terça-feira, 20 de junho de 2017 34 comentários

CONHECENDO EXÚ TATÁ CAVEIRA.





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    Em uma noite sombria,
caminhei na escuridão,
de longe vi alguém que apenas sorria,
e sabia que ali tinha proteção.

    Chamei o nome de meu Pai Maior, Deus,
e ele me respondeu sem me desmerecer,
não te preocupas com os caminhos teus,
pois um Anjo lhe enviei para lhe proteger.

Sua proteção será um Anjo de luz,
podes atravessar todas as fronteiras desejadas,
os caminhos para que chegues a Jesus
com Exú Tatá Caveira nunca terás estradas fechadas.
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    Temos uma legião de trabalhadores da linha dos Caveiras, no qual
já falamos anteriormente, e agora vamos falar mais extensamente de um
que faz parte do nosso Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê (TUPOM), e o
nome dele é Senhor Tatá Caveira.

    Senhor Tatá Caveira teve sua vida encarnada na região do Egito, e
lá ele tinha a ocupação de agricultor e pastor de ovelhas, durante o
ano de 698 DC a 670 DC.


    Ele determinado em sua fé, tinha como objetivo a ideia de pregar o
amor de Deus acima de todas as coisas, amor esse que ele via como
único a todo povo daquela região.

    Isso agradava a muitas pessoas da grande população, na maioria
sem recursos, porém, desagradava os grandes líderes da época, e por
esse motivo, a aldeia onde ele vivia foi invadida por soldados
sanguinários do Império, e assim sendo, muitos foram assassinados e
dezenas e dezenas aprisionados, entre esses aprisionados se encontrava
Senhor Tatá Caveira, que nessa época como encarnado tinha o nome de
Próculo, fazendo assim uma homenagem a um muito conhecido chefe da
guarda romana.

    Juntamente com Senhor Tatá Caveira, ou Próculo, foram aprisionados
mais 49 seguidores fiéis a crença de um único Deus, e todos foram
julgados, condenados e queimados vivos na tão temida fogueira da
intolerância, conforme as perversas leis do Imperador da época.

    Dessa forma hoje, nos trabalhos de Umbanda, Senhor Tatá Caveira
trabalha chefiando a grande e poderosa legião de 49 Exús da linha de
Caveira, vindo da origem daquela época cruel.

    Todos esses trabalhadores se apresentam em forma de Caveira, e a
maioria com um manto negro a cobrir suas faces, podendo Senhor Tatá
Caveira solicitar esse manto em forma de uma capa com capuz, pois é
assim que ele se apresenta na espiritualidade, não sendo uma capa de
algum tipo de material palpável, e sim um manto de luz negra, como um
manto fluídico.

    Muitos médiuns videntes dizem que ao perceberem a essência de
Senhor Tatá Caveira em uma incorporação em médiuns rodantes dentro dos
terreiros de Umbanda, em Giras assentadas e firmadas para tal, tiveram
a oportunidade de ver a imagem dessa maravilhosa Entidade se
aproximando a Coroa do médiuns desenvolvido para o trabalho, nesse
fato puderam observar que o Exú Tatá Caveira é bem maior que um ser
humano comum, tem seu ar sério, e muito respeitador ao chegar no
momento da incorporação.

    Assim como toda a legião dos Caveiras, na incorporação de Senhor
Tatá Caveira sempre é algo surpreendente aos que ali acompanham, pois
ele sempre tem algum truque que contagia os consulentes, nesses
truques sempre há uma forma plausível de mostrar que realmente estão
ali, e que não admite que o médium mistifique utilizando seu nome.

    Sempre é recomendado a quem for se consultar com Exú Tatá Caveira,
jamais duvidar de sua palavra, jamais buscar o mal de um semelhante, e
jamais tentar usá-lo para as tais amarrações de relacionamentos, pois
certamente ele falará algo que poderá desagradar extremamente o
consulente.

    Senhor Exú Tatá Caveira rege a Calunga Pequena (cemitérios), e
normalmente é o protetor do Cruzeiro das Almas juntamente com o Orixá
Omulú, além de sua legião de 49 Exús da linha dos Caveiras.

    Tatá Caveira também poderá trabalhar nas matas fechadas, nas
praias, nas cachoeiras, nos rios, nas pedreiras, nas trilhas, e isso
vai de acordo com o trabalho a ser feito, porém o local de maior
vibração seria mesmo a Calunga Pequena.

    As cores vibracionais para Exú Tatá Caveira seria o preto e o
branco, seja para a indumentária, para as guias de trabalho ou para as
velas. Um detalhe muito interessante em mencionar é que Senhor Tatá
Caveira só trabalha com os pés descalços, apreciam charutos e marafo
de qualidade, isso quando necessário ser utilizado para a limpeza de
um consulente, ou descarrego e retirada de obsessores.

    O Exú Tatá Caveira é o que transmite as ordens dadas pelo Senhor
Exú Caveira, e faz esse trabalho em conjunto com o Senhor Exú
Caveirinha e Senhor João Caveira, que naturalmente acompanham Senhor
Tatá Caveira na missão de caridade a fazer nas casas, terreiros,
tendas e templos de Umbanda.

    É dito que Senhor Tatá Caveira é o provocador do sono do
desencarne, e faz essa missão para que seja desligado sem sofrimentos
o espírito do corpo, e ele faz acontecer esse sono para que o Orixá
Omulú faça a passagem desse espírito já desencarnado.

    Senhor Tatá Caveira está ligado a tentativa de retirar do vício os
encarnados que se entregaram aos males das drogas, dos entorpecentes e
dos narcóticos, porém como esses vícios são na maioria das vezes
provindos de obsessores vampirizadores, a utilização do livre arbítrio
do encarnado viciado é que vai determinar o auxilio do Exú Tatá
Caveira.

    Como já dissemos acima Senhor Tatá Caveira é provindo do Egito, ou
como ele mesmo menciona na "minha terra sagrada, na beira do grande
rio", e pelo muitos estudos já feitos sobre essa Entidade de Luz
divina, essa vivência como encarnado foi entre os anos 698 AC (quando
provavelmente se deu seu nascimento) a 670 AC (provável ano de seu
desencarne).


    Hoje Senhor Tatá Caveira trabalha em prol da caridade de Deus nos
Terreiros de Umbanda, buscando sempre auxiliar a quem necessita.

    Com seu jeito sereno porém extremamente sério e concentrado no seu
trabalho, com suas palavras que se bem ouvidas viram grandes lições,
com sua proteção a quem merece, ele caminha lado a lado com seus
protegidos, independente das cargas e perigos que possa ter em seu
caminho. Ele estará ali, firme, forte e divinamente iluminado.

    Laroiê Senhor Tatá Caveira!

    Exú Tatá Caveira é Mojubá!

Carlos de Ogum.





sábado, 10 de junho de 2017 29 comentários

Tronqueira na Umbanda

                     


    A Tronqueira na Umbanda são as firmezas e assentamentos feitos nas
entradas de terreiros, centros ou templos de Umbanda. São as pequenas
casinhas que vemos logo nessas entradas, e lá estão as firmezas de
nossos Exús e Pombo Giras, que tem por missão a proteção dessas
entradas que estão em nossos terreiros.

    A tronqueira é um recurso poderoso e essencial, maravilhosamente
colocado como recurso de proteção as nossas casas umbandistas, e é
cedido pelas forças do astral superior em prol da caridade dos templos
de Umbanda, pois nesses templos é recebido assistidos, que na sua
grande maioria vem acompanhados de seres trevosos os atormentando.

    É em nossa poderosa Tronqueira que se encontra a força dos nossos
Guardiões que militam em dimensões a nossa esquerda.

    Nesse ponto de força tem como funcionamento uma vibração divina
que está para o Terreiro como um para-raios, é um portal que impede as
forças hostis e maléficas se servirem do ambiente religioso de maneira
deturpada.

    No ambiente astral os Exús e Pombo Giras se utilizam dos elementos
dispostos na Tronqueira para beneficiar os trabalhos realizados no
interior do templo.

    Com esses elementos esses incansáveis trabalhadores da caridade e
da luz, anulam as grandes forças negativas, recolhendo e encaminhando
seres trevosos, abrindo caminhos, protegendo a casa, seus médiuns e
seus consulentes.

    As firmezas das Tronqueiras podem ser contidas de vários
elementos, esses elementos vão ser colocados nesses assentamentos
conforme as regras da casa ou das ordens do Exú chefe do terreiro, ou
mesmo das recomendações do mentor do templo.

    Dentro das Tronqueiras podemos encontrar vários tipos de
ferramentas, instrumentos e símbolos como tridentes, pedras, punhais,
ervas, velas, quartinhas (tanto para gênero  masculino quanto para
gênero feminino).

    Cada instrumento ou símbolo tem sua finalidade específica, e tanto
os Exús quanto as Pombo Giras ativam suas forças de proteção nesses
elementos com a finalidade de realizarem seus trabalhos espirituais de
caridade.

    É muito importante que os médiuns e consulentes tenham em mente a
importância de uma Tronqueira, e que todos saibam que esse ponto de
força e proteção está sobre as ordens da lei de nosso Pai Maior.

    Muitas seitas que se utilizam do nome da religião de Umbanda, se
utilizam dessa força de proteção em busca de negatividade, como por
exemplo, utilizar desse poder a fim de pedir coisas sem nexo, como
atrapalhar a caminhada de um semelhante, amarrações amorosas,
vinganças, enfim, qualquer tipo de pedido maléfico, que essas pessoas
acreditam que se fizer nas Tronqueiras vão conseguir, porém a
realidade é outra bem diferente, aqueles que tentam se utilizar da
Tronqueira e suas Entidades de Luz para tais fins, certamente deixarão
de ser protegidos pela mesma, e claro que assim sentirão na própria
trajetória a chegada de espíritos obsessores como os Kiumbas, Eguns e
Zombeteiros.

    Ao adentrarmos aos terreiros de Umbanda, devemos saudar com muito
respeito a Tronqueira e as Entidades de Luz que ali estão
representadas, e isso deve ser feito não só pelos filhos da casa, mas
também pela assistência e consulentes, frisando que devemos fazer a
mesma coisa ao sairmos.

    Quando uma pessoa se achar necessitado de proteção, pode se servir
do poder desses guardiões, podendo, com autorização do Zelador da
casa, acender uma vela, pedindo com fé, auxílio e proteção que
certamente receberá mediante a seu merecimento.

    Os Povos da Tronqueira estão sempre a serviço do bem e da lei
maior. São realizados essas firmezas sempre em dias de Giras nas
casas de Umbanda, porém nada impede de ser acesas velas nos demais
dias.

    Infelizmente o assunto Tronqueira é algo que gera muitos debates
e centenas de dúvidas, até mesmo para quem é frequentador da Umbanda
ou mesmo muitos Zeladores de Santo,. A Tronqueira por estar ligada
diretamente aos nossos amados Exús e Pombo Giras, nos quais por
extrema falta de informações, tem seus trabalhos mal interpretados.

    A Tronqueira tem várias finalidades dentro do terreiro, a
proteção, como vimos acima é uma delas, e sabemos que toda a energia
que emana da Tronqueira é usada para o trabalho de Entidades de Luz da
linha da esquerda, ou seja os Exús e Pombo Giras,que utilizam dessa
energia para a limpeza e extrema proteção a casa e ao trabalho de
caridade. A energia da Tronqueira também tem como finalidade ser a
fonte que alimenta um campo de força energético que se mantém no
astral, em uma enorme área em torno do terreiro, essa área tem uma
base de medida de 100 metros linear para frente, para trás, para
esquerda e para direita, podendo ser contada essa área em 10000 metros
quadrados, essa área é protegida pelos Exús e Pombo Giras.

    A palavra Tronqueira quer dizer "tronco", ou "base" na língua
Tupi. Significa a base dos trabalhos espirituais feitos nas casas de
Umbanda.

    A Tronqueira faz o trabalho inverso ao do Gongá, pois na
Tronqueira que é um portal de polaridade negativa absorvedora e
esgotadora utilizado para afastar todos os espíritos sem luz daquele
ambiente espiritual, enquanto o Gongá que é um portal de polaridade
positiva irradiadora, trás ao ambiente as forças de Entidades de Luz,
fazendo assim que a Tronqueira fique com a missão de limpeza e
proteção e o Gongá com a missão de cura e abertura de caminhos a
consulentes.

    Sabemos que diversas pessoas frequentam uma casa de Umbanda, seja
no modo físico, ou no modo espiritual, e cada uma dessas pessoas, seja
consulentes ou médiuns trabalhadores, traz consigo suas cargas
espirituais, sentimentais ou sociais. Essas cargas são somadas a seus
pensamentos mesquinhos, suas raivas, suas iras, seus rancores, seus
ódios, seus desamores, suas desilusões, e muitas dessas energias
obscuras somados com alguns espíritos obsessores podem fazer grandes
estragos nos trabalhos de caridade espirituais, porém essas cargas nem
conseguem se aproximar dos terreiros de Umbanda, pois os Exús
trabalhadores da Tronqueira ficam encarregados de buscar e juntar
todos essas cargas, e descarregando a todos, dando oportunidade de
nos livrarmos desse mal e assim podermos acompanhar as Giras sem
atrapalhar a caridade cedida.


    Para finalizar vamos descrever uma saudação a Tronqueira e as
Entidades de Luz que nela trabalham.

(Esse texto nos foi enviado por um amigo, porém não mencionou a fonte)

         SAUDAÇÃO A TRONQUEIRA E AOS GUARDIÕES ESPIRITUAIS

Minha Tronqueira tem axé, tem vontade e tem vida, tem Exú e Pombo Gira
para guardar e proteger.

Minha Tronqueira tem axé, também tem Exú e Pombo Gira Mirim, desde já,
saúdo Pedrinha Preta, 7 Pedrinhas e o Foguerinha que com seu jeitinho
maroto de aprontar e desenrolar as verdadeiras intenções vão nos
mostrar.

Minha Tronqueira tem axé, tem vela tem marafo, tem dendê e aguardente.

Minha tronqueira tem axé, sem porta e sem janela, dizem que alguém tá
procurando, morador pra morar nela.

Minha tronqueira tem Guardião, que guarda de noite e protege de dia e
quem guarda e protege também eu chamo de vigia.

Minha tronqueira tem axé, não tem nome e não tem foto, tem o nome que
ela guarda e o meu corpo que ela cobre.

Minha tronqueira tem axé, tem caldeirão e alçapão, tem escada, tem
ponteira é morada de Guardião.

Minha tronqueira tem axé, tem abismo e escuridão, que é passagem pra
quem desce e alivio pra quem sobe.

Minha tronqueira tem axé, tem relógio, tem sino, quando da a meia noite
é sinal que está abrindo.

Minha tronqueira tem axé, tem chicote, tem espada, tem punhal e
bracelete, tem capuz e tem mortalha, tem arma pra combater, uns dizem
pra bater outros para aprender.

Minha tronqueira tem axé, tem chave e cadeado, tem ferradura, tem
bigorna, onde o aço forja, corta e trinca.

Minha tronqueira tem axé, tem Exú João Caveira, Sete Encruzilhadas,
Sete Porteiras, Sete Tronqueiras, tem Marabô, Exú Rei, Senhor Tiriri,
tem Exú Mulambo, Sete Covas, Sete Cruzes, Sete Catacumbas, Exú
Caveira, Senhor Caveirinha e o grande Mestre Tranca Ruas. E como ao
lado de todo homem encontramos grandes mulheres, aqui não poderiam
faltar as suas senhoras, por isso tem Dama da Noite, Pombo Gira
Serpente, tem Rosa das Setes Saias, Pombo Gira Maria Quitéria, Maria
Padilha e Maria Mulambo.

Minha tronqueira tem axé, tem suor e tem lágrima, suor de quem
trabalha e lágrima de quem não escapa, lembrando que a lei abrange a
todos.

Minha tronqueira tem axé, tem hora de apanhar e tem hora de bater,
batendo ou apanhando tem Exú a me valer.

Minha tronqueira tem axé, tem Curador, de certo tem Curador pra me
curar, e Exú do Ouro para prosperar.

Minha tronqueira tem axé, é morada de sentinela, se tem mandingueiro é
Exu Velho que habita nela.

Minha tronqueira tem axé, tem pimenta malagueta, tem fogo, tem
fogueira, tem brasa tem braseiro.

Minha tronqueira tem axé, não tem corte, mas tem morte, mata de
mansinho bem devagarzinho, mata o vicio e as trevas que habitam o
caminho.

Minha tronqueira tem axé, tem entrada e tem saída, tem salve e saravá
e por aqui eu vou ficar.

Salve a força da nossa Tronqueira, salve os nossos Guardiões!

Laroiê Exú!

Laroiê Tronqueira !


Carlos de Ogum

terça-feira, 30 de maio de 2017 41 comentários

Conhecendo Senhor Exú Rei








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Não é a toa que ele tem um trono, não é a toa que ele tem uma coroa,
eu agradeço ao senhor das alturas e ao exu rei que é o dono da rua.

Eu levo uma garrafa de marafo,
e no cruzeiro eu vou lhe ofertar,
eu vou chamar o exu rei,
ele é o exu que vai me ajudar.

Olha a coroa dele que brilha com o luar,
na encruzilhada ele vai trabalhar,
para que seus filhos possam melhorar.

Ena ena é Mojubá exu Rei tu és,
Ena ena é Mojubá exu na ponta dos pés.

Eu sou exu!
Um exu dentro da lei!
Padilha é a Rainha!
E eu sou teu Rei.

Eu não agüento essa dolorida paixão!
O amor reclama e machuca o coração!
E você vive dizendo Que exu não tem coração!

Quem sabe um dia,
possamos juntos Ver o dia amanhecer!
Por favor, não vá embora,
Pois ainda é muito cedo!
Se aproxime bem pertinho,
Para sentir o meu aconchego

Eu sou Exu,
e a Deus pertenço como lei,
na calada da noite escura,
protejo meus filhos, pois sou o Exu Rei.
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    Exu Rei é uma Entidade de Luz que trabalha em prol do bem e caridade dentro da Religião de Umbanda dentro das regras de nosso Pai
Maior, Zambi (Deus)

    Ele tem por missão e permissão de ir até as mais obscuras
profundezas para resgatar aqueles espíritos que por infortúnio se deixaram ser levados por espíritos sem luz, como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros a esse lugar de baixo teor espiritual.

    Exu Rei por caridade se entranha a esses obscuros lugares sem receio de uma luta contra esses obsessores, apenas para então fazer esses resgates, em nome do Pai Maior, e assim levar esses espíritos perdidos e sofredores a um caminho de luz e evolução.

    Certamente nosso amigo de luz Senhor Exu Rei, não está sozinho nessa missão, pois com ele há muitos Chefes de Falange, Exus poderosos e de extrema caridade.

    O objetivo de missão de Senhor Exu Rei, além de resgatar os espíritos perdidos é também de comandar o reino das encruzilhadas onde a legião de Exus trabalhadores em missões de resgate atuam especialmente como guias para Exus de outros povos, portanto seu reino tem a benção de ter junto a ele o comando de nove Exus poderosíssimos, que conforme foi dito acima, trabalham juntamente na missão de resgate.

    Abaixo relacionaremos o nome do Exu e o povo que ele comanda:

01 - Chefe: Exu Tranca Ruas. Comanda: Povo da Rua.

02 - Chefe: Exu Sete Encruzilhadas. Comanda: Povo da Lira.

03 - Chefe: Exu das Almas. Comanda: Povo da Lomba.

04 - Chefe: Exu Marabô. Comanda: Povo das Trilhas.

05 - Chefe: Exu Tiriri. Comanda: Povo das Matas.

06 - Chefe: Exu Veludo. Comanda: Povo da Calunga.

07 - Chefe: Exu Morcego. Comanda: Povo da Praça.

08 - Chefe: Exu Sete Gargalhadas. Comanda: Povo do Espaço.

09 - Chefe: Exu Mirim. Comanda: Povo da Praia.

     Estes são os chefes que juntamente com Senhor Exu Rei comanda os caminhos das encruzilhadas, e tem a missão de resgate a espíritos perdidos e sofredores.

    Com toda essa força espiritual Senhor Exu Rei vem a terreiros de Umbanda fazer seu trabalho de caridade, muitas vezes auxiliando aos consulentes obsediados ou atacados por espíritos sofredores, a se livrar desse incômodo que pode levar a pessoa a sofrer males de doenças, desânimos, vícios, chegando até ao suicídio.

    O Senhor Exu Rei é muito respeitado dentro dos Terreiros de Umbanda, e também muito respeitado no mundo espiritual. Ele se apresenta com características de um homem de idade avançada, aparência muito refinada, demonstrando a sua nobreza.

    Quando lhe é permitido os trabalhos com bebidas e fumos, que logicamente tem um fundamento dentro da Umbanda, ele tem a preferência de bebidas de boa qualidade e charutos de maiores espessuras. Quando incorpora em um médium realmente preparado, que esteja bem desenvolvido mediunicamente, demonstra toda sua personalidade, mostrando sua voz forte, de tom grave e bastante rouca.

    Exu Rei tem um olhar penetrante, e ao se fixar em alguma pessoa, parece que vê a alma do mesmo, demonstrando saber seus segredos mais íntimos, aqueles que estão escondidos na obscuridade do ser, e com isso as pessoas que se deparam frente a frente com Senhor Exu Rei logo sentem sua autoridade, e o respeitam intensamente.

    Dentro da Umbanda é normalidade dos médiuns se vestirem de roupas na cor branco, porém aqueles que desejarem agradar Senhor Exu Rei podem utilizar vestes nos tons em vermelho e preto, com toques em branco, e em alguns casos em tons dourados.

    Se sente extremamente bem tendo em seu poder a capa negra e a cartola da mesma cor, isso pela sua tradição de nobre, e do grande reino que comanda  na legião dos Exus.

    Exu Rei tem por afinidade trabalhar em sessões e Giras que tenham uma verdadeira força espiritual, onde os que nela se encontram estejam em grande concentração, podendo assim dar o máximo de si, e por esse motivo em uma casa onde se trabalha o Senhor Exu Rei é recomendável máxima atenção, pois se ele chegar a terra e verificar uma falta de concentração por parte de algum médium, certamente ele irá chamar-lhe a atenção, independente de qual médium for. É assim que ele reina, pois apesar de ter um caráter tranqüilo, sério e muito amável, pode ser muito enérgico e muito rancoroso com algo que não esteja de seu agrado.

    Se qualquer filho de uma casa, ou mesmo um consulente tiver qualquer dúvida pode vir ao Senhor Exu Rei sem receio, pois ele tem o prazer em ensinar e doutrinar.

    É um Exu rígido e severo no que se diz em seguir as tradições, cobrando de seu filho seguir todos os rituais umbandistas passo a passo como deve ser, a não ser se alguma mudança for feita por ele próprio, pelos Exus chefes de legiões ou pelo Mentor da casa, no qual tem extremo respeito e admiração.

    Os trabalhos espirituais dentro dos terreiros feitos pelo Senhor Exu Rei são de alto poder de caridade, quebrando magias negras, auxiliando em problemas profissionais, problemas espirituais, sempre visando a abertura de caminhos, por isso solicitar o auxílio de Exu Rei é ter um poderoso aliado para vencer qualquer obstáculo ou demanda, dentro do merecimento de cada um claro.

    Para finalizar gostaria de descrever um texto para demonstrar que Senhor Exu Rei, apesar de ser chamado de "rei", é um trabalhador incansável e humilde, como podemos notar abaixo:

                        Palavras de Exu Rei

"Vocês, irmãos da África, me tratam como um rei.
Como se homem e natureza fossem coisa à parte.
Como se eu não houvesse caminhado faminto e exausto pela mesma planície do tempo.
Como se eu não houvesse resvalado nas mesmas pedras e sufocado nos mesmos desertos sem vida.
Como se nossas tribos fossem diferentes de qualquer  outra tribo.
E nossos reinos mais ou menos ilusórios do que as  brumas que prometem chuva, e não trazem.
Vocês me saúdam como um deus, mas eu sou apenas antigo.
Tão antigo quanto à luz que ainda hoje ilumina as festas  de suas tribos.
E traz a herança de outras  moradas na noite infinita.
Há sim, irmãos, muitas Áfricas nessa imensidão.
Se sou um deus, saibam que  também são!
E quando virem um de nossos irmãos suplicando por pão e água na soleira de suas portas, ajudem-no. Tratem-no como a um rei.
Que todos somos reis de  nossa própria história.
E cabe somente a nós comandar aos exércitos da alma. E desbravar os territórios desconhecidos de nós mesmos.
Se sou um deus, saibam que  também sofro!
E quando ouvirem um de nossos irmãos expirando o último tanto de ar dos pulmões, saúdem sua morte.
Pois é um deus quem vai.
Mais um deus que segue seu caminho, como a água das chuvas e dos rios.
Se sou um deus, saibam que  também amo!
E quando ouvirem um de nossos irmãos inspirando o primeiro tanto de ar nos pulmões, saúdem seu nascimento.
Pois é um deus quem chega.
Mais um deus que segue seu caminho, como as estrelas cadentes a bailar pelas galáxias.
Vocês, irmãos da África, me tratam como um rei.
Mas em toda essa imensidão de tribos e estrelas da noite eterna, há somente um Rei.
Aquele que é Pai e é Mãe.
Aquele que joga sua rede no  rio do Cosmos, aguarda pacientemente  e fisga um tanto de almas de  cada vez.

Laroiê Exu Rei, Laroiê Exu Odara!"
(Fonte desse texto: Blog "Textos Para Reflexão")


    Agradeço a benção desse Maravilhoso Exu de Luz na minha Coroa para os trabalhos de caridade em nosso Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê.

    Senhor Exu Rei é Mojubá!






Carlos de Ogum

sábado, 20 de maio de 2017 26 comentários

Poema ao amável Chico Xavier. Por Carlos de Ogum

         


Caminhos livres para evolução devemos seguir,
nesses caminhos um irmão de luz vamos encontrar.
Seu olhar generoso e um abraço devemos pedir,
a essa luz do Senhor que veio para nos encaminhar.

Suas lições deveremos entender,
sua fé devemos seguir e crer.
Em seus caminhos do bem nunca iremos nos perder,
e assim com sua caridade vamos aprendendo a viver.

Seu nome é Francisco com todo amor,
para todos o Chico de coração.
Em um grande jardim, a diferente flor.
que Chico Xavier nos ensine a lição.

Nasceu lá em Pedro Leopoldo, cidade pequenina,
e de lá sempre esteve nos trazendo a luz.
Incomodando os senhores de batina,
esse era Chico, enviado de Jesus.

Na época sofreu preconceitos dolorosos,
e também dolorosos foram seu viver,
Muitos não o entendiam e se diziam poderosos,
exclamando que tudo terminava no momento de morrer.

Tinha o imenso carinho de sua mãe Maria de Deus;
e com ela conversava após o desencarne dessa flor.
Sempre surrado e maltratado longe dos irmãos seus,
mesmo assim guardava no coração imenso amor.

Chico, amado Chico, coração de luz,
pessoa diferenciada, de imenso amor e fé.
Suas palavras sempre voltadas ao Senhor Jesus,
e assim respeitado desde a Umbanda até o Candomblé.

Livros e mais livros ele escreveu,
espalhando ensinamentos para a evolução.
Trazendo luz para todo aquele que o entendeu,
mostrando sempre o melhor caminho com uma bela lição.

Com carinho atendia todos irmãos amigos seus,
estando sempre com um gesto de fraternidade,
suas mãos eram verdadeiramente abençoadas por Deus,
mas mesmo assim nunca deixou de ter sua humildade.

Homem de grande luz e diferenciado,
que tinha um amor intenso no coração.
Com uma fé extrema foi agraciado,
fazendo assim que lindamente cumprisse sua missão.

Amor era sua palavra de coração,
trazia a todos a paz esperada.
Levando os mais descrentes a sua razão,
espalhando esperança até a pessoa mais desesperada.

Seus preceitos eram sempre voltados a caridade,
e no jardim da paz ele era a mais bela flor.
Lutando para sempre mostrar sua idoneidade,
distribuindo a todos muito carinho e amor.

A Deus ele entregava cada pedido,
e assim recebia respostas de luz.
Honesto, sereno, humilde e contido,
simplesmente um homem irradiado por Jesus.

Tinha como Emmanuel seu Mentor iluminado,
e com ele trazia suas cartas de luz.
Ser que por Deus foi abençoado,
esse era Chico Xavier, o mensageiro de Jesus.


Salve o amado Chico Xavier!



Carlos de Ogum

quarta-feira, 10 de maio de 2017 34 comentários

Entendendo Sobre o Cruzeiro das Almas




    Vamos começar esse texto com uma pergunta simples que muitas
pessoas nos fazem...

    O que é o Cruzeiro das Almas?

    Dentro da Umbanda é um dos pontos mais respeitados de todo nosso
ritual

    O Cruzeiro das Almas geralmente é encontrado dentro de cemitérios,
que na Umbanda chamamos de "Campo Santo" ou "Calunga Pequena".

    Nesses locais, o Cruzeiro das Almas ficou conhecido como uma
grande referência para que as pessoas acendessem velas para iluminar,
homenagear e se lembrarem de seus entes desencarnados e que foram
sepultadas naquele local, e fazem isso também para que essas almas
sejam encaminhadas e cuidadas pelos espíritos de luz em nome do
trabalho de caridade e do amor de Deus.

    Para quem já foi a uma Calunga Pequena, é fácil de identificar o
Cruzeiro das Almas, que se simboliza com uma grandiosa cruz de
madeira, e normalmente fica bem ao centro do Campo Santo, e de fácil
acesso e bem visualizado.

    Ali naquele lugar, temos uma grande força espiritual, local onde
se trabalha as 13 Almas Benditas, na qual tem a função de auxiliar a
entrada das Entidades trabalhadoras da Calunga Pequena para o resgate
de espíritos desencaminhados, perdidos e viciosos.

    Esse é um dos trabalhos mais belos da Umbanda, pois ao
desencarnar, o espírito por muitas vezes se sente desorientado,
perdido, sem saber os acontecimentos, o que fazer e onde seguir. E
assim com essa força espiritual é feita essa maravilhosa ajuda a
esses espíritos buscarem o caminho que cada um deve seguir, deixando
para trás o apego a matéria, a vida encarnada e os bens materiais.

    Mas como nem tudo são flores, o próprio ser humano faz desse
honroso trabalho de luz um falso ritual mistificador para sanar sua
ganância, vaidade e sua falta de orientação e informação, pois
infelizmente também podemos presenciar em alguns Cruzeiros das Almas
alguns ditos trabalhos de ordem negativa, trabalhos esses que não tem
ligação nenhuma com a Umbanda, e que muitas pessoas acreditam ter,
pois a falta de informação é tão grandiosa que essas pessoas creem que
obsessores, como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros são Entidades de Luz, e
que estão ali a seu bel prazer para fazerem trabalhos de magia negra,
porém esses rituais além de estar longe de ser rituais umbandistas,
quem o fez não tem o mínimo conhecimento de fatos que estão mexendo,
ou da distância dessas crendices para a Umbanda.

    A Umbanda é irradiada de luz, e sua ação é de total respeito ao
livre arbítrio de cada um, e definitivamente não se faz
nenhum trabalho negativo.

    O Cruzeiro das Almas é tão importante aos espíritos assim como o
ar é fundamental ao encarnado, pois é ele o portal de passagem onde o
espírito passa de um plano vibratório para outro, como por exemplo no
momento do desencarne, nas passagens de um estado de doença física ou
emocional, uma obsessão complexa ou mesmo simples, mágoas, ódios,
rancores e todo sentimento de ordem negativa para uma situação de
cura, equilíbrio e harmonia.

    Dentro da Umbanda, em terreiros, centros, tendas ou templos,
encontramos o Cruzeiro das Almas ou conhecido também por "Cantinho das
Almas", e nesse local que são feitos assentamentos e firmamentos para
a proteção da casa e dos médiuns sobre as influências de seres
infelizes, Kiumbas, Eguns, Zombeteiros e obsessores de todos os tipos,
da mesma forma no qual é feito nas Calungas Pequenas.

    Muitas pessoas mal informadas, sem teor da religião umbandistas,
mistificadores sem orientação, tem o mau costume de dizer que o
Cruzeiro das Almas traz má sorte, além de ser um chamariz da morte,
contudo nada tem a ver essas colocações, isso não passa de crendices
dessas pessoas que veem coisas obscuras até no ar que respiram, é uma
falta tremenda de informação, e chega até ser uma falta de respeito
com o Cruzeiro, com as Almas e com o Orixá regente desse local, o
nosso poderoso Omulú/Obaluaiê.

    E para piorar essas crendices, infelizmente essas colocações não
veem apenas de pessoas que estão fora da Umbanda, pois vemos
umbandistas consagrados, como Zeladores (pais e mães de santo), e
muitos filhos de santo dizerem essas coisas sem fundamento algum,
fazendo assim espalhar falsas informações sobre um local tão abençoado
e de grande importância para todos nós.

    Devemos sempre lembrar que o Cruzeiro das Almas é um magnífico
ponto de luz, e ao nos dirigirmos a ele devemos proceder como fazemos
em qualquer outro campo de força de atuação vibracional dos Orixás, é
primordial o respeito, o bom senso e principalmente a elevação da fé.

    Para quem frequenta terreiros, centros e tendas de Umbanda com
mais frequência, certamente já passou por um fato no qual muitas
pessoas ainda não compreendem o porquê desse acontecimento. Estamos
falando de quando um Guia de luz chega até nós, nos entrega uma vela
branca, e recomenda que a acenda no Cruzeiro das Almas. A nossa mente
nesse momento trabalha de uma forma incessante, nos fazendo crer que
possamos estar acompanhados por Eguns, Kiumbas ou algum espírito
sofredor, porém nos esquecemos que tal qual na Calunga Pequena, ali é
um ponto de transformações inerentes a vibração de Omulú/Obaluaiê, o
senhor das Almas e das passagens, e muitas vezes a "vela" não é para
os outros que possam estar nos obsediando, mas sim, para nós mesmos,
para que assim podermos com a ajuda de Omulú/Obaluaiê transmutarmos
algo de ruim que ainda não estamos conseguindo sozinhos resolver
dentro de nós.

    Temos que entender que a cruz na Umbanda e um símbolo de
ascensão, da conexão entre a espiritualidade, a matéria física e
planos vibratórios transcendentes.

    Nos Terreiros sabemos que Omulú/Obaluaiê é o Orixá que rege toda
as forças do Cruzeiro das Almas, e as Entidades de Luz que mais fazem
uso desses símbolos são os amáveis Pretos Velhos. Podemos notar isso
em seus rosários, seus terços, seus pontos riscados que normalmente
tem uma cruz ou mesmo o Cruzeiro das Almas desenhados de forma
tradicional, demonstrando assim a elevação espiritual que essas
Entidades trazem consigo.

    O mesmo respeito que devemos ter pelo Cruzeiro das Almas devemos
ter pelas Entidades que conduzem esse maravilhoso símbolo, pois como
observamos a cruz é um símbolo por demais antigo, e os Pretos Velhos
são os anciãos da Umbanda. São espíritos velhos, sábios, com tanta
elevação que são capazes de transitar em diversos planos sutis da
existência. Os terços que carregam consigo trazem a sabedoria de
milênios.

    Quando sé é montado um Cruzeiro das Almas em nossas casas de
Umbanda, e nela colocamos as imagens de nossos amados vovôs e vovós,
seus elementos de trabalho junto as palhas de Omulú/Obaluaiê, Orixá
regente dessas Entidades juntamente com Oxalá, ali estamos
estabelecendo um ponto de força energético espiritual dos mais
importantes para a humanidade. Ali é um canal de ligação de nossos
rituais umbandistas aos termos mais evoluídos do plano espiritual.
Estamos nos conectando com os seres de luz que em gesto de caridade
emprestam ao terreiro as mais variadas sabedorias e conhecimentos. Não
é a toa que Obaluaiê é sinônimo de Evolução e os Pretos Velhos de
sabedoria. São os responsáveis por nos nortear, nos conectar nas
diversas cruzes da existência.


    Portanto, para finalizar, vamos ter em mente que o Cruzeiro das
Almas é um ponto energético de luz e caridade, que auxilia a nortear
os desencarnados, e aos encarnados mostra que não devemos nos apegar
nas crendices, levando o nome santo do Cruzeiro das Almas em colocações errôneas feitas pelo próprio ser humano, ou seja por
falta de informação, por ser mau caráter, por vaidade, por miticismo.
Devemos respeitar o Cruzeiro das Almas, pois certamente um dia
passaremos por ele em busca de um portal de passagem entre o mundo
material e o mundo espiritual.

    Salve o Cruzeiro das Almas!

Carlos de Ogum

domingo, 30 de abril de 2017 37 comentários

A História da Erê Aninha Estrelinha do Mar

           


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    Nas ondas do mar eu vi ela chegar,
com as forças de Ogum e as bençãos de Iemanjá,
sobre as águas do Oceano ela assim vai reinar,
abençoada pela luz divina de Pai Oxalá.

    Uma linda criança sublime de luz,
que encanta todos em nosso Gongá,
trabalhando em nome do Menino Jesus,
a linda menina Aninha Estrelinha do Mar.
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    Aninha Estrelinha do Mar é uma Erê que trabalha na Umbanda na linha
das Ibeijadas, fazendo a caridade a quem necessita, principalmente às
crianças carentes e necessitadas.

    Ela busca fazer seus trabalhinhos voltados a saúde do corpo
físico, mental, psicológico. Tem grande conhecimento de rezinhas que
encantam a todos, principalmente os pequeninos.

    Sua história na vida encarnada se iniciou nos meados do século XIX,
onde ela veio iluminar esse mundo com seu sorriso cativante e lindo.
Nasceu na região Nordeste do Brasil, em uma ilha nas proximidades da
Baía de Todos os Santos, e lá ela viveu até seu desencarne com apenas
7 anos de idade.

    Aninha já era diferenciada mesmo no ventre de sua mãe, uma
camponesa da região que se matrimoniara com um imigrante espanhol,
e com todo amor aguardavam a chegada de um filho. E essa diferenciação
era constatada pelo próprio pai de Aninha, quando a sua esposa já
grávida era acompanhada por três luzes muito brilhantes, sendo uma
azulada estando sempre a frente da futura mãe, e duas embranquecidas,
ficando uma de cada lado da mulher.

    A jovem camponesa era muito fiel a sua fé, e sempre dizia ao esposo
que ela não estava apenas gerando um filho, mas sim um Anjo de Deus, e
a prova estaria nas luzes irradiantes que ela via em torno de si
mesma.

    O tempo passou e, certa manhã, quando o casal estava em um pesqueiro
buscando seu alimento, a jovem futura mãe sentiu as dores do parto, e
rapidamente seu esposo buscou retornar ao cais, porém o mar de um
instante para outro se tornou violento, grandes ondas se formaram,
fazendo assim com que o pesqueiro ficasse a deriva.

    O jovem espanhol entra em desespero, tinha muito medo de que
acontecesse algo de ruim a sua esposa e ao filho que estava para
chegar.

    Ele tentava desesperadamente conduzir o velho pesqueiro para fora
da tormenta, pedia auxílio a seus companheiros de pesca, clamava a
algumas mulheres a bordo que levassem a sua esposa a local seguro pois
ainda se encontrava no convés. E assim foi feito, enquanto o grupo de
pescadores sobre supervisão do jovem espanhol continuavam tentando
retirar o pesqueiro da tormenta, tentando salvar as vidas de todos
ali.

    Não sabendo mais como conduzir o barco, o espanhol se joga de
joelhos ao chão, clama a Deus que os salvem, principalmente sua esposa
e o filho que estava para nascer.

    Enquanto isso a jovem futura mãe se encontrava em uma cabine,
deitada ao chão, em lágrimas, não pelas dores, mas com medo de algo
acontecer e seu bebê não pudesse sequer nascer.

    Em sua volta algumas mulheres de pescadores rezavam em murmúrio,
pedindo proteção a todos e principalmente a criança que estava a vir
ao mundo naquela situação desesperadora.

    Lá fora a tormenta aumentava, muitas ondas batiam no casco do
pesqueiro fazendo com que ele balançasse, rodopiasse, deixando todos
sem direção.

    A jovem mãe sentia mais dores, e com o balançar do pesqueiro tudo
ficava pior. Mulheres ajoelhadas rezavam, uma velha senhora mestiça
auxiliava a mulher em seu parto.

    Os ventos não davam trégua. O mar revoltoso lambia todo o convés
do pesqueiro de uma forma violenta, as velas se rasgavam, a correria
por salvação estava grandiosa, enquanto o espanhol continuava suas
orações.

    Na cabine abaixo do convés, o sofrimento da futura mãe era de
cortar os corações das mulheres presentes, ela clamava a Deus e pedia
que salvasse a sua criança. E a criança começa a nascer com auxilio da
velha senhora pescadora.

    No mesmo instante que a criança vinha ao mundo, os ventos batiam e
quebravam os grandes mastros do pesqueiro, as ondas enormes quase
viravam a embarcação.

    E a criança nasceu, e como por um milagre ao dar seu primeiro
choro de recém nascido, o céu se cala, não havendo mais raios e
trovões, o mar se acalma, o vento vira uma pequena brisa, o mestre Sol
reaparece.

    Ao sentirem a calmaria novamente, os pescadores aos poucos
retornam ao convés, se reunindo em agradecimento a Deus. Nesse momento
a velha porta de madeira da cabine se abre e a velha senhora mestiça
com a criança ao colo, abre um largo sorriso dizendo a todos sobre o
nascimento da menina. O jovem espanhol se aproxima, pega a criança ao
colo, se ajoelha e em lágrimas agradece a Deus.

    Nesse momento, as três luzes que acompanhavam a jovem mãe em sua
gestação aparecem diante de todos, só que dessa vez em forma humana, e
se apresentaram assim: Uma linda mulher de manto azul e longos cabelos
negros com seu olhar carinhoso que encantou a todos, e dois homens
encorpados, de aparência serena, e olhar cativante, vestidos com
roupas azuladas, porém um com o tom de azul mais escuro e outro com
azul mais claro.



    A mulher com a voz doce e meiga, abre os braços e diz assim:

    "Abençoada seja essa criança, assim como abençoada seja seus pais.
Essa menina veio ao mundo para iluminar os caminhos de quem
necessitar, terá em suas mãos o poder de curar, de trazer paz, de
distribuir o amor.

    Essa será sua última missão nessa terra antes de partir para o
reino da caridade espiritual. Ela será protegida, encaminhada e amada
por mim, e pelos dois protetores que cá estão presentes.

    A luz de Oxalá deve fazer essa criança brilhar em sua missão, e
após ter a cumprido, retornará a seu lugar da mesma maneira que cá ela
chegou.

    Aos pais, rogo muita fé, entendimento e compreensão, pois será com
esse entendimento que fará essa menina ser mais uma divindade, com
essa fé que exaltará toda sua caminhada rumo ao infinito amor de Deus,
e essa compreensão que fará com que ela possa caminhar em seu destino
sem tristezas ou culpas.

    Aqui agora eu abençoo cada instante de vida desse ser de luz, e
que sua generosidade, seu amor, sua fé e sua caridade reinem acima de
tudo.

    Em meu nome, Iemanjá, em nome de Ogum Beira Mar, e em nome de Ogum
Iara, eu trago as forças das águas do mar e das cachoeiras a essa
menina de Deus."

    Ao falar isso, a linda Iemanjá segura uma bela estrela do mar nas
palmas das mãos, sobre ela também colocam as mãos espalmadas Ogum
Beira Mar e Ogum Iara, abençoando o objeto, que foi entregue ao pai e
a mãe da menina, que já se encontrava no convés.

    E assim Iemanjá disse:

    "Guardem essa estrela do mar, ela é o artefato que essa doce
menina usará para seus trabalhos de cura."

    E assim, as imagens iluminadas desapareceram diante de todos
presentes, que sem demora se jogaram de joelhos e se colocaram em
oração.

    Nesse instante a jovem mãe ainda fraca, com um fio de voz diz ao
esposo:

    "Ana, esse vai ser o nome de nossa filha, e será conhecida como
Aninha Estrelinha do Mar."

    E assim o tempo passou, e Aninha ficou muito conhecida na região,
todos comentavam o acontecido de seu nascimento, e muitas pessoas
faziam filas nas proximidades da casa de Aninha para poderem tocar na
menina e na estrela do mar que estava sempre a seu lado.

    Muitas curas foram feitas naquela região por intermédio de Aninha
e a fé de seus admiradores. E ela já com seus 3 anos andava por toda a
região em companhia de sua mãe para auxiliar a quem necessitava.

    Varias doenças da época disseminava muitos povos nas proximidades
da região onde residia Aninha e seus pais, e assim essas doenças
teimavam em atacar as pessoas do povoado de Aninha, porém, com muita fé
e o auxilio da menina, as pessoas decaíam sim, mas não chegavam ao
desencarne.

    As crianças que naturalmente eram mais enfraquecidas fisicamente,
eram as principais vitimas desses males da época, e assim todas eram
levadas ao encontro da menina que com carinho e dedicação, pegava sua
estrelinha do mar, fechava seus olhos e clamava pela cura dessas
crianças, que milagrosamente iam se restabelecendo dia após dia com a
fé da menina Aninha, e as bençãos da doce Mãe Iemanjá, de Ogum Beira
Mar e Ogum Iara..


    Assim ficou conhecido por toda a região os milagres e as bençãos
da Aninha Estrelinha do Mar.

    Os anos passavam rapidamente, e assim ano após ano a legião de
seguidores e admiradores da menina de Iemanjá, como já era conhecida,
foi aumentando. Ela sempre bem disposta e sorridente era incansável,
fazia sua caridade a todos que a procuravam, brincando, dançando ou
pulando, com seu ar infantil.

    Muitas pessoas lhe traziam presentes, porém ela insistia em não
aceitar, pois assim tinha aprendido com sua Mãe divina, a linda
Iemanjá, e seus protetores Ogum Beira Mar e Ogum Iara, que a caridade
deve ser entregue as pessoas sem interesses ou trocas, e assim ela o
fazia.

    Quando Aninha completou sete anos, teve um belo encontro com a sua
Mãe Iemanjá e seus protetores. Na mesma noite que ela tinha feito mais
essa primavera, estando em seu quartinho, deitada em sua cama, ela
ouve uma linda voz suave pedindo que ela acompanhasse uma pomba branca
que arrulhava na pequena janela de seu quarto. E assim ela fez,
seguindo a pomba branca pelo caminho que daria nas areias brancas da
linda praia onde ela tanto se ajoelhava para fazer suas preces a
Iemanjá e os Oguns Iara e Beira Mar, seus protetores.

    Lá chegando, sentou-se na areia, contemplou o brilho de uma bela
Lua cheia que a protegia de tudo e de todos. Sentiu a brisa vinda do
mar, o som sem igual das ondas se quebrando na orla, a força do mar
que a fazia ter esperanças em tudo que sonhava, o cheiro da maresia
inconfundível. Ali ela permaneceu sentada por alguns minutos até que
sua percepção mostra a chegada de alguém em sua retaguarda, ela se
vira e se depara com uma linda mulher de cabelos negros e sorriso
materno, mas atrás dois fortes guerreiros com largo sorriso sereno.
Ela já sabia de quem se tratava, ali estava diante de seus olhos de
menina a poderosa Rainha do Mar e os guerreiros da falange de Ogum na
linha dos Oceanos.

    Iemanjá se aproxima da menina enquanto os protetores ficavam um
pouco mais afastados. A Senhora das Sereias estende as mãos a pequena
Aninha, afaga seus cabelos longos, acaricia seu rosto infantil e
abrindo um sorriso lhe diz:

    "Minha menina de luz, sua missão está chegando ao final. Você
nasceu para servir a caridade, cresceu para curar seus semelhantes, e
agora vai partir para salvar a vida de dezenas e dezenas dos filhos de
Deus.

    Peço que não tenha medo, peço que não guarde mágoas, peço que
compreenda o homem e suas ganâncias, pois esse ainda é imperfeito.

    No momento de decisão, use seu coração e sua bondade para com seus
semelhantes. Muitas crianças dependerão disso para continuar a
caminhada, e só você pode fazê-las prosseguir.

    De hoje a sete dias, quando você tiver sete anos e sete dias,
Deus vai colocar a prova a sua caridade e seu amor pelos seus
semelhantes. Seu retorno a sua casa pode lhe trazer medos, porém sua
coragem e sua fé devem vencer esse medo, para que assim você parta
para os braços de Oxalá, e após isso sua missão retorna, porém na luz
espiritual. Seja corajosa, eu e seus protetores estaremos lhe
aguardando, e você será avisada no momento crucial o que deverá fazer.

    Fique com as bençãos de Deus!"


    E assim, as três imagens iluminadas partiram, deixando a menina
Aninha reflexiva sobre tudo aquilo que escutara.

    Dali ela retorna a seu lar, em meios de pensamentos que não sabia
muito bem como agir, as vezes sentindo receios, as vezes felicidade,
porém nunca deixava a sua fé se abalar.

    Ao estar novamente com sua família, escuta seu pai em diálogo com
um velho pescador, e o assunto era justamente as curas feitas pela
pequena menina aos necessitados. Sem perceber a presença de Aninha
eles cogitavam a ida de um pesqueiro a uma ilha distante para resgatar
dezenas de pessoas adoentadas, fazendo com que Aninha as curassem com
seu dom. Diziam eles que males atacaram as pessoas dessa ilha e as
doenças se disseminaram por todas as partes, e a única saída daquele
povo seria trazer os adoentados para serem cuidados e observados
dentro da região onde a menina fazia moradia, pois na versão do pai da
pequena Aninha, só poderiam ser curados por ela os que com eles
viessem.

    O pai de Aninha e o pescador já tinham entrado em contato com os
líderes daquele povo, contando a versão deles, que naturalmente não
era verdadeira, e acertado que no dia seguinte, embarcariam as pessoas
e retornariam ao seu destino.

    E assim foi feito, pois no dia seguinte todos estavam preparados,
inclusive Aninha que fez questão de ir para acalentar as pessoas mais
necessitadas durante a viagem, isso mesmo a contra gosto de seu pai.

    Ao chegarem lá ela verificou que a maioria dos adoentados eram
crianças, que tinham ao seu lado os pais desesperados, e tinha certeza
que deveriam tratá-los o mais rápido possível, pois muitas dessas
crianças estavam entre a vida e a morte.

    Porém seu pai não autorizou a menina a tratá-los ali, dissera que
o ar estava impregnado pelos males, e poderia ser perigoso permanecer
ali por mais tempo.

    A menina pestanejou, mas sem sucesso, ela teve que obedecer o pai,
que a arrastou até o pesqueiro ancorado, e após esse gesto ele tomado
por uma fúria jamais vista por ela disse que iria retornar para buscar
os adoentados para serem levados até o arraial de moradia de Aninha.

    Ela mesmo sem entender o porque seu pai estava agindo daquela
forma, respeitou e se calou. E quando ele retornou, ela se pôs de
joelhos e orou pedindo forças para todos que se encontravam doentes na
pequena ilha. E nesse momento ela observa no céu azul as imagens de
Iemanjá, Ogum Beira Mar e Ogum Iara sorrindo para ela, que a acalmou
lhe trazendo paz.

    Após levarem todos os que foram atacados pelos males para o
pesqueiro, o pai de Aninha juntamente com o velho pescador, tomados
pela ganância, navegaram com o barco até certo ponto no mar, e lá
disseram que só poderiam levar aqueles que pagassem certa quantia a
eles, podendo ser em ouro, prata, ou qualquer bem que as pessoas
tivessem, caso contrário ficariam parados ali.

    Muitos se desesperaram em ver seus filhos inertes, rogaram pelo
amor e a caridade dos dois gananciosos, mas eles estavam irredutíveis.

    Desejosos de riquezas, independente como as conseguisse, ficaram
ancorados a fim dos pais desesperados retornassem a ilhota e pegassem
todos os bens que possuíssem, afim de pagarem aos dois pescadores a
viagem e a cura dos seus entes amados.

    Enquanto isso, Aninha Estrelinha do Mar sem saber do acontecido,
continuava a fazer seus trabalhinhos de cura escondida do pai.

    Ao retornarem com alguns bens, os pais desesperados entregaram
tudo aos dois gananciosos, que ao verem que não era muita coisa, pois
os moradores da pequena ilha eram paupérrimos, disseram que não
levariam os adoentados e nem a menina iria fazer a cura desejada.

    Nesse momento a menina Aninha sai ao convés, escuta seu pai
falando a um dos líderes do grupo sobre o pagamento. Ela o recrimina
pesadamente, lhe dizendo que não poderia cobrar nada aos irmãos
sofredores, e que ele deveria devolver o que já tinha pego. E ela não
necessitava sair da ilhota para tentar curar os adoentados.

    O pai de Aninha ficou furioso, e num gesto de ódio ameaçou a
estapear a menina. Ao levantar as mãos para agressão, o céu escureceu,
o dia virou noite, raios cortavam todo horizonte, a tempestade caiu de
uma forma torrencial, o mar se revoltava, os ventos uivantes vinham
de todas as partes. Todos se assustaram, a correria começou,
o pesqueiro rodopiava, balançava violentamente, alguns pescadores eram
atirados ao mar, outros gritavam desesperadamente, e alguns rezavam,
clamando a Deusa dos Mares que salvassem suas vidas.

    As crianças adoentadas choravam de pavor, os pais tentavam uma
proteção ineficaz; o pai de Aninha tentava colocar o pesqueiro sob seu
domínio, porém as forças das águas do mar não lhe permitia isso.

    Aninha extremamente preocupada com os doentes, chegou até a proa
do barco, abrindo os seus bracinhos disse:

    "Mãe amada Rainha do Mar, entendi agora suas palavras antes de
minha partida a essa viagem. Entendi a ganância dos homens, entendi a
quem não devo guardar rancor. Agora entendo que não devo ter medo, que
devo salvar a todos dessa embarcação. E a ti me entrego minha Mãe, a
ti entrego meu caminho, e assim rogo apenas que salve a todos dessa
tempestade que mostra que devemos ser caridosos, e caridade nunca deve
ser cobrada.

    Rogo também pelo perdão a meu pai e a seus comandados, e que eles
nunca mais usem da oportunidade de fazer o bem em troca de seus
próprios interesses."

    Nesse instante, o pesqueiro rodopiou e se inclinou, fazendo menção
de naufragar, e no mesmo instante, nas águas do mar apareceram três
filhas de Iemanjá. E essas três Iabás acenando para Aninha, a chamaram
para junto delas, e a menina sem pestanejar se joga nas águas
revoltosas e violentas do Oceano.

    Ao ver essa cena, o pai de Aninha solta um grande grito de
desespero e de dor, tenta se atirar junto, porém é detido por outros
pescadores.

    Como num passe de mágica, as águas do mar se tornam mansas, os
ventos se transformam em uma leve brisa. No céu não há mais raios,
nem nuvem escuras, o Sol volta a brilhar.

    O barco pesqueiro fica na posição de retorno a pequena ilha. Todos
se entreolham. O pai da menina Aninha chora copiosamente buscando com
os olhos a menina que se atirou ao mar.

    Quando ele ia se atirar no mar tentando buscar sua pequena filha,
uma luz brilhante pairou sobre a embarcação. Nessa luz estavam as
imagens de Iemanjá, Ogum Beira Mar, Ogum Iara e ao centro a imagem da
doce Aninha segurando sua estrelinha do mar.

    A menina com uma voz suave e infantil disse:

     "Meus irmãos, Deus está curando todos os adoentados, nenhum de
vocês sairão dessa embarcação carregando convosco males ou doenças.

    Meu pai, peço-te para refletir sobre a ganância que tivestes. Devemos fazer a caridade sem cobranças, devemos fazer o bem para
recebermos o bem, devemos ter fé para podermos distribuir esperanças.

    Hoje parto da vida encarnada, começo a minha jornada na vida
espiritual, tenho muitas coisas a aprender, porém tenho a minha
mãezinha e meus protetores para me mostrarem os caminhos de luz.

    Deixo-te para refletir sobre esse dia de muitas lições. Não guarde
culpas pois tu não as tens; tudo que aconteceu estava escrito, e só
assim eu poderia partir para essa nova caminhada. Feliz eu fiquei
nesses sete anos e sete dias de encarnada junto a ti e a mamãe, mas
agora tenho que realizar e concretizar a missão que me foi dada por
Deus. Fazer o bem na forma de Entidade de Luz.

    Que Oxalá e todos os Orixás abençoe a todos vós!

    Sua benção, meu pai!"

    E assim as imagens dos quatro vão desaparecendo no mesmo instante
que a linda luz brilhante vai se dissipando.

    O pai de Aninha chora desesperadamente, com os braços erguidos ao
céu, sentindo-se culpado por tudo aquilo. Ele abaixa as mãos deixa sua
cabeça cair, se vira junto ao líder do povo da pequena ilha, se joga a
seus pés e lhe pede perdão.

    Nesse instante, todas as crianças saem ao convés, além de todas as
pessoas que antes estavam adoentadas, só que agora completamente
curadas.

    Todos se abraçam, e um a um vão se colocando de joelhos, erguendo
as mãos ao céu, e assim iniciaram lindas orações a maravilhosa Erê
Aninha Estrelinha do Mar.


    E assim a doce menina virou a bela Entidade de Luz que é, fazendo
caridade, curando males, trabalhando em prol da caridade, paz, amor e
harmonia a quem necessita, e quem busca seu auxilio em terreiros de
Umbanda.

    Salve as crianças de Umbanda!

    Salve a linda e doce Aninha Estrelinha do Mar!

    Oni Ibeijada!


Carlos de Ogum

quinta-feira, 20 de abril de 2017 28 comentários

Curimba, fonte de forças e energias na Umbanda

         

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Ah, como é lindo o batuque do Tambor.
Ah, como é lindo o batuque do Tambor,
na Umbanda linda de Nosso Senhor.
Na Umbanda linda de Nosso Senhor.

É a mensagem que enaltece os Orixás.
É a oração que elevo ao senhor.
É a vibração que nos faz incorporar.
Sem batuque na umbanda
não se pode trabalhar.

Eu não sabia, mas agora aprendi,
que o canto faz a gira de Umbanda,
quem canta, encanta a vida dos Orixás,
é uma benção, divina que emana muita paz.
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    A Curimba na Umbanda

    Quem nunca se e emocionou?

    Quem nunca ficou extasiado só em ouvir as canções melódicas, o som
dos Atabaques, o ritmo das palmas, o sentir das vibrações que emana no
ambiente ao tocar e ao cantar da Curimba.

    É algo que realmente encanta todos os umbandistas e a todos que
buscam na Umbanda uma forma de entrar em contato, de se religar a
Deus.

    A Curimba é a nomenclatura dada ao grupo responsável pelos cantos
e os toques sagrados dentro de um Terreiro de Umbanda.

    Os toques, como já falamos anteriormente em outra oportunidade em
nosso blog, são os sons envolventes que emanam vibrações, e esses
toques vem dos sagrados Atabaques, e esse texto poderemos ler nesse
link abaixo:

Atabaque, Instrumento Sagrado da Umbanda.

    A Curimba também se consiste dos cantos sagrados, e esses cantos
se expandem em muitas partes do ritual umbandista.

    Esses pontos cantados juntamente com os toques dos Atabaques são
de extrema importância desde o iniciar da Gira, assim como seu
decorrer e seu final. Por esse motivo devem ser bem esclarecidos,
fundamentados e entendidos por todos os filhos da casa e no máximo
possível pela assistência ou consulentes.

    Devemos entender que várias são as importantes funções que os
pontos cantados tem, entre várias temos a ritualística e o auxílio a
concentração dos médiuns.

    Falaremos um pouco dessas duas funções destacadas acima, para
melhor compreensão de suas importâncias.

FUNÇÃO RITUALÍSTICA:

    Essa é uma função muito importante, pois é a função onde se é
marcado através dos pontos todas as partes do ritual da casa. E nessa
marcação temos um conjunto de pontos, como a de abertura da Gira, o
de cruzamento da casa, a de defumação, o de bater cabeça para o Gongá
ou para o Zelador de Santo, podendo também em algumas casas, as
funções ritualísticas de fazer a firmeza da Casa das Almas e da Casa de Exú.

AUXÍLIO DA CONCENTRAÇÃO DOS MÉDIUNS:

    Na função de auxílio na concentração dos médiuns, os toques assim
como os cantos envolvem de uma forma expressiva a mente dos médiuns,
não a deixando desviar ao verdadeiro propósito do trabalho espiritual
de caridade. E além disso, a batida dos Atabaques induz ao cérebro do
médium a emitir ondas cerebrais diferenciadas do dito padrão comum,
facilitando grandiosamente o transe mediúnico, deixando assim que o
médium desenvolvido seja muito mais receptivo a chegada de Entidades
Mentoras e trabalhadoras em sua coroa (cabeça).

    E isso acontece de uma forma bem explicável, pois falando agora de
uma forma de linha espiritual, os pontos cantados, quando vibrados de
coração e com boa intenção, atuam diretamente nos chacras superiores,
principalmente o cardíaco, laringe e a parte frontal ativando-os de
uma forma natural e melhorando intensamente a sintonia com a
espiritualidade superior, enquanto o som dos toques dos Atabaques
atuam nos chacras inferiores conhecidos como esplênico e umbilical, e
criam condições ideais para a prática da mediunidade de incorporação.

    Temos também que esclarecer a importância da Curimba para a
limpeza de todo ambiente do Terreiro, pois as ondas energéticas
sonoras emitidas pela Curimba, de forma divina vão tomando todo o
Centro de Umbanda, e assim vão dissolvendo formas energéticas de
possíveis pensamentos negativos, energias pesadas tanto da parte dos
médiuns quanto da assistência  ou consulentes, essas energias são
capturadas e diluídas, e são conhecidas como miasmas, larvas astrais,
e assim limpam e criam toda uma atmosfera psíquica com condições
ideais para os trabalhos espirituais de caridade.

    A Curimba se transforma em um verdadeiro polo irradiador de
energia dentro do Terreiro, potencializando muito mais as vibrações
divinas dos Orixás e das Entidades de Luz.

    Os pontos cantados são verdadeiras orações, orações essas que
podemos determinar como grandiosos poderes de magia espiritualista, e
tem um enorme poder de realização, pois é um fundamento extremamente
sagrado e divino.

    A Curimba também pode ser vista como uma grandiosa manutenção da
ordem dentro de um Terreiro e nos seus trabalhos espirituais, pois é
através desses pontos cantados que temos as chamadas das linhas de
Entidades de Luz, assim como também na dita subida desses Guias, e
além disso temos também as vibrações nos pontos cantados para as
firmezas e e saudações a essas Entidades de Luz.

    Frisando que não é a Curimba que traz as Entidades de Luz ao
Terreiro; muitas pessoas pregam que as Entidades são chamadas pelos
pontos cantados e o som do Atabaque, porém isso é uma inverdade; toda
a vibração das Entidades trabalhadoras já se encontram no espaço
físico espiritual do Terreiro, antes mesmo do começo dos trabalhos da
casa. Então devemos entender que a Curimba não tem essa função ou
colocação, e se caso um Ogã ou Curimbeiro disser que pode trazer ou
mandar uma Entidade retornar, é pura vaidade de um médium não
preparado para estar em local de destaque na Curimba. Portanto a
Curimba não é a força vibratória que traz e leva as Entidades ao bem
querer de Ogãs e Curimbeiros, a Curimba funciona como a vibração
sustentadora de uma Gira de um Terreiro, a limpadora de maus
pensamentos e sentimentos de encarnados, e o que realmente invoca as
Entidades de Luz são nossos bons pensamentos e sentimentos positivos
vibrados em direção de todo ambiente do Terreiro. Certamente ao
cantarmos os pontos expressamos esses sentimentos, porém somente o
amor aos Orixás e as Entidades de Luz a verdadeira invocação de
Umbanda.


    Salve a nossa amada Umbanda!

    Salve a Curimba!



Carlos de Ogum

 
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