domingo, 10 de dezembro de 2017 21 comentários

Ser Umbandista de Coração

                             
Muitas pessoas se dizem umbandistas, batem no peito,
orgulhosamente dizendo a si mesmo que a Umbanda é a religião que toca
e comanda seu coração.

    Mas ai que está o porém e a pergunta...


    O que é ser umbandista?

    Uma das primeiras coisas que devemos entender é que nunca devemos
ter vergonha em demonstrar, não só a nós mesmos, mas a todos nossos
semelhantes que amamos incondicionalmente essa religião tão
maravilhosa, tão bela, mas tão mal compreendida.

    É inaceitável que um umbandista tenha vergonha de expressar seu
amor pela religião, ou que tenha vergonha de ser identificado como um
irmão de terreiro.

    Nós umbandistas de coração devemos nos dar acima de tudo a
caridade de um trabalho espiritual.
    Devemos saber e entender que uma casa, um terreiro, um centro de
Umbanda é um local espiritual, e devemos entender que esses locais
representam a bela Umbanda.

    Devemos crer que temos que respeitar para sermos respeitados,
ouvir para que sejamos ouvidos, é sabermos amar para que sejamos
amados, e principalmente saber darmos um pouco de nós para que assim
recebamos a luz divina de Deus dentro de nosso coração.

    Devemos ter a percepção que a Umbanda não faz e nunca fez
milagres, e termos a compreensão de quem faz é Deus, e esses milagres
só quem os recebe são aqueles que realmente os mereceram.

    Temos que ter a grande compreensão de que uma casa de Umbanda não
é comércio de bençãos, não vende e nem dá salvação, porém oferece a
ajuda para aquele que deseja encontrar um caminho de luz rumo a Deus.

    O umbandista é aquele que respeita a casa que se encontra, por seu
Zelador de Santo e pela própria religião de Umbanda como um todo.

    O umbandista é aquele que não é dominado pela vaidade, pelo
orgulho, pelo ódio, pela prepotência, pela promiscuidade. É aquele que
sabe tirar suas dúvidas com seu Zelador, sabe conversar expondo tudo
aquilo que deseja entender.

    O umbandista deve saber que nem sempre estamos preparados, que é
necessário muita dedicação, tempo e boa vontade para os trabalhos de
Umbanda. Devemos entrar no terreiro sem ter hora para sairmos, ou sair
apenas após o último consulente ter sido atendido.

    O umbandista sabe que se deve dar liberdade aos Guias que se
utilizem, quando necessário, de bebidas e fumo, mesmo se o médium não
fume ou beba, e devemos confiar sempre que nossas amadas Entidades de
Luz, mesmo se utilizando desses artefatos, nos deixem bem ao término
das sessões.

    Ser umbandista é entregar a coroa a nossos Orixás, para que assim
ele me revigore com sua força, deixando-me forte o suficiente para que
eu possa viver meu dia em uma luta constante em benefício dos que
precisam de auxílio espiritual.

    Ser umbandista é não ter medo de sofrer preconceitos por não negar
o que sou, e ser o que sou com dignidade e com amor.
É sofrer por não negar o que sou e ser o que sou com dignidade, com amor
e muita dedicação.

    O umbandista é aquele que ama e defende sua religião, mesmo sendo
chamado de louco, atrasado, ignorante, feiticeiro, e mesmo assim
dedica-lhe todo carinho e amor que ela merece.

    O umbandista é aquele que mesmo atacado, ofendido fisicamente,
espiritualmente ou moralmente pelos hipócritas e falsos religiosos,
continua mesmo assim amando a linda Umbanda.

    É ser chamado de adorador das trevas, do diabo e do satanás,
chamado também de servo dos encostos pelas bocas sujas e podres dos
vendedores de bençãos, e mesmo assim erguer a cabeça, sorrir e seguir
em frente com dignidade.

    O umbandista deve ser umbandista, sempre pedindo ao Pai Maior que
ele não esteja apenas sendo umbandista. É acreditar que mesmo nos
piores momentos da vida, com as maiores mazelas, com as maiores
decepções, mesmo estando em épocas ruins espiritualmente ou
materialmente, que os Orixás e as Entidades de Luz mesmo que não
possam nos tirar daquela situação por termos que passar por aquilo,
estarão ali, ao nosso lado em todos os momentos nos dando ânimo, força
e coragem, pois para sermos verdadeiramente umbandistas, devemos crer
nessas divindades sublimes, pois elas são a representatividade da pura
essência de Deus, nosso amado Pai Maior.

    Ser umbandista é vestir o branco sem vaidade.

    É não ter orgulho quando se recebe um agradecimento de alguém que
você nunca viu, simplesmente porque uma de suas Entidades de Luz o
ajudou a não ter orgulho.

    É colocar suas guias de trabalho e sentir o peso da
responsabilidade, onde muitos sentem apenas a vaidade e a ostentação.

    Ser umbandista é se entregar definitivamente a caridade, chorar,
sorrir, respirar, andar dentro de uma religião sem desejar nada em
troca.

    Ser umbandista é entender que não se deve pedir em causa própria,
ter vergonha de pedir as Entidades de Luz por si mesmo, e não ter
vergonha de pedir por um irmão necessitado.


    É estar sempre pronto para servir a espiritualidade e auxiliar aos
consulentes, seja nos terreiros, nos templos, nas casas, nas macaias,
nos caminhos, ou em qualquer lugar que haja a necessidade de nosso
trabalho.

    É saber que ao estar incorporado não é você a estrela do terreiro,
é respeitar cada momento da Entidade de Luz, seus gestos, seus atos,
suas palavras.

    É sentir a força do som dos Atabaques, sua vibração, sua
importância, sua ação dentro da Gira e no trabalho espiritual.

    Ser umbandista é sentir a satisfação de ver um consulente entrar
em um terreiro chorando em desespero, e vê-lo sair mais tarde da Gira
sorrindo.

    É ter esperança que todos os umbandistas encontrarão a receita
mágica do respeito mútuo.

    Ser umbandista é ser fiel a Umbanda mesmo que outros digam que o
que você faz, sua prática,sua fé, sua doutrina, seu acreditar, sua
dedicação, seu suor e suas lágrimas, não sejam em prol de uma
religião.

    É saber que se deve ter atitude, que só palavras não bastam, se
deve falar e fazer,pensar e ser,ser e nunca estar.

É saber que a Umbanda não vê raça, não vê cor, não vê status social,
não vê poderes econômicos, não vê credo. Ela só vê caridade, ajuda,
luta, justiça, cura, vê os problemas, as necessidades e a ajuda para
solucionar as causas dificultosas daqueles que a procura.

    Ser umbandista é entender que a Umbanda é livre, que não tem dono,
não tem bispos, não tem papa, mas está em nossas vidas para nos
auxiliar e a todos que a procuram.

    É saber que não é você que escolheu a Umbanda, e sim que foi a
Umbanda quem escolheu você.

    Ser de Umbanda é amar com todas as forças essa maravilhosa
religião, abençoada pelas Entidades de Luz, pelos Orixás e por Deus.

    Então fale a todos que você é umbandista, mostre seu amor e sua
dedicação aos Orixás e as entidades de luz.

    A Umbanda é linda!

Carlos de Ogum.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017 31 comentários

HISTÓRIA DAS MALANDRAS ROSA DA ESTRADA E ROSINHA DA ESTRADA.



 


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No cair da madrugada estrelas vi brilhar,
em um céu iluminado segui a caminhada,
encantado vi duas lindas moças a me abençoar,
mostrando-me o destino daquela longa estradda.

Meus olhos brilharam de emoção,
quando vi as belas se transformarem em facho de luz,
ali sabia que recebi uma grande proteção,
das lindas Malandras enviadas por Jesus.

Uma felicidade tomou conta de mim,
pois a noite se transformou em cores de aquarelas,
tudo brilhava do inicio ao fim,
descobri que Rosa e Rosinha eram os nomes delas.
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    Essa história teve inicio no final do século XIX e começo do
século XX, na região Sudeste do Brasil, exatamente na cidade do Rio de
Janeiro.

Uma jovem mulata de uns 21 anos aproximadamente, que residia nos
miseráveis cortiços da região, fora violentada por um coronel da
época, a deixando, além de desonrada, grávida.

    A bela mulata desesperada pelo fato ocorrido, fugiu para o alto do
morro onde tantos e tantos negros descriminados pelos senhores brancos
residiam.

    E em uma dessas casas de uma negra caridosa, a mulata foi se
abrigar, e claro se esconder do sanguinário coronel, que se
descobrisse a gravidez, assassinaria a mulata sem a menor dor na
consciência por ela está grávida de um filho provindo de uma violência
sem limites.

    O tempo passou, e a mulata cai em uma tristeza profunda. A espera
de uma criança que não desejava, a fazia chorar dias e noites a fio,
porém sempre tranquilizada pela velha negra caridosa que a abrigava em
seu casebre.

    E chegou o dia da mulata dar a luz. Com auxilio das negras mais
experientes ela foi cuidada com carinho para o trabalho de parto. No
entanto as horas passavam, mas a criança não nascia. As dores da mãe
estavam se tornando insuportáveis. Ela chorava copiosamente, sofria
intensamente, a cada contração. Então nesse instante algo de inusitado
acontece. A velha negra caridosa, de olhos fechados coloca as mãos
sobre o ventre da mulata, dizendo assim:

    "Você não tem apenas uma criança em seu ventre. Você tem duas,
duas meninas, duas divindades enviadas por Deus. Porém essas meninas
trazem com elas os dois lados da vida. Sendo o bem, vinda da mãe, e o
mal, vindo do pai.

    Esses dois sentimentos se uniram em carne, fazendo com que as
meninas nasçam como se fosse apenas uma pessoa, e o momento de decisão
será agora, e essa decisão virá da própria mãe. Essa decisão será
respeitada por Deus, e somente um ser prosseguirá com a vida."

    Ouvindo isso a mulata chorou e entendeu o que era sugerido, ou
ela, sacrificando suas filhas, ou as gêmeas ganhariam o direito a
vida, sacrificando a própria mãe.

    A mulata tomada por um carinho maternal, não teve dúvidas,
entregou a sua própria vida nas mãos do Pai Maior, para salvar a vida
das filhas. Mesmo sem entender o que significava tudo aquilo que a
velha negra dissera sobre o bem e o mal, e estarem ligadas pela
carne, ela compreendeu que a vinda das meninas era algo maior que seu
entendimento, e clamou as negras para que salvassem as filhas.

    E assim foi feito, a mulata se utilizou de todas as forças de seu
corpo, e com a ajuda das negras, muitas orações, as crianças nasceram,
e nesse instante após um olhar carinhoso as meninas, a mulata
dando seu último suspiro, desencarna.

    A velha negra faz uma oração ao espírito da pobre mãe
desencarnada, enquanto as outras negras que acompanhavam tudo, olhavam
com espanto para as duas meninas recém nascidas.

    Eram duas meninas lindas, de rostos angelicais, porém com um
detalhe que deixaram as negras reflexivas.

    As meninas eram ligadas uma no corpo da outra, essa ligação se
fazia através dos ombros, das palmas das mãos, das pernas e partes
traseiras dos pés, próximo aos calcanhares. Isso sendo todos do lado
esquerdo de ambas, ou seja, elas estavam sempre uma de costas para a
outra, e assim nunca poderiam se olhar frente a frente, olho no olho.

    Então para entendimento as meninas eram gêmeas xifópagas, ou no
popular, gêmeas siamesas, e isso ocorre quando um óvulo que começou a
se dividir em gêmeos idênticos para no meio do processo (ou, como diz
a teoria alternativa, dois embriões que acabam se fundindo). Este
capricho da natureza pode unir duas pessoas pelos mais diferentes
lugares do corpo, tornando a vida desses seres, no mínimo difícil.

    E assim as meninas viraram atração no morro, todos os moradores da
localidade desejavam ver e entender aquele fenômeno, porém por mais
que chamassem atenção, eram respeitadas extremamente por todos dali,
como que se cada homem ou mulher daquela localidade tivessem as
adotado como filhas, afilhadas ou um membro da família.

    O tempo passou, e as meninas iam crescendo, muitas coisas
aconteceram na região, coisas como a fome, doenças contagiosas,
ataques dos homens brancos e nobres contra os paupérrimos negros
moradores do morro, e isso ia deixando as meninas um tanto
incomodadas e reflexivas, não entendiam essa divisão e esse
preconceito contra os negros, pois esses mesmos negros não tinham
preconceitos contra elas por serem diferentes de todos ali.

    O século XX chegou rápido, e com ele a intensa luta contra os
negros dos morros aumentava ainda mais. Grandes fazendeiros, os
antigos coronéis do café, não aceitavam ainda a libertação de
escravos, mesmo se passando quase vinte anos do fato, e os atacavam,
agora não com a chibata e o tronco de castigos, mas com a falta de
alimentos e medicamentos que tanto era necessário naquele lugar tão
pobre.

    Muitas pessoas de bom coração, ligadas a caridade e a Deus, que
tinha o intuito de auxiliarem esses negros, se uniam em prol de uma só
ideia, salvar a vida de um semelhante, e assim sendo, com um jeito
muito peculiar iam ludibriando a guarda comandada pelos poderosos,
para que assim pudessem levar alimentos e remédios aos necessitados.

    Entre esses Anjos de Deus existiam três nomes muito conhecidos na
região, um era José Amadeu da Silva, conhecido como Zé Amadeu, e
dentro da espiritualidade ficou conhecido como Zé Pilintra, outro era
conhecido como Zé da Lapa, que depois passou a ser conhecido como
Malandro da Navalha Sagrada, e dentro da espiritualidade ficou
conhecido como Malandro Navalha, e o terceiro era conhecido como João
Estradeiro, pois ele era quem conhecia cada viela do morro fazendo
assim facilitar a entrada dos auxiliadores dos negros, esse mais tarde
ficou conhecido na espiritualidade como Malandro das Sete Estradas, e
foi ele que ao conhecer as gêmeas siamesas teve a ideia de
apresentá-las aos amigos Zé da Lapa e Zé Amadeu a fim de buscar ajuda
no fato que tanto incomodava o viver das meninas.

    E assim foi feito, após as explicações do caso aos amigos, João
Estradeiro os leva até o pequeno barraco de madeira na qual as gêmeas
estavam. Ao verificarem as meninas Zé da Lapa e Zé Amadeu ficam
penalizados com a situação. Zé Amadeu fixa os olhos nas gêmeas e vê
envolta delas dois vultos, um extremamente embranquecido e outro
totalmente negro. Ele fecha os olhos e clama ao Senhor Deus ajuda
para auxiliar as meninas, e nesse momento diante deles surge o
espírito da mulata, mãe das siamesas, e ao lado dela uma linda mulher
de manto azul, que sem falar nada apenas os olhavam com carinho.

    O espírito da mulata então disse com a voz serena:

    "Essas são as minhas filhas, fruto de meu ventre, luz de meu
caminhar. A elas entreguei a minha vida. Elas são duas pessoas, porém
um só ser, e esse ser tem dois caminhos, o primeiro o caminho do bem,
caminho esse que vibra em minha alma, e o segundo o caminho do mal,
caminho esse que vibra no espírito sanguinário do pai das gêmeas.

    Uma auxilia a outra a não se entregar a esse mal. E por esse
motivo devem estar sempre juntas. A separação carnal pode ser a perda
de uma das almas, a não ser que elas continuem unidas em prol da
caridade extrema.

    Por serem minhas filhas, e mesmo eu sabendo qual está do lado da
bondade, e qual está do lado da perversidade. Não relatarei, e nem
esclarecerei, pois assim posso protegê-la das obsessões que poderia
sofrer por estar ligada ao mal vibracional dos sentimentos escusos do
próprio pai.

    Peço ao senhor que viu qual das minhas meninas está com a força da
maledicência paternal, que não revele esse segredo, pois devemos
manter as duas meninas em trabalho em conjunto, para que assim o mal
não cresça e tome toda a humanidade."

    Ao ouvir esse relato, Zé Amadeu entendeu a gravidade dos fatos,
uma das meninas era tomada pela luz da caridade e da bondade, e a
outra deveria lutar contra o ódio, rancor e maldades provindas do
espírito paternal, e para isso as duas deveriam continuar juntas
buscando fazer a caridade aos necessitados.

    Mesmo assim não deveriam estar ligadas pela carne, e sim pelo amor
fraternal entre ambas, e esse amor deveria se estender aos semelhantes
necessitados, e só assim a alma da siamesa tomada pelo lado ruim
imposto por seu pai seria salvo e levado aos braços do Pai Maior.

    Ao ver a compreensão de Zé Amadeu, o espírito da mulata sorri, e
agradece, partindo juntamente com a imagem da mulher que lhe
acompanhava.

    A decisão de separar as gêmeas siamesas foi tomada, e esse ato
seria feito por Zé da Lapa e sua navalha sagrada. Ele se concentrou
nos bons espíritos, pedindo forças para uma boa realização do ato.

    Após alguns minutos de reflexão espiritual, Zé da Lapa começa a
fazer a separação das meninas com sua navalha. Com uma pericia divina,
veio ele de corte em corte separando as partes presas de ambas, até
que as separou por completo.

    No mesmo momento que fazia o corte, ele molhava as feridas com o
seu marafo. As negras que acompanhavam de joelhos ao chão, ficavam
boquiabertas ao verificarem as gêmeas sorrindo sem o mínimo de dor.

    O trabalho fora terminado, após a separação, foram feitas
compressas com ervas na qual a velha negra havia trazido com a
finalidade de auxiliar na cura das meninas.

    Se passaram três dias após a separação corporal das gêmeas. As
feridas estavam completamente fechadas. E assim foram retiradas as
compressas, podendo assim que as meninas realizassem um sonho antigo
delas, se abraçarem frente a frente. E diante de muitas lágrimas e
muita emoção, as ex siamesas se abraçaram com muito carinho, como se
fosse a primeira vez que estavam juntas. E depois de 15 anos vivendo
como gêmeas siamesas, as duas se olham fixamente, olhos nos olhos
demonstrando o grande carinho que existia entre ambas.

    O tempo passa, as meninas agora jovens lindas e caridosas, seguem
o mesmo passo de seus três Anjos, João Estradeiro, Zé da Lapa e Zé
Amadeu, que lutam pela caridade a favor dos desafortunados. As gêmeas
agora fazendo parte do grupo dos chamados "Malandros do morro"
lutam da mesma forma com intensidade para levar a caridade a quem
necessita.

    Muitas foram as noites nas quais as gêmeas saiam em busca de
medicamentos, alimentos e água para serem levados e entregues aos
moradores dos morros. Muitas e muitas vezes elas se arriscavam diante
da guarda que só atendiam aos poderosos que odiavam os negros
empobrecidos. Se utilizando de muitas conversas, de muita lábia, de
muito jogo de cintura, que aprenderam com seus amigos Zé da Lapa, Zé
Amadeu e João Estradeiro, elas conseguiam sair e entrar do morro
sempre trazendo algo que fosse para sanar a dor de seus companheiros
negros.

    Certa noite as jovens se aventuram por mais uma jornada de buscas,
com a intenção de trazer remédios a alguns negros que sofriam com uma
febre interminável, dentre esses negros a velha negra que cuidou da
mãe mulata, e também das pequenas gêmeas quando em idade tenra. Ao
descerem o morro se depararam com a guarda armada, e tentaram se
afastar dali. Porém viram que os guardas pegaram um garoto negro que
por infantilidade andava sem o menor receio por entre os brancos da
região. Ao alegarem que o menino havia furtado algo, começaram a
torturá-lo com socos e chutes. O garoto já caído na estrada úmida,
parecia inerte. Ao avistar isso Rosinha sai correndo gritando com a
guarda, enquanto Rosa retorna para buscar ajuda com seus amigos. E
assim elas se separaram, e não mais uma protegia a outra.

    Rosinha é pega pelos guardas, é levada a prisão, e lá foi
torturada a mando dos ditos nobres. Rosa fica desesperada sem saber
exatamente o que tinha acontecido com sua irmã. Sai pela cidade em
busca de notícias dela, porém por medo dos poderosos ninguém dizia
nada, a não ser que os guardas levaram o corpo do pequeno negro que se
encontrava já sem vida.

    Rosa ao encontrar com seus amigos relatou todo o caso, e eles
juntos foram em busca da jovem Rosinha.

    Sete dias se passaram até que conseguiram as notícias buscadas,
descobriram que Rosinha estava na prisão, e assim planejaram de
tirá-la de lá. Após algumas tentativas sem sucesso, enfim conseguiram
resgatá-la, a levando de volta ao morro e a casa da negra caridosa.

    Rosinha estava muito machucada, fraca, sem forças para lutar pela
sua vida, e ainda tinha adquirido uma doença nos pulmões dentro da
prisão.

    Rosa chorava intensamente com a dor da irmã. Vendo ela sem forças,
começou a se entregar a uma tristeza sem fim.

    Alguns dias se passaram, e mesmo com todo auxilio das negras, com
todos os cuidados dos Malandros, Rosinha desencarnou, não suportando
seu estado febril intenso, e todas as dores causadas pela tortura
extrema sofrida pelos guardas a mando dos senhores brancos.

    No mesmo momento que Rosinha desencarna, Rosa sua irmã amada
entra em um desespero profundo, tão profundo que seu corpo que sentia
as mesmas dores da irmã, se entrega vindo a desencarnar quase ao mesmo
tempo, caindo inerte sobre o corpo da jovem.

    Nesse instante todos se ajoelham e clamam misericórdia, e sobre os
olhares entristecidos dos amigos surge a imagem da mulher que antes
acompanhava a mulata mãe das gêmeas. Ela estende as mãos e de uma luz
intensa surge as imagens das gêmeas indo a seu encontro, e dali as
três partem com um sorriso meigo no rosto.

    Zé Amadeu, Zé da Lapa e João Estradeiro se entreolham, sorriem e
se abraçam dando graças ao Pai, por ter colocado as irmãs juntas
novamente, e assim não deixando o mal provindo do coronel sanguinário
tomar conta de uma das gêmeas fazendo com que esse mal se espalhasse
pela humanidade.

    Hoje as gêmeas são conhecidas como Rosa Malandra da Estrada e
Rosinha Malandra da Estrada, trabalhando em prol da caridade nos
terreiros, retirando males, obsessores, e não deixando que o mal
cresça.

    Friso que essas Malandras trabalham sempre juntas, sendo assim é
normal que elas vibrem sempre no mesmo terreiro, ou seja, onde uma
vibra certamente a outra ira vibrar também. É normal onde se tem um
médium que trabalhe com Rosinha Malandra, haja sempre outro para
incorporação e trabalho com a Rosa Malandra, ou vice e versa.

    Os médiuns que trabalham com essas duas Malandras, sentem um
repuxar no lado esquerdo do corpo, como se fosse jogado para frente, e
também pode acontecer um andar inclinado para o mesmo lado, além de
uma falta de sensibilidade no pé esquerdo. E tudo isso pelo fato das
Malandras terem sido xifópagas quando encarnadas.

    Elas tem a necessidade de trabalharem juntas, pois até os dias de
hoje não sabemos o segredo tão bem guardado pelo espírito de sua mãe e
pelo nosso querido Zé Amadeu, conhecido como Zé Pilintra nos terreiros
de Umbanda, segredo esse que talvez nunca seja revelado, qual das duas
Malandras traz na vibração o lado amargo, rancoroso e de ódio do pai.

    Sabemos que separadas esse mal pode crescer, porém juntas a
caridade domina e a luz divina dessas Malandras faz iluminar o caminho
de quem necessita.

Salve as Malandras Rosa e Rosinha da Estrada!

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017 30 comentários

Pontos Cantados Para Rituais de Umbanda

             

    Sabemos que os pontos cantados são verdadeiras orações dentro da Umbanda. Temos a compreensão de que são esses pontos que energizam nossos terreiros e templos a fim de podermos ter rituais e trabalhos de caridade de uma forma acentuada e tranqüila.

    Muitos terreiros têm suas regras e uma colocação muito particular desses pontos, de acordo com o trabalho sugerido; porém hoje vamos demonstrar uma forma básica para um ritual de Umbanda, ou seja, faremos uma seqüência de pontos desde a entrada até o fechamento da Gira, para que todos possam buscar o entendimento e não ficarem perdidos em uma possível visita a um terreiro.

    Frisando que essa colocação dos pontos não são regradas, todo Zelador de Santo tem a liberdade de estabelecer a seu critério, ou a critério do Mentor da casa. Aqui estamos apenas fazendo uma forma bem básica para essa demonstração.

    Não vamos seqüenciar todo ritual, ou seja, não vamos descrever cada passo da Gira, como orações, gestos, atos, enfim, demonstraremos apenas os pontos cantados em uma seqüência básica.


INÍCIO DE GIRA:

Pode ser cantado o Hino da Umbanda:

Refletiu a luz divina com todo seu esplendor,
é do reino de Oxalá onde há paz e amor.

Luz que refletiu na terra Luz que refletiu no mar,
luz que veio de Aruanda para todos iluminar.

A Umbanda é paz e amor. É um mundo cheio de luz. É a força que nos dá
vida e a grandeza nos conduz.

Avante filhos de fé, Como a nossa lei não há,
levando ao mundo inteiro a Bandeira de Oxalá! (bis)


ABERTURA DE GIRA:

Eu abro a nossa Gira com Deus e Nossa Senhora,
eu abro a nossa Gira com Tambores e Pemba de Angola. (bis)

A nossa Gira foi aberta com Deus e Nossa Senhora,
com aqueles mensageiros que vieram do Reino da Glória. (bis)

CRUZAMENTO DO TERREIRO:

Vou cruzar nosso terreiro,
vou cruzar nosso Gongá. (bis)

Com a força de meu Pai Ogum, (diz o nome do Orixá que desejar)
e a benção de Pai Oxalá. (bis)

DEFUMAÇÃO:

Nossa Senhora incensou seus bentos filhos,
para o mal de seus filhos retirar.

Mas eu incenso essa aldeia de Caboclo,
pro mal sair e o bem entrar. (bis)

SAUDAÇÃO A COROA DO ZELADOR DE SANTO DA CASA:

Ô salve a pemba,
também salve a toalha. (bis)

Salve a coroa de Babalorixá. (bis)

SAUDAÇÃO A COROA DA MÃE PEQUENA:

(Se canta para o Orixá regente da coroa)
(No caso do TUPOM: Omulú)

Meu Pai Oxalá é o Rei venha me valer. (bis)
É o velho Omulú Atotô Obaluaiê. (bis)

Atotô Obaluaiê, Atotô Babá,
Atotô Obaluaiê, ele é Orixá. (bis)

SAUDAÇÃO A COROA DO PAI PEQUENO:

(Se canta para o Orixá regente da coroa)
(No caso do TUPOM: Oxossi)

Eu vi chover eu vi relampear.
Mas mesmo assim o céu estava azul.
Firma seu ponto na folha da Jurema,
Oxossi reina de Norte a Sul.

SAUDAÇÃO A COROA DA FILHA PEQUENA:

(Se canta para o Orixá regente da coroa)
(No caso do TUPOM: Iemanjá)

Ê Iemanjá Rainha das ondas Sereia do mar.
Ê Iemanjá Rainha das ondas Sereia do mar.

Como é lindo o canto de Iemanjá,
faz até o pescador chorar,
quem escuta a Mãe D'água cantar,
vai com ela pro fundo do mar.
Vai com ela pro fundo do mar.
Iemanjá.

SAUDAÇÃO AS ALMAS:

Já deu seis horas,
deu meio dia,
as Almas pedem uma Ave Maria. (bis)

Ave Maria cheia de graça,
o Senhor és convosco, bendito sois vós,
entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre
Oh Senhor Jesus!


SAUDAÇÃO A TRONQUEIRA (MALANDROS):

(No caso do TUPOM, Senhor Zé Pilintra)

Ô, boa noite pra quem é de boa noite.
Bom dia pra quem é de bom dia.
"Abenção" meu papai "abenção".
Seu Zé Pilintra é rei da boemia.

Seu Zé fecha a porteira,
cancelas e tronqueiras,
não deixa o mal entrar. (bis)

Porque o galo já cantou na Aruanda,
farofa na "fundanga" é que vai queimar. (bis)

SAUDAÇÃO A TRONQUEIRA (EXÚS):

(No caso do TUPOM, Senhor Tranca Ruas, Senhor Sete Encruzilhadas e
Senhor Tiriri)

(Tranca Ruas)

O sino da Igrejinha
faz belém blem blom. (bis)

Deu meia noite o galo já cantou,
Seu Tranca Ruas que é o dono da Gira,
ô corre Gira que Ogum mandou. (bis)

(Sete Encruzilhadas)

Odara,
morador da encruzilhada,
firma seu ponto com sete facas cruzadas. (bis)

Filho de Umbanda,
peça com fé,
a seu Sete Encruzilhadas,
que ele dá o que você quer. (bis)

(Tiriri)

É meia noite em ponto o galo cantou. (bis)

Cantou para anunciar que Tiriri chegou. (bis)

Ele vem da Calunga de capa e cartola e tridente na mão,
esse Exú de fé é quem nos traz axé e nos dá proteção.

Ele é Exú Odara,
e vem nos ajudar,
com seu punhal ele fura,
ele corta demanda ele salva ele cura,
Exú é Mojubá, Laroiê.

Laroiê Exú, Exú é Mojubá.
Eu perguntei a ele o que é Exú ele veio me falar, Laroiê Exú. (bis)

Exú é caminho, é energia, é vida, é determinação,
é cumpridor da lei, Exú é esperto, Exú é guardião.

Exú é trabalho, é alegria, é veloz, Exú é viver.
É a magia, é o encanto, é o fogo, é o sangue na veia vibrando, Exú é
prazer. Laroiê.

Laroiê Exú, Exú é Mojubá.
Traz sua Falange Exú Tiriri para trabalhar, Laroiê Exú. (bis)

Vem seu Tranca Ruas, Maria Padilha e Exú Marabô,
Sete Encruzilhadas, seu Zé Pilintra aqui chegou.
Maria Mulambo, Maria Farrapo e dona Figueira,
dona Sete Saias, Pombo Gira Menina e Rosa Vermelha.
Sete Catacumbas, Exú Caveira firmou ponto aqui.
E o Exú Capa Preta anunciou a festa do Exú Tiriri.

É meia noite em ponto.

FECHAMENTO DA TRONQUEIRA:

Ô lá na beira do caminho,
esse Gongá tem segurança,
na porteira tem vigia,
meia noite o galo canta. (bis)

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    Com a Gira iniciada, os pontos cantados vão de acordo com os acontecimentos não rotineiros dos trabalhos. São cantados para as Entidades da casa, sendo assim fundamentados pontos para Pretos Velhos, Caboclos, Boiadeiros, Erês, Malandros, Ciganos, Exús ou Pombo Giras, de acordo com que for determinado pelo Mentor da casa, ou pela Gira que estiver agendada. Também é cantado para Orixás, principalmente nos dias de festejos a eles.

    Com essa parte da Gira sendo finalizada, vamos agora aos pontos de encerramento dos trabalhos.
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FECHAMENTO DE GIRA:

Eu fecho a nossa Gira com Deus e Nossa Senhora,
eu fecho a nossa Gira com Tambores e Pemba de Angola. (bis)

A nossa Gira foi fechada com Deus e Nossa Senhora,
com aqueles mensageiros que vieram do Reino da Glória. (bis)

SAUDAÇÃO AOS ATABAQUES E A CORIMBA:

Tambor você fica ai,
já é hora vou me retirar. (bis)

Adeus tambor,
adeus Gongá,
adeus Umbanda,
adeus meus Orixás. (bis)

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    E assim se fecha a Gira, frisando que essa colocação não é uma regra, pois vai de terreiro para terreiro, e de Zelador para Zelador de Santo.

    O importante é fazer o possível para acompanhar as canções, com boa vontade, vibração, carinho e fé.


Salve os pontos de Umbanda!


Carlos de Ogum
sexta-feira, 10 de novembro de 2017 41 comentários

Falando de Exú Mulambo e de Pombo Gira Maria Mulambo



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Em uma escura noite de inverno,
no caminho que eu seguia,
buscando um reino eterno,
encontrei o meu Guia.

Ao seu lado uma mulher bela,
que nas mãos trazia a luz,
nas cores da aquarela,
mostrando o caminho que me conduz.

Como Senhor Exú Mulambo ele se apresentou,
me abraçando como se abraça um irmão,
o nome dela era Maria Mulambo como assim demonstrou,
Exú e Pombo Gira que acalentaram meu coração.
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    A história conta que Senhor Exú Mulambo e Dona Maria Mulambo eram irmãos gêmeos nascidos nos meados do século XIII, provindos de uma família humilde que vivia na região noroeste da Inglaterra. Eram caçulas de um grupo de 11 irmãos, e foram separados desses irmãos por serem gêmeos.

    Nessa época alguns líderes religiosos importantes ligados aos nobres e a grandes fazendeiros, pregavam que crianças gêmeas eram a demonstração do mal na terra, que ao nascerem essas crianças estavam ligadas a feitiçarias e bruxarias, e deveriam ser mortas, queimadas ou afogadas nos grandes rios, para que esse mal não crescesse diante do povo humilde.

    Ao nascerem os gêmeos, seus pais ficaram desesperados, tinham receio de que esses líderes descobrissem que naquela gestação tão esperada surgiriam um lindo casal de gêmeos, e certamente seriam assassinados em nome da falsa pregação demoníaca inventada pelos religiosos atormentados pelas suas próprias mentiras, que se prolongavam e iam criando vida.

    No desespero o pai dos gêmeos os esconderam em uma caverna próxima dali juntamente com a sua esposa, afim de deixá-los em segurança. A partir dai espalhou a notícia de que a criança que nascera não suportou o parto, e desencarnou ao nascer.

    Foi uma comoção na região, pois a família era muito querida pelos trabalhadores rurais que ali sobreviviam.

    O pai dos gêmeos também disse que sua esposa se encontrava muito fraca, e que teria que buscar forças nos ares montanheses, e assim conseguiu omitir o nascimento dos gêmeos.

    Essa omissão ficou fora do conhecimento dos líderes religiosos por dez anos. Mas infelizmente algo de inesperado aconteceu.

    Certa tarde os irmãos gêmeos brincavam fora da caverna, e começaram a cogitar novas aventuras, indo até o pequeno arraial onde nasceram. E lá não deixaram de ser notados pela grandiosa semelhança entre ambos.

    O povo um tanto assustado os observavam muitos se afastavam pelo receio de estarem indo ao encontro de seres das trevas, pois por dezenas e dezenas de anos os líderes religiosos pregavam o mal que supostamente vinha de pessoas gêmeas.

    O falatório se espalhou entre todos, e as notícias chegaram até os grandes líderes religiosos, que estupefatos não acreditavam que poderiam ter deixados esses seres demoníacos, isso na visão deles claro, chegarem ao ponto de crescerem e se aventurarem por entre as pessoas da região.

    Foi um alvoroço enorme, todos cogitavam estar sendo atacados por feitiçarias, os líderes saíram em busca dos irmãos gêmeos, até que os encontraram inocentemente brincando pela cidade.

    De uma forma abrupta os capturaram, e os levaram presos até o mosteiro no qual esses líderes viviam. Lá foram apresentados ao grande supremo da religiosidade da época e local, e rapidamente foram jogados em um pequeno calabouço.

    Sem entenderem os fatos reais, as crianças choravam de pavor da situação, e nesse local que tiveram a primeira experiência espiritualista.

    No teor do pavor, na escuridão do calabouço, no desespero das lágrimas perdidas, diante das crianças surge uma linda imagem de um homem, forte e com a serenidade nos olhos, dizendo-lhes assim:

    "Não temam, logo estarão livres. E assim que a liberdade vier vocês partirão para uma nova vida, vida essa que estará cheia de prata e ouro. Porém, o tempo vai mostrar dois caminhos a vocês. O primeiro caminho será da caridade, do amor e da paz. O segundo caminho será de ostentação, prepotência e desamor. O livre arbítrio de vocês é que responderá por um terceiro caminho, no qual vão receber de acordo com o que for escolhido.

    Reflitam bem sobre essas palavras, pois a escolha será difícil, sofrerão pelo frio, fome e dor, mas poderão não sofrer e viver com a riqueza, nobreza, mas lhe faltando algo muito maior.

    Tudo dependerá do que tiverem dispostos a abandonar e a doar no futuro."

    E assim o homem desapareceu, deixando ali sobre intensa reflexão os irmãos gêmeos.

    Fora do mosteiro o pai dos gêmeos desesperado buscava uma maneira de ajudar os filhos, sem imaginar como poderia fazer isso, pois o poder dos líderes sobre o povo era intenso, tanto que centenas de pessoas se aglomeravam em frente ao mosteiro com tochas nas mãos com intuito de levarem às crianças a fogueira para serem queimados vivos.

    O pai em intenso desespero clamava a Deus. Lágrimas rolavam em seu rosto, precisava salvar seus pequenos.

    Na sacada do mosteiro apareceu um dos líderes religiosos dizendo ao povo a decisão tomada pela cúpula, e essa decisão seria levar os gêmeos a fogueira no dia seguinte para serem queimados vivos, e assim afastar os demônios que os seguiam, e desejavam tomar a cidade.

    A população ao ouvirem esses dizeres foram se afastando mais tranqüilos, imaginando que esse seria o melhor caminho a ser tomado para assim proteger a cidade da suposta tomada do demônio.

    Pouco a pouco o local era esvaziado, restando apenas o pai dos gêmeos, que continuava de joelhos a chorar copiosamente.

    Diante dele surge um dos líderes religiosos, no qual lhe estendeu as mãos e o pôs de pé, dizendo com uma voz amigável:

    "Meu irmão, sei do seu sofrimento, sei de sua dor como pai. Não prego o mesmo pensamento que meus companheiros de mosteiro. Não creio que irmãos gêmeos sejam enviados do demônio. Não tenho poder para lutar contra essa ideia, porém posso tentar ajudá-lo a resgatar seus filhos antes do amanhecer, para que assim possa fugir com eles para longe daqui.

    Uma luz de esperança surgiu no coração do pai desesperado. Ele cai de joelhos em frente ao missionário, agradecendo com lágrimas nos olhos.

    A madrugada se entranhou pela noite estrelada. O religioso adentra ao calabouço do mosteiro juntamente com o pai dos gêmeos disfarçado com as vestes usadas no ambiente de orações. Chegaram rapidamente até as crianças, que ao verem o pai se emocionaram extremamente.

    Com um máximo de cuidado conseguiram fugir do fatídico mosteiro do terror, e ainda pela madrugada fugiram da cidade, indo para um local desconhecido dos líderes religiosos.

    Andaram alguns dias e noites. O frio era intenso, a fome companheira extrema, o medo tomava os corações desesperados.

    Chegaram até uma localidade distante, e ali o pai teve que se separar das crianças e retornar ao arraial, pois com a fuga dos gêmeos e o desaparecimento do pai, que era antigo morador da localidade, poderiam os líderes desconfiar de algo, e fazerem algum tipo de mal a mãe das crianças e a seus irmãos.

    O dia já raiava, o homem chega a uma velha senhora, pede-lhe ajuda, explica que deixou a esposa adoentada na cidade vizinha, e tinha necessidade de ir buscá-la, porém tinha obrigação de deixar as crianças em boas mãos para que pudesse fazer uma viagem tranqüila.

    A velha senhora com todo carinho disse-lhe que o ajudaria, e que poderia buscar sua esposa sossegado.

    E assim o homem mais tranqüilizado partiu para buscar sua esposa e filhos, e assim tentar deixar tudo para trás e recomeçar uma nova vida. Porém a fúria dos líderes sem coração não tinha limites. Quando ele retornou a sua casa, o pai esperançoso teve uma surpresa extremamente desagradável. Sua casa tinha sido invadida, e presos foram sua mulher e filhos pelos líderes fanáticos.

    Ele desesperado corre até o mosteiro, e ao chegar acaba sendo capturado, acusado de fazer parte de feitiçarias, e por ter resgatado os gêmeos, que eram vistos como seguimento do demônio.

    De uma maneira covarde e impensável, os líderes, e o povo daquela região levaram a família dos gêmeos para serem condenados a fogueira. E em um grau de intensa de crueldade foram queimados com aval dos líderes religiosos.

    O tempo passou, a família foi esquecida pela população. E os gêmeos continuaram fora da cidade natal deles, vivendo com a velha senhora que lhes cuidavam como se fosse os próprios filhos, esperando a volta do pai que um dia os deixaram sobre os cuidados da anciã.

    E o pai não retornou, e não retornaria jamais. Alguns anos se passaram a velha senhora, agora fraca, doente, frágil, sofria por entender que seus dias de encarnada estavam para terminar, e com isso receosa em deixar os gêmeos desamparados, foi até um velho castelo, no qual ela trabalhou por toda a vida, e lá foi estar com um senhor muito caridoso Conde nobre da região, e com ele buscou auxilio para os gêmeos desamparados.

    Ele ouvindo todo o relato da velha conhecida, disse que ela não deveria se preocupar, pois cuidaria dos gêmeos, e assim o fez quando a anciã desencarnou.

    As crianças viveram no castelo por 10 anos, e nesse tempo aprenderam com o Conde que deveriam sempre buscar fazer o bem, trazer a paz e entregar a caridade. Porém os jovens se sentiam limitados, e desejavam auxiliar mais e mais pessoas, contudo naquela região já tinham feito o que era preciso, desejavam buscar algo ou alguém que realmente estava necessitado.

    Mesmo sem a autorização do Conde, os gêmeos saíram à noite em busca de uma cidade próxima, e assim avaliarem as condições de vida de outras pessoas. E esse foi um erro grandioso. Ao adentrarem na cidade natal deles e de sua família, logo foram percebidos por populares, e esses logo chamaram a atenção dos líderes religiosos, que sem demora foram ao encontro dos gêmeos. Após estarem de cara a cara, não havia dúvida, perceberam que eram os mesmos gêmeos fugitivos. E nesse momento, após muita falação, os jovens descobriram o triste destino de sua família, e talvez o mesmo para eles, a fogueira.

    O Conde dando falta dos jovens, após algumas perguntas descobriu o paradeiro deles. Sabendo de toda a história referente à lenda sobre gêmeos e os líderes cruéis, partiu com uma pequena comitiva no intuito de resgatar os jovens das mãos dos sanguinários falsos religiosos. Porém ao chegar ao local onde se encontravam, o Conde e sua pequena comitiva foram atacados por rebeldes que tomados pela ignorância imposta pelos líderes religiosos, assassinaram a todos sem a menor piedade.

    Ao observar toda essa crueldade o mesmo líder que antes havia auxiliado os gêmeos e seu pai na fuga do mosteiro, novamente buscou ajudar os jovens. O velho religioso dando roupas em farrapos aos jovens mandou que as usasse e separadamente se misturassem com a população. Não deveriam ser vistos juntos, até que conseguissem sair da cidade.

    E assim foi feito, partiram em fuga, com as vestes em farrapos para não serem reconhecidos.

    De cidade em cidade, os jovens iam caminhando, porém as notícias se espalhavam como pólvora, e como os líderes não admitiam por um motivo de orgulho serem contrariados, passaram a perseguir os gêmeos por várias cidades.

    Mesmo sendo perseguidos, os jovens continuavam buscando fazer a caridade aos semelhantes necessitados. Tratavam de doentes, auxiliavam as crianças, os idosos, recolhiam roupas e comida para os menos afortunados. Andavam com as vestes em molambos para não serem reconhecidos, só se encontravam a noite para serem protegidos pela escuridão, e de caridade a caridade feita, iam se mostrando seres de luz, paz e amor, como anjos enviados por Deus.

    Certa noite em uma pequena cidade na qual os gêmeos estavam auxiliando alguns andarilhos adoentados, entre eles várias crianças, um dos líderes que os perseguiam os visualizaram, e ficando de tocaia em observação onde os jovens se escondiam, e quando teve a certeza do local, se debandou apressadamente ao encontro dos outros líderes, com intuito de pegar os gêmeos de surpresa.

    Ao retornarem no local os gêmeos já não se encontravam mais, isso deixou os líderes raivosos ao extremo, e os fizeram sair dali com intenções de muita perversidade. Eles foram até o grupo de andarilhos no qual os jovens estavam cuidando, dentre esse grupo os religiosos pegaram as crianças a força, e espalharam o boato pela cidade que iam sacrificar um a um caso os gêmeos não aparecessem.

    A cidade ficou em desespero, as notícias se espalharam como fogo em pólvora, até que chegaram até os jovens gêmeos, que mesmo sabendo de seus destinos nas mãos dos líderes assassinos, foram até eles pedindo a soltura das crianças.

    Os religiosos capturaram os gêmeos, os torturaram até a morte. Seus corpos foram arrastados e jogados no meio da cidade diante dos olhares incrédulos da população.

    Os líderes simplesmente se viraram e partiram, deixando para trás o gosto amargo da vingança sobre dois inocentes que o único mal feito foi terem nascido gêmeos.

    As pessoas um tanto assustadas, se aproximaram dos corpos ainda vestidos com os molambos, os pegaram e os sepultaram um ao lado do outro. Sobre o sepulcro, flores nas cores azuis e rosas nasceram perfumando todo o ambiente, dessas flores saiam um pequeno néctar que milagrosamente auxiliava na cura de males das pessoas daquela região.

    Hoje em dia Senhor Exú Mulambo e Dona Maria Mulambo, trabalham em prol da caridade em terreiros de Umbanda, trazendo entendimento, retirando obsessores, como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, abrindo caminhos, retirando magia negra e feitiçarias, para aliviar a caminhada dos semelhantes rumo a Jesus.

    Laroiê Senhor Exú Mulambo!

    Laroiê Dona Maria Mulambo!
Carlos de Ogum
  
segunda-feira, 30 de outubro de 2017 160 comentários

ORIXÁ REGENTE DO ANO DE 2018.



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    E o ano de Pai Oxossi está chegando ao fim.

    2017 passou realmente como uma flecha, se findando com muitos
acontecimentos, coisas boas e ruins com esse ano se vão.

    Parando para refletir, fazer um pequeno parecer desse ano de 2017
podemos verificar o quanto houve evolução em nossa caminhada rumo a
Deus, ou talvez não evoluímos nada.

    Passamos bons momentos, assim como passamos momentos tristes.

    Fizemos novos amigos, novos amores, novos rumos talvez aconteceram
na vida de cada um de nós.

    Muitas lições dadas, muitas compreendidas, outras que nem
imaginamos que fosse uma lição.

    E assim o ano de 2017 se vai.

    Em nosso íntimo estamos nos preparando para uma nova era, uma nova
caminhada, novas lições, novos rumos talvez.

    Sabemos que a cada inicio de ano nascem com ele novas
possibilidades de alegrias, tristezas, vencimentos de obstáculos,
decepções, enfim, já ficamos preparados para estabelecer nossas
esperanças no novo ano que está para chegar, e assim elevarmos nossa
fé ao ponto máximo, e passar por ele de uma forma que só restarão as
alegrias, não deixando que as possíveis tristezas nunca nos domine, e
assim possamos progredir ainda mais a nossa tão sonhada evolução
espiritual.

    E a cada entrada de ano, nós umbandistas ou não temos um grande
interesse em saber qual o Orixá ou os Orixás que vão reger esses 365
dias de luta contra as dificuldades da vida.

    E como de costume é feito, o nosso amado Preto Velho Rei Congo,
jogou seus búzios, e nos revelou essa informação, sendo ela confirmada
pelos queridos também Pretos Velhos, Pai Antero e Vovô Benedito da
Calunga.

    Portanto, agora estaremos repassando as informações divulgadas.

    No ano de 2018 o Orixá regente será Pai Xangô que regerá
intensamente por todo ano, tendo como companhia a partir do mês de
junho a linda e explendorosa Mãe Iansã.


    Resumindo, e respondendo a pergunta mais simplesmente, ao ser
perguntado qual Orixá vai reger o ano de 2018, podemos certamente
dizer Xangô, que será o Orixá dominante desse ano.

    O ano de 2018 será um ano de busca de justiça, e cobrança por essa
justiça. A união entre os povos poderá derrubar muitos ditadores e
corruptos, porém tudo vai depender dessa união, pois o povo em geral
estará mais descrente com a própria justiça, e sendo assim poderá não
ter a união necessária para assim criar uma corrente de força, e assim
derrubar aqueles que se utilizam dos recursos públicos para seu
próprio bem estar e demonstração de poder.

    O ano de 2018, tendo também a influência de Iansã, passará tão
rápido quanto o ano de 2017, que tinha a velocidade da flecha de
Oxossi, isso porque os ventos de Iansã soprarão com mais força, e seus
raios riscarão os céus, dando a nítida impressão do tempo passar bem
rápido.

    Será um ano extremamente quente, e todos sentirão bastante isso, e
não só no que se diz a temperatura, pois o fogo vai predominar esse
ano, e sendo assim, além de em alguns meses a temperatura vai estar
fora do esperado, no que se diz calor literalmente, mas a temperatura
dos ânimos pessoais, podendo assim ser um ano com muitas batalhas com
intuito de dominar outros povos.

    A mãe terra estará em plena erupção, e a natureza vai buscar se
defender, isso pode ocasionar algumas tragédias naturais, assim como
grandes tempestades, ativação de vulcões e furacões.

    Em 2018 devemos manter nossa fé ativa, buscar fazer sempre o bem,
sermos fiéis as nossas convicções, pois sabemos que o ano de Xangô é
um ano justiceiro, e assim como Pai Xangô tem como símbolo seu machado
de dois gumes, devemos entender que esse ano será um período de
justiça para os dois lados, portanto aquele que faz o bem com amor e
honestidade, receberá o bem da mesma forma, porém aqueles que não
forem corretos serão cobrados de uma forma extrema.

    O ano de Pai Xangô é bem mais claro, correto e realista, ano que
devemos entrar no próprio eu, e tentar mudar nossos erros.

    Será um ano um tanto difícil a todo o planeta, e a recomendação é
Orar e vigiar, e assim melhoraremos como pessoa, e colheremos os
frutos desse ano da justiça.

    Muitas verdades escondidas aparecerão, muitas pessoas serão
desmascaradas, e muitas dessas pessoas buscarão a anarquia para tentar
se defender.

    No ano de Xangô todos seremos julgados, que seja pelo pequeno ato
falho ou pela grandeza da perversidade, independente disso, todos
seremos, e cada um de nós receberemos a condenação merecida por nossos
atos e ações.

    Esse ano é muito propício para os estudantes, pois além da justiça,
Xangô também é o Orixá da inteligência, e rege a todos que realmente
buscam um objetivo através do saber.

    Em 2018,, o ser humano vai ser tomado pelo mal da depressão, e
isso levará muitos a buscar o caminho de ceifar a própria vida.
Devemos lembrar que a vida não termina com desencarne, e fugir de
nossos problemas dessa forma é estar ampliando mais nossos
sofrimentos, portanto devemos nos manter sempre em ligação com Deus
através da fé, e jamais deixar que obsessores nos induzam ao suicídio.

    Iansã estará em 2018 com Pai Xangô, e ela é a dominadora de Eguns,
portanto toda vez que a tristeza extrema chegar até seu coração, que a
depressão tomar seu ser, que pensamentos suicidas invadirem sua
mente, clame por essa mãe tão dedicada a seus filhos, peça a essa
guerreira que os afaste de todas ideias que certamente iriam levar seu
espírito a sofrer intensamente.

    Com Mãe Iansã vindo no segundo semestre do ano, teremos um ano bem
agitado e, como já dito muito rápido, portanto é recomendado não
deixar as coisas se acumularem, não deixar o que possa fazer hoje para
o dia seguinte, e nunca deixar de buscar os objetivos.

    Iansã é uma Orixá guerreira, e no ano que ela se encontra regendo
ou sendo companheira do Orixá regente, ela deseja que todos devem ser
guerreiros também, lutando contra as injustiças, contra o desânimo,
contra o comodismo. Portanto busquem ser mais objetivos e batalhadores
pelas  próprias causas.

    Que Deus abençoe nossa caminhada nesse novo ano de muitas lutas,
e com muita dedicação, teremos muitas conquistas.

    Esperamos que todos os amigos entrem com muita fé nas vitórias
pessoais nesse próximo ano.

    Que Pai Xangô e a linda Mãe Iansã nos deem caminhos de luz nessa
nova jornada, e que todas as Entidades de Luz nos protejam por todo
ano de 2018.

    Que assim seja!

Carlos de Ogum

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sexta-feira, 20 de outubro de 2017 27 comentários

Dicas para Consulentes de Umbanda




Sabemos que a Umbanda recebe todos os filhos de braços abertos,
com carinho, dedicação, amor e caridade. Não é cobrado nada, não se
descrimina ninguém, pois a Umbanda é um grande coração e uma mãe
dedicada que aconchega todos seus filhos necessitados de auxílio.
Sendo assim, muitas vezes esses filhos acreditam que por ser amorosa
dessa forma, a Umbanda tem que realizar todos os desejos desses
consulentes, sendo esses desejos bons ou maus.

    Acreditam também esses consulentes que a amada Umbanda não tem
limites ou regras, e assim tentam fazer tudo que vem na mente desses
filhos errôneos

    Mas na verdade não é bem assim, pois a Umbanda é sim uma mãe
caridosa e carinhosa, e sendo assim como uma mãe, ela deve mostrar o
melhor caminho a seus filhos, ou seja, o caminho da paz, do amor, da
caridade, da fé, retirando desses filhos a arrogância, a ganância, a
inveja, a prepotência, a maledicência.


    E quando Zeladores de Santo, médiuns desenvolvidos, filhos dos
terreiros agem assim, muitos consulentes não entendem, ou fingem não
entender o propósito da religião, para assim tentar induzir aos
trabalhadores ao erro e entregarem a magia ao invés de Umbanda.

    Infelizmente muitas pessoas de baixo caráter, se dizendo
dirigentes de terreiros de Umbanda, se utilizam desses erros de
consulentes para fazer assim adquirirem bens, elevar sua vaidade e
ego, mistificar, etc.

    Mas hoje não estamos falando diretamente a esses falsos líderes
religiosos, e sim falaremos diretamente aos consulentes, aquelas
pessoas que acreditam que a Umbanda seja magia negra, que vai lhe
amarrar um amor, que vai transtornar um semelhante a sua vontade, que
vai lhe abrir caminhos sem merecimento ou esforço.

    Gostaria de esclarecer que a espiritualidade da religião de
Umbanda se consiste em Deus, nos Orixás e nas Entidades de Luz, e não
tem nada a ver com as magias que sacrificam, que cobram, que induzem,
que mentem, fazendo que o consulente de abertura a espíritos sem luz,
como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, que só servem para trazer a
miséria, a dor, a discórdia, o ódio, etc.

    Gostaríamos de demonstrar a verdadeira Umbanda, a que irradia luz,
amor e caridade, e para isso devemos ter a compreensão dos
consulentes, que na maioria das vezes fazem pedidos e exclamações sem
sentido, sem nexo ou sem noção, por pura falta de conhecimento do que
é a Umbanda, pois entram numa sessão de falta de informação muitas
vezes passadas pelos próprios falsos umbandistas, que buscam
enganar, mistificar pelos seus próprios interesses obscuros.


    O consulente deve entender que tem situações que não devem ser
expostas ou pedidas as Entidades de Luz, devemos respeitar as regras
da Umbanda e compreender que acima de tudo as Entidades as respeitam,
entre elas está o uso do livre arbítrio, portanto reflita antes de
fazer qualquer pedido.

    Sabemos que um terreiro de Umbanda é um complexo formado por
várias situações, que essas situações estão entre as Entidades que se
manifestam até os médiuns que são os mensageiros das mesmas. Portanto
devemos entender que para achar o equilíbrio desse complexo mundo é
sempre um desafio a qualquer Pai ou Mãe de Santo, claro que cada um
deles tem suas normas, formas ou maneiras de atender aqueles que
buscam soluções para suas dificuldades ou necessidades. Então falar
com as Entidades de Luz, ouvir seus conselhos e buscar a cura física
ou espiritual é sempre o maior objetivo de quem tem fé.

    Sabemos que da mesma forma que um consulente necessita de uma
Entidade de Luz, a Entidade também necessita do consulente, para que
assim seu trabalho seja feito, e essa Entidade continue caminhando a
evolução espiritual.

    Quando um consulente vai a primeira vez a um terreiro de Umbanda,
tudo é muito novo para ele, e muitas vezes já chega ao terreiro com
ideias errôneas, incentivadas por algumas pessoas que acompanham a
Umbanda por um período curto de tempo, e acredita ser muito
experiente, pois gosta de demonstrar saber nomes de Entidades, gosta
de incentivar pedidos sem nexo, gostam de mostrar que pode ser um
mensageiro das Entidades, e com isso derramam palavras e mais palavras
tentando se mostrar especial no assunto Umbanda.

    Mas com tudo isso um novo consulente de um terreiro chega
apreensivo na casa, sem a mínima noção do que possa acontecer ali,
chegam receosos, as vezes descrentes ou duvidosos, e muitas pessoas
chegam a ter medo das Entidades de Luz, pela falsa propagação de
ideias erradas que algumas pessoas passam, e assim se tem uma regra
importante da Umbanda, receber o consulente sempre com cordialidade,
deixando-os confortáveis e bem seguros. Que esses consulentes sejam
direcionados e bem orientados em relação aos acontecimentos, as
Entidades, a casa em geral.

    Porém o consulente não deve confundir esse bom tratamento como
liberdade, e muitos fazem isso infelizmente, e assim esquecem que a
Umbanda é uma religião e o terreiro é um lugar sagrado.

    Ao confundirem as coisas, o consulente pode fazer muitas coisas
que fogem das regras umbandistas, e entre muitas coisas vamos citar
algumas que nunca se deve ser feito dentro de um terreiro.

    Consulentes que vão as Giras com trajes transparentes, curtos,
sinuosos mostrando o corpo em excesso. Certamente isso não é uma
atitude respeitável, e desse modo acaba trazendo uma condição
constrangedora para o próprio consulente, pois se a casa for realmente
séria, as Entidades de Luz podem não desejar consultar aquela pessoa
com vestes assim, ou em algumas casas fazer o consulente usar algum
tipo de pano, avental, ou mesmo um camisão apropriado para cobrir o
corpo do consulente. Sendo assim a melhor coisa a fazer é ir com
roupas descentes a uma casa de Umbanda. E isso não é um julgamento
pelo modo que a pessoa se veste, porém sempre e louvável usar o bom
senso.

    Um outro detalhe a ser observado é o silêncio dentro do terreiro,
não é proibido falar ou conversar, mas sabemos que em alguns momentos
o silêncio é uma prece. Imaginemos no início de uma Gira por exemplo,
onde os médiuns tem a necessidade de concentração, e a assistência
fica em conversas paralelas, risadas, piadas, falas com tons elevados,
tudo isso é uma incoerência além de ser uma falta de educação extrema.
O mais louvável é que a assistência se mantenha em prece, quando for
cantado os pontos, cantem, quando se estiver louvando, louvem, mas
tudo dentro do que o terreiro esteja propondo.

    Evite ficar comendo ou saindo para fumar enquanto a Gira está
sendo coordenada, no terreiro estamos trabalhando com energias
espirituais, e esses atos acabam tirando a concentração dos trabalhos
e dos médiuns.

    Muitas pessoas ficam escolhendo Guias, acreditando que uma
Entidade possa ser melhor que outra, porém devemos salientar que
todas as Entidades são extremamente competentes da mesma forma, se
você tem confiança na casa e nos seus médiuns, não há necessidade de
se consultar com apenas uma Entidade de Luz, a não ser por dois
motivos, ou se você já esteja em algum tipo de tratamento com a
Entidade em questão, ou se você não confia 100% em outro médium,
acreditando que o mesmo possa estar mistificando. Fora isso é muito
bom ter contato com outras Entidades de Luz, pois a troca energética é
extremamente benéfica, além da grande oportunidade que terá em
conhecer novos Guias e Mentores. Devemos entender que a energia
passada em uma corrente espiritual é uma só, essa história de passar
em outro Guia para confirmar que o primeiro Guia disse e extremamente
anti ético, assim como nunca se deve desfazer de alguma Entidade.

    Na hora do passe, o consulente deve aguardar que um Cambono ou a
própria Entidade de Luz o chame, nunca entre na corrente sem ser
solicitado ou chamado, aguarde ser encaminhado e encaminhado. O
consulente deve ser sempre cordial com a Entidade de Luz, e não busque
ser áspero, mal educado, ou um testador de Guias, como por exemplo,
chegar a uma Entidade e dizer: "O Senhor é o Guia, diz o que está se
passando com minha vida."
Certamente isso vai dar um ar de prepotência e de que está tentando
testar a Entidade, o consulente que assim agir poderá ser advertido
pelo Cambono, pelo Zelador de Santo e pela própria Entidade.

    Compreendam que a Umbanda não é um trabalho de adivinhações, e o
médium que fizer parecer isso, é um médium mal desenvolvido,
mistificador e sem preparo para estar dando suporte a nenhum
consulente.

    Uma Entidade de Luz jamais deve ser abordada para dar soluções
escusas de caráter duvidosos, como por exemplo traições, falação de
terceiros (fofocas), falsos trabalhos amorosos como a amarração, ou
qualquer tipo de coisa que agrida o livre arbítrio de outra pessoa,
pensando somente no benefício do próprio consulente, isso é ser mal
caráter.

    Os consulentes devem compreender também que é totalmente errado um
médium que se diz incorporado com uma Entidade de Luz ficar
acariciando o consulente, tentando demonstrar mais apego do que é
devido. Se acontecer esse fato, se afaste imediatamente, e busque um
dirigente da casa e reclame, pois nenhuma Entidade de Luz tem esse
tipo de malícia com ninguém.

    Outra dica importante aos consulentes é muito cuidado com médiuns
que se dizem incorporados e desejarem cobrar valores, pois dentro da
Umbanda não se cobra quantia alguma por trabalhos, passes com nenhuma
Entidade de Luz, pois nenhum Guia compactua com esse tipo de coisa. E
não importa o tipo de justificativa dada pelo médium ou por qualquer
dirigente da casa, nada é cobrado, nada exigido, nada é tomado. A lei
da Umbanda é a caridade sem cobranças, não se pode impor nada.

    O consulente deve manter a boa educação sempre, pois se agir de
violência, palavras de baixo calão, inventar incorporação, dentro da
casa de Umbanda, e se isso não for nenhuma influência espiritual, como
um obsessor por exemplo, o mesmo deve ser convidado a se retirar do
local, pois o terreiro de Umbanda é uma casa de paz e contra violência
de qualquer espécie, frisando que será visto no caso da obsessão,
portanto não adianta falar que um provável destempero seja causa de
obsessores, pois certamente se não for vai ser desmentido na hora.

    Não é permitido a permanência de pessoas alcoolizadas dentro de um
terreiro, tenda, casa de Umbanda. Caso acontecer a pessoa será
orientada a se retirar, ir para casa se restabelecer e retornar quando
possível e estando sóbria, assim teria consciência de receber o
aconselhamentos e passes das Entidades de Luz. O atendimento não será
negado a essas pessoas, pois a Umbanda determina que jamais se negue
atendimento a quem busca um caminho.


    Finalizando devemos compreender que os consulentes de Umbanda são
como qualquer outro fiel de qualquer outra religião, e deve se manter
em respeito e atenção naquilo que ele crê. Se dentro de uma Igreja
Católica, ou em uma Evangélica vemos fiéis comportados na maioria das
vezes, claro que em alguns supostos templos a tormenta e a gritaria
toma conta do ambiente, mas isso é outro caso, porque dentro de um
terreiro de Umbanda o respeito, o bom senso, a honestidade, o amor e a
caridade não devem ser impostos dentro da casa pelos consulentes?

    Vamos evitar pedidos sem noção, roupas com apelos sensuais,
pensamentos obscuros, falta de respeito com as regras da casa, enfim,
vamos ser verdadeiros umbandistas, verdadeiros amantes de nossa
religião, adoradores de Deus, dos Orixás e das Entidades de Luz.

Reflitam bem!

Carlos de Ogum.

                                        





terça-feira, 10 de outubro de 2017 32 comentários

A Cremação na visão da Umbanda

              

    Antes de começarmos a falar sobre a Cremação na visão da Umbanda, devemos explicar o que seria a cremação em si. Pois bem, vamos lá.

    A cremação é o ato de incineração, ou seja, da queima, até reduzir a cinzas o corpo físico de uma pessoa desencarnada.

    Essa incineração é executada através de um grandioso forno que tem altíssima temperatura.

    Dentro das leis humanas, para que haja a cremação de um corpo é necessário que se aguarde além da fase da catalepsia (estado de passividade e rigidez muscular), onde parece que a pessoa está morta, mas na realidade não está e por esse motivo deve-se aguardar o tempo necessário para que seja feita a cremação.

    Dentro da visão umbandista a CREMAÇÃO é um procedimento dos mais condizentes dentro do plano espiritual, pois é na verdade a purificação do corpo e do espírito.

    Do corpo, pois através desse ato, o espírito se desliga inteiramente da matéria, não retornando mais ao local de origem. Além do que o processo crematório é muito mais limpo do que o tradicional, pois neste caso o corpo fica apodrecendo nas campas do Cemitério, o que não ocorre na CREMAÇÃO.

    É recomendado aguardar o mínimo de 72 horas antes da cremação de um desencarnado, pois é dentro desse período de tempo que o perispírito, ou seja, o espírito daquela pessoa que desencarnou se desprenda da matéria e seja encaminhada para o astral.

    Não se tem conhecimento que alguma religião seja contra o processo de CREMAÇÃO. A princípio todas as religiões praticam esse processo, caso seja a vontade da pessoa antes do desencarne. Portanto, nada impede ao Umbandista de solicitar o processo crematório antes de sua passagem para o plano espiritual.

    Portanto, a cremação é aceita dentro da Umbanda, porém como já foi dito devemos respeitar às 72 horas de desprendimento de espírito/corpo.

    Dentro da biologia humana, estudiosos dizem que quando a pessoa morre, o cérebro demora até 32 horas pra "apagar" seus últimos neurônios. Já as células da pele ainda se dividem por 24 horas. Com essa colocação, é provável que seja nisso que a Umbanda se baseia pela espera de 72 horas após o desencarne para ser feita a cremação.

    O grandioso Mentor e irmão de Luz Emmanuel, no livro O Consolador, psicografado por Chico Xavier, quando lhe perguntam se o Espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos, a resposta é a seguinte:

"Na cremação, faz-se mister exercer a caridade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tônus vital, nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material."

    Chico Xavier, ao ser indagado no programa Pinga Fogo quanto à cremação de corpos que seria implantada no Brasil, respondeu: "Já ouvimos Emmanuel a esse respeito, e ele diz que a cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio."

    Devemos entender uma coisa básica, não somos corpos com espíritos dentro, somos espíritos eternos, temporariamente dentro de um corpo físico, e temos o objetivo de evoluir, tanto moralmente quanto intelectualmente. E quando esse corpo físico se deteriora, a normalidade é que esse espírito o deixe, retornando a pátria espiritual, e assim que possível voltar a um novo corpo físico, para que assim dê continuidade a novas experiências no planeta, novas oportunidades de evolução, bem como terminar aquilo que por ventura não conseguiu na existência carnal anterior.

    Sabendo disso, podemos imaginar que o corpo físico é como uma peça de roupa que adquirimos, pela sua qualidade e pelo nosso gosto, e devemos fazer o máximo para preservá-lo, e assim que essa peça dure o maior número de dias possíveis. E claro que quando essa peça de roupa se deteriora, vamos substituí-la por outra em melhores condições. E assim é o corpo físico, a roupagem que o espírito se utiliza para viver nesse planeta. E nesse sentido, quando o espírito se afasta se desprendendo do corpo físico, deixa de ser importante a finalidade que lhe é atribuída, portanto se é cremado ou mesmo enterrado, as razões prós e contras são mais de ordem social do que espiritual. Portanto se a cremação for decidida pela pessoa antes de seu desencarne, ou pela família por tradições, só é recomendado aguardar às 72 horas para o total desprendimento do perispírito do corpo físico.

    Muitas dúvidas teremos quanto à cremação, porém devemos refletir que o espírito de um corpo cremado, poderá sofrer tanto quanto a de um espírito de um corpo sepultado, sendo esse espírito apegado ao material, a matéria em si. Só que isso independe da cremação ou do sepultamento, e sim da maneira que esse espírito viveu sobre a terra dos encarnados, com suas vaidades, suas ganâncias, seus vícios, ou seja, para um espírito não sofrer ao desencarnar, devemos melhor como pessoas, sermos desapegados a matéria, sermos caridosos, enfim, sermos verdadeiramente umbandistas.

Reflitam!


Carlos de Ogum
 
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