e proteção onde dona Maria Quitéria for e estiver.

    Essa bela Entidade se apresenta sempre sem rodeios quando bem
incorporada, porém se notar que seu médium não esteja tão preparado,
ela simplesmente se vai, por não aceitar que seu trabalho seja
prejudicado.

    A história dessa linda Pombo Gira teve início na cidade de Lisboa
em Portugal, nos meados do século XIX, quando nascia uma bela menina
de olhos negros e penetrantes na casa de uma família economicamente
abastada.

    Seu nascimento fora uma festa para a família, pois sua mãe, uma
jovem portuguesa, após alguns anos de matrimônio com um militar
brasileiro, não conseguia realizar seu grande sonho, que era ter um
filho de seu amado. Após as esperanças se findarem, veio a grande
surpresa, uma gravidez, gravidez essa que foi a grande felicidade de
todos.

    E então chegou o tão esperado dia, o nascimento da criança que já
era tão amada e aguardada.

    O primeiro choro emocionou a todos, a jovem portuguesa, em
lágrimas, abraça o esposo e mostra a bela menina de pele não muito
clara.

    Uma pequena princesa, que teve como nome a tradicional Maria, para
seguir a tradição familiar, e o composto de Quitéria, pois a mãe da
menina era muito devota e extremamente agradecida a Santa Quitéria.

    E sete anos se passaram, a menina Maria Quitéria era muito esperta
e falante, e assim criava muitas amizades com todos da região.

    Nessa época o rei de Portugal estipulou uma lei na qual eram
tomadas a coroa terras que mesmo produtivas viraram propriedades do
poder, deixando os trabalhadores rurais sem ter onde morar e o que
comer. E assim foi nascendo grandes revoluções e invasões em torno da
região.

    Em uma dessas invasões alguns malfeitores se entraram em meio dos
trabalhadores rurais, e assim aproveitando a confusão, assaltavam as
casas das pessoas que residiam na cidade, e faziam isso com extrema
covardia, chegando a assassinar moradores inocentes.

    E uma dessas casas foi a da pequena Maria Quitéria, que ao ver a
invasão na casa de seus pais ficou desesperada, pois os assassinos já
tinham alcançado os mesmos.

    Uma serviçal da residência ao notar o acontecido pegou a menina
pela mão e saiu escondida pela parte de trás da casa, indo se esconder
por entre as árvores que ficavam em um pomar.

    Ficaram ali por horas escondidas, enquanto dentro da residência
os malfeitores roubavam tudo, agrediam os pais de Maria Quitéria e os
serviçais.

    Diante de uma fúria incontrolável esses larápios atacaram a todos
que ali estavam com punhais pontiagudos, assassinando a todos, e sem o
menor arrependimento, os sanguinários atearam fogo por toda a casa
queimando os corpos, até mesmo os que ainda não tinham desencarnado,
sobre os olhos mareados de lágrimas da pequena Maria Quitéria que
observava tudo.

    Os assassinos saíram apressadamente, e sem olhar para trás
deixaram aquela grande dor no coração da menina.

    Sem ter onde ir, a serviçal levou a menina a um acampamento de
Ciganos, implorando ajuda e explicando o que havia acontecido. Pedia
ela que os Ciganos tomassem conta da pequena criança, pois não tinha
condições de ficar com a menina.

    O Povo Cigano tinha na alma a caridade extrema, e acolheram a
menina como se fosse uma deles. E ali ela ficou por dez anos, viajando
de cidade a cidade em Portugal como uma verdadeira nômade, até que por
questões do rei, começaram perseguições implacáveis sobre os Povos
Ciganos, fazendo assim com que o grupo no qual se encontrava Maria
Quitéria, partisse para o Brasil.

    E foi assim que Maria Quitéria veio para o Brasil, já uma jovem,
linda, guerreira, sabendo as magias ciganas, caridosa e extremamente
forte.

    E o tempo foi passando, e de cidade em cidade, agora no Brasil,
Maria foi tendo novas experiências, até que um belo dia o chefe do clã
Cigano na qual ela fazia parte decidiu retornar a Portugal, porém a
jovem estava decidida a ficar, e assim houve a despedida dela daquele
tão generoso Povo Cigano que a acolheu com tanto carinho e dedicação.

    Ela então se tornou uma nômade solitária, como uma andarilha
buscava lugares para pernoitar, e assim foi conhecendo muitas pessoas
e tendo novas experiências. Entre essas pessoas ela passou por meio de
grandes fazendeiros, de prostitutas, de malandros, pessoas do bem e do
mal, e a todos elas buscava demonstrar palavras de auxilio, de luz,
de caridade. Auxiliou diversas pessoas com que aprendera com os
Ciganos, trouxe paz aos desesperados, comida aos famintos, água aos
sedentos, luz aos que se encontravam na escuridão.


    Por viver nas ruas ela aprendeu se defender e defender seus
semelhantes, e tinha nessa colocação a sua dádiva de vida.

    E em um fato assim Maria Quitéria teve seu desencarne já com seus
trinta anos, pois em uma das suas andanças pelas noites e sem destino,
encontrou uma jovem prostituta desesperada a correr, e chorando muito,
e vendo esse fato logo se pôs a tentar ajudá-la.

    A jovem esclarece que está sendo perseguida por covardes homens na
qual ela não aceitou ceder a proposta que lhe fizeram, e com a
negativa eles decidiram matá-la. E nesse momento chega a frente delas
um homem forte e com olhar covarde, gritando que ela deveria o
acompanhar, e a jovem em negativa se esconde atrás de Maria Quitéria,
que toma a frente da situação, tirando de sua saia um punhal afiado. O
homem avança sobre as duas, e nesse momento Maria o ataca acertando o
punhal na barriga, fazendo um grande e profundo corte. Ele cai, e as
duas correm pela escuridão.

    Nesse momento chega até o homem os outros que também estavam
perseguindo a jovem prostituta, e ao vê-lo ao chão ferido e
desacordado, ficam sem entender o acontecido. Acreditando que o homem
ferido estava morto, um dos perseguidores se joga de joelhos ao chão,
e em um grito de desespero e dor grita a frase: "Meu irmão, quem fez
isso com você?"

    Nesse momento Maria Quitéria vê o desespero do rapaz e diz a
jovem para fugir, pois ela iria retornar para auxiliar o ferido e
assim acalmar o coração de seu irmão.

    E assim foi feito, ela retornou, e chegando junto ao homem ferido
e seu irmão, ela diz:

    "Meu rapaz, tome esse frasco com essa poção Cigana, dê um bom gole
a boca de seu irmão, e depois jogue o restante no ferimento."

    O rapaz seguindo as orientações da mulher, fez o que devia fazer,
enquanto ela sumia na escuridão, sem ser notada, pois todos estavam
apáticos ao verem a reação do homem, e da ferida que fechava e
cicatrizava na frente dos olhos de todos.

    E assim se passaram sete dias, o homem que antes ferido já andava
normalmente pelas vielas da cidade, e andava não a esmo, pois em seus
olhos brilhavam o sentimento de vingança.

    Em certo ponto de uma viela escura, ele vê Maria Quitéria
dormindo ao relento, e se aproximando como uma serpente, decide se
vingar estocando um punhal no coração da mulher que dormia indefesa.

    E assim Maria Quitéria desencarna, e em seu redor e diante dos
olhos assustados do assassino, espíritos obsessores tentavam levar o
espírito de Quitéria para a escuridão, pois viam nela uma grande
força. Porém diante desse fato foram surgindo espíritos de luz, uma
legião de sete Exús, que vieram resgatar Maria e levarem ela para o
lugar das divindades de luz, para que pudesse, com a benção de Oxalá,
se tornar uma Entidade de Luz lutadora em prol da caridade e guerreira
contra a escuridão da maldade.

    Os Exús pegaram Maria Quitéria pela mão, dando-lhe o caminho a
seguir, e ela sorridente se foi formando um lindo caminho de luz
brilhante.

    Sem quase acreditar o assassino se põe de joelhos, sem perceber
que os espíritos sem luz que antes tentavam desviar o caminho do
espírito de Maria Quitéria, colocavam-se em volta dele, sugando suas
energias, até o ponto de seu desencarne, e assim o levaram para o
reino da escuridão, como mais um escravo.

    Hoje Maria Quitéria trabalha nos terreiros de Umbanda, sua linha é
a das Pombo Giras, e ela tem um jeito muito peculiar de falar,
parecendo um tanto radical, e bastante brava, assim como demonstrava
nas ruas e vielas que vivia, não como demonstração de prepotência,
mas sim pela sobrevivência.


    Saravá as Pombos Giras !

    Laroiê Dona Maria Quitéria !


Carlos de Ogum.
                            
 
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